Imagine Leonetta Casados
69 Sexagésimo nono capítulo
Notas iniciais
Ela fechou os olhos. Entrelaçou as mãos sobre seu pescoço. Milhares de pensamentos vieram a sua cabeça, mas ela ignorou todos.
– O que vocês dois pensam que estão fazendo? — Leon passou pela porta e jogou as malas em um banco
André e Violetta se separaram rapidamente. Os dois estavam corados e lutavam para manter um aspecto firme no rosto.
– Então é isso Violetta? — ele gritou, atraindo a atenção de outros hospedes — Você disse que estava morrendo de saudades e que era pra eu vir pra Portugal pra eu ver isso?
Ela abriu a boca para falar, mas a raiva a impediu.
– Você não reclame, Leon — André levantou-se de braços cruzados e avançou até o amigo — Eu achei que você não fosse dessas coisas. Eu achei que você fosse uma boa pessoa. E dessa vez eu estou do lado da Violetta, por mais que você seja meu melhor amigo.
– O que você está fazendo aqui?! — ele revirou os olhos — Você que está sendo o motivo dessa briga, André, então se me der licença...
– Eu não vou admitir que você magoe a Violetta, porque ela é minha amiga. — André o cortou
– Você não se meta! — praticamente o hotel inteiro já se aglomerava em uma roda para ver o que estava acontecendo, devido a tantos gritos — Você estava beijando a Violetta. E se você ainda não percebeu ela é minha...
– Eu não sou nada sua — ela levantou-se, e a multidão soltou um “Ohhh”, como se aquilo fosse uma novela — Eu não acredito, Leon.
André afastou-se e ela se aproximou mais.
– Você é sim — ele permanecia irritado, mas nesse momento falava de um jeito doce — Você é minha. Não importa o que você seja, mas é minha.
– Eu não sou nada sua — ela deu ênfase a palavra nada — Se eu era, acabou. Eu não acredito que você foi capaz de fazer uma coisa dessas.
– E o que exatamente eu te fiz? — o tom doce havia passado — Se teve alguém que fez alguma coisa, foi você.
– Por favor, pare de se fingir de inocente — a raiva borbulhava em seu olhar — Eu te vi beijando a Camila.
Ele desviou o olhar, sem saber o que responder.
– Não foi isso que você está pensando — ele suspirou e tentou segurar em uma de suas mãos — O problema aconteceu porque o Broduey...
– Agora você vai colocar a culpa no Broduey?! — ela o cortou e lágrimas brotaram em seus olhos — Eu espero nunca mais te ver na minha frente
– Vilu, me desculpe, por favor — ele segurou em seus ombros
– Não — ela soluçou — Não depois disso.
Ela livrou-se de seus braços e correu para fora do hotel, sem saber para onde ir. Mas ela tinha certeza de que qualquer lugar seria melhor que aquele.
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– Castillo? — a voz estridente de Clarice soou do outro lado da linha — Por que raios você está me ligando agora?
– Desculpe — Violetta tentou engolir o choro — Mas eu queria saber se nós poderíamos ir para Madrid mais cedo. E se meu contrato com a sua gravadora pode ser infinito.
– Mas não era você que morria de amores pelo seu namoradinho, Leon, que chorava e dizia: Eu estou com muitas saudades dele! Preciso voltar pra casa! — ela disse rindo em uma imitação péssima da voz de Violetta
– Sim — ela soltou um suspiro triste — Mas eu estava errada.
Clarice gargalhou.
– Viu, eu estava fazendo um favor de te levar pra longe dele — ela sorriu tentando não rir — Ao invés de você me odiar, deveria me agradecer.
– Você tem razão — ela bufou — Por mais que eu me recuse em acreditar nisso.
– Certo — ela sorriu — Nosso voo será amanhã de manhã às onze horas. E não se esqueça: contrato infinito.
– Ok — Violetta forçou um sorriso — Te espero amanhã no aeroporto.
Ela desligou e guardou o celular na bolsa. Olhou em volta: nem mesmo sabia onde havia ido parar. Uma espécie de parque, misturado com centro de esportes e áreas residenciais.
Ela bateu os dedos sobre o banco que estava sentada. Uma ideia veio a sua cabeça. Não, não! Aquela pessoa já havia causado a ela problemas demais.
Mas ela não se importou. Pegou seu celular novamente e ligou para Diego.
– Alô? — uma voz sonolenta disse
– Diego? — ela colocou a mão sobre a boca — Me desculpe! Eu não queria te acordar.
– Vilu? — ele soltou uma risada alegre — Violetta? É você mesmo?
– Sim — ela não conseguiu conter um sorriso — Uma pergunta: por acaso você está na Espanha?
– Sim — ele bocejou — Em Madrid, pra ser mais exato. Por que?
– Eu vou para Madrid amanhã.
Ele riu contente do outro lado da linha.
– Mas, mas... — de repente, parecia que sua felicidade havia evaporado — Achei que você me odiasse. Por que está me contando isso?
– Porque, porque... — ela suspirou — Você estava certo. Eu nunca devia ter perdido meu tempo com o Leon. Eu seria muito, mais feliz se tivesse ficado com você.
Ela abaixou a cabeça e tentou conter o choro.
– Não fique assim, Vilu — ele sorriu — Teve problemas com ele mais uma vez?
– Sim.
– Por favor, não fique triste. — ele consolou-a — A verdade é que, que...
Ele suspirou.
– Continue, Diego! — ela sorriu — Qual é a verdade?
– A verdade é que você sempre foi muito importante para mim. — ele suspirou — Eu nunca queria ter te feito mal, mas eu estava com ciúmes e acabei fazendo as coisas que eu fiz. Me desculpe. Mas eu nunca consegui parar de pensar em você.
Ela corou.
– Diego, eu... Eu não sei como eu pude me enganar durante tanto tempo com uma pessoa.
– Será que eu... — ele riu — Não. Seria muita idiotice.
– Agora você vai falar — ela sorriu
– Será que você poderia me dar mais uma chance?
Violetta se sentiu atingida por uma bomba.
– Olha, eu não sei... Eu acabei de...
– Por favor — ele implorou — Eu prometo que não te farei sofrer do mesmo jeito que o Leon fez.
– Eu não sei — ela admitiu — Preciso pensar. Mas minha resposta por enquanto é sim.
Ele sorriu.
– Certo — ele soltou uma risada feliz — Te encontro amanhã no aeroporto.
Ela sorriu e desligou.
– Vilu!
Ela virou-se e deparou-se com Leon.
– Vilu, por favor, não faça isso. — ele aproximou-se — Você pode até não querer não ficar comigo, mas não caia no joguinho do Diego. Você não lembra o quanto ele nos causou problemas e...
– Não! — ela cortou-o — O Diego sempre esteve comigo quando eu precisei. Já você sempre me fazia sofrer, me trocava pela Lara. E agora me trocou pela Camila e colocou a culpa no Broduey.
Ela virou-se e tentou sair dali.
– Violetta! Por favor, me escute! — ele gritou, pela milionésima vez
– Para, Leon! — ela berrou em resposta -Será que é tão difícil entender?
– Sim, é difícil de entender! — ele tentou segurar em uma de suas mãos
Ela recuou.
– Aceite isso! — ela cruzou os braços — Agora eu estou com o Diego. Aceite!
– Mas você não entende? — ele tentou, novamente, segurar em suas mãos — Não entende que o que passamos juntos foi especial?
– Sim, eu entendo! — ela gritou — Entendo que não nos damos bem e não podemos ficar juntos!
– Vilu, as coisas não precisam ser assim.
– Pra mim sim.
E então ela virou-se e saiu. Como em seus pesadelos.
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