I'm with you

10 Capítulo 10 - Isnt' love


Notas iniciais
Talvez alguns considerem esse capítulo um pouco pesado para o resto da história em si. Isso vai sim, influenciar a história e o desenvolvimento de alguns personagens futuramente. Então, por favor, leiam cientes.

A porta de entrada estava entreaberta. Sophie a empurrou, entrando com pressa na casa. Ninguém na sala. Ninguém na cozinha. Nem na sala de jantar. Tudo estava do mesmo jeito de quando ela foi para a escola, mas ela ouvia o choro da mãe e a voz de Thomas. Ele parecia estar bêbado. A garota subiu as escadas em dois e dois degraus, o coração disparado e o aperto na garganta.

De novo não.

Eles estavam no quarto de Aurora. O quarto estava revirado, roupas jogadas no chão, vasos quebrados e o espelho rachado, com manchas de sangue. A mãe de Sophie estava caída no chão, com o rosto inchado, sangrando e chorando. Thomas, com uma mão erguida prestes a acertar Aurora novamente.

— Thomas, pare! Não!

Gabriel passou rapidamente pela garota que gritava, imobilizando Thomas que começou a se debater. Soph foi até a mãe, e a ajudou a se levantar.

— Mãe! Mãe, eu ‘to aqui.

— Soph...

A garota nunca tinha visto tanto sangue. Mesmo com os olhos marejados, olhou rapidamente pelo corpo da mãe: não parecia estar machucada em nenhum outro lugar, apenas o rosto. Tinha algumas marcas roxas espalhadas pelos braços, mas isso era da discussão anterior. Com os dedos trêmulos, puxou o celular do bolso e discou o número de pronto socorro, e respectivamente da policia. Sua voz falhava e se embolava vez ou outra, ela tentava segurar as lágrimas enquanto olhava o rosto da mãe.

Thomas, que agora tinha se soltado de Gabriel, começou a ameaçá-lo. Gabe simplesmente respondeu com um soco. O homem caiu sentado, atordoado pelo soco e a bebida.

A policia chegou em poucos minutos, seguida pela ambulância. Aurora não conseguia se mover direito por conta das pancadas na cabeça, então foi levada em uma maca. Sophie acompanhou tudo, prestes a desabar a qualquer momento. Ela iria ao hospital em seguida – teria que pegar os documentos e algumas roupas antes de ir. Já a policia, levou Thomas para um depoimento.

Gabriel se aproximou de Sophie, que revirava a bolsa da mãe, ainda tremendo. Ele segurou a mão dela, o olhar preocupado.

— Calma, eles vão cuidar dela.

Ela balançou a cabeça, afirmando. Os céus sabiam quanto estava se contendo para não chorar. Gabe segurou a mão dela e puxou a bolsa.

— Onde estão as roupas dela? Ou prefere deixar para mais tarde?

— E-Eu pego mais tarde...

­— Certo. Vamos, eu te acompanho até lá.

Até o caminho do hospital, ele não soltou a mão dela um segundo sequer, sempre a apertando levemente. Uma das viaturas os levou até o Hospital da cidade, afinal, também queriam ouvir o relato de Aurora sobre o que aconteceu.

Sophie cuidou da documentação e da ficha no hospital, para enfim, poder ir ver sua mãe, que recebia os cuidados em um dos quartos. Ficou quase meia hora do lado de fora, esperando a permissão para entrar. Gabriel ficou na recepção, já que a visita era de apenas uma pessoa por vez.

A loira entrou no quarto quando foi chamada, prendendo o crachá de ‘visitante’ no uniforme da escola. Sua mãe estava deitada, ainda com as roupas sujas, recebendo os cuidados de uma enfermeira, que limpava o sangue no rosto dela. Por fim, a enfermeira ruiva se afastou, com uma cara de poucos amigos.

Sophie parou do lado da cama, segurando uma das mãos da mãe.

— Mãe...

— Essa enfermeira nunca foi com a minha cara. Acho que vou abusar dos serviços dela enquanto eu estiver aqui só por diversão.

Eram poucos os momentos que Aurora fazia piadas e brincava. Quando as fazia, estava triste e não demonstrava. Sophie puxou uma cadeira e ficou a lado da cama.

— Eu levei cinco pontos na cabeça. O Doutor Escorse disse que vou precisar ficar para fazer alguns exames.

O rosto dela estava completamente inchado, o olho esquerdo roxo e o globo ocular, vermelho. Um corte na testa estava recém-costurado.

— Mãe, você sabe que pode evitar isso. Olha só como ele a deixou, está pior do que as outras vezes...

— Soph, querida, já conversamos sobre isso. Ele não estava sóbrio, não tem culpa. A culpa é minha na verdade...

— Claro que ele tem! Você vai simplesmente... Aturar isso? Deus sabe o que pode ter acontecido se eu não tivesse chegado a tempo!

Aurora apenas ficou quieta, relaxando o corpo no travesseiro.

— Soph, poderia pegar algumas coisas em casa para mim?

Sophie respirou fundo, sabendo que não poderia iniciar uma discussão naquela situação. E não conseguiria. Ver a mãe naquele estado a deixava sem chão. Aceitou, com um aceno com a cabeça.

— Vou precisar de algumas peças de roupa... Apenas para quando eu for voltar para casa. E minha escova de dente... Ah, e separe alguns álbuns de fotos, por favor?

A garota concordou, apertando levemente a mão da mãe. A enfermeira voltou, trazendo uma roupa do hospital e mais curativos, juntamente com remédios.

— Mocinha é melhor você ir agora. Sua mãe precisa descansar.

— Certo. Mãe, eu volto mais tarde. Eu te amo.

Aurora sorriu calmamente. Sophie saiu do quarto, a tempo de ver dois policiais entrando em seguida. Quando voltou para a recepção, Gabriel estava sentado em uma das cadeiras da sala de espera, mexendo no celular. Levantou rapidamente e guardou o aparelho assim que a viu.

— Eu avisei pro Nicholas que avisou para a Alice que disse que ela ia pra sua casa mais tarde.

— Valeu...

— E sua mãe, como está?

— Ela vai ficar bem. Vai precisar ficar alguns dias para fazer... Uns exames... E...

Levou a mão até o rosto, a voz não saía mais. E se as coisas não tivessem acabado ‘bem’? E se tivesse chegado tarde demais? A ideia fazia o estomago da garota se revirar. Já tinha perdido o pai, ela não queria perder a mãe também. Junto com o medo, a indignação. Pensar em Thomas a deixava enfurecida. Ele não era homem o suficiente para sequer estar no mesmo cômodo que Aurora!

As lágrimas caíram silenciosamente pelo rosto da garota. Gabriel a envolveu com os braços, afetuosamente, apoiando o queixo na cabeça de Sophie. Ela escondeu o rosto entre as mãos, deixando aquele nó na garganta ir embora junto com o choro.

— Eu tive tanto... Tanto medo...

Falava baixo entre soluços. Gabriel continuou abraçado a ela, em silêncio. Ela se deu conta de que era isso que precisava: um abraço para confortá-la e palavras que não precisavam ser ditas. Ele a entendia, de algum modo. Era daquele abraço que ela precisava. O abraço dele.