(Im)memorial
13 Capítulo XII
Notas iniciais
Bem cupcakes, até lá embaixo (:
Percy encostou-se ao ver Jason entrar no hospital como se fosse o vento. Ele não raciocinou muito e só teve tempo de vê-lo voando no pescoço de Nico e correndo para separá-los. Ele olhou para Annabeth, que entendeu o que ele estava querendo dizer: Jason já sabia de tudo e o motivo de tudo.
- Estamos em um hospital, idiotas. Deixem para brigar fora daqui. – Annabeth sussurrou após Percy ter segurado Jason pelos braços. – Evitem qualquer coisa que possa fazer-nos sermos expulsos daqui.
- Tanto faz. – Jason se soltou de Percy e sentou-se. Naquele momento, a porta do quarto em que estava Thalia foi aberta, revelando um médico muito bem vestido. Annabeth levantou-se correndo e parou na frente do médico.
- A senhorita é...
- Annabeth. Annabeth Chase. Amiga da Thalia.
- Certo. Thalia teve o apagão repentino causado pelo estresse. Digamos que não é comum, mas também não é impossível de se acontecer. Seu cérebro já está sensível e com a irritação nas ultimas 24 horas... Enfim.
- Ela está bem?
- Sim. Está. Thalia está acordada e vocês podem entrar para vê-la. É pedido que entrassem em duplas e que façam o mínimo possível de barulho, por favor. – O médico disse, se retirando. Annabeth olhou para os outros e assentiu. Ela entendeu que teria que fazer a estratégia de quem entraria com quem.
- Percy e Jason, eu e Nico. Vão os dois primeiro porque são da família dela. Façam o mínimo de barulho possível, por favor. – Assentiram e entraram na sala.
Thalia estava pálida. Estava com o cabelo muito bagunçado e com a expressão cansada. Jason sentou-se na beirada da cama, enquanto Percy sentara-se na cadeira ao lado da cama, ambos olhando para Thalia, que arqueou as sobrancelhas.
- O que aconteceu, Thalia?
- Isso é importante, Jason? – O garoto assentiu, encarando a irmã. – Você é chato. Não foi nada demais, ué. Rachel e eu estávamos conversando e, de repente, apaguei.
- Acha que ela...
- Não, Percy. Ela não colocou nada na minha comida nem bebida, porque eu não comi nem bebi nada. O médico já me explicou. Ele disse que eu não posso me estressar muito, já que minha cabeça está sensível. Tanto faz também. Onde está Rachel?
- Ela foi embora por...
-Vocês a mandaram embora. Quando vão parar de trata-la tão mal? Ela é uma boa pessoa. Uma ótima pessoa.
- Thalia, ela não é do jeito que você pensa.
- Ela não é do jeito que vocês pensam. Rachel é incompreendida. Por que não podem dar uma chance pra ela?
- Ela já fez muito mal a todos nós e...
- E nada. Escutem... – Thalia sentou-se com muito esforço, fazendo caretas de dor. – Se ela fez, foi por culpa do Luke. Parem de julgá-la, por favor.
- Está certo. Vamos, Percy. Vocês vão acabar travando uma guerra e não é bom. Annabeth ainda vai entrar para falar com ela. Vamos. – Jason puxou o primo pela camisa, que assentiu e saiu.
Annabeth e Nico estavam parados ali, lado a lado, com os braços entrelaçados. Ela estava com a cabeça encostada ao ombro dele e ele parecia pensativo. Talvez estivesse pensando em Thalia e no que havia dito a ela. Ou estava, apenas, refletindo sobre a situação. Não sabia se seria realmente bom entrar e olhar para ela. Talvez enfraquecesse. Acabou trocando olhares com Percy e, com o tempo de amizade que tinham, ele entendeu o que Nico estava querendo dizer: Ele iria embora. Percy apenas assentiu, confirmando que aquilo talvez fosse o melhor a se fazer.
- Bem... Eu vou embora. – Nico anunciou, olhando para Annabeth, Jason e Percy.
- Por quê?
- É melhor eu ir, loira. O clima entre mim e ela não está estável.
- Se você acha isso, vá. – Annabeth bagunçou o cabelo dele, que assentiu e foi em direção ao elevador.
Nico chegou ao térreo e colocou-se a caminhar. Não tinha ideia para onde estava indo. Só estava perdido em pensamentos. Não sabia que tudo aquilo era o que havia escolhido para si mesmo.
Quando deu por si, estava em frente de casa. Olhou-a por completa e decidiu entrar. Passou zunindo pela sala e abriu a porta do quarto. Sentou-se na cama e, às cegas, puxou o álbum de fotos que estava debaixo da cama. Havia ganhado aquilo do pai e da irmã, na ultima vez que havia os visitado, há anos atrás. Segundo seus cálculos, agora a irmã Bianca estaria em Londres começando a universidade e o pai estaria em Los Angeles com a sua mãe e sua irmã nascida há pouco tempo.
A irmã já tinha quase três anos... A ultima vez que havia visto os pais, ela não era nascida ainda. Chegava até ser estranho pensar nos pais, com dois filhos quase adultos e com uma filha que havia nascido há pouco tempo.
Parou para pensar. Sentia falta da família e da permanência desta em sua vida. Não sabia muito bem porque escolhera morar tão longe de casa. Longe das irmãs, dos pais... De todos. Sentia falta deles.
Olhou para o armário e teve a resposta. Sabia o que deveria fazer. Puxou rapidamente a mochila e a abriu, jogando tudo o que fosse possível dentro dela. Sua sorte era que não era fanático por roupas. Tinha apenas o necessário.
Pegou o celular e o fone de ouvido, ligou no ultimo volume, fechou a mochila e desceu as escadas correndo. Pegou um papel. Respirou fundo. O que escreveria? Não queria demorar muito. Quão breve poderia ser?
“Fui ser feliz. – Nico.”
Essas palavras bastavam.
Arrancou a folha e a colocou pendurada na televisão. Sabia que, quando Percy e Annabeth chegassem, eles sentariam no sofá para descansar. Suspirou. Ele faria aquilo também. Se fossem circunstâncias comuns, o que não eram.
Jogou a mochila nas costas e saiu de casa. Caminhava até a rodoviária mais próxima em busca da felicidade. Sem Thalia, é claro. E, depois desse capítulo, ninguém mais ouviu falar no nome de Nico di Ângelo.
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