Imagine

24 Essa criança vai esperar Regina!


Notas iniciais
Tamires Kanakaredes: esse é para você! Sei nem como agradecer pela linda recomendação que vc me fez, me pegou completamente desprevinida, O MÍNIMO que eu tenho a fazer é te dedicar exclusivamente esse capítulo! Obrigada! BjO


–Regina, você deve ir! E-Essa coisa... -apontou amedrontada para a fumaça acima delas -...pode ser perigosa, não pode? Você tem que ir salvar Storybrook!

–Eu não vou a lugar nenhum antes do Patinho nascer, Emma!

Regina não estava tão segura de suas decisões, de que adiantaria ficar ao lado de Emma quando as palavras de Blue ecoavam em sua mente? Elas poderiam não sobreviver a aquilo se a morena não fizesse alguma coisa. A prefeita tinha seu senso de obrigação implorando para que ela corresse até o poço e invocasse de uma vez toda aquela nuvem negra, mas em seu coração, Regina não poderia deixar Emma para ter aquele bebê, que ela tanto amava, sozinha.

Regina viu o tempo passar e a fumaça no céu ficar ainda maior no céu. Precisava pensar rápido como lidaria com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

–Ai! -Emma gritou entre os dentes, tentando não chamar a atenção da morena para a primeira contração que sentiu.

–Emma já basta! Estou te levando ao hospital agora! -Disse a morena completamente irritada por não saber o que fazer.

Regina não estava acostumada com esse tipo de decisões em sua vida, nunca teve alguém com quem deveria se preocupar fora as suas obrigações, além de Henry, que sempre esteve sob os seus olhos atentos, não lhe pegando desprevenida assim.

–Não, está tudo bem. O Patinho não vai nascer... não agora!

–O melhor que temos a fazer é ficarmos no hospital até que essa criança nasça, Emma! Não podemos ficar esperando aqui de braços cruzados.

–Nós não vamos ficar aqui, me leve com você até o poço. Você precisa ir, me deixe ir junto, por favor?

A morena não iria cometer essa loucura, evitou, o máximo que pôde, encarar os olhos pidões de Emma que, naquele momento, refletiam a angústia e o medo da loira também. Regina não era inconsequente e tudo que ela mais prezava era o bem estar de Emma e do bebê, ela não estava disposta a colocar eles em risco por se deixar levar pelas suas emoções à flor da pele. Reuniu toda a coragem que tinha e fez o possível para trazer de volta a Regina Mills que sempre foi, precisava manter a cabeça firme para não tomar a decisão errada. Com muita dor no coração, optou por ser razoável, ela precisava tomar as rédeas daquele amor desmedido se não quisesse que aquilo lhe custasse a vida dos que mais amava.

–Emma, você não pode ir comigo até o poço! Estamos indo agora buscar sua mãe e ela ficará no hospital até que eu esteja de volta, entendido?

–Não, eu não vou para o hospital! Eu não vou fazer isso sem você!

–Você vai, Swan! Vai ter que fazer. -Regina foi firme.

–Regina, por favor... Não me deixe sozinha... Eu acho que não consigo...

–Emma, preste atenção! -Regina puxou o rosto da loira para cima e a encarou seriamente.

–Você tem que conseguir, ouviu?

–Eu.. -Ai!!

–Sem mais, Swan! -Finalicou Regina, ou ver a loira se contorcer de dor. -David irá me acompanhar e eu estarei de volta antes mesmo dessa criança sair!

–Você promete? Promete que vai voltar inteira para mim, para nós? -Emma se esforçava para falar, a dor da contração era muito mais violenta do que ela se lembrava.

–Eu prometo!

A morena estava com as mãos trêmulas e se certificou que Emma não percebeu como estava nervosa em prometer algo que ela não tinha certeza se poderia cumprir, Regina não fazia ideia do que iria encontrar no poço da cidade. Ligou seu Mercedes e foi em direção à casa dos pais da loira.

******

Emma entrou em trabalho de parto quase um mês antes do esperado e se preparava para dar à luz de seu segundo filho. Tomada por uma forte dor nas costas, o médico explicou que aquilo era uma das formas que as contrações costumavam se manifestar em alguma mulheres.

A loira suava frio, achou que não iria aguentar de tanta dor e desejou não ter que passar por aquilo novamente. Emma foi tomada por medo e insegurança de que Regina poderia não voltar a tempo.

–Emma, esteja preparada, pois a qualquer hora seu filho deve nascer. -Disse Dr Whale após examiná-la.

–Não! Não antes da Regina voltar!

–Emma, eu sinto muito, mas a criança pode não aguentar esperar por ela...e quando chegar a hora, eu vou ter que tirá-la daí ou então..

–Ou então o que? Não! Essa criança vai esperar Regina!

–Emma, seja mais razoável...

–Está decido, Dr. Whale, o senhor não está autorizado a tirar essa criança daqui de dentro antes de Regina chegar.

Emma, desesperada com a ideia de ter que fazer aquilo sozinha, se recusou a ter o filho longe de Regina, a loira sabia que a morena voltaria, ela prometeu que chegaria a tempo de segurar suas mãos.

Se culpou por ter feito amor durante a tarde achando que aquela teria sido a causa de um parto prematuro. Emma estava bem, e na última consulta o bebê não deu nenhum sinal de que nasceria antes do tempo previsto, como ela poderia imaginar?
O médico deixou a sala inconformado com a decisão da loira.

Emma estava quase pronta para ter essa criança, o que por si só, já era um fator de risco, pois ainda faltava quase 3 semanas para que completasse os nove meses de gestação.

–Patinho... Você vai ficar aí dentro, está certo?! Por favor, trate de obedecer a mamãe! -Disse enquanto se esforçava para não chorar.

Mary, ao lado de Emma durante toda a consulta, podia sentir a insegurança da filha em seguir adiante sem a morena ao seu lado.

–Emma, eu acho que você não deveria colocar a saúde do seu bebê em risco...

–Não! Eu não posso fazer isso sem ela! Eu não sou capaz nem de comprar essas roupas de grávida sem ela, imagina dar à luz? Nem pensar!

–Filha, eu não tenho dúvidas que se a hora chegar, e Regina ainda não estiver voltado, você fará um ótimo trabalho. -Afirmou Mary usando seu melhor tom otimista.

–E-Eu não estou tão segura disso.

–E quanto a vocês duas, Emma? O que pretendem fazer?

–A gente não teve muito tempo para conversar ainda... -Respondeu enquanto se lembrava das últimas horas cheias de luxuria que dividiu com Regina e definitivamente, Emma não entraria em maiores detalhes com a sua mãe sobre a tarde que passou com Regina.

–Ué? Você não tinha ido até a casa dela para conversarem, o que ficaram fazendo? -Perguntou Mary.

Emma a respondeu apenas revirando os olhos para a mãe a fim de fazê-la entender que aquilo não era uma pergunta adequada.

–Ah, me desculpe, eu não quis..-Corou as bochechas.

–Está tudo bem. -Cortou Emma.

A loira percebeu que sua mãe continuou pensando sobre o seu encontro com a prefeita e se sentiu envergonhada por isso. Não queria saber que sua mãe imaginava o que elas haviam feito durante a tarde ou como faziam. Seguramente, se Emma não estivesse prestes a dar luz, Mary não hesitaria em enchê-la de perguntas inconvenientes. Pensou que, às vezes, Regina tinha razão quando dizia que Mary Margareth falava demais.

–Onde está Henry? -Perguntou Emma interrompendo os possíveis devaneios de Mary sobre a sua vida sexual.

–A caminho. Ele vem direto da escola para cá. -Respondeu balançando a cabeça como se estivesse voltando para a realidade.

–Ai! -Gritou Emma. -Aiii! -O grito saiu mais alto e a dor que sentiu foi mais aguda e longa.

Mary pegou nas mãos da filha, na tentativa de aliviar o que doía. A loira então apertou as mãos da mãe até que a contração parasse totalmente. Agradeceu por ter, ao menos, a mãe ao lado dela, pois da última vez, no parto de Henry, não havia ninguém que pudesse lhe dar as mãos, e a única pessoa que estava ao lado dela, era um guarda feminino da penitenciaria que a encarava com uma feição de pena.

–Calma minha filha, vai ficar tudo bem. Se você quiser, eu posso chamar o Dr Whale e..

–Eu já disse que vamos esperar por Regina! -Assegurou Emma ainda contorcendo o rosto da dor remanescente da última contração.

–Tudo bem, tudo bem...

Emma precisava de alguma distração, algo que a fizesse esquecer da dor que sentia e a ajudasse também a diminuir a ansiedade e o medo de que Regina ainda poderia demorar horas para voltar. Ela seguraria o máximo que conseguisse, mas tinha a consciência que não podia esperar muito e deixar seu filho correr algum risco, só não queria dizer aquilo em voz alta. Mary conhecia bem aquela angústia antes do parto, já havia passado por isso duas vezes, e na primeira, no parto de Emma, as coisas eram bem mais complicadas e difíceis no reino encantado, já que não havia médicos ou hospitais como em Storybrook, e pensou numa solução para tentar distrair Emma enquanto Regina não estivesse de volta, fazendo aquilo que ela sabia que faz de melhor, conversar.

–Você já pensou num nome?

–Ainda não! Quero olhar para ele e decidir.

–E Regina? Vai te ajudar a escolher?

–Se ela gostar do nome que eu escolher sim, vai me ajudar. Caso ela não goste, então não.

Mary riu com o que a filha disse e concordou com a cabeça.

Regina tinha uma personalidade bastante difícil de se lidar e Emma parecia ser a única a conseguir dobrar a prefeita. Sempre foi assim, desde a primeira vez que se viram. Mary sempre achou ilesas fato curioso, aquela conexão, aquela ligação que sua filha possuía com Regina não era algo que ela presenciava com outras pessoas, a única vez que viu algo que se assemelhasse aquela relação era a sua própria relação com David, pai de Emma. No fundo, a mulher sempre soube que Regina e Emma pertenciam uma a outra, só quis esperar que a filha se desse conta disso sozinha.

Para Emma, Regina não era nenhum mistério, nem uma bruxa má. Regina era apenas Regina. Sem julgamentos ou preconceitos. Enquanto Emma não era a Salvadora, como diziam, Emma era apenas Emma. Elas sempre se viram e se reconheceram dessa forma, diferente das pessoas ao redor, que as viam como a luz e a treva, o bem e o mal, a salvação e a maldição, elas podiam até serem opostos uma da outra, mas estes títulos não fariam a mínima diferença para o que prospectavam para o futuro. Ou elas achavam que não faria.
Emma olhou para sua mãe fielmente ao seu lado agora e lamentou o fato de tê-la afastado durante quase a gestação inteira. Foi difícil, mas a loira se deu conta que os pais jamais fariam algo para magoá-la e não pediu explicações apenas deixou com que eles voltassem a fazer parte de sua vida de forma natural.

–Obrigada! Obrigada por estar aqui comigo, mãe!

–Emma, eu fico tão feliz de você ter perdoado a mim e seu pai que...na verdade, eu não me perdoaria se não estivesse aqui agora com você! Obrigada a você, minha filha! -Respondeu Mary emocionada com o agradecimento da filha. -Eu nem acredito que vou ser avó mais uma vez!

Emma ainda não tinha conversado com Mary Margareth ou com ninguém sobre o encontro que teve com Hook há poucos dias. O que Hook lhe disse ainda intrigava a loira e ela resolveu tentar buscar algum sentido na última conversa que teve com o ex namorado.

–Hook... Ele voltou! -Disse Emma.

A loira viu a expressão de sua mãe mudar. A mulher que sempre tinha as bochechas rosadas, estava completamente pálida, os olhos saltaram do rosto e a boca não fechava completamente. Era uma expressão de terror.

–O que foi?

–Espera, você disse que Hook voltou?

–Aham.

–Como... Como voltou?

–Eu não sei exatamente. Ele me ameaçou e eu fui encontrá-lo para dar um basta!

–Ele se lembra... Quer dizer, como é possível que se lembre de alguma coisa? -Perguntou em pânico.

–Parece que Gold trouxe ele de volta, aliás você sabe por que Gold teria interesse em Hook?

Mary se levantou de forma desajeitada da cadeira ao lado da cama de Emma e puxou sua bolsa a colocando em seu ombro.

–Eu.. Eu preciso ir, Emma! Desculpe!

–Ei, não! Não me deixe aqui sozinha! Eu já me livrei dele! -Respondeu Emma.

–Se livrou como? -Mary perguntou já apoiada ao batente da porta do quarto, preparada para sair do hospital o mais rápido que conseguisse.

–Eu pedi para ele não me procurar mais. Disse que aquelas ameaças dele não me assustavam...

–Emma, o que ele te ameaçou exatamente? -Perguntou Mary, quase em prantos ao ouvir a revelação da filha.

–Aiii! -Gritou Emma. -Mais uma! Patinho, que droga!

Quando Emma abriu os olhos novamente, percebeu que já estava sozinha no quarto.

–Patinho, sua avó está escondendo alguma coisa... O que será que ela aprontou dessa vez? Bom, não importa, Hook não será mais um problema para nós, não é mesmo? Ele não pode ameaçar você, eu e Regina e pensar que eu vou aceitar as condições dele. -Eu sei... Eu sei... Eu devia ter falado para ela quando soube que ele voltou, mas ela tinha acabado de me dizer que me amava, como eu ia fazer isso?!"

–Aii! -Gritou. -Aguente firme aí dentro, filho, seremos só nós dois agora!

******

–Emma, eu sinto muito mas não dá mais para esperar!

A loira contorcia seu corpo inteiro tamanha dor que sentia. Aquela criança parecia ser ainda mais teimosa do Henry, e parecia que não havia nada que pudesse impedir que ela nascesse, nem mesmo Emma.

Emma, ainda sozinha no quarto, percebeu que não aguentaria mais de dor e embora muito contrariada, acabou cedendo fazendo um gesto positivo com a cabeça para o médico. Seu corpo já não aguentava mais adiar.

Regina já estava fora há horas e a loira conseguia ver através da pequena janela de seu quarto no hospital, que a nuvem ainda estava lá fora. A preocupação com Regina só aumentava no coração de Emma. A loira não sabia ao certo o que a prefeita estava fazendo, mas antes de deixá-la no hospital, Emma viu quando a morena pegou a varinha negra de Blue e ela não estava tão segura de que Regina saberia lidar com aquele instrumento.

A ideia de que algo poderia dar errado era assustadora e fazia com as dores das contrações de Emma aumentassem com o nervoso que sentia, aproximando ainda mais o que Emma menos desejava ter que fazer sozinha: o parto.Tentava a todo custo manter a calma repetindo todos os exercícios de respiração que aprendeu no curso de gestantes enquanto o médico se paramentava e reunia a equipe que ajudaria no procedimento.

A loira afundou a cabeça nas mãos, não queria que a vissem tão fragilizada, não resistiu e se pôs a chorar ali entre todos os médicos e enfermeiros presentes diante da pressão que estava sentindo.

–Emma!

Quando a loira tirou, finalmente, as mãos da frente de seu rosto, pôde ver a morena parada na porta de seu quarto.