Notas iniciais
Veremos qual foi o resultado de tanto esforço depois do Grande Torneio.

Ah, você voltou! Que alegria saber que finalmente alguém terá o prazer de ouvir toda a minha história! Melhor se sentar, meu caro ouvinte. Temos muito a conversar.

Em primeiro lugar, eu devo supor que, como você está aqui de novo, significa que você não se desiludiu pelo começo da minha história, onde eu disse que contaria sobre a Maior Guerra do Mundo. Provavelmente você também entendeu a importância por trás da criação da Guilda Immortal Star, e prestou bastante atenção nos pontos onde possíveis intrigas estavam prestes a ocorrer, demorando ou não.

Bom, bom. Isso é ótimo. Tente sempre manter aquelas suas dúvidas sobre o "por quê?", o "onde?" e o "quando?". Você logo conseguirá encaixar tudo em pequenas correntes de acontecimentos, que vão cada vez mais se aproximando uma da outra. Saiba que de agora em diante, minha história começa a tomar um rumo um tanto... Caótico. Não se surpreenda pelas viradas extremas de clima e de situações. Esteja preparado para aguentar o fôlego como se estivesse mergulhando no mar mais poluído.

"O 'clímax' da minha história acontecerá agora?", você pergunta? Ahahah! Não se apresse, meu bom ouvinte. Mas eu posso dizer que será "logo".

Primeiro, você deve estar morrendo de curiosidade sobre o que aconteceu com os quatro primeiros integrantes da recém formada Guilda, correto? Aposto que quer saber exatamente o que aconteceu logo depois de toda aquela cena histórica na Arena. Um aviso. Uma negação. Um pedido de casamento, quem sabe? Eu sei.

Pois bem. Vamos ao que interessa.

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As pessoas encaravam nosso mundo de maneiras muito diferentes umas das outras. Isso era, obviamente, quando visto e perguntado para pessoas de diferentes nações. Vá para o mais Nordeste possível do mundo e você vai encontrar pessoas lutando arduamente contra um inverno derradeiro, que não dava nenhum descanso paras as terras poderem ser de alguma ajuda com plantio. Aqui, você encontra as pessoas abatidas e famintas. Vá para o extremo Oeste, e você vai se encontrar com uma séria escassez de água e suprimentos, e tudo porque quase todas as rotas dos mercadores estavam interditadas — para não dizer "tomadas" — por gangues enormes de bandidos mal encarados. Aqui você encontra pessoas com um olhar ganancioso, procurando qualquer brecha para poderem aguentar até o dia seguinte. Vá para o Sul e encontre pessoas desesperadas com o fogo nascente de uma guerra absurda contra o maior país do mundo (e mais poderoso também). Aqui você encontra pessoas desesperadas com sua moradia e famílias tristes que acabaram de perder mais um membro por causa das batalhas. E se você for para o Centro do Mapa do Mundo, vai encontrar uma cidade tão grande, que ela tem todos os tipos de pessoas descritas anteriormente.

Riven é enorme ao todo sentido da palavra. Muitas pessoas acreditam que o próprio sentido de "grandeza" foi criado só depois que a cidade foi fundada. Claro, ela não "nasceu" assim de um dia para o outro. Mas é fácil saber o porque ela cresceu tanto em uma velocidade tão grande.

Vamos começar falando do fato que ela está exatamente no meio do mundo. É quase como se fosse dizer que ela não está nem longe e nem perto de nenhum outra nação. Outro fato relevante é suas excelentes terras para plantio e grande número de fazendas. Isso trouxe muita mão de obra e criou um mercado de exportação próprio. A Família Real que tomava conta da nação desde seus primórdios sabia o que estava fazendo. Eles souberam administrar perfeitamente toda uma milícia para cuidar das terras, fazer uma boa propaganda para atrair cada vez mais pessoas e ter criado uma Capital rica, bela e principalmente, cheia de oportunidades.

Hoje, Riven pode se orgulhar por cada cantinho que lhe é de direito. Ela é o Centro de importação de exportação de praticamente tudo, já que aqui você encontra todo tipo de artista, artesão, músicos, ferreiros e mais uma infinidade de profissionais qualificados para lhe oferecerem um trabalho perfeito. Você quer costurar sua roupa? Venha para Riven. Você quer reformar sua casa? Venha para Riven. Você quer concertar sua espada? Venha para Riven. Você quer contratar um assassino para acabar com a vida miserável daquele seu vizinho chato que fica jogando lixo no seu quintal? Ora... Venha para Riven, é claro!

Não podemos deixar passar a parte mais importante sobre esse reino: sua força militar. Ninguém entendeu exatamente como aconteceu, mas Riven conseguiu criar um exército numeroso o suficiente para cuidar de todas as fronteiras do reino. Para não falar dos incríveis guerreiros que faziam parte desse mesmo exército. Lendas dizem que alguns dos melhores soldados do exército valem por cinco, dez e até mesmo absurdos vinte outros soldados! É bem provável que essas mesmas "lendas" foram o que fizeram a cabeça de incontáveis homens e mulheres, que viajaram do outro lado do mundo para poderem ter uma chance de fama ou simplesmente se fortalecerem fisicamente.

Bem provável que foi pensando nessas pessoas que o Coliseu dos Deuses foi criado. Era uma estrutura magnífica, e assim como Riven, era grande. Não poderia "não" ser. Tinha espaço para milhares de pessoas, uma arena digna de aplausos e um cuidado especial para proteger os visitantes. Para os lutadores, que eram as estrelas do show, havia ainda mais importância. Havia quartos especiais para eles, salões para refeição e enfermarias para seus tratamentos. Tudo de bom e do melhor.

Nesse mesmo Coliseu já acontecerem os maiores eventos envolvendo não só Batalhas, mas sim, testes exclusivos de Magias Arcanas e Alquimia. Muitas desses eventos eram um pouco... Explosivos. Então contar com a proteção ao redor da Arena era uma benção para um Mago que tinha acabado de criar uma nova maneira de usar magias de combustão, por exemplo.

Mas nada se compara às incríveis batalhas já travadas naquele ringue. Algumas lutas foram tão históricas, que elas eram gravadas em forma de pinturas e até mesmo escritas em contos, que ficavam em um grande saguão do próprio Coliseu, aberto a todos os curiosos a qualquer horário do dia. Esse saguão — conhecido como Memórias Infinitas —, não era muito modificado. Isso se trata principalmente porque, para ser adicionado aqui, a luta deverá ficar gravada na memória de cada integrante do público daquele dia em específico. Resumidamente, deverá ser uma luta ou um acontecimento realmente épico.

Fazem exatamente dois anos que nada nesse saguão é mexido, a não ser no quesito limpeza, claro. Mas depois desse Torneio de Times, o Coliseu se viu na obrigação de mexer um pouquinho nele. E obviamente, estamos falando sobre o time Immortal Star.

Foram adicionados dois novos "itens" à já linda coleção daquele saguão. O primeiro foi um quadro ilustrado por um dos melhores pintores da cidade. O quadro era razoavelmente grande, e mostrava a exata cena do time entrando no ringue na cerimônia de encerramento. A imponência em seus rostos, a bandeira com o símbolo da futura Guilda esvoaçando ao pouco vento que fazia e principalmente a glória que os integrantes emanavam foi artisticamente retratada naquela obra de arte. O segundo era menos vislumbrante visualmente, mas com toda certeza, era tão encantadora quanto à outra. Se tratava de um pilar retangular de mármore com letras gravadas. Foi escrito as melhores cenas e atos de cada integrante desde a primeira luta deles até a última, de uma forma resumida, mas muito autoexplicativa. Não que os espectadores precisassem daquelas palavras para se lembrarem de cada luta.

Pode não parecer, mas já fazem oito meses desde que aquele Torneio teve início, meio e fim. Sim, exatamente. Fazem oito meses desde que a Immortal Star ganhou o primeiro Torneio de Times do Coliseu dos Deuses, anunciaram que não participariam da Planetarium e prometeram criar uma nova Guilda. O que aconteceu desde então?

Em primeiro lugar, muita coisa aconteceu muito rápido, mas outras não poderiam ser tão apressadas assim. Por exemplo, não dava para criar uma Guilda de um dia para o outro. Você precisaria de um local apropriado para a vivência e organização do pessoal, e como já tinha sido dito anteriormente, fazer isso em Riven não era lá tão fácil. Mais especificamente, era extremamente complicado de se iniciar qualquer processo de criação. Ter renome e a quantidade de dinheiro necessária não era para qualquer um. Mas...

O time usou o dinheiro da vitória para pagar a construção completa da Base da Guilda, que ficaria muito próxima ao próprio Coliseu e nem tão distante aos grandes muros do Castelo. A construção demorou incríveis cinco meses para ficar pronta. Você acha que é pouco? E seria mesmo... Se você não fosse um membro de uma das mais importantes Famílias Reais da Capital. Então sim, a Base foi construída pelos mesmos construtores que trabalham diretamente no Castelo.

A estrutura quadrada da Base ficou magnífica. Para não dizer "invejosa". Ela ficou grande, até maior que a filial da Monster Hunter que tinha na cidade. Vamos começar dizendo que ela tem quatro andares: três superiores e um subterrâneo. O primeiro andar era onde ficava a Entrada Principal, o Hall de Tarefas, os Pedidos Ativos, Lista de Membros e os balcões onde ficavam os auxiliares que faziam os contratos e ajudavam as pessoas de toda forma possível. Tudo isso feito sem nenhuma repartição, com exceção do balcão até a parede dos fundos. Pilares brancos e azulejados colocados em duas linhas criavam uma harmonia típica de um museu que acabou de ser reformado. Um grande tapete roxo claro corria das grandes portas duplas até os balcões. Havia três candelabros prateados pendurados, também alinhados com o tapete e os pilares. Só de entrar, a pessoa já poderia se sentir maravilhada com a vista.

Agora o segundo andar... Era aqui que a bagunça acontecia. O segundo andar parecia ser maior que os outros porque ele continha mais coisas. Pra começar, no canto esquerdo e ao fundo, havia a grande cozinha. Colada a ela, o salão para alimentação. Acredite, era o lugar mais barulhento do mundo (e logo você entenderá o porquê). Esse salão continha três enormes mesas de jantar retangulares, uma do lado da outra separada por bancos conjuntos, além de dez mesas para duas pessoas espalhadas quase que aleatoriamente pelo local, vários bancos perto da parede que dava para a cozinha e até quatro mesas para uma só pessoa espalhadas em cada canto. Ainda nesse andar, só que mais para o meio dele, havia a Grande Sala de Reunião e Estratégia, com uma só grande mesa oval e cadeiras ao redor da mesma. Até o presente momento, essa sala não havia sido muito enfeitada ainda, a não ser dois grandes mapas que ficavam na parede: um do mundo e um da Capital. Muito em outra ponta, havia uma biblioteca de médio porte, que ainda teria que ser trabalhada para ter mais conteúdo. E por fim, haviam o bar e o salão de jogos e recreação. Era outro lugar barulhento, principalmente quando certas pessoas decidiam exagerar na dose... O que, infelizmente, acontecia em uma certa chata frequência.

O terceiro andar era bem mais simples de se explicar, já que ele era só os quartos dos integrantes da Guilda. Não havia nada de espetacular aqui... Pelo menos não nos corredores. Agora dentro de cada quarto... Isso já era outra história. Mas só para não deixar sem explicações, os quartos foram todos feitos do mesmo tamanho, com o mesmo tipo de porta e janela e sem pinturas excessivas. Cada integrante poderia "personalizar" seu quarto do jeito que quisesse. Ah sim, e além desses quartos, haviam dez quartos maiores, que eram para os casais. No atual momento, só havia um sendo ocupado.

E por último, havia o andar subterrâneo. Esse era realmente o maior andar e ocupava muita coisa importante. Era aqui que eram guardadas as reservas de comida e bebida, os equipamentos de cada integrante, o cofre da guilda — muito bem protegido, por sinal — e um espaço especial para treinamento. Esse espaço era fortificado magicamente para que qualquer membro pudesse usar suas magias com força máxima sem se preocupar em destruir toda a Base. Mas claro, nem toda proteção é perfeita — confirmamos isso na batalha final do Coliseu. Então a Guilda estava tentando disponibilizar um espaço aberto para outro tipo de treinamento, mas até o presente momento, nada havia sido concretizado.

Essa era a Base da Guilda Immortal Star. Não é preciso dizer que todos os membros amaram o local desde a primeira vez que colocaram os pés nela. E não demorou nem um dia para que pedidos começassem a aparecer e trabalhos começarem a movimentar todo o pessoal.

Mas antes que isso acontecesse, houveram cinco longos meses onde essa Base não existia. Então... O que nossos Campeões estavam fazendo? E o que outras pessoas que tem uma importância chave para os acontecimentos do mundo estavam fazendo? Vamos à elas.

Começando pelo mais "ocupado" de todos, estava Mulkior Musubi. Como o representante chefe da Guilda, ele que teve que ficar com todo o trabalho chato. Interprete isso com "assinar montanhas e mais montanhas de papéis".

O mago de ferro teve uma ideia excelente. Como ele queria que a Guilda fosse criada o mais rápido possível, ele pediu para seu próprio Pai — Lorde Musubi, uma pessoa dedicada ao trabalho e preocupada com as loucuras de alguns de seus filhos —, um local em sua mansão para que fosse usada como "base temporária" da Guilda. O homem disse que não poderia recusar esse pedido vindo de um verdadeiro campeão, e cedeu uma Sala de Leitura em sua mansão para que o filho a usasse a bel prazer.

Mumu foi mais a fundo e, além de pedir por essa sala, disse que ficaria ali vivendo até que a Base ficasse pronta, o que deu uma certa felicidade para a mãe do garoto. Nunca foi dito muito sobre a mãe de Mulkior, mas pense naquelas mães corujas que se o filho espirrar por inalar pó, ela o leva para uma clínica médica no mesmo segundo. Mas então, o velho quarto do garoto foi arrumado e ele e sua "parceira" passaram os cinco meses lá. Por causa disso, certos acontecimentos foram muito marcantes para ele, como ver a primeira conversa entre sua mãe e Kula. Mas isso é assunto para outra hora.

Mulkior teve realmente muito trabalho para fazer. Ele teve que ir a muitas reuniões no Castelo sobre a criação da Guilda, teve que assinar muitos documentos e fazer até juramentos perante ao Rei. Durante essas visitas, ele descobriu que muitas pessoas — soldados principalmente — estavam agradecidos por ele ter ido ao Castelo ajudar naquele ataque dos Rebeldes. Mumu nunca foi de se vangloriar, mas gostou dos elogios porque eles terminavam em um tipo de "propaganda" para sua Guilda.

O mago teve que cuidar das partes mais complicadas na criação da Guilda, assim como a contratação do pessoal e fiscalização diária da construção da Base. Por mais chato que pudesse parecer, ele fez todo o trabalho com um empenho sensacional. Ele admite que quase endoidou por ficar tempo demais parado naquela sala preenchendo papel e fazendo solicitações, mas ele mesmo sabia que era um "mal obrigatório".

Depois temos Kula Chikigane. Não era necessário dizer, mas a maga ficou como ajudante principal de Mulkior em todo esse processo inicial da Criação da Guilda. E claro, ela também virou a "garota propaganda".

Começamos dizendo que esses cinco meses para ela foram, no mínimo, sensacionais. Por que ela estava vendo a Criação de uma nova guilda? Não. Por que ela estava prestes a entrar em sua primeira guilda depois de tantos anos trabalhando como ajudante passageira? Não. Então... É claro, que era porque ela foi apresentada oficialmente para a Família Musubi.

Depois daquela cena na Arena do Coliseu, os dois magos perderam totalmente a vergonha um do outro, e andavam como um verdadeiro casal. Depois do Torneio, ela recebeu tantos "parabéns" de tantas pessoas diferentes, que ela nunca sabia se era por ter sido campeã, ou pelo pedido de Mulkior.

Nenhuma dessas congratulações foi tão viva e intensa quanto à que Regi fez. Na verdade, San classificou a cena como "exageradamente maluca". Foi quando todos os quatro integrantes foram na casa do pai de Mulkior para ter um "jantar comemorativo". Lá, Regi não perdeu o sorriso do rosto e não parou de falar nem por um segundo sequer. Ela chegou a se afogar com o próprio suco. Lembra da parte sobre a primeira conversa de Kula e a mãe de Mulkior? Bem, foi aqui. E foi longa.

Mas voltando a parte importante. Kula teve um trabalho mais físico. Ela ficou encarregada de espalhar a notícia da criação Guilda pela cidade e pelas vilas vizinhas. Então era ela que colava os cartazes, que entregava panfletos e que dava algumas explicações para todo e qualquer interessado.

A garota causava sentimentos diversos no povo de Riven. Por parte, ela tinha fãs. Pessoas que amaram suas lutas no ringue e que lhe prometeram que assim que a Guilda estivesse pronta, iriam fazer uma visita e até fazer pedidos. E a outra parte, era o povo que tinha um respeito — para não dizer "medo" — pela maga de fogo. Não podemos esquecer que foi essa jovem dama que destruiu uma das maiores proteções mágicas do mundo e quase incendiou o Coliseu.

Ela também participou de muitas reuniões com Mulkior, onde teve que fazer os mesmos juramentos que o amado. Infelizmente, não eram os únicos juramentos que ela imaginava fazendo com o amado.

Além disso, ela passou muito tempo com Regi, pois a ferreira realmente forçou uma aproximação bem íntima. Isso não incomodava em nada a maga, pois ela tinha gostado muito da sobrinha de seu parceiro, e ter uma grande amiga em uma cidade daquele tamanho era aconchegador.

Agora vamos para Mana, a Ex-Assassina da Dead Blade. Era a única que já tinha sido membro de uma Guilda, então é claro que ela deu importantes dicas para Mulkior, principalmente sobre a contratação de pessoas.

Inicialmente, Mana se sentiu meio que perdida em o que fazer. Ela não conseguiria fazer o trabalho que Kula estava fazendo — imagine você que excelente seria receber um panfleto direto da mão de uma assassina? — e também não poderia ficar no lugar de Mumu no quesito de assinar papéis e fazer dez mil solicitações. A situação piorou quando uma coisinha aconteceu e a deixou em estado de Fúria Suprema. Logo chegaremos a isso.

Mas para aliviar todo o estresse mental da garota, Mulkior a fez trabalhar nos primeiros pedidos para a Guilda. Ah sim, era importante resaltar que a Immortal Star trabalhou ANTES de ter a Base concluída, mas foram só trabalhos internos.

Em primeiro lugar, ela serviu como Guarda-Costas pessoal de Lorde Musubi em uma viajem de negócios para o sudeste. Não era uma viajem muito longa, mas como já dito anteriormente, aquelas partes do mundo estavam sendo consumidas pelo fogo descontrolado da Guerra. Por sorte, nada aconteceu e a viajem foi tranquila.

A própria assassina teve que recusar — quase violentamente — três pedidos de Bart Evans. Ele não aparecia como um membro da Planetarium e sim, como um Burguês. Os pedidos eram sempre os mesmos: para que Mana o acompanhasse em alguma viajem ou para que simplesmente passasse um dia com ele. Era tão irreal que chegava a ser ridículo. E não, por mais incrível que pareça, não tinha sido isso que a deixou naquele estado de fúria.

Por fim, Mana recebeu um trabalho realmente importante, que seria mais complicado do que difícil. O trabalho era achar uma certa pessoa. Mas o problema era que ninguém sabia onde ela poderia estar. Mana só tinha uma pista de onde começar a procurar, e por muita sorte, ela encontrou uma outra pessoa que a ajudou muito. O trabalho foi completado com sucesso, mas levou muito tempo.

A pessoa que deveria ser encontrada e a pessoa que ajudou a assassina serão reveladas logo.

E agora vamos ao quarto integrante do time. San, como sempre, era o mais complicado de se lidar em qualquer tipo de situação, e o que fazia as ações mais aleatórias possíveis.

Primeiro é bom lembrar que agora ele não tinha um dos olhos. Isso era uma diferença gigantesca em sua vida. Mas quando perguntado sobre isso, ele sempre respondia dando de ombros algo como: "É só eu me acostumar, não é nada de mais". Bom, ele estava, obviamente, ERRADO.

Mas deixando isso de lado, San também era uma pessoa que não poderia ajudar muito com o trabalho que Mulkior ou Kula estavam fazendo. Mas ele fez uma coisa que iria ajudar muito a Guilda: fazer uma propaganda ao redor do mundo. Espalhar a notícia sobre a criação da Guilda. Não precisaria ser uma aproximação direta assim como Kuchi fazia, então ele era apto a fazer esse trabalho.

O problema foi que, exatamente vinte e quatro horas depois de dar essa ideia, San simplesmente... DESAPARECEU. Sumiu sem dizer nada para ninguém. E foi ISSO que deixou Mana naquele já citado estado de fúria. Isso foi exatamente dez dias depois do fim do Torneio.

Mas como sempre, San estava sempre pensando um passo a frente de todo mundo. Sua ideia de espalhar a notícia serviria como uma luva para o que ele queria fazer: treinar seu corpo para se acostumar a lutar com um só olho. Como ele fez as duas coisas ao mesmo tempo? A resposta pode ser bizarra... Mas ele visitou muitas Guildas e Dojos disfarçado e pediu para que tivesse "lutas treino" com os mais fortes membros de cada local.

Inicialmente, ele teve muitas derrotas. Era horrível ter um ponto cego tão óbvio, pois os melhores lutadores vão te atacar lá com toda certeza do mundo. Mas por já estar acostumado à adrenalina das batalhas e por ter conseguido melhorar seu próprio desempenho depois de ter lutado contra Chang, San acabou de acostumando a lutar daquela forma mais rápido do que o esperado.

Ah, e sobre a propaganda: toda vez que ele saia de um dojo, uma guilda, uma vila ou uma cidade, ele espalhava "boatos" pelo local. Falava de uma nova guilda que estava sendo criada e que parecia ser uma que iria superar todas as outras. Ele exagerou de propósito, pois isso sempre atrai curiosos. E curiosos criam ainda mais boatos... Entendeu, não é?

San só apareceu na Capital de Riven quatro meses depois, faltando pouco menos de um mês para a base estar completamente pronta. Ele levou o maior sermão de sua vida de Mana, e depois de responder algo como "Ta bom, mãe!", San ficou um dia em coma em uma clínica.

Agora da para ter uma boa ideia do que os integrantes iniciais da Guilda que mudaria o mundo com seus atos heroicos (e malucos). Mas é claro que apenas quatro pessoas não poderiam ter criado tanto alvoroço.

Como já dito, a mensagem que o time passou no final do Torneio foi surpreendedora, mas ela continha vários significados diferentes. Um deles, era para servir de "convite" para que interessados pudessem se unir à futura guilda. E como os primeiros integrantes já esperavam, algumas pessoas se uniram a eles muito cedo, antes mesmo da base ter sido terminada. E o mais incrível de tudo, era a coincidência deles já conheceram alguns dos interessados.

Um dos primeiros a se inscrever foi Shiro, o ninja ex integrante da White Lotus. Traído e enraivecido com sua Guilda, o ninja falastrão jurou se vingar de uma forma inesquecível, e para isso, ele estava juntando recursos e planos dia após dia.

A primeira coisa que ele fez foi aceitar um trabalho de Mulkior para uma certa investigação. Essa mesma investigação se provou meio sinistra, já que ele descobriu que a Planetarium estava fazendo um tipo de "espionagem secreta" durante o Torneio de Times, no Coliseu. Depois de relatar o trabalho para os integrantes da Immortal Star, o próprio Mulkior disse que tentaria usar suas conexões com sua Família Real e descobrir mais sobre o assunto.

Shiro foi recompensado e logo em seguida saiu da Capital. Mais especificamente, saiu do reino. Ele precisaria de mais trabalhos e juntar mais dinheiro para poder ter recursos e poder o suficiente para seus planos. Como imaginado, a raiva o dava mais combustível a cada dia.

Mas um pouco mais de um mês depois, Shiro virou um alvo para a White Lotus, pois seus planos foram descobertos. Ele foi caçado por dias e noites. A sua ex guilda não poupou esforços para assassiná-lo, então mandou seus melhores agentes para o trabalho. É fácil entender o porque disso: Shiro era um Membro Elite da Guilda, então ele conhecia alguns dos maiores segredos da mesma, o que o torna um perigo grande o suficiente para a preocupação da organização.

É bom lembrar que Shiro tinha uma força grandiosa. Então ele aguentou todos os ataques que foram feitos contra ele... Menos um. O último ataque lhe atingiu em cheio, pois quem liderava era nada menos que Kuro. A mulher que uma vez ele amou e que o traiu na pior hora de sua vida agora estava ali, querendo lhe tirar o que restava. O ninja quase desistiu.

Quase. Isso não aconteceu porque um "anjo" o salvou daquela situação. Esse anjo se chamava "San".

É melhor retratar San como um "demônio". Shiro estava na cidade pacata de Zebar, um pouco a noroeste de Riven, quando o esquadrão de assassinos liderados por Kuro invadiu a estalagem onde o ninja adormecia. Como todos os ninjas, Shiro tinha um sono leve e acordou bem a tempo para se defender do ataque. Houve uma luta sangrenta nas ruas da tranquila cidade, onde o ninja foi cercado. Machucado, cansado e mentalmente aturdido com a descoberta sobre Kuro, Shiro estava preste a desistir de uma vez.

E do nada, aparece San, atacando violentamente os assassinos que iam atrás da vida de Shiro. A luta não demorou muito depois da aparição do lutador caolho, pois San era expert em causar medo nos outros. E por ser Campeão do Torneio, sua fama como lutador fez todo esse trabalho sozinho. Kuro, machucada, ordenou uma retirada dos integrantes que sobraram, deixando Shiro vivo uma vez mais.

A conversa que se seguiu depois disso foi curta, mas engraçada. Shiro perguntou do porque San ter o salvado, e o seu salvador respondeu algo como:

— Eu vi uma excelente oportunidade para me acostumar a lutar com um só olho, e quando vi que era você que estava sendo atacado, decidi te salvar para que assim, você ficasse me devendo uma.

Não acreditando, o ninja tagarelou por mais algum tempo, mas San o ignorou quase que completamente. Além disso, ele também falou que Shiro entrasse para a Immortal Star imediatamente como forma de "pagamento" por ter salvo sua vida. E isso:

— E não é só por isso. Eu sei quais são seus planos, mas você deve saber que eles não vão se realizar sozinhos. Mas se você estiver com a gente, tenha certeza que você terá força o suficiente para ir cara a cara contra uma Guilda como a White Lotus. E claro, você não vai ser mais atacado desse jeito como hoje, já que eles não devem ser burros o bastante para atacar alguém de uma Guilda que ganhou um Torneio e recusou uma oferta da Planetarium.

Shiro teve que pensar muito antes de tomar a decisão, porque entrar para uma nova Guilda era a última coisa que passaria por sua cabeça. Mas sua decisão foi tomada depois que ele se curou dos novos ferimentos. Ele sabia que essa nova guilda poderia lhe dar novas oportunidades para uma vingança, e ele conhecia a maluquice de seus membros. Mesmo San disse que Shiro se encaixaria muito bem entre eles, desde que Mana não tenha um ataque quando souber disso. E assim ele voltou para Riven, sendo um dos primeiros novos membros da Immortal Star.

Alguns outros não tiveram um motivo tão grandioso assim para entrar na Guilda, mas não que eles não tinham planos. Um bom exemplo disso era Lelouch. Sim, aquele atirador de elite que lutou contra Mulkior na Batalha do Castelo de Riven.

Lelouch tinha saído de seu reino em busca de seu irmão desaparecido, e mesmo depois de ter atacado o Castelo, onde ele imaginava encontrar a pessoa, ele acabou com as mãos vazias. Sua única sorte foi que, mesmo tendo participado do ataque, ele não foi reconhecido e não estava sendo procurado.

Mas ele estava visivelmente perdido. Ele não sabia onde procurar e não sabia como faria tal coisa. Então ele teve uma única ideia: pedir trabalho para uma Guilda. Era o pensamento mais óbvio. Mas tinha um problema: dinheiro. Dependendo da Guilda e do tipo de trabalho, ele precisaria de uma boa quantidade de recursos financeiros para tal trabalho, e ele não tinha muito mais em mãos, já que o ataque ao Castelo foi considerado como uma "falha" e o pessoal não foi bem pago.

E foi quando ele soube da criação de uma nova Guilda. O nome da Guilda lhe chamou a atenção imediatamente, pois ele sabia bem de quem se tratava. É claro que ele sabia da vitória da Immortal Star no Torneio... Mas o por quê da Guilda? E o convite para a Planetarium?

Com sua curiosidade não lhe deixando dormir, o atirador partiu para a Capital de Riven. Ele encontrou Kula, que o levou para o "escritório temporário" da Guilda, onde os três tiveram uma longa conversa. Foi Kula que deu a ideia de ele entrar para a Guilda como pagamento pelo trabalho que eles realizariam para o atirador. Como Lelouch não tinha muito para onde ir, ele aceitou a oferta quase que imediatamente. Mulkior disse que ele seria uma excelente adição, pois ele mesmo conhecia a força do atirador de elite.

Um pouco mais tarde do que Lelouch, apareceu Reita. O arqueiro que enfrentou San e Mana na luta de duplas durante a terceira fase do torneio.

Reita tinha saído da Key of Gold pois o trabalho não estava lhe satisfazendo muito. Caçar tesouros tinha se tornado repetitivo para ele, e depois da batalha que ele teve no torneio, seu sangue de lutador lhe consumia.

A sua primeira ideia era de entrar na Monster Hunter. Ele viajou para Loto, onde ficava a Matriz da Guilda. Mas chegando lá, ele teve uma notícia bem ruim sobre a Guilda não estar recrutando ninguém naquele momento. Além disso, a Monster Hunter estava com um certo problema de "superlotação" e era bem provável que algumas expulsões iriam ser feitas.

Sem se aborrecer, Reita foi atrás de sua segunda opção, que seria entrar para a Dark Stalkers, uma guilda especializada em caçar pessoas. Mas ele teve uma nova má notícia. Na verdade, ele descobriu isso da pior forma. A Dark Stalkers estava sendo acusada de auxiliar um Golpe de Estado em Freizerg, uma grande cidade no Continente Vermelho, ao noroeste. Isso aconteceu depois da Guilda ter prendido um nobre, membro da Família Real que controlava o país.

Reita foi inteligente o suficiente para não se envolver com uma Guilda que poderia virar alvo de um Continente inteiro. Então ele voltou para suas viagens, meio sem rumo. E no caminho, ele encontrou seus antigos Líderes de Guilda, Sayuri e David. Eles tiveram uma conversa amigável, e os líderes deram uma boa ideia para o arqueiro. Falaram sobre a Immortal Star que estava sendo criada em Riven. Como a guilda seria um "faz-tudo", era nova e fadada a fazer sucesso em um ritmo acelerado, Reita decidiu tentar a sorte.

Ele não esperava ser tão bem recebido por Mulkior e Kula, que disseram estar mesmo procurando alguém com as habilidades de busca e caça de Reita. O arqueiro adentrou para a Guilda já com um trabalho imediato: caçar um trio de bandidos que estava assolando uma vila ao sul de Riven. Com o sangue fervendo por uma nova batalha, Reita afiou suas flechas e foi fazer seu primeiro trabalho como membro da Immortal Star.

Lembra que foi dito que Mana teve que ir atrás de uma certa pessoa? E lembra que também foi dito que ela foi ajudada por uma outra pessoa? Pois então. Essa última em questão, a que ajudou Mana, era Jimmy. Como um velho conhecido da assassina, Jimmy não conseguiu deixá-la procurar a tal pessoa sozinha, pois coincidentemente, ele também estava a procura da mesma pessoa.

Os dois não tiveram muito tempo para conversar sobre os terríveis acontecimentos da Dead Blade, então eles usaram a viagem para colocar tudo em dia. Mana não poupou detalhes sobre a traição do Rei e sobre o ataque que ela e San fizeram ao castelo. Jimmy era um bom ouvinte, e simpatizou com a decisão final da garota. Ele se sentia "vingado" e mais tranquilo, sabendo que seus antigos camaradas poderiam descansar um pouco mais tranquilamente.

A claro, não precisava ser tão óbvio, mas Mana convidou Jimmy para entrar para a Guilda, coisa que foi aceita imediatamente. O lutador de artes marciais tinha um espírito bondoso e cuidava muito bem de seus camaradas, então Mana sabia que Mulkior e o resto iriam dar boas vindas a ele.

Jimmy não tinha medo de voltar para Riven mesmo que ele fosse reconhecido por alguns soldados, então ele voltaria junto com Mana assim que terminassem essa busca.

E a pessoa que eles estavam atrás? Era a Peste Escarlate. A maga estava foragida depois da falha gritante no Castelo.

É claro que ela não "fugiu" do nada. Ela voltou para a vila que estava servindo como esconderijo para os rebeldes, e passou toda a conclusão da missão para os cidadãos e membros do exército. Obviamente, a notícia não foi bem recebida. O povo sabia que Peeh não tinha culpa de nada, mas a maga desapareceu um dia depois se sentindo horrível consigo mesma.

Mana e Jimmy foram encontrá-la só em Prover, onde a maga foi procurar auxílio de alguns dos Professores da Academia de Richiktenford. A ideia de Peeh era se fortalecer ainda mais e talvez formar uma nova equipe de busca para continuar procurando pelas pessoas desaparecidas dos familiares preocupados.

Mas a busca de Mana acabou alterando os planos da Líder dos Rebeldes. Em primeiro lugar, Mulkior tinha dito para Mana trazer Peeh para a Guilda. Isso tinha sido um tanto absurdo, principalmente porque voltar para Riven seria quase um suicídio a essa altura do campeonato. Diferente de muitos outros rebeldes, a maga estava sendo caçada incansavelmente.

Para que isso não fosse um problema, a ideia era de que Peste Escarlate "morresse". A maga de luz precisaria assumir uma nova identidade para que pudesse andar livremente pela Capital. Para Peeh, isso era uma ideia válida, pois querendo ou não, ela voltaria para Riven para continuar buscando aquelas pessoas desaparecidas de qualquer forma.

Então lá se foram os três, de volta para a maior Capital do Mundo. No caminho, Peeh se reuniu mais uma vez com o povo que tinha lhe pedido para fazer a procura, e os disse que ainda os acharia e os levaria de volta para suas famílias.

Antes de entrar na Capital, Peeh fez algumas mudanças de visual. Ela modificou um tanto seu cabelo liso e vermelho. Fez uma descoloração forte nos fios, o deixando laranja claro, e mudou o corte, além de deixá-lo ondulado. Sabe aquilo que dizem sobre "o cabelo ser a identidade de uma mulher"? Essa frase nunca fez tanto sentido quanto nesse caso. O visual da garota ficou tão diferente, que até Jimmy se impressionou, dizendo que não a reconheceria se não soubesse. Claro, não foi só no cabelo que ela mexeu, mas a maior diferença foi aqui.

Sobre o nome, ela não demorou muito para escolher. Seu nome que foi lhe dado depois que ela encontrou uma família adotiva, era Jannyne Gildlander. Mas infelizmente, ela não poderia usar nada desse nome que seus pais adotivos tinham lhe dado, mesmo gostando dele. Mas ela queria usar algo que a fizesse lembrar de sua família. Então de agora em diante, ela seria conhecida como Any. Ela não iria criar um sobrenome ainda para que não haja necessidade de criar uma história de vida tão complexa quando lhe perguntarem.

O que ela não esperava — e na verdade, NINGUÉM esperava —, era o "posto" que ela ficaria na Guilda. Mesmo depois de ter voltado para a Capital, todos os membros se preocupavam com o fato de alguém do Castelo tentar investigar os novos membros da Guilda, e isso poderia acabar em sérios problemas. Então San deu uma ideia maluca que só ele poderia ter dado:

— Melhor a deixarmos como Líder da Guilda. Digo isso para usar um tipo de "psicologia reversa" no pessoal que pode tentar nos investigar. Pois é tão obviamente sem sentido colocar uma estranha sem renome como ela de Líder, que os investigadores mais inteligentes irão achar que isso é um meio de ludibriar suas atenções dos outros membros.

Inicialmente, a própria Any foi contra a ideia, pois ela não queria ter que lidar com tanta responsabilidade nas costas. Não novamente. Mas depois de ouvir Mulkior, que a chamou para que ela pudesse ajudar a administrar a Guilda já que ela tinha muito conhecimento e de saber que os membros sabiam muito bem cuidar uns dos outros, ela decidiu dar o braço a torcer.

E por fim, mas não menos importante, temos a pessoa com o motivo mais óbvio de todos: Geovanna. Ela foi a primeira a entrar para Guilda, pois assim que o torneio terminou, ela ficou pela Capital. Ela foi atraída pelo anúncio no final do Torneio, e ficou feliz em saber que poderia ter mais oportunidades de se aproximar de San.

É claro, ela não ficou em cima dos integrantes, os perseguindo o tempo todo. Ela sabia bem que eles precisariam se organizar, e isso levaria tempo. Mas assim que ela descobriu que Kula estava fazendo propaganda da Guilda pelas ruas da cidade, ela foi correndo se alistar. Mulkior e sua amada chegaram a achar estranho ela ter aquele desejo tão forte de entrar para Guilda, mas não tinham motivo para recusarem. Afinal, ela era uma maga poderosa. Os dois sabiam que tinha sido puro azar ela ter enfrentado logo San.

Ela se juntou a Kula com a propaganda ao redor de Riven, ajudando bastante na divulgação inicial da Guilda.

A inauguração da Base foi bem alegre. Todos os membros, sem exceção, ficaram com um certo brilho no olhar quando adentraram os salões de entrada pela primeira vez. Parecia que tudo brilhava intensamente. O cheiro do novo e a beleza na construção trouxeram energias quase infinitas àqueles lutadores e sonhadores.

Para comemorar, eles decidiram fazer uma festa e chamar as pessoas envolvidas na construção. Então, além dos próprios construtores, estavam todos os membros iniciais, a família de Mulkior e Nathalia e sua mãe (que é importante resaltar que elas seriam as médicas principais da Guilda).

Outra coisa importante resaltar, era que Regi quase brigou por não poder ser a ferreira oficial da Guilda. Isso se deve ao fato de que, como sua loja já estava afiliada ao Reino, ela não tinha direito de fazer essa afiliação com a Guilda, já que a mesma seria independente.

A festa em si durou muitas horas e foi muito barulhenta. Quando se tem alguém como Shiro por perto, você deve esperar para sair do local com dores nos ouvidos.

Um dia depois, foi feita a primeira cerimônia de boas vindas aos novos membros. Foi até bem impressionante, pois em um só dia, entraram mais doze pessoas para a Guilda. Isso sem contar com as pessoas que foram contratadas para trabalhar dentro da Base, como os cozinheiros e faxineiros.

Nessa cerimônia foram apresentadas os "ideais" da Guilda. Começando pelo fato de que ela iria ser Independente de Reinados. Ou seja, ela não era afiliada a nenhum Rei ou nenhuma nação, mesmo que sua Base ficasse em Riven.

Segundo, ela seria uma Guilda do tipo "Faz Tudo". Todos os tipos de trabalhos seriam aceitos, desde que os analistas veem as possibilidades para completar com sucesso cada um. É claro que, os trabalhos considerados "submundo", seriam negados imediatamente, mesmo que eles podem ser feitos em caso de guerra em larga escala. Por exemplo, a Guilda não aceita pedidos de assassinatos, mas em um ataque a um reino, os assassinos são livres para fazerem seus devidos trabalhos.

Terceiro, foi apresentado um tipo de lembrete para todos os membros. Algo como as "regras" da Guilda. Elas eram: Nunca traia seus companheiros; Nunca envolva outras pessoas em seus trabalhos; Nunca envolva inocentes em suas batalhas; Nunca deixe de superar seus limites; Nunca desista de seus próprios objetivos; e Nunca libere informações confidenciais da Guilda. Algumas poderiam ser bem óbvias, mas todos deveriam levar isso em mente como se fossem Leis Inquebráveis.

E claro, antes mesmo da abertura da Base, foi declarado alguns "postos" para os membros. E alguns também eram bem óbvios, mas outros...

Vamos começar falando só sobre os membros iniciais. Começando por Any, que você já bem sabe, era a Líder da Guilda.

Mulkior tinha se tornado o Vice-Líder. Querendo ou não, ele era o Criador, então deveria sempre estar em um posto de comando alto. Além disso, ele também era o Capitão da Primeira Linha de Ataque, para caso a Guilda fosse para alguma batalha em larga escala.

Kula tinha se tornado Soldado da Primeira Linha de Ataque, por dois motivos bem claros: sua magia destrutiva tinha sido CRIADA para atacar, e ela gostaria de ficar perto de Mulkior em todo momento possível.

Mana recusou o convite de ser Líder do Esquadrão de Espionagem. Para ela, voltar a esse posto seria relembrar da Dead Blade, e isso era uma coisa que ela lutava diariamente para esquecer. Ela falou que poderia ajudar o esquadrão quando fosse necessário, mas não queria comandá-lo. Então ela era Membro do Esquadrão de Espionagem, assim como também trabalhava como Guarda-Costas Pessoal em outras ocasiões.

San não entrou em nenhum esquadrão propriamente dito, mas por causa de sua ampla capacidade de adaptação, ele virou o Soldado de Suporte para qualquer esquadrão que esteja precisando de ajuda. Além disso, ele era o Conselheiro e Estrategista da Guilda, coisa que os outros membros o forçaram a fazer.

Como Mana recusou o convite, era preciso outra pessoa de grande capacidade para se tornar Líder do Esquadrão de Espionagem. E esse posto ficou com Shiro. Ao contrário da assassina, o ninja tagarela aceitou o convite de bom grado, pois ele sabia que era BOM nisso.

Lelouch ficou como Capitão da Segunda Linha de Ataque, que eram onde estavam todos os soldados que lutavam à longa distância. Ele já tinha experiência em comandar esquadrões e planejar avanços, então o cargo lhe serviu como uma luva.

Reita era membro desse último esquadrão citado, mas também tinha se tornado Líder dos Caçadores da Guilda. Então quando o assunto era caçar pessoas ou caçar animais e até mesmo caçar monstros, era ele que organizava os grupos, os armavam e os comandava.

Jimmy era um lutador nato e ele sempre gostava de estar nas linhas de frente. Mas desse vez, ele ficou em um cargo onde suas habilidades seriam melhor utilizadas: como Soldado da Primeira Linha de Defesa. Aqui era onde ficavam os magos de defesa, os lutadores de suporte e os médicos. Por quê aqui? A ideia foi de San. Ele disse que esse esquadrão precisaria de lutadores de curta distância e de avanços rápidos, pois muitos assassinos se esgueiravam pelo campo de batalha e atacavam essa Linha, matando médicos ou outros membros que não sabiam lutar. Jimmy concordou com a ideia.

Geovanna queria ter ficado no mesmo esquadrão que San, mas como o próprio garoto maluco não ficaria em um local específico, ela ficou também como Soldado da Primeira Linha de Ataque. Era um ótimo posto para ela, vendo que suas magias não tinham exatamente uma fraqueza... A não ser que você encontre outro San da vida. Tirando isso, a maga também ficou como Bibliotecária Chefe, pois seu vasto conhecimento em livros arcanos e seu gosto pessoal por contos lhe concedeu esse posto que muitos outros consideravam "chato".

Além de Líder da Guilda, Any também iria para as batalhas em larga escala que pudessem ocorrer. Mas também como Líder, ela não poderia ir à frente, mesmo que sua magia fosse muito boa para tal. Então ela lutava na Segunda Linha de Ataque, mas iria para a Primeira quando tivesse que fazer invasões específicas. Querendo ou não, era bom o Líder da Guilda adentrar carregando a bandeira, para aumentar ainda mais a moral dos membros durante uma batalha dessas.

Ainda faltam muitos postos a serem comentados, mas eles serão ditos em outra ocasião, quando forem apresentados os novos membros que ajudaram a tornar essa Guilda em uma das mais marcantes que o mundo já viu.

Nos primeiros dias, a Guilda estava trabalhando com força total. Mesmo com poucos membros, ela estava tentando organizar vários trabalhos que chegavam em seus balcões. Chegaram muitos trabalhos de nobres, o que era até um tanto impressionante. Isso provava que a Vitória no Coliseu ou até mesmo o nome da Família Musubi lhes tinham garantido uma confiança grandiosa.

Mulkior e Kula fizeram muitos trabalhos juntos. Eles pegavam trabalhos de proteção à caravanas e até mesmo de defesa de lugares sobrepujados por monstros, como grandes fazendas ou vilas nem tão distantes assim.

Geovanna gostaria muito de fazer trabalhos conjuntos com uma certa pessoa, mas ela ficou responsável por preencher a biblioteca, que estava vazia naquele momento. Ela se impressionou com o fato de que ela poderia pegar alguns livros diretamente da biblioteca do Castelo Real, pois Mulkior tinha conseguido fazer um certo "favor" ao Reino.

Reita foi o que ficou mais tempo fora da Base. Como a Guilda ainda tinha poucos membros e haviam muitos pedidos para eliminação de monstros, o arqueiro caçador juntava alguns dos membros que estavam aguardando ali na Base e ia imediatamente para os locais devidos. Em sua terceira missão, seu companheiro ficou seriamente ferido, e isso o fez fazer um pedido imediato de novos membros, pois esse tipo de trabalho precisava ser feito com mais gente.

E quem ficou responsável por esse tipo de trabalho foram Lelouch e Jimmy. A propaganda que eles fizeram para atrair mais membros era muito boa. Os dois falaram que dariam aulas de combate para os interessados e auxiliariam qualquer lutador que esteja querendo chegar a um novo patamar.

Shiro teve muitos trabalhos de investigação para fazer. O mais importante de todos era um pedido direto de Any, para que ele investigasse o paradeiro daquelas pessoas desaparecidas. Então o ninja passou quase todo seu tempo por Riven, mas não na Base da Guilda em si. Ele fez algumas descobertas interessantes, mas a maioria necessitava de uma investigação DENTRO do exército do Reino, e isso não era algo para ser feito tão depressa.

A própria Any não saiu da Base, pois tinha que administrar as missões que vinham e o pessoal em geral. Ela tomou o lugar de Mulkior no sentido de "assinar papéis", e ela estava achando aquilo tudo um incômodo. Ela sabia que era só temporário, mas ainda sim, quase desistiu de tudo algumas vezes.

Agora falta falar dos dois membros que foram o estopim para os grandes acontecimentos que mudaram o mundo. Não foi assim, de uma outra para outra, mas foi fantasticamente rápido.

Mana pegou alguns trabalhos como guarda costas, mas ela mais corria atrás de San do que fazia seus trabalhos. Isso porque San pegou, propositalmente, os trabalhos mais complicados que apareceram nos primeiros dias. Um deles incluía liberar uma vila pesqueira que tinha sido totalmente dominada por piratas. San pegou esse trabalho e partiu sozinho. Claro que Mana foi atrás logo em seguida, preparada para encher os ouvidos do parceiro e ajudá-lo no trabalho, quer ele quisesse ou não.

Ainda sobre esses dois, aconteceu um fato devidamente estranho e ao mesmo tempo, histórico. Os dois tinham aceitado um trabalho de um rico nobre da região sul de Riven. Esse nobre veio com uma história triste, dizendo que tinha sido assaltado há alguns dias atrás e que além de terem assassinado sua mulher e sua filha, eles lhe roubaram o tesouro mais preciso de sua família, que tinha um valor inestimável e já havia passado por gerações. O trabalho em si era para ser um tanto complicado: entrar no covil dos tais ladrões e assassinos e recuperar o tal tesouro, que foi descrito como um baú ligeiramente pequeno, que estava trancado magicamente.

San e Mana já tinham invadido muitos lugares cheios de inimigos, então tinham uma certa experiência com esse tipo de trabalho. O que eles não contavam era que isso era uma armadilha.

Quando chegaram no local, eles foram cercados não por meros bandidos, mas sim, pelo Exército Imperial de Semangard. Era um acampamento largo e cheio de barracas, mas foi montado de uma maneira propositalmente desleixada, para que ninguém imaginasse que seria um Posto Avançado de Soldados. Então os dois membros não tiveram culpa de perceberem só muito tarde.

Você deve estar imaginando do porque alguém como Semangard iria querer enganar uma guilda nova e o que eles iriam querer fazer com San e Mana, correto? Bom, a segunda resposta foi dada aos dois imediatamente. Foi lhes dito que era para eles se renderem se quisessem sair vivos. San sabia que se os soldados queriam ele e sua parceira vivos, significava que eles seriam usados como reféns para algo. E não importa o que seja esse "algo", era certeza que não seria bom.

O que os dois fizeram? Lutaram, é claro.

San falou algo como "Prefiro morrer do que ser usado como refém" e atacou um soldado que estava mais a sua frente, o matando imediatamente. Mana sabia que aquela situação era de vida ou morte, então ativou suas katars e começou a fatiar tudo que se mexia. Os soldados, pegos de surpresa, demoraram muito para se reagrupar e começar a contra atacar.

Mas lembre-se que foi dito que isso aconteceu ao sul de Riven. Então eles ainda estavam em território do Grande Reino. E também foi dito que estava havendo uma guerra entre os dois países. Só isso já deve ser informação o suficiente para você entender o quão bizarra foi essa ocasião.

Enfim, por eles estarem lutando em uma vila de Riven, o exército real do mesmo foi alertado, e por uma pura sorte do destino, havia um batalhão não muito longe dali. Eles marcharam imediatamente para a tal vila, já preparados para uma batalha sangrenta. E quando chegaram lá...

Não havia mais inimigos. Exatamente isso que leu. Todos os soldados estavam mortos ou terrivelmente machucados, caídos e ensanguentados no chão de terra. As barracas queimavam com o fogo selvagem que se espalhou de alguma forma ao redor do acampamento, e o cheiro do local estava impregnado com o teor podre de sangue. Os que não morreram, fugiram para o mais longe possível, deixando pertences e até mesmo, seus camaradas para trás.

Os dois únicos que restavam eram San e Mana. Eles estavam horríveis. Tão machucados quanto na última batalha do Torneio. Ou até mais. Mana não se aguentava em pé e usava o ombro de San como apoio. O garoto estava envolto em um vermelho vivo, não dando nem para ver a cor natural de sua pele.

Os soldados de Riven ajudaram os dois, o levando imediatamente para uma vila vizinha para que eles tivessem cuidados médicos. Os fieis combatentes estavam assustados com o fato dos dois terem aguentado sozinhos um batalhão inteiro do exército inimigo. Não demorou nenhum segundo para os boatos se alastrarem pelos quatro cantos do Reino, levantando tanto suspeitas como curiosidades. As duas coisas só aumentaram ainda mais a fama da Immortal Star.

Antes mesmo de voltarem para casa, as histórias sobre esse acontecimento tinham chego a um novo patamar. Um tão alto que até mesmo o atual Rei de Riven. O mesmo, sabendo do esforço dos dois para sobreviverem e por terem feito, coincidentemente, um "favor" para o Reino, declarou que eles ganhariam um Título Único. Foi assim que eles se tornaram a "Dupla Imortal" e as primeiras pessoas do mundo a terem dois Títulos Únicos.

É claro que esse acontecimento foi como um "basta" para Riven. As batalhas do sul já estavam se intensificando novamente, mas para ter uma invasão dessas, era um assunto muito mais delicado. Foi por isso que Riven teve que acordar para uma nova grande guerra...

Mas não antes de ver sua Capital pegar fogo.

Notas finais
E no próximo capítulo, veremos como a paz de um reino pode ser destruída de uma hora para outra.