Notas iniciais
Então, esse é só o começo da história, espero que gostem, nos vemos lá em baixo (:

Acordei com um pulo. Olhei em volta e ainda estava tudo escuro, a única luz que eu via era a do meu radio relógio que marcava 04h30min da manhã em seus números luminosos vermelhos. Deitei novamente. Eu suava frio e me sentia como se tivesse sido atropelada por um caminhão, não que eu já tivesse sido atropelada por um para saber como é, mas eu estava acabada. Após alguns minutos – que pareceram horas — rolando na cama, descobri que não estava mais com sono, caminhei preguiçosamente até a minúscula janela do meu quarto e abri as pesadas cortinas. O dia estava como o meu humor, nublado e frio, mas estava exatamente como eu gostava.

Sai do meu quarto em direção à sala, que também servia de cozinha e deposito. Passei pelos sofás velhos e pela televisão novinha que eu havia comprado com as economias do meu “emprego” na livraria que ficava no primeiro andar do meu prédio, onde eu trabalhava como caixa e organizava os livros. Além de receber as reclamações dos clientes por aquela não ser uma livraria muito bem abastecida e conservada (não que isso fosse minha culpa). Ganhava pouco e ainda tinha que pagar aluguel para um velho mesquinho que morava na cobertura de um prédio no bairro nobre.

Eu não sou uma pessoa que costuma reclamar da vida, até por que reclamar trás a ideia de falar com alguém, e eu preferia não falar das minhas frustrações de vida com meus queridos colegas da faculdade. Só teria que aguentar mais uns três anos com eles e pronto, eu poderia encontrar um estágio em uma grande cidade e enfim começar a viver minha vida.

Abri um dos armários que rangeu e tirei um pote onde coloquei um pouco de cereal e leite. Mastiguei lentamente esperando o tempo passar, ainda tinha duas horas até a primeira aula e a faculdade era só a 30 minutos de casa, era a primeira semana letiva do semestre e eu havia acabado de voltar de férias da minha cidade natal.

Quando terminei — antes do que eu esperava — deixei tudo na mesa e fui em direção ao banheiro, apoiei minhas mãos na pia e fiquei olhando para meu reflexo no espelho, definitivamente o que eu via não era nada bom. Meus cabelos ruivos caiam lisos sobre meus ombros, eram lisos demais. Olhei para as profundas olheiras -consequência de uma péssima noite de sono- sob meus olhos, olhos negros e profundos, como o vale que se abriu diante de mim em meu pesadelo... Fechei-os com força e balancei a cabeça violentamente, então, ainda um pouco tonta e sem olhar para o espelho novamente, tirei a roupa e entrei no chuveiro. Tentei passar o máximo de tempo possível lá, relaxando com a água quente sobre a minha pele. Sai; Enrolei-me na toalha e fui ao meu quarto trocar de roupa, quando estava pronta, olhei para o relógio e faltavam vinte minutos para aula...

Ótimo, iria me atrasar de novo para a aula do Bynnes, peguei meu casaco, desci as escadas correndo e peguei minha bicicleta, tentando não me lembrar da última vez em que eu cheguei atrasada em uma de suas aulas e ele havia me deixado 2 semanas sem assistir a sua aula e acabei ficando em recuperação em sua matéria.

Pedalei o mais rápido que pude e só parei — literalmente- na porta da faculdade. Deixei a bicicleta jogada no “porta bicicletas” e tomei cuidado para não deixar as que já estavam lá cair. Corri pelo corredor e entrei na quarta sala a direita. Parei ofegante na porta, tentei me recompor enquanto observava que ninguém estava no corredor, com medo de olhar no relógio, bati na porta e como não houve resposta, entrei. A sala estava barulhenta, todos estavam em pé conversando e ninguém notou a minha entrada nem meu grande sorriso de satisfação ao perceber que afinal eu não estava atrasada. Sentei no meu lugar de sempre na última carteira da primeira fila, encostei minha cabeça suavemente na parede e fiquei imaginando o pontual senhor Bynnes e por que ele ainda não havia chegado, estava tão distraída imaginando diversas piadinhas — em relação a atrasos e todo aquele seu discurso moralista- que eu podia fazer e não dei importância a um estranho que entrou na sala. Pelo menos não até ele colocar as suas coisas na mesa do professor e pedir para todos sentarem e fazerem silêncio.

–Muito bem turma, meu nome é Blumling, Anthony Blumling – Ele era tão alto, branco, muito branco, o que contrastava com seus cabelos extremamente pretos e que por sua vez combinavam com seus olhos azuis claros. Era forte também, e eu acho que aqueles jeans velhos, camisa branca e jaqueta de couro não combinavam com o tipo “professor universitário” – Estou aqui para substituir o senhor Bynnes, ele teve um pequeno acidente e não pôde vir hoje – disse com uma voz estranhamente melodiosa- mas tenho certeza que estará com vocês em breve – acrescentou com um sorriso torto olhando em direção a turma que parecia estranhamente alegre com a ideia de que o professor substituto fosse ficar mais tempo – Alguma pergunta?

–O senhor não é muito jovem para dar aula? – Perguntou uma garota que estava no fundo da sala, provocando risadinhas das colegas.

–Se sou jovem, creio que possa a senhorita possa me chamar de “você” – Disse ele dando uma piscadinha em direção ao grupo de garotas, o que gerou mais uma série de risadinhas. Qual é já não havíamos passado dessa fase? E aquele professor além de lindo era um conquistador barato, bem do tipo de cara que eu evitava. Ele prosseguiu com a aula de introdução à história da economia mundial e eu afundei em um profundo estado de dormência, fiquei a aula inteira olhando involuntariamente para um ponto fixo até o sinal tocar e me despertar. Esperei todos saírem da sala, era algo que eu gostava de fazer, pois odiava o aglomerado que se formava nas portas e nos corredores após a aula, o que infelizmente sempre me fazia ter que correr para as próximas aulas.

Queria me levantar o mais depressa que podia e acabei derrubando tudo que estava na minha mesa, soltei um palavrão baixinho e me abaixei para pegar. Escutei um riso, levantei minha cabeça e vi que o professor estava me olhando e sorrindo encostado na escrivaninha, o amaldiçoei mentalmente por não oferecer ajuda e ainda ficar rindo, peguei as coisas e rapidamente levantei e fui em direção à porta.

–Mais cuidado da próxima vez – Ouvi-o falando quando eu já estava passando pela porta, senti vontade de me virar e mandar ele se ferrar, mas caras desse tipo gostavam de garotas que davam bola. Pensei que quanto menos comunicação eu tivesse com ele melhor.

Bom, pensei errado.

Nos dias que se seguiram ele sempre se dirigia a mim em suas aulas, me usava como exemplo, fazia as perguntas a mim e parecia se divertir quando via que eu não sabia responder. Cheguei até a perguntar qual era o problema dele comigo, mas ele ignorou e continuou perguntando sobre como uma crise econômica em uma grande potencia poderia afetar a economia global, claro que eu sabia a resposta, mas fechei a cara para ele e fiz questão de ser a primeira a sair da sala aquele dia. Pelo menos era sexta-feira. Assisti às últimas aulas e fui direto para casa. Chegando lá pedi comida chinesa e fiquei vendo TV até tarde.

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Acordei nem um pouco feliz. Geralmente sábado era um dia bom, mas essa manhã eu teria que trabalhar. O Flynn, gerente da livraria, meu vizinho e amigo, achava que eu estava um pouco doente, mas eu garanti a ele que trabalharia no sábado o dia inteiro se ele me deixasse faltar a sexta.

Percebi que tinha adormecido no sofá e que a TV ainda estava ligada, a desliguei, tomei banho, troquei de roupa e desci para tomar um café na lanchonete em frente de casa. Tomei a maior xícara de café que tinha acompanhada por ovos mexidos com waffles. Subi para o apartamento, escovei os dentes rapidamente e desci para a livraria, que já estava aberta e o Flynn devia estar na sala dele nos fundos da loja.

Só havia um cliente na livraria, um cara olhando os livros ao fundo, eu peguei o meu avental, prendi o cabelo em um coque alto e fui falar com ele.

–Bom dia, o senhor deseja alguma coisa?

–Eu já disse que pode me chamar de você – A i não, só podia ser um pesadelo – Que prazer encontra-la senhorita

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Eric corria enfurecido pelos corredores do castelo em direção ao grande salão de entrada, que tinha grandes e pesadas cortinas vermelhas com fios de ouro além um belo chão de mármore. Eric olha de um lado para outro, nervoso . Esbarrou em um dos guardas do castelo e disse furioso.

–Ei, você ai, alguma noticia dele?

–Não, não senhor – Gaguejou o guarda, Eric se perguntou como alguém tão estúpido supostamente deveria proteger os seus domínios – Mas estamos de olho, e assim que ele voltar...

–Devem me avisar imediatamente.

–Eu sei senhor... — disse o guarda envergonhado e com medo.

Eric então saiu do castelo em direção ao enorme jardim em frente a ele onde encontrou a sua mãe olhando uma roseira distraidamente.

–Não, não sei de nada – Disse uma senhora bonita que não aparentava a idade que tinha. Seu cabelo negro estava preso em uma longa e grossa trança negra que descia pelas suas costas até a altura dos joelhos e seu grande salto a fazia parecer vários centímetros maiores do que realmente era. Ela mostrava-se forte. Controlada. Poderosa.

–Mas eu sei, por que não posso...

–Por que não – Disse categoricamente sem desviar o olhar das flores – Você não pode interferir na vida dos mortais, sabe disso.

– Mas...

–Chega – Ela disse desviando o olhar rapidamente para ele – Chega de ser uma criança mimada. Não é sua função, você e seu irmão já interferiram demais na vida dessa garota...

–Senhora – disse um homem que se aproximava – Já está na hora

–Sim querido, já estou indo – então sorriu levemente e seguiu o homem em direção ao castelo deixando um enfurecido Eric para trás.

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– E o que te trás aqui? – Respondi em um falso tom cordial

– É uma livraria certo? Vim comprar um livro. – ele disse rindo. Sempre o mesmo sorriso de lado.

–Já achou o que procurava? – perguntei impaciente.

–Sim, ah, sim achei – falou com um meio sorriso, e saiu da loja sem falar mais nada. Qual o problema desse cara, afinal?

Passei o resto do dia ociosamente, não eram muitas as pessoas que realmente paravam na livraria, uma ou outra para comprar livros acadêmicos e só.

–Eu sei que você ama seu emprego – Disse uma voz atrás de mim – Mas que tal uma pausa para o almoço e depois fechar a livraria mais cedo?

–Só se você pagar – respondi ao Flynn sem desviar os olhos do livro que eu estava lendo.

–Só se você não comer tanto quanto da outra vez – Dei uma risada. Realmente tinha um grande apetite. Concordei com o almoço, saímos para um restaurante que ficava à duas quadras da livraria, comi em silêncio enquanto ouvia as intermináveis histórias de vida do meu vizinho. Ssinceramente, não sei como uma pessoa podia viver tantas coisas, a minha vida era só estudar, comer e trabalhar.

–Ei, terra chamando Emily – Levantei os olhos – Você ouviu o que eu disse? – Assenti – Certeza?

–Ok, ok, desculpa tá? Eu estava distraída!

–Com o que? Aposto que era por...

–Na verdade- interrompi- eu tenho que ir, obrigada pelo almoço, na próxima eu pago – Peguei minhas coisas, me levantei e sai sem olhar para trás.

Entrei no meu apartamento e deitei na cama, de repente eu estava exausta e não sabia por que, olhei par o relógio na mesa de cabeceira e era pouco mais de meio dia. Não entendi o que estava acontecendo. Apenas tive uma imensa vontade de dormir. Era como se minha cama me chamasse para ter um sono tranquilo e profundo, virei de lado e cochilei.

Então aconteceu de novo, outro pesadelo, mas agora eu estava em casa, na casa dos meus pais, eu reconheceria aquele carpete esquisito da minha mãe em qualquer lugar, mas o corredor que dava para o meu quarto estava mais longo que o de verdade, parecia que não dava em lugar algum. Quando olhava para trás só via escuridão e via o mesmo quando olhava para frente. Uma sensação de claustrofobia começou a me consumir e eu só sabia que deveria andar, mesmo não sabendo o que me aguardaria no fim do corredor. Depois de uma caminhada que teria me deixado exausta na vida real me deparei com uma porta, mas não era nenhuma que eu conhecesse, essa era antiga e estava entreaberta. Empurrei a porta para entrar – coisa que eu definitivamente não faria– e tudo o que tinha no quarto eram um espelho e um homem, mas eu não podia ver seu reflexo, só suas costas. Quando tentei me aproximar para ver quem e ra e estiquei meu braço para tocar seu ombro eu senti dor. Uma dor latente que me deixava sem ar e imóvel. Eu queria acordar, queria que aquilo parasse, queria que a agonia passasse , queria morrer se fosse necessário. Tentei gritar, mas minha voz não saia. Minha garganta estava em chamas...

Acordei totalmente sem ar e como se aquela dor que eu estava sentido tivesse sido real. Olhei pela janela e estava tudo escuro – provavelmente já havia anoitecido – me encolhi de medo e de frustração, porque algo dentro de mim dizia que aquele homem era o mesmo vulto que eu havia visto em meu primeiro pesadelo e eu queria saber quem era, confronta-lo, perguntar por que estava em meus sonhos, mas aquilo era totalmente irracional, querer brigar com alguém que não existia. Pisquei e cai no sono novamente, só acordei no dia seguinte pouco antes das 6 da manhã. Infelizmente não consegui dormir novamente, era domingo e eu não tinha nada programado – na verdade, minha vida escassa de amigos me propiciava fins de semana tediosos.

Olhei em volta e decidi que não queria ficar em casa, tomei um banho, peguei minha bicicleta e sai para dar uma volta e definitivamente me arrependi dessa decisão.

Notas finais
Então, o que estão achando até agora? As coisas ainda vão começar a se movimentar...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.