Imagens do Inconsciente
23 Capítulo 23
A noite estava quente e Samantha não conseguia dormir. Sem se incomodar por estar de pijama curto e justo, deixando em evidência as formas do seu corpo, Sam pegou o notebook e desceu para o jardim, próximo à piscina. Seus tios já haviam se recolhido em seus aposentos. Sentada à mesa, Samantha navegava por páginas da web, no facebook ou em blogues, matando seu tempo. Descobriu que havia uma festa que fora organizada por Pedro e Alice, provavelmente Leonardo estaria lá, com "sua garota".
O silêncio de Amanda estava deixando Samantha intrigada, pensou que poderia contar com a amiga, mas esta, pelo visto, lhe virara as costas sem sequer conversar ou tentar aliviar sua própria solidão. Estava triste e decepcionada por ter confiado nela.
Enquanto passeava por várias páginas, com seu perfil fake do facebook, Samantha encontrou um grupo, um tanto polêmico, de pessoas com desejo de vingança. Ela solicitou a participação e, como desconfiava, o grupo era apenas uma máscara para um fórum. O Facebook não permitiria tais discussões, por isso, através de uma plataforma particular, as pessoas discutiam sobre as pessoas que queriam vingar, os motivos e os métodos. Samantha criou um perfil como o do facebook para poder participar e passou algum tempo lendo sobre os problemas alheios.
Por algumas vezes, sentia pena das pessoas e o desejo de ajudar ou confortar perturbava sua mente, mas na maioria das vezes só enxergava um transtorno obsessivo por outras pessoas, seus parceiros, quase sempre, e um orgulho ferido. Ficou imaginando se era assim que estava, parecendo uma criança que não sabe perder em um jogo, buscando alimentar sua alma com uma vingança que acontecia apenas em sua mente, mas lembrara de como conduziu e fora responsável pela morte de Felipe e de como usou o vício de Rafael contra ele próprio, deixando-o em coma. Não! Ela não estava brincando de menina má e, embora suas atitudes não aplacasse sua dor e seu desespero, iria até o fim com seus planos. Queria que todos soubessem que ao destruir a vida dela, destruíram a si próprios também.
Vez por outra entrava no facebook e via o progresso da festa. Embora a cada minuto houvesse uma foto nova, Leonardo não estava em nenhuma. Samantha não conseguia entender que tipo de pessoas ficavam em uma festa postando fotos na internet, isso era um exibicionismo barato e vulgar, mas para ela era interessante, quanto mais informações, melhor.
Samantha teve vontade de ir até a tal festa, ainda havia nove pessoas em sua lista: Karem, Igor, Pedro, Alice, Luan, Clara, Vitor, André e Leonardo. Embora não tivesse certeza se faria mal a Leonardo, ele também estava em sua lista, as vezes Sam tinha plena certeza de que o queria envolver nisso tudo, mas na maioria das vezes só o queria ao seu lado.
Passava das duas da manhã e Samantha não iria sair àquela hora, mesmo que seu interior estivesse inquieto. Pensou no que poderia fazer para aliviar toda tensão que sentia e decidiu que Luan seria sua próxima vítima. Não ousaria comunicar com ele pela internet, pois sabia que, assim que lhe acontecesse algo, seria questão de poucos dias até chegarem a ela. Samantha sabia onde ele morava, onde estudava e conhecia muito bem as coisas que costumava fazer.
Luan Villefort era um rapaz de 21 anos, mas claramente percebia-se que possuía uma mente adolescente e altamente vulnerável. Seu pai, Mário Villefort era o principal sócio de uma grande rede de supermercados no Rio de Janeiro enquanto sua mãe, Amanda Villefort, era dona de uma grife com seu sobrenome, no shopping Leblon. Embora empresários de sucesso, o casal Villefort passava maior parte do tempo no exterior, deixando suas empresas na responsabilidade de seus advogados e funcionários. Os filhos, Luan e Laura, também ficavam a mercê de suas babás tornando-se jovens ricos e sem quaisquer limites.
Luan estudava educação física em uma universidade privada e Laura acabara de passar em direito na UERJ, a mesma faculdade de Samantha, que viu uma oportunidade de aproximação dos irmãos. Vendo que Laura possuía quase dois mil contatos no facebook, adicionou a garota sem cerimônia e começou a colocar em prática seu novo plano.
Faltava poucos minutos para as três horas quando Samantha percebeu a luz da cozinha se acendendo, anunciando a chegada de Leonardo. Ele poderia vê-la por causa da claridade do notebook que ela não fez questão de desligar. Olhando de relance, percebeu sua aproximação, mas continuou indiferente.
— O que faz acordada até a esta hora? Me esperando, querida Sam?
— Não seja estúpido! Porque eu iria te esperar?
— Talvez pelo fato de ter ficado com ciúmes quando disse, no jantar, que sairia com uma garota.
Samantha foi pega de surpresa, Então fora tão transparente assim? Seus olhos claros observava o primo encostado na mesa e aguardando sua resposta com cara de deboche.
— Ah, é mesmo! Me mordi de ciúme de você, tanto que estou aqui com meu "amigo", lamentando sua saída com uma "garota". — Samantha deu ênfase à palavra "amigo" deixando claro que havia alguém, mas que não era seu amigo, na verdade.
— Deixa eu ver... Quero saber com quem você está saindo. Tenho o direito.
— Não! Você não vai saber. Eu não estou procurando saber com quem você anda, portanto, me deixe em paz.
— Então você admite que está com alguém? — A voz de Leonardo era alterada e ele deixava claro que estava com raiva.
— Não admito e não nego. Este assunto não lhe diz respeito e pare com essa gritaria antes que acorde toda vizinhança. — Samantha levantou-se e pegou o notebook e o celular e virou-se em direção à porta. — Vou entrar, já que não terei mais paz para ficar aqui.
Leonardo observava Samantha caminhar suavemente, iluminada pela luz que ele deixara acesa na cozinha. Mesmo insistindo em não pensar, sua mente insistia em trazer de volta o dia em a tirara da piscina, a sensação que o corpo dela, mesmo frio provocara e perturbava até então. Ela não percebia o efeito que tinha sobre ele, não sabia que sua mera presença o estava enlouquecendo.
Samantha sentia o olhar de Leonardo sobre si e seu corpo ardia. Não conseguia explicar porque sempre agia feito uma idiota na presença dele, menos ainda porque fugia se seu íntimo insistia em ficar. Caminhava como se a brisa fresca da madrugada estivesse lhe conduzindo, leve e suave, como alguém que partia esperando que lhe impedissem.
Concentrada em sua sedução Samantha não percebeu que seu alvo havia lhe aproximado, antes que entrasse em seu quarto, Leonardo a segurou pelo braço e, perdido nos olhos azuis da prima, a única saída que lhe restara foi dar-lhe um beijo.
Samantha permaneceu imóvel enquanto Leonardo, suavemente, tocava seus lábios. Uma sensação de calor percorreu por seu corpo fazendo-a sentir viva. De olhos fechados deixava que ele a guiasse à segurança do abraço que a envolveu. A proximidade entre seus corpos faziam Samantha perceber o pulsar acelerado do coração de Leonardo, batendo junto ao seu e seus próprios lábios se tornaram refém dos dele, presos em um desejo que ela não poderia se libertar.
Sobre sua blusa, Leonardo podia sentir o calor que emanava de Samantha, ela negaria o quanto fosse, mas o queria tanto quanto ele a ela. Tocou sua cintura e a puxou para si, sem permitir que desfizesse o beijo que a prendera. Lentamente explorava seu corpo sobre a blusa fina que deixavam os seios enrijecidos à mostra. Seus pensamentos insistiam para que ele os tocasse, mas não o faria, não naquela noite, guardaria a melhor parte para depois, quando ela pedisse por isso . Com meio sorriso nos lábios Leonardo parou de beijar Samantha e olhou em seus olhos. Nunca os tinha visto tão azuis e ela estava linda. Precisou se segurar para não a beijar novamente.
— Isso foi apenas uma amostra grátis, priminha, para me ter terá que pedir. —Leonardo sussurrou. — E sei que irá...
— Ou, eu te mato primeiro, priminho. — Samantha entrou em seu quarto, também com um leve sorriso no rosto. Estava aprendendo a esconder suas emoções e mascarar suas verdades. Ficara perturbada com a reação de Leonardo, mas por meio segundo decidiu que ele não teria esse gostinho.
Fale com o autor