Immortal

33 Epílogo – "Welcome To The New Age..."


Notas iniciais
Nem acredito que consegui dar um fim à história, pessoal! Depois de quase dois anos atrasando e percebendo que era cada vez mais difícil conseguir conciliar tudo, finalizar essa história é mesmo um alívio! Dedico esse epílogo à leitora Is Bela Sayuri, uma leitora nova na iminência do fim! X) Agradeço de coração a todos que sempre tiveram enorme paciência com meus atrasos cada vez mais grotescos, e MUITO obrigada mesmo por todos os comentários e recomendações!

Logan caminhava a passos taciturnos pelos domínios extensos da Mansão que outrora pertenceu ao professor Xavier, entretido em demasia na simples função de acender o grosso charuto alojado entre seus dedos, hábeis naquele ofício. Sua caminhada vespertina era ofuscada pela luminosidade estonteante do sol, o astro erguido a pino no céu de modo a acalentar humanos e mutantes em igualdade, sem julgamentos, sem politicagens, sem opinião, desvalido de preconceitos.

Apenas presente, levando de forma justa seu calor a quem o quisesse.

A extremidade do charuto irrompeu numa breve incandescência, aceso, e Wolverine o levou aos lábios num movimento nostálgico de quem tornou-se prisioneiro do passado.

"Já fazem cinco anos!"— pensou, exasperado por aquele súbito entendimento. Um calafrio percorreu seu corpo à indiscriminada lembrança, e de forma inconsciente, seus amendoados olhos se afastaram do presente e mais uma vez se direcionaram ao malogrado passado, que tantas vezes já fora visitado por ele.

• • •

"O dia também estava ensolarado. Também parecia promissor em meio à luminosidade alegre que vinha com a sedutora promessa de mudanças. Mudanças estas que, cedo ou tarde, seriam inevitáveis.

Logan, mesmo após todos os anos transcorridos, ainda foi capaz de escutar com exatidão todas as nuances do timbre titubeante do senador, recriando a cena com a precisão de um episódio recente.

— Os humanos venceram! Vocês não passam de uma espécie extinta, fadada a seguir nossos termos... – o homem idoso havia dito suas últimas palavras, e a partir daí tudo se tornara caótico.

Mística revidou, reclamando a vida do político para longe dos domínios mundanos, seus atos impensados e inconsequentes catalisando o estopim de um confronto que há muito fora adiado. Que há muito já se programava para emergir. Os jornalistas, apavorados, correram num alvoroço desordenado em direção à saída, forçando a passagem previamente bloqueada por Magneto em meio à incoerência de seus gritos desesperançados.

Os seguranças do evento, antes intimidados pelo poderio mutante, pareceram subitamente dispostos a revidar a morte do senador, tirando toda a coragem antes escassa do atentado inesperado.

Magneto, num sinal notório de alerta, fez com que as pistolas que controlava passassem a mirar os pés e pernas dos humanos que ameaçavam atacar, e um potente estrondo sobrepujou por um instante os gritos daqueles que não detinham poderes, cada pistola disparando ao mesmo tempo contra seus alvos que tomavam uma postura ofensiva, fazendo-os cair num uivo uníssono de dor.

— Não se aproximem! – Erik alertou, disposto a ajustar a mira para pontos de maior dano e fatalidade, tentando recobrar o controle da situação.

E, a partir daí, tudo aconteceu ainda mais rápido, sendo esse o trecho em que a memória de Wolverine mais costumava falhar na hora de reproduzir tais lembranças.

Saído de um dos cantos mais altos do imenso Capitólio, um homem todo encoberto por tecidos surgiu num patamar elevado, empunhando uma curiosa pistola longa e transparente, reluzindo desordenada ao comando da luz. A arma de plástico teve seu cano apontado na direção certeira de Magneto, os olhos de águia por trás da mira mantendo enorme frieza antes de puxar o gatilho num silencioso disparo. Apenas quando Erik se desequilibrou e caiu, mais pelo susto do que pela investida em si, todas as atenções foram atraídas para o misterioso homem percebido apenas após tal momento, contudo já era tarde... O controle já se perdera das rédeas do grupo de mutantes.

Mística gritou por Erik, indo de imediato ao seu encontro, e o misterioso homem agora empunhava um revólver de aparência normal, e num irrelevante milésimo de segundo Hela o reconheceu, mesmo sob o capuz alongado. Paretta, um dos asseclas da GlobalGen, trajava um sorriso farto e deformado nos lábios, suas mãos firmes ajeitando a arma diretamente na mira de Wolverine.

Algo se agitou com força no estômago de Eve, e cada um de seus sentidos se empertigou naquele momento decisivo. Ela empurrou Wolverine com força para longe, permitindo que seu poder se manifestasse em verdadeiro incêndio contra o homem que os atacava. Violentas labaredas verteram indomáveis para além de seu corpo inflamado, impregnando-se com destrutiva facilidade no ambiente, as longilíneas chamas tornando o recinto insuportavelmente iluminado e quente, dançando pelo ambiente com volúpia.

Uma onda de fumaça atrapalhou a visão de Paretta, porém não chegou a impedi-lo de atirar. O projétil, antes destinado a Wolverine, acabou se alojando abaixo do seio de Eve, acertando em cheio seu pulmão direito. Ela tombou, sua voz diminuída soando como um desajeitado esgar embebido numa dor tão profunda que logo tornou-se anestesiada.

Logan posicionou-se com rapidez ao lado da mulher, fornecendo-lhe apoio para que ela conseguisse manter-se ereta. Segurou com firmeza as maçãs de seu rosto, os olhos castanhos incidindo desaprovação ao encarar os verdes.

— Esse tiro era pra mim... – reclamou num tom exaltado, seu timbre irritadiço despontando pouco amigável, apenas se abrandando ao notar a profusa dor da mutante até mesmo nos menores movimentos. Eve permaneceu estática nos segundos que se seguiu, a bala sendo expulsa de seu corpo aos poucos e permitindo que ela logo se curasse. Levou algum tempo para encontrar a própria voz, e quando ela falou, ainda ofegava.

— Sem problema, eu ponho na sua conta... Me deve mais uma! – aproveitou um momento a mais do olhar cúmplice que compartilharam, para só então perceber a proporção do problema que os atingira.

Os berros dos jornalistas gradualmente deram lugar a uma tosse rígida pela fumaça cada vez mais densa, e alguns já caíam de joelhos no piso sem qualquer perspectiva de conseguir respirar aquele ar carregado pelo fogo. Os mutantes trazidos da GlobalGen emanavam um olhar de profundo desespero, contudo, nem mesmo tal adversidade era capaz de lhes devolver a voz que um dia tiveram, mas que fora arrancada de cada um junto do orgulho. Magneto, estirado no chão num ângulo confuso, parecia imune ao desconforto. Seus olhos bem abertos e levemente avermelhados fitavam o teto, as mãos reproduzindo uma versão um pouco mais intensa do tremor que dominava seu corpo flácido numa leve convulsão. Mística estava ajoelhada ao seu lado, um complexo olhar amarelado banhado em lágrimas.

— É a Cura! – ela gritou com estridência na direção de Logan e Eve, desconsolada, as lágrimas finalmente banhando seu rosto escamoso em desolação líquida – Atiraram nele uma ampola da Cura!"

• • •

Wolverine tragou profundamente o charuto, soprando em seguida a fumaça e, quase que hipnotizado, vendo-a desaparecer no instante em que fora expelida. O mutante balançou a cabeça numa leve negativa, não sabendo com exatidão o que negava. Seus olhos mais uma vez foram atraídos para o conjunto perturbador de lápides que se dispunham aglomeradas no jardim.

"Será que um dia ainda podemos superar tantas baixas? Será que encarar os mortos em algum momento fica mais fácil?"— questionou, percebendo seu peito incomodamente apertado por aqueles que lhe foram tão valiosos...

...E que se perderam no meio dos desentendimentos que marcaram a incansável batalha entre homens e mutantes, tantas vidas molestadas por motivos que lhe soavam triviais.

Uma nova e mais ácida memória veio à tona, disposta a fazê-lo remoer cada pormenor abjeto daquele tempo já corrido, porém em nenhum momento menos doloroso.

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"O cheiro de queimado tornou-se insuportável.

Magneto, destituído de seus poderes pela involuntária inoculação da Cura em seu organismo, era o único abalado demais para preocupar-se com a própria integridade física. Que valor poderia angariar seu corpo quando destruíram todo o teor de sua existência ao ser privado de seus poderes, aquilo que ele mais prezava na vida arrancado de si num esdrúxulo segundo. Sua postura repleta de derrota sinalizava a apatia de não mais preocupar-se com o que seria feito de sua vida, ameaçada pelas circunstâncias. Estava catatônico. Os olhos, dominados pela vermelhidão irritadiça da fumaça cada vez mais volumosa, sequer mexiam ou piscavam.

— Temos que sair daqui! – Eve gritou, tentando fazer com que sua voz se elevasse ao crepitar escandaloso das chamas que apenas se multiplicavam ao redor do grupo.

— Você não pode diminuir o fogo? – Wolverine perguntou, abanando um pouco da fumaça a fim de conseguir enxergar qualquer traço do enevoado semblante da companheira.

— Posso, mas não vou, pelo menos não por enquanto! É minha melhor chance de ir atrás desse imbecil do Paretta e garantir que ele nunca mais cruze nosso caminho de novo... Com o fogo ele fica encurralado. Enquanto isso, você vai tirando o pessoal daqui!

— Você não vai atrás dele! – contrapôs, indignado, segurando o braço da mulher que já ameaçava se afastar – Eu vou, você sai!

— Na boa, a gente não tem tempo pra discutir seu ego masculino. Eles precisam de você! – Eve apontou para os humanos, assim como os mutantes que serviram de cobaia para a GlobalGen, a maioria das pessoas já desmaiada pela escassez de oxigênio – Magneto não tem mais poderes pra destravar a porta, você é o único que pode abrir uma passagem. Hora de afiar as garras, bichano! – piscou, desvencilhando-se com pressa do toque de Logan e já correndo de encontro ao último lugar em que percebera a presença de Paretta.

Bastou que Eve desse dois passos mais longos para que Logan não mais fosse capaz de enxergá-la, mas mesmo assim manteve-se encarando o mesmo ponto em que ela desaparecera por mais um segundo extra, incomodado.

— Toma cuidado, guria! – sussurrou, em seguida tomando o caminho oposto a fim de libertar todos do incêndio que apenas se alimentava do prédio, consumindo-o.

Eve limpou o suor profuso que ameaçava escorrer para perto de seus olhos, a respiração incrivelmente dificultada pelo ambiente que ela mesma criara na tentativa de defender-se da investida de Paretta. Apressou o ritmo de seus passos, ciente de que caso o mutante não se encontrasse no mesmo local em que o atacara, provavelmente seria obrigada a fazer recuar o fogo para que pudesse buscá-lo. No entanto, até o momento, o incêndio era sua melhor vantagem contra o homem que, desde que recebera o toque incendiário das chamas forjadas por suas próprias mãos, se apavorava à mera sugestão de uma mínima fagulha.

Chegou, com alguma dificuldade, ao patamar mais elevado em que se encontrava o mutante, e num de seus passos apressados, tropeçou no corpo caído do homem, e apesar do enorme desconforto da situação, conseguiu sorrir consigo mesma. "Te peguei, maldito!"

Ajoelhou-se, conseguindo por fim reconhecer a deformidade de seu rosto semi desperto, a pele febril de Paretta atingida em cheio pela amplitude do poder de Hela. A mulher ergueu o pescoço do homem que tanto a aborrecera ao longo de suas jornadas pelos desentendimentos que manchavam a relação entre humanos e mutantes, percebendo o terror se apoderar de seus olhos covardes quando a reconheceu.

— Nos encontramos de novo...

O corpo do homem tremeu, causando-lhe um acesso longo de tosses secas, rasgantes, e mesmo em suas últimas forças, almejou fugir. Contudo, sua tentativa de erguer-se não lhe rendeu qualquer sucesso. Eve sorriu, empurrando-o de volta ao chão sem grande esforço. O homem gemeu ante o contato com suas novas queimaduras, o único som que foi capaz de produzir.

— Você já me atrapalhou muito, Paretta. Muito mesmo. Não aguento mais olhar pra sua cara toda vez que meus planos são frustrados. Acho que já deu, né?

— O tiro... não era pra atingir você! – tentou explicar-se, visivelmente sôfrego a cada palavra.

— Nossa, muito obrigada, de verdade! Me sinto quase lisonjeada em saber. – disse, sarcástica, não querendo se prolongar por muito mais tempo naquela situação um tanto desconfortável – Mas você entende que nosso lance já foi pro lado pessoal há algum tempo, não? Com ou sem tiro. Aliás, por que isso? Você sabe bem que é preciso mais do que algumas balas pra derrubar alguém capaz de se curar.

— Era minha última chance de caçá-lo... A bala era de adamantium, o único metal forte o bastante para causar algum dano em suas funções mentais.

— E em seguida eu seria a próxima a sofrer algum acidente mortal, não é, seu merdinha? Depois de tudo, você não foi capaz de aprender que os interesses da GlobalGen podem realmente te machucar... – ele fez menção de replicar, mas Eve o calou, a mão prendendo seus lábios corroídos por chamas antigas, e novamente inflamados pelos fogos recentes – Mas não se preocupe! Isso não vai mais acontecer, eu garanto! – avisou, os orbes tornando-se negros de imediato enquanto ainda o tocava, e a vida do homem o abandonou, deixando em seu semblante um último rastro da súplica que jamais seria atendida.

Quando ela levantou, seu corpo já protestava contra a falta de oxigenação, e por um desconcertante minuto teve certeza de que desmaiaria. Não chegou a perder a consciência, porém suas pernas cederam, e novamente encontrou-se em contato íntimo com o chão. Recrutou o fogo para seus olhos agora marcados em vermelho, fazendo-o recuar até que as labaredas sob seu domínio se extinguissem por completo. As chamas desfaleceram, mas a densa fumaça se manteve, tão inabalável quanto antes, e sua respiração tornava-se cada vez mais dolorida e sem êxito. Precisava o quanto antes seguir para longe do lugar, antes que seu corpo não mais pudesse suportar a hipóxia forçada a qual se submetera.

Engatinhou pelo piso incomodamente quente, incapaz de manter-se em posição ereta. O suor agora pingava por todo o corpo, e seu peito se alargava numa tentativa fracassada de expandir os pulmões sem ar. Após alguns instantes vencendo vagarosamente a distância até sua liberdade, viu a abertura irregular criada por Wolverine. A fumaça saía por ela, deixando entrar apenas um filete tímido de luz que mal se enxergava em meio ao nevoeiro.

Estava apenas a alguns poucos metros da saída, já capaz de sentir o leve frescor de uma brisa, quando uma parte do teto tremeu e ruiu acima de si, danificada pelo fogo que o consumiu com avidez. O material enegrecido caiu com força sobre seu corpo sem novo aviso, bloqueando qualquer esforço que ainda a mantivesse em movimento. Sequer lhe restara fôlego para gritar, e a compressão acima de seus pulmões foi o suficiente para arrancar a pouca consciência que detinha, ainda resistente.

Olhou uma última vez para a saída, tão próxima e ao mesmo tempo tão inalcançável, tão distante de suas capacidades. Apesar do esforço de manter as pálpebras erguidas, elas se abaixaram, desobedientes, e a inconsciência a levou para longe, para além da dor, do desconforto e do medo."

• • •

Logan finalmente alcançou as lápides, mal se dando conta de que cada movimento proveniente de seus músculos era mecânico e alheio, e o charuto pendia esquecido em seus lábios. Os olhos castanhos, ainda inertes ao presente, mantinham-se vívidos naquela época de apenas cinco anos atrás.

Um vento leve tocou seu rosto, e a fumaça do charuto subindo em direção aos seus olhos o fez recordar de uma parcela da fumaça infernal que envolvia a todos naquele dia.

Naquele fatídico dia, tão iluminado...

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"Wolverine liberou o par de garras em trinca, já ocupando-se em improvisar uma passagem para que todos pudessem se libertar da fumaça que os asfixiava com enorme rapidez. Assim que a parede cedeu, uma enorme quantidade de fumaça e fogo se projetou para fora, e todos os humanos ainda em condições se retiraram com pressa, correndo um tanto desesperados para longe do perigo ao som das sufocadas tosses.

Logan carregou todos os desacordados – humanos e mutantes – ao longo de algumas viagens, um em cada ombro, pousando-os em solo seguro e retornando em busca de novos resgates. Após vários minutos repetindo o trajeto com aqueles incapacitados de caminhar com as próprias pernas, Wolverine cerrou os dentes, irritado com o que viu assim que a fumaça se dissipou um pouco mais de dentro do Capitólio.

— O que vocês pensam que estão fazendo? – ele perguntou entre engasgos, furioso ao notar Mística e Magneto ainda estáticos em meio ao fogo – Saiam logo daqui!

— Eu não vou a lugar algum sem ele! – Mística avisou dona de uma calma louvável, referindo-se a um Magneto completamente apático que parecia sequer ouvir ou ver o que se passava à sua volta.

O mutante bufou, indo até o homem idoso e o tratando como um dos inconscientes. Acomodou Erik num de seus ombros de modo pouco delicado, espantando-se pela completa ausência de reação do ex mutante, e por fim o deixou um pouco mais afastado dos humanos que ainda se recuperavam do ocorrido. Mística estava logo atrás, os olhos amarelos nunca largando Erik, marcados pela típica adoração fiel.

— Sumam daqui o quanto antes! – Logan aconselhou, impaciente – Depois de hoje os humanos vão gostar ainda menos de nós...! – disse, e seu discurso foi interrompido pelo som arrasador do concreto tombando em frente à passagem que criara.

"Eve!"— gritou mentalmente, correndo o mais rápido que pôde até o local, agora parcialmente desmoronado. Seus braços já se ocuparam em escavar a entrada, os músculos bem preparados para aguentar o peso das enormes placas desabadas, evitando ao máximo abrir caminho com o adamantium para o caso de Eve estar por perto.

Sua respiração tornou-se ainda mais ofegante quando avistou a mão inerte da mulher abaixo dos destroços, a pele coberta de fuligem e alvenaria. Prosseguiu com a escavação manual, angariando vários cortes que logo se curavam à medida que eram feitos. Em minutos que lhe pareceram eternos, Logan passou a avistar o rosto desacordado de Hela, arriscando puxá-la para longe do desabamento pelas axilas.

Acolheu-a em seu colo, notando a quentura doentia impregnada na pele toda aberta de feridas. Afastou-se daquilo que restara do Capitólio, pousando Eve gentilmente ao encosto de uma árvore, tirando de cima de seu rosto o cabelo grudado à pele pelo suor. Para seu profundo alívio, os cortes logo começaram a fechar, e Hela acordou ao som das próprias tosses indomadas, ainda dominada pela enorme dificuldade em respirar.

Logan a abraçou com mais força do que sabia ser capaz, ciente de que jamais se acostumaria ao medo de perdê-la, por mais que aquele já fosse um sentimento quase rotineiro.

— Acho que agora estamos quites – Wolverine sorriu, referindo-se ao tiro que a mutante recebeu em seu lugar, ainda mantendo firme o abraço por mais que o gesto parecesse sufocá-la ainda mais.

— Nem fodendo! – replicou, finalmente encontrando sua voz, ainda que rouca e falha – Eu tinha tudo sob controle, grandão!

Logan desfez o abraço, fitando-a com um olhar divertido e cético.

— Guria, você não duraria dois dias sem seu poder de cura! – disse com seriedade, arrancando de Eve um riso que se confundiu a novos acessos de tosse. Ele puxou sua nuca para si, encontrando os lábios da mutante e sentindo o gosto da fuligem que a cobria."

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Logan avistou Eve nas dependências do jardim, sorrindo deliciada em direção à dúzia de crianças que a acompanhava, a mutante parecendo não perceber sua proximidade. Wolverine analisou as crianças com um brilho de pesar nos olhos, como sempre acabava por fazer. Todas tinham suas cabeças raspadas, variando entre idades que iam de três a quinze anos, todas muito pequenas e magras para a idade, porém sempre mantendo a vivacidade nos olhos brilhantes.

Um brilho que apenas podia ser encontrado em olhos pueris de almas joviais, estes ainda banhados por esperanças de infinitas possibilidades. Eve carregava no colo a mais nova de todas, descontraindo as demais de modo despreocupado naquele breve passeio pelo jardim.

Logan se pegou sorrindo também, contudo havia um teor triste naquele gesto.

Naqueles cinco anos, muitas mudanças vieram. Todos os mutantes, com exceção de Logan e Eve – por sua capacidade de regeneração, ele acreditava –, foram dizimados pela Praga em pouquíssimo tempo, havendo aqueles que optaram pelo artifício da Cura e, da mesma forma, tiveram seus dons abdicados. Também houve a maior epidemia de câncer de toda a história da humanidade, esta surgindo num enorme pico por consequência dos atos impensados de Magneto ao manipular o campo magnético da Terra, a doença atingindo tanto adultos quanto crianças num surto que se alastrava impassível por todos esses anos, não dando indícios de melhora àquela geração, largamente afetada pelas obsessões de uma disputa que só trouxe perdas, extremamente dolorosas.

Eve, desde a batalha contra a Fênix na qual tentara doar um sopro de vida a Charles, nunca mais fora capaz de projetar em alguém seu poder de cura para além dela mesma, como se sua mutação ainda estivesse completamente focada em si, regenerando-a do enorme perjúrio cometido contra a natureza de seu poder ao tentar ressuscitar o pai.

Durante todos aqueles anos, nem uma única vez ouviu ser mencionada a GlobalGen, e todas as denúncias caíram num esquecimento oportuno aos governantes, agora sobrecarregados pelas ações estúpidas de ambos os lados naquela disputa inútil.

Mutantes praticamente extintos.

Humanos sucumbindo.

E a paz, ainda longe e inalcançável, sendo permeada por pequenas guerras que contribuíam ainda mais para o cenário de crise. Eram tempos abastecidos de incertezas, regados de dores, contudo ainda iluminados pela esperança...

...A esperança dos tolos, que sempre ousam sonhar um pouco mais alto... um pouco mais longe.

Wolverine, quando se deu conta, já havia caminhado até a entrada do antigo Instituto, cruzando todo o jardim sem que percebesse, tamanha a imersão em suas próprias conjecturas. Encarou o pequeno quadrado dourado que se dispunha no portão como uma breve identificação do local, as novas palavras ali gravadas sempre ascendendo um arrepio em si, tamanha as mudanças que mancharam de rubro aqueles anos, enraizando miséria de ambos os lados.

Ah, as mudanças! Essas, temia Wolverine, seriam eternas.

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Reabilitação Xavier

Contra o câncer infantil.

À memória das vítimas da Praga.

— Abrigo, lar e recuperação –

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"I'm waking up to ash and dust

I wipe my brow and I sweat my rust

I'm breathing in the chemicals

I'm breaking in, and shaping up

Then checking out on the prison bus

This is it, the apocalypse, whoa

I'm waking up, I feel it in my bones

Enough to make my systems blow

Welcome to the new age, to the new age

Welcome to the new age, to the new age

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive

I raise my flag, dye my clothes

It's a revolution I suppose

We're painted red to fit right in, whoa

I'm breaking in, and shaping up

Then checking out on the prison bus

This is it, the apocalypse, whoa

I'm waking up, I feel it in my bones

Enough to make my systems blow

Welcome to the new age, to the new age

Welcome to the new age, to the new age

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive

All systems go, the sun hasn't died

Deep in my bones, straight from inside

I'm waking up, I feel it in my bones

Enough to make my systems blow

Welcome to the new age, to the new age

Welcome to the new age, to the new age

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive

Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive"

(Radioactive – Imagine Dragons)

Notas finais
Nos vemos por aí, jacus! x) Sempre fico meio deprê depois que termino uma história, ainda mais uma que me acompanhou por tanto tempo, então, se puderem comentar me deixaria muito feliz, seus lindos! Enfim, bom Natal, Ano Novo, Páscoa, e por aí vai xD Beijos, abraços e chute nas canelas! ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!