Imagine - stray kids
58 ❈ 06 🐹 — O mistério do relógio. - Han Jisung
Notas iniciais

Presentes na árvore?
Confere!
Tudo que precisarei para fazer deliciosos pratos natalinos?
Confere!
Um vestido branco com detalhes em vermelho, mais sapatinho vermelho assim como estava vestida em meu último sonho?
Confere!
Enfeites para decorar a mesa de natal e joias para enfeitar a minha pessoa?
Confere!
Bom, pelos meus cálculos, consegui arrumar tudo a tempo, mas por que sinto como se eu ainda tivesse muito a fazer?
Essa sensação vem me assolando há dias e eu não tenho nenhuma explicação plausível para isso...
Desde que tirei o Lewis no amigo secreto que o tempo parece voar e parar ao mesmo tempo, e eu sinto como se tivesse feito tudo o que preciso, mas também tenho uma estranha sensação de como se meu trabalho nem tivesse começado ainda.
E sentir tudo isso sem conseguir entender ou explicar era no mínimo...
Estranho...
ੈ゚
Flash Back On — Três dias antes do natal.
☁︎☾☆ — Mas nesse caso, nós dois poderíamos apenas contemplar o tempo passar, não acha?
Olho para o rapaz que está todo concentrado na pilha de coisas que reuni dos meus sonhos anteriores e, antes que eu o responda, ele já aparece sentado em minha cama de frente para mim, me encarando todo fofo.
— Ou então podemos correr junto ao tempo e quem sabe assim chegar onde ele foi com tanta pressa.
Eu o olhava completamente encantada, ele era um fofo com sua boina cinza e seu conjuntinho preto de blazer e shorts, sério, um short fofíssimo!
Eu estava o achando adorável com suas meinhas aparecendo, sua gravata toda natalina e seu suéter cinza, era simples, fofo e perfeito e assim como o Changbin ele usava uma bolsinha vermelha de lado.
Uma gracinha!
— Ficar e contemplar, ou correr e encontrar... — eu falava retoricamente, mas ele estava muito atento ao movimento dos meus lábios. — Por que isso parece mais profundo do que você faz parecer Han Jisung?
E mais uma vez o nome de quem estava comigo me salta aos lábios sem o mínimo esforço, como se de fato eu já o conhecesse.
— Então, você notou que há um motivo mais profundo em minha proposta esquilinha natalina?
Sorri pelo apelido fofo, esquilinha eu? Será que ele já se olhou alguma vez?
— Acho que notei sim, mas se você quiser me explicar melhor, eu adoraria ouvi-lo Hannie.
Ele, que ainda estava sentadinho na posição de borboleta, sorriu largamente em minha direção.
— Seu desejo é uma ordem, meu amorzinho!
Ele mal se calou e nós dois começamos a aparecer em todo o tipo de tempo e espaço que se possa imaginar.
Era tudo muito rápido, mas também lento, eram muitos lugares, mas também lugar algum e quando eu o encarava parecia que o tempo passava por nós dois fluidamente, nos deixando idosos, crianças, adolescentes e adultos mais uma vez e quando menos dei por mim estávamos ambos sentados no alto do relógio mais famoso no mudo, o Big Ben em Londres que estava todo iluminado pela noite e a neve que caia só deixava tudo mais perfeito.
— Han, — ele me olhou atento. — Por que estamos aqui?
Ele sorriu simplista e me encarou.
— Porque vamos resolver o mistério do relógio, meu amor.
— Há um mistério no Big Ben?
Perguntei o mais curiosa possível, pois era de fato como eu estava e o Han veio até mim deixando um longo selar em minha testa.
— Não só nele, amorzinho, mas em todo relógio existente.
— Ah, sim, e qual é o mistério?
Ele me encarou como se ponderasse o que me responderia.
— Ha Na-ri, você sabe me dizer que horas são neste exato momento?
Eu não consegui ver os ponteiros do relógio no qual estava sentada sobre e então me senti frustrada.
— Não...
Falo fazendo um leve biquinho e o Han, que me olhava atento, sorriu em minha direção.
— Certo, e saberia me dizer quantas vezes desde que o mundo é mundo que essa exata hora, seja qual ela for, já se passou pelos ponteiros de um relógio?
Sorri de lado, quanta complexidade...
— Definitivamente, não faço a menor ideia, Hannie.
Ele sorriu mais largamente quando me ouviu o chamando de forma mais íntima e se pôs mais perto de mim e me abraçou apertado, estava tão aconchegante que para mim a hora era o que menos importava agora e então eu entendi.
— O tempo pode ser contínuo, constante, relativo, não importa...
Falei em um sussurro, mostrando a ele minha compreensão e ele me encarou sorrindo.
— Continue esquilinha.
Me senti acolhida por ele e fiz o que me pediu sem titubear.
— Certo, não importa quantas vezes os ponteiros dos relógios do mundo inteiro marcaram as mesmas horas, não importa se os dias se passaram lentos ou devagar, porque mesmo tendo essas impressões, todos os dias, em todos os cantos do mundo, tudo durou as mesmas vinte e quatro horas.
— E entãããooo?...
Ele não parava de me encarar, como se estivesse fascinado por tudo o que eu dizia, e então eu o abracei novamente.
— Então, o que quero dizer é que entendo agora... — Respirei fundo e senti um cheirinho delicioso vindo do Hannie, um cheiro de “Natal” o que me fez querer ficar ainda mais em seu abraço. — Nada disso é válido Hannie e o único tempo que realmente vai valer, ou sequer importar de fato é aquele que passamos ao lado de quem amamos, ou fazendo o que realmente gostamos, e são esses momentos que marcam realmente o tempo, mas essa marcação é feita dentro da gente e não em ponteiros de relógios por aí.
Ele abriu um enorme sorriso e apontou para a linha do horizonte, voltando a me aconchegar em seus braços em seguida e, quando olhei na direção que seu indicador apontava, tive vários vislumbres de momentos meus com ele passando como flashes diante dos meus olhos.
— É exatamente isso, minha Na-ri, é tudo sobre o amor, em um mundo vermelho e branco e quando damos as mãos assim... — Ele entrelaça seus dedos aos meus e nós dois sorrimos pelo calorzinho que sentimos. — De mãos dadas na neve, nós vamos tornar tudo cor-de-rosa e o tempo parece congelar, então não importam as voltas no relógio e sim as batidas em nossos corações, porque no fim de tudo é isso o que conecta você a mim; e eu a você.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto e, quando ele terminou de falar, saímos voando por toda a cidade de Londres que eu nunca havia visto assim de cima, apenas avistava por entre o chão como todos os mortais quando vinha visitar minha amiga.
Eu estava feliz e nesse mesmo instante não havia tempo algum que nos fizesse parar ou acelerar, não, só existíamos nós dois; o Han e eu nesse mundo gigante, e o tempo que passávamos juntos ia marcando nossos corações com tudo o que sentíamos ali.
Pude ver a cidade e como ela estava enfeitada, vimos as luzes de Londres e as luzes do céu e, enquanto voávamos, o Hannie segurava firme em minha mão, acarinhando seu dorso com seu polegar.
Nada dissemos, pois não era preciso e ali eu soube que, não importa o tempo que foi ou o que virá, o mais importante para mim era ter aquela mão segurando a minha.
ੈ゚
Sem eu notar como aconteceu, já estávamos de volta no meu quarto e mais uma vez um pergaminho foi entregue a mim, desta vez pelas próprias mãos do Han.
— Escreva nele aquele seu pedido profundo, minha esquilinha natalina e talvez antes do que se espera, ele se tornará realidade.
Sorri para ele, que fazia carinhos em meus ombros enquanto eu escrevia sentada em minha escrivaninha.
— Terminei Hannie...
— Ah, é? Então posso entregar ao papai Noel?
— Você mesmo entregará?
— Sim, não, talvez... depende do tempo que ainda me resta.
Ele falava sorrindo e seu sorriso encantador inflava suas fofas bochechas.
— Tanto mistério...
O pergaminho se dobrou no ar em muitas dobras até que ele desapareceu em nossa frente.
— Prontinho, Ha Na-rissí, está entregue, amor, agora vem, vou te colocar em sua cama.
Fui com ele e uma dúvida me intrigou.
— Hannie...
— Oi, amor.
— Se estou sonhando, por que eu estou sonhando, né?
Ele sorriu soprado e me encarou.
— Continue, por favor.
— Então, se eu estou sonhando, por que você está me colocando para dormir?
Ele veio em minha direção, parando bem perto do meu ouvido e então me segredou baixinho.
— Porque até os melhores relógios param às vezes e precisam trocar suas baterias, assim como o tempo que realmente importa. Mesmo sendo incrível, o tempo se finda e aí precisamos apenas esperar pelo próximo, então por que não esperar quentinha em sua cama?
Ele terminou sua fala e deu um beijo demorado e estralado em minha bochecha.
— Então eu ainda o verei, Hannie? Você ainda poderá aparecer para mim?
— Ah, com certeza sim, meu bem, e será antes do que imagina, só fique comigo em seus sonhos e eu sempre te alcançarei.
— Está bem...
— E você vai ficar comigo, amorzinho?
Ele perguntou, todo carinhoso, já me cobrindo com muito carinho.
— Só se você realmente voltar para me ver.
— Perfeito, então estamos combinados.
Sorri alegre, ele já havia me coberto e eu estava toda quentinha.
— Eu te amo, Han Jisung!
— Ah, sim amor, eu também te amo... te amo mesmo, Ha Na-ri.
E com o som da voz dele ficando mais distante, ele foi sumindo da minha visão.
Flash Back Off.
ੈ゚
Momento atual.
Todos esses sonhos que tenho tido me trazem uma sensação de que eu não estou onde deveria estar e confesso que a cada novo sonho isso só se intensifica...
Será que eles são reais ou é apenas minha imaginação que é tão fértil que cria um lindo filme natalino em minha mente toda noite, quando vou dormir?
Mas e as coisas que eles deixaram para mim? O Han deixou sua boina fofinha comigo e inclusive eu estou usando ela agora mesmo.
Ela ficou linda em mim também...
Então isso é real, não é?
Será que ainda terei sonhos assim?
E o pior...
Se são apenas sonhos mesmo, será que eu nunca mais os verei?
Só de pensar nisso sinto uma forte dor em meu coração...
Eu quero... não, não, eu preciso vê-los mais uma vez...
Então, por favor, papai Noel, atenda aos meus pedidos, sim?
Faça realidade os desejos do meu coração!
ੈ゚
Han Jisung Pov. — Na noite do sonho.
Eu sempre faço a mesma pergunta para ela e ela sempre acerta em cheio a resposta, desvendando o real mistério do relógio e confesso que esse ano eu a senti mais pronta do que nunca!
É... talvez esteja ainda mais perto de tudo se resolver.
E o pedido da minha esquilinha continua o de sempre, isso alegrou demais o meu coração, pois isso quer dizer que sua promessa de ficar comigo está mais viva do que nunca!
Farei de tudo o que estiver ao meu alcance para que o tempo corra ao nosso favor, e para que os ponteiros do tempo se tornem em momentos lindos para nós dois.
“Fique comigo em seus sonhos, minha Ha Na-rissí, lembre-se de que o tempo marcado em nós é o que realmente importa e logo estaremos juntos novamente.”
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