Notas iniciais
Olá :)
Espero que gostem e boa leitura!
Lu

- Mamãe, e o Marquinhos? – A garotinha dizia, na hora do café.

- Marquinhos?? – A mãe parecia confusa, enquanto colocava os pratos na mesa.

- É, mamãe. Meu amigo ta aqui ó, do meu ladinho. – A menina parecia impaciente com a mãe, que se esquecera de seu “amigo”.

- Aaaah, o Marquinhos. – Disse a mãe, disfarçando. – Mas agora, deixe o Marquinhos pra lá, por que está na hora do café, tudo bem? – Ela disse, voltando a preparar a mesa.

Mesa arrumada e café posto. Quando sua mãe ia se sentar no seu lugar usual, a menininha larga a comida e grita:

- NÃO! Mamãe, NÃO. O Marquinhos tá aí. Senta em outro lugar. – A mãe, que queria tomar seu café sossegada, apenas se sentou em outra cadeira. Mas a menina não lhe dava sossego. Ao longo do infeliz café da manhã, a menina gritava “Mas e o prato do Marcos?” ou oferecia ao — o que aos olhos da mãe não era nada — seu amigo pão, leite e biscoitos.

- Filha, me conta sobre esse Marquinhos – A mãe tentou entrar na brincadeira da filha.

- Aaaah, mamãe...nós somos muito amigos! – A menina disse, entusiasmada. E ainda continuou: — Ontem, a gente até dormiu junto!

- Você o quê?? Menina, você tem seis anos. – Disse o irmão de Lia, que tinha 12 anos, e acabara de entrar na cozinha. A menina o olhou confusa e inocente e a mãe o repreendeu com o olhar.

- Vamos, queridos? Estamos atrasados pra escola! – disse a mãe pegando seu prato e o de Lia, os levando até a pia.

- Mas mãe, e o Marquinhos?

- O que tem ele, meu anjo?

- Ele não tem uniforme, como ele vai entrar na escola?

A mãe riu da preocupação da filha e respondeu:

- Não se preocupe, querida! Ninguém vai barrá -lo na escola. Agora vamos? – sorriu e recebeu um sorriso feliz da filha. – Vamos, Bruno?

- Aaaah, vamos né? – todos riram, inclusive Lia, que fazia gestos como se batesse feliz em alguém, no caso, Marquinhos.

E mais um dia se foi. Uma, duas, três semanas se passaram e a amizade de Lia com Marquinhos ficava cada vez mais forte, o que estava começando a preocupar seus pais. Eles faziam de tudo para que sua filha se socializasse. A levavam ao parquinho do condominio, a pracinha do bairro, mas a garotinha nunca dava atenção as pessoas de lá, ficava prestando atenção no que Marquinhos dizia. Até que em uma noite, na hora do jantar:

- Eu to apaixonada, o que eu faço? – Lia soltou.

O pai a olhou surpreso e feliz, e Bruno começou a rir imediatamente. A mãe, que estava sorrindo até o momento, o repreendeu:

- Bruno, pare de rir da sua irmã! Já! Isso não é coisa que se faça. – O menino revirou os olhos e voltou a comer. – E, querida, por quem você esta apaixonada? – A mãe perguntou esperançosa.

- Pelo Marquinhos. – sorriu de orelha a orelha ao dizer isso.

Os pais suspiraram cansados, e o pai começou:

- Princesinha, ele não existe de verdade. — disse calmo.

- Existe, papai! Lógico que exise, olha ele ali no sofá!

Bruno se segurou para não rir e a mãe ajudou seu marido:

- Lili, ele é seu amigo imaginário, ele não existe realmente, apenas na sua imaginação. – finalizou com um sorriso e apontando para a cabeça da garotinha.

Lia suspirou derrotada e desceu da cadeira, meio grande para seu tamanho:

- Vocês não entendem. – disse saindo da sala.

Naquela noite, nenhum das três pessoas daquela casa a seguiram. Terminaram o jantar em silencio, com a mãe e o pai trocando alguns olhares preocupados. Todos comeram e Bruno foi dormir.

- O que faremos, Márcio?

- Eu não sei, sinceramente! Já falamos tanto com ela, talvez seja melhor a levarmos a um psicólogo.

- Claro, ligo pra algum amanhã cedo.

Se abraçaram e foram dormir. Mas antes deram uma passada no quarto de sua princesinha, que já estava dormindo, com a mesma roupa e com seu all star rosa. Márcio foi se deitar e Suzana foi até sua filha, tirou seus sapatos e a cobriu.

Eles realmente contrataram uma psicóloga no dia seguinte, Dra. Sofia. Lia já tinha ido lá por duas semanas e teve efeito. A garotinha não falava mais no Marquinhos e arranjara vários amigos, para o alívio de seus pais.

Notas finais
E então?