I'm on my way
1 Capítulo Único
Estava feito o que ela mais temia.
O homem com quem achava que passaria os próximos dias de sua vida até a morte os separasse havia acabado de deixá-la no altar da cerimônia, decidindo naquela hora nem um pouco conveniente de que aquilo não era o que ele queria.
Ela o observou dando seu discurso de meia-tigela sobre como o problema não estava nela e sim nele, e que ela merecia alguém melhor. Ela o analisou se afastar pelo mesmo caminho que percorreu para chegar até o altar, com as mãos nos bolsos parecendo despreocupado, como se fosse algo completamente comum.
Ela quis explodir. Despejar toda sua frustração nos itens que a cercava e em jogar as alianças descansando em uma almofada de veludo próxima bem longe dali.
Mas só ficou parada ali. Completamente perplexa e deixando seu buquê de jasmins cair sobre seus pés. O branco das flores contrastava com o tom escarlate do seu vestido.
Merda, ela havia pensado em tudo. Estava tudo acertado, tudo pago, tudo planejado.
E tudo tinha ido pelo ralo, incluindo a lua de mel.
O celebrante a informou que não a ressarciria do dinheiro que pagou para toda a cerimônia, e ela apenas assentiu com a cabeça.
Nada mais importava.
Boa parte dos convidados havia deixado ela por si só, com as decorações em branco, dourado e vinho combinando com o ambiente que alugou: uma mansão antiga, com moldes pelas paredes e pinturas renascentistas no teto. Nas sacadas e janelas, arcos de flores emolduravam a celebração que ocorria ali dentro.
A agora não mais noiva se sentou em uma das dezenas de mesas que tinha reservado para os convidados, ainda arrumadas para receber a quantidade de gente que havia calculado. Uma banda tocava uma música triste, em sintonia com o que estava sentindo. Ela cruzou os braços sobre a mesa e descansou a cabeça sobre eles, na falha tentativa de tentar descansar seus pensamentos também.
— Devo dizer, os docinhos que você encomendou estão de tirar o chapéu — ela ouviu uma voz familiar comentar ao seu lado. Sua melhor amiga segurava um punhado de doces em uma das mãos e se sentava ao seu lado. Ele estava charmoso, usava um terno vinho e uma gravata azul marinho. O cabelo não estava muito mudado, continuava o mesmo cabelo curto, a franja na altura das sobrancelhas e duas mechas mais longas atrás das orelhas, uma em cada lado. Os olhos heterocromáticos observando o horizonte.
—Pelo menos uma coisa tinha que dar certo não é? — a não mais noiva abriu um sorriso fraco, tentando se convencer de que seu casamento não tinha sido um completo fracasso. Pelo menos ela ainda tinha a sua amiga a quem recorrer.
A outra só assentiu devagar em confirmação, mastigando dois docinhos de uma vez, processando a entonação com que ela tinha dito.
Ela estava abalada, e Yasmin nunca havia visto ela assim.
— Quer dançar? — Perguntou de repente. — Aproveitar que a banda tá paga e tal. Essas músicas tão me deixando deprê — ele pescou uma taça de champagne cheia na mesa e tomou um gole.
Ela pareceu analisar a proposta por um segundo e, decidida, tomou-lhe a taça da mão e a virou, tomando toda a bebida em goles rápidos.
—Vamos. — Janna segurou a mão dele o guiou até a pista de dança vazia, e fez um gesto para que a banda trocasse de melodia. Os músicos, compreensivos, logo começaram a tocar uma canção mais animada.
Ela segurou sua mão e a outra foi em seu ombro, começando a girar moderadamente, não o suficiente para dar tonturas mas para manter o ritmo da música.
Ele, no começo, pareceu assimilar o que acabara de acontecer. Fez seu máximo para voltar a realidade o quanto antes e colocar sua mão livre na cintura dela.
E dançaram, dançaram até que seus pés doessem e a bebida e os rodopios começassem a deixá-las tontas. É claro, em determinado momento, a ex-noiva jogou seus sapatos de salto para longe, e ainda sim continuava mais alta que o parceiro de dança.
Era adorável vê-lo irritado quando se era mais alta que ele.
—Yas, quer ir na lua de mel comigo? — Com certeza a bebida a ajudou a perguntar uma questão como essa.
—Deuses Janna, nós só dançamos — Yas abriu um sorriso e apoiou seu peso em uma das mesas mais próximas.
A outra pareceu perplexa por alguns segundos, sentindo as bochechas esquentarem.
—Não, idiota. Eu já paguei a viagem, e preciso de alguém para ir comigo pra conseguir aproveitar — ela se explicou, percebendo como direta ela havia sido. Deveria ter dado a explicação primeiro.
A menor lhe deu um olhar sugestivo.
—Claro J, por mim tudo bem — Ele encontrou outra taça com champagne em uma mesa próxima e a segurou.
Ela não esperava que receberia a resposta tão rápido.
—Ok… Então… Esteja pronta pela manhã, e daí sairemos juntas de táxi até o aeroporto — tentou falar com naturalidade.
—Pela manhã você diz que horas? — Yas analisou a bebida em sua taça antes de virá-la por completo.
—Sete em ponto — ela observou a outra a olhar indignada. Já sabia que o amigo não era uma pessoa matutina.
—E para onde vamos mesmo?
—Maldivas, leve repelente.
Yas riu.
—Você fala como se não me conhecesse.
— Não é isso. Eu só me preocupo com você — Merda. Por que ela tinha que ter bebido? Estava falando demais.
— Se preocupa comigo é? — Ele a olhou nos olhos com uma das sobrancelhas arqueada.
Por que ela tinha que fazer de tudo um flerte?
A maior abriu a boca para se defender, mas sem sucesso. Ela acompanhou com o olhar o outro puxar as chaves da moto do bolso da calça.
— Você vai precisar de uma carona, né? — perguntou.
— Sim, por favor.
A viagem ocorreu sem nenhum problema, para a tranquilidade de Janna. Tirando as vezes que tinha que acordar o amigo nas horas das refeições no avião, foi mais tranquilo do que imaginava.
Quando chegaram no hotel-resort, a maior se encaminhou para a recepção enquanto Yas puxava assunto com o carregador de malas.
— Janna Sahni e Yasmin Correia, certo? — a recepcionista confirmou olhando no computador a sua frente. — Parabéns pelo noivado! — Ela lhe entregou dois cartões para a cabana privativa com um sorriso.
— Ah... — ela pegou os cartões incerta. — Não noivamos, ela é só minha amiga. A gente...
A recepcionista a olhava com o sorriso intacto e assentindo, como se o que escutasse fosse uma brincadeira. Janna desistiu de tentar explicar e começou o caminho na direção do quarto. Yas ao vê-la se distanciar foi atrás.
O caminho da recepção para as cabanas era magnífico, digno de uma pintura. Uma ponte estreita fazia um caminho em curvas leves pelo mar raso e turquesa e várias outras pontes menores levavam aos bangalôs de madeira com tetos de palha.
— Uau. Não sabia que você tinha tanto dinheiro. Quando voltarmos vou dar minhas contas pra você pagar — Yas comentou parado na porta da cabana enquanto a amiga usava um dos cartões para abrir a porta.
— Haha, muito engraçado — a mais alta debochou e foi direto abrir a porta que dava para um deque de dois níveis que com poucos degraus davam acesso ao mar cristalino.
Apesar de toda a cabana ser revestida de tábuas de madeira e algum material com alguma espécie de palha no teto, a decoração era bem moderna. Na entrada, já se deparavam com uma vista linda da janela que tomava conta da parede oposta à da porta. A sala era composta por um tapete circular bege, um sofá de dois lugares e uma mesinha de centro de tampo de vidro. A cozinha ficava logo ao lado da porta de entrada. Era pequena, mas funcional: continha um frigobar e adega abastecidos, junto de uma pia e um fogão de duas bocas elétrico.
Decorações praianas e locais decoravam as paredes e prateleiras. Do lado direito, uma cama king-size com vários travesseiros e almofadas com os melhores tecidos e estampas minimalistas. Duas mesas de cabeceira ficavam a cada lado da cama com abajures simples, cardápio do hotel e folhetos de turismo. Um aparador estofado ficava ao pé da cama e um outro tapete retangular se estendia até a porta da varanda, e dali era possível ver a hidromassagem privativa e espreguiçadeiras.
Yas agradeceu ao carregador assim que ele terminou de levar as malas para dentro antes de a seguir.
Enquanto a outra observava a vista, ele checou a temperatura da água mergulhando a mão até o pulso.
— Tá quente. Cê vai entrar?
Sahni negou com a cabeça.
— Vou beber. Você vem? — Ela já se virava para sair.
Yas pensou por um segundo.
— Por que não?
Janna tomou a frente, sendo seguida pela amiga. A mais alta lhe deu um dos cartões assim que saíram do bangalô, percorrendo o caminho de volta à recepção para chegarem ao acesso da praia pela areia.
Na praia, havia várias espreguiçadeiras e mesas de dois espalhadas pela faixa de areia fina, e no meio dela havia um bar em uma tenda. Era possível ver as inúmeras garrafas ao redor dela e um barman ocupado agitando uma coqueteleira. As banquetas ao redor dela estavam quase todas ocupadas por outros hóspedes.
Yas gostava de hotéis e de como ali era totalmente aceitável beber às 15:00 horas de uma segunda-feira. Enquanto J parecia encantada com a vista, ela correu para pegar uma banqueta no bar e reservar para a amiga.
— Um mojito e um moscow mule, por favor. — Correia pediu, já adiantando o pedido da amiga. Ele sabia de qual bebida ela preferia.
— É quase que como uma outra realidade aqui, né? — J comentou quando se sentou ao seu lado. No timing perfeito foi entregue a bebida das duas, que brindaram antes de beber.
Yas estava prestes a agradecer pela amiga ter escolhido ela para lhe fazer companhia quando viu que a mesma estava virando o copo de mojito todo de uma vez só.
— Tá tudo bem? — perguntou com uma expressão divertida.
J terminou de virar a taça e a repousou na bancada, os dedos deslizando pela base do copo e os olhos focados neles.
— Tá sim. É só... — Ela suspirou. — Nada.
Sahni sinalizou para o barman que queria mais uma rodada.
Yas a encarou por alguns segundos tentando decifrar o que aquele olhar meio perdido queria significar. Ele até tinha suas suspeitas, mas era melhor deixar que ela falasse primeiro, quando estivesse pronta.
— Qual seus planos para hoje além de se embebedar? — ele preferiu perguntar.
— Entrar no mar, depois na hidromassagem e dormir — a outra respondeu, o olhar ainda perdido nos dedos deslizando pelo copo. O barman chegou com outro mojito e ela novamente bebeu tudo em poucos goles.
— Não vai nem me convidar para jantar? — Yas brincou, e do contrário que esperava, recebeu um sorriso de canto em resposta.
— Quem sabe — J entrou na brincadeira, uma lágrima discreta escorrendo pela bochecha.
O amigo notou de imediato o que aquilo queria significar.
— Ei, já te falei. Ele não prestava. Ainda bem que ele mesmo notou que não prestava antes de te meter numa furada. — Yas esperou por alguma resposta da amiga. — Aposto que ele não sabia nem lavar uma roupa.
Um riso escapou da boca de J.
— É, não sabia mesmo.
— Eu sabia! — Yas comemorou, o que arrancou outro riso de J.
Ele ficava contente de poder ajudar de alguma outra forma além de ser só uma companhia, mas algo lhe dizia que seria melhor se ele a deixasse em paz logo. J tinha dessas. Precisava do seu próprio tempo para se curar.
— Eu vou dar uma volta pelo resort. Você fica bem né? Vou levar meu celular — Yas terminou de beber sua bebida e olhou para a amiga, que assentiu.
Ele se despediu com um aceno e começou seu caminho mata adentro, dentro da trilha do resort. Nela, havia placas contando da fauna e flora local e costumes do povo. Yas leu que dali a dois dias haveria uma comemoração e perguntou consigo se Janna gostaria de ir com ela. A princípio, só era necessário comparecer ao luau na praia.
A garota passou por um casal sáfico que riam de alguma coisa. Ela sorriu sem que percebesse. Por algum motivo, era muito satisfatório ver outras pessoas como ela mundo afora.
Não demorou para ele encontrar uma rede entre palmeiras, com apenas o som das ondas e as folhas farfalhando. Era o ponto perfeito para um cochilo de fim de tarde.
***
Uma hora e dez minutos tinham se passado e Yas voltava para o bangalô, totalmente renovado do cansaço da viagem. Para ele era fácil descansar em qualquer lugar em quanto tempo fosse. Assim que a porta emitiu um clique e ele adentrou o lugar, chamou pela amiga e ouviu uma voz distante.
Ele procurou pela cabana e a encontrou na hidromassagem, fazendo um sinal que se aproximasse.
— Ei, entra aqui, isso vai ser ótimo para suas costas — ela brincou.
Yas se convenceu em menos tempo do que esperava. Ela buscou por suas roupas de banho em sua mala e, assim que se trocou no banheiro e guardou as roupas que usava anteriormente, voltou para a varanda para se juntar à amiga.
— Desde quando você tem um abdômen definido? — Janna elogiou com um tom de brincadeira.
— Ah, vai à merda — Ela passou uma perna para dentro e depois a outra, entrando cautelosamente na água quente e se sentando na direção de um dos jatos para que ele ficasse em suas costas.
Elas ficaram em silêncio por algum tempo, mas Correia conseguia sentir o olhar da amiga sobre si.
— Relaxa. É para isso que funciona uma hidromassagem — disse, cutucando o amigo na perna com o pé, já que estava no lado oposto.
— Tô tentando. É difícil se acostumar com essas coisas de gente rica. Eu não tive um cara rico que me mostrou essas coisas — Yas brincou perigosamente, parecendo ter funcionado.
— Que nada, pare de dar desculpas.
— É sério! Você acha que não vi sua bolsa de marca? Dá para pagar um ano de aluguel inteiro com ela.
Janna deu outro empurrão no amigo, agora com os dois pés.
— Vai se foder! Ele pode ter terminado comigo, mas ainda vou usar as coisas que me deu. Como você disse, eu posso pagar um ano de aluguel inteiro, não vou me livrar dela tão fácil assim.
Yas só revirou os olhos, vencido.
— Tá bem, tá bem.
— Vou pegar um champagne, vi que deixaram um na cozinha. — Janna se levantou e saiu da jacuzzi para buscar, deixando que a água escorresse pelo seu corpo até alcançar uma das toalhas nas espreguiçadeiras ali disponíveis.
— Podia ter avisado que eu pegava antes, quando cheguei — Yas comentou, os olhos analisando a amiga dos pés a cabeça por um breve segundo antes que se desse conta do que fazia.
O que tinha sido isso? E desde quando ela tinha um corpo tão bonito? As pernas longas, os ombros largos, até as manchinhas que tinha nas costas que o biquíni deixava ver, da qual já tinha discutido ser como se ela tivesse tido asas na vida passada e que a inspirou em tatuar longas asas pelas costas.
— Vai demorar muito? — J a despertou do devaneio, e para seu nervosismo, ela ainda a encarava.
— O quê? Foi mal eu...
— Pode me encarar, é de graça — J brincou, arrancando um sorriso sem graça do amigo, este que sentiu seu corpo o trair e suas bochechas esquentarem sem que pudesse controlar. — Eu perguntei se prefere o champagne ou se quer ver a carta de vinhos. Tá tudo incluso no plano, então...
— O champagne é uma boa — Yas escolheu prontamente. A amiga sorriu em resposta e entrou na cabana para buscá-lo.
Por alguns minutos, Correia ficou só com seus pensamentos conflitantes.
***
Assim que acordou, J ficou se perguntando o que tinha mudado na relação com o amigo que para eles foi tão difícil dormirem na mesma cama. Eles costumavam dormir na mesma cama no ensino médio quando visitavam a casa um do outro e a mesma coisa aconteceu na faculdade, em seus dormitórios. O que tinha acontecido para que Yas relutasse tanto em dormir com ela na mesma cama no dia anterior? Não é como se fossem casados por fazer isso.
Mas... se fossem, ela gostaria disso?
— Bom dia — Yas a cumprimentou ao seu lado e se espreguiçou. J estava com o olhar perdido no horizonte até então.
— Oi, bom dia. Achei que nunca fosse acordar — Sahni se levantou e preparou suas coisas para se arrumar para a praia.
Yas a olhou confuso. Ele recolheu seu celular desesperadamente e, ao ver 8:00 horas no celular, jogou um dos travesseiros na amiga.
Janna o pegou no ar e jogou de volta. Os dois riram com a brincadeira.
— Para mim isso é tarde — J opinou e Yas mostrou a língua em resposta.
— E você podia ir cuidar da própria vida — ele respondeu. J ergueu as mãos, vencida.
— Ok, estou indo — Ela recolheu sua toalha e necessaire e foi para o banheiro.
Enquanto ela se arrumava, Yas achou uma boa ideia se arrumar ali, mesmo correndo o risco de ela vê-lo sem roupa – o que ele esperava de coração que não acontecesse –, uma coisa era quando crianças, agora já seria muito diferente. Certo?
Correia não percebeu que seu biquíni limpo tinha sido guardado com um nó na alça, e de que não conseguiria desfazê-lo por nada. E o pior, é que já tinha retirado a camiseta de dormir.
Sentiu o desespero bater quando ouviu J abrir a porta do banheiro e ficou de costas enquanto cobria a parte de cima do corpo.
— Precisa de ajuda? — escutou ela dizer atrás de si.
— É, eu não vi que tinha um nó, não tô conseguindo tirar — Ele lhe estendeu o top. Não demorou para ela conseguir soltar as cordas.
— Pronto — J o devolveu, e Yas agradeceu com um aceno de cabeça. — Ei, essa tatuagem é nova. — Ela apontou para seu ombro esquerdo, para a tatuagem de uma fênix.
— Ah é, eu esqueci de te contar. Fiz por causa de uma aposta, nada demais.
— É lindo. Mas... aposta com quem?
— Bea... — Yas respondeu, a cabeça baixa.
— Com a Beatriz? — J rebateu, perplexa. — Que tipo de aposta você perdeu?
— Prefiro não comentar — ele evitou, o que arrancou uma risada da amiga.
— Então tá... — ela sorria. Recolheu sua bolsa já preparada para praia e foi indo na direção da porta. Yas prontamente buscou suas coisas e foi com ela.
***
Após o dia inteiro passado na praia, de recusa de passeios alternativos, mergulhos e alguns outros hóspedes pedindo para tirar fotos deles, decidiram voltar para o bangalô se preparar para o jantar. Tinham escolhido jantar no restaurante do hotel e provar o que eles tivessem de mais exótico. Querendo ou não, seria uma experiência inesquecível.
Já estava sendo. Para ambas.
No banheiro, enquanto as duas dividiam as pias duplas — J fazia sua maquiagem mais elaborada e Correia secava o cabelo – Sahni não pôde deixar de notar que de instante em instante Yas a olhava do espelho.
De um segundo para outro, interrompeu seu delineado para olhar Yas do espelho, e do espelho tornar a olhá-la ao seu lado, dividindo seu olhar entre o olho castanho e o olho azul que não enxergava.
— O quê? — Yas perguntou quando desligou o secador.
Ele não deve ter notado que estava fazendo isso, e J também não queria dar a notícia. O encarou por um breve momento até voltar com sua maquiagem, deixando o outro sem entender.
***
No restaurante, conforme os pratos vinham as duas provavam sem temer. Frutos do mar, pasta e carnes eram algumas das opções que escolheram. No intervalo de um petisco para outro, elas colocavam a conversa em dia. Como Yas estava odiando o trabalho atual como concursada e que estava estudando para passar em um concurso melhor, e como J tinha inúmeras reuniões sendo a CEO de sua empresa de RH. Eram vidas tão diferentes e mesmo assim elas ainda mantinham contato toda semana até então.
Para a sobremesa, podiam escolher entre mais algo chique ou em algo comum. A pedido de Yas, então, a sobremesa foi apenas sorvete. Um sorvete ótimo, daqueles artesanais sem ficar um gosto estranho na boca depois.
Enquanto Yas se queixava de algo que estudava, J percebeu que a boca dele estava suja, uma gota de sorvete no canto da boca. Recolheu o guardanapo dele e limpou sua boca gentilmente. Correia parou de falar e a olhou nos olhos, confuso. Sahni olhava para sua boca, tentando manter em mente que a estava olhando só para ter certeza de que estava limpa. Quando ergueu seu olhar e encontrou o dele, percebeu que estava indo para um caminho sem volta e recuou.
— Você se suja mais que criança — J brincou.
— Ah, é? — Yas a olhou de forma provocativa. — Continuarei sendo assim então para você fazer isso mais vezes.
Um soco no braço foi sua resposta.
— Tá legal, parei!
***
No entardecer do dia seguinte, elas se preparavam para o luau. Eles não seriam os únicos a comparecer, podiam ver e ouvir casais passando próximo do bangalô.
— O que você acha? Seja sincero — J pediu, saindo do banheiro e admitindo uma pose confiante.
Sahni sempre foi uma líder nata, e sua autoestima quase nunca se abalou. Não era algo de que dizia com frequência também.
Ela vestia um vestido leve, de verão, a estampa bem colorida que ia da saia aos tornozelos. No colo, uma gola mais fechada e sem mangas, a cor de um branco liso.
— Tá ótimo, de verdade — Yas elogiou, terminando de ajeitar a gola de sua blusa.
Quando terminaram de se vestir, se dirigiram para a festividade na praia. Casais rodopiavam dançando sob a luz das tochas e do luar e havia mais bandeiras do país por ali.
— Fico feliz de ter reservado em um dia especial aqui — Sahni comentou com um sorriso, fazendo Yas sorrir também. — Eu não sabia disso.
— Bom, meio que esses dias são especiais para você também. Não que eu esteja me achando, mas... — O mais baixo brincou e recebeu outro soco no braço. — Qual é! Isso é algum tipo de fetiche?
— Sorte sua que não é — J entrou na brincadeira.
A noite passou como um flash. Não demorou para estourarem alguns fogos de artifício das cores da bandeira de Maldivas e para os casais ali presentes começarem a aparentar bêbados demais para ficarem ali em pé.
Era o caso de J e Yas. Elas bebiam e dançavam quase que na mesma quantidade, admitindo ser a prova de que estavam aproveitando a noite ao máximo. Logo os dois estavam descalços e até a música de antes estava mais baixa, como se estivessem diminuindo de hora em hora até que amanhecesse e a festa se encerrasse.
Um flashback do casamento se passou pela cabeça do menor. Mas agora era diferente. Janna estava feliz, realizada. Ela estava tendo aquilo que sempre mereceu e lutou por.
— Ei, Yas — J se aproximou dela de repente. Já não segurava mais a taça de champagne da qual estava levando para lá e para cá a noite toda. — Você me ama?
A pergunta repentina até pareceu acordá-lo da anestesia do álcool. Que tipo de pergunta era essa?
— Como assim?
— Você me ama? — ele abriu a boca para responder. — E não como amiga. Algo a mais.
Correia ficou sem saber o que falar. Não é como se a ideia de gostar da melhor amiga nunca tivesse se passado pela sua cabeça. Na verdade, passava com bastante frequência, numa frequência da qual ele já estava até acostumado a ignorar e jogar no fundo de seu subconsciente. Afinal, J estava comprometida até dias atrás. Ela iria se casar. E, se tivesse dado certo – outra ideia de que Yas não tinha certeza se gostava de pensar ou não – seria algo com o que ele morreria com.
A ideia de amar alguém que não poderia ser seu.
Antes de puder dizer sua resposta, Sahni selou os lábios dela nos seus, e não foi um beijo rápido. Era um beijo com paixão, com vontade e desejo reprimidos por um tempo que o outro não conseguia definir, só tinha certeza de que era bastante.
Yas não teve tempo de assimilar e retribuir pois Janna recuou no mesmo instante.
— Desculpa. Merda... Desculpa, desculpa!
Em segundos, ela se virou e correu.
J o deixou sozinho com suas perguntas, sentindo a náusea seja da bebida, da atitude que teve ou dos dois e fugindo com sua coragem jogada no lixo. Ela podia ter certeza de que tinha acabado de estragar sua amizade de anos.
Tinha acabado de perder sua melhor amiga com uma atitude estúpida.
***
No dia seguinte, J acordou com o outro lado da cama vazio e tinha certeza de que se Yas ainda estivesse no hotel não iria querer vê-la até que fossem embora dali dois dias. E ela entendia o porquê.
E se martirizava por isso.
Após um banho rápido e determinada a beber logo cedo, saiu do bangalô rumo ao bar da praia. Estava um dia ensolarado, apesar de algumas nuvens aqui e ali. Não se lembrava de ter algum dia de sua estadia que fosse chover, e ela esperava de coração que não acontecesse.
Sua situação já estava cinzenta demais para ainda ter que lidar com chuva.
Seu olhar varreu automaticamente a baía da praia em busca do amigo. Não demorou para encontrá-lo na mesma banqueta da tenda do bar que se sentaram no primeiro dia, com a diferença de que ele falava com outra pessoa agora.
Sahni tentou reconhecê-la sem sucesso. Era alguma hóspede com quem não tinha cruzado antes. A melhor forma de descobrir era indo lá, mesmo que isso significasse conversar com a pessoa que vinha evitando – e que ao mesmo tempo era com quem mais queria falar no momento, mas é claro que não admitiria isso.
— Oi — cumprimentou assim que se aproximou das duas. O olhar da amiga se voltou para ela, e por um momento J quis poder ler os pensamentos dela na hora.
— Oi. Como amanheceu da ressaca? — Yas perguntou, parecendo genuinamente preocupada.
— Estou bem. — disse simplesmente e seu olhar focou na companhia de Yas, uma moça de hijab turquesa e com um sorriso tímido.
— Ah — Yas compreendeu a situação prontamente e as apresentou. — J, essa é a Zahirah. Zah, essa é a J.
— É um prazer te conhecer. Seu amigo estava falando muito bem de você — ela disse com o sorriso ainda no rosto.
Sahni não conseguiu disfarçar o olhar confuso.
— Eu estava contando para ela de ontem, e de como me lembrou do carnaval que passamos juntos no ano retrasado.
— Eu adoraria ir ao Brasil um dia, lá parece ter uma energia tão boa, ainda mais em festividades assim... — Zah pensou em voz alta.
— Você ia adorar — Yas respondeu.
— Perdão, mas está aqui por que mesmo? — J perguntou, ignorando o tom de grosseria com que disse.
— Ah, eu estou a trabalho. Sou fotógrafa, o hotel pediu para que viesse e tirasse algumas fotos para o site deles. — Zah, por outro lado, não pareceu se importar com seu tom.
A mais alta assentiu, digerindo a informação. Satisfeita em ver que a amiga não parecia ter planos de ir embora e parecia bem, mais do ela até, J se despediu rapidamente das duas e voltou para a cabana.
Ela poderia se divertir sozinha, não poderia? Depois do que ela fez na noite anterior, era compreensível que Yas não quisesse ficar tão próxima quanto antes. Se fosse ela quem tivesse a beijado também reagiria daquela forma.
Ou era isso que pensava.
Já tinha perdido a noção do tempo dentro da hidromassagem quando escutou a porta abrir e fechar. Olhou para dentro da cabana e viu Yas se aproximando.
— Ei, ouvi dizer que vai ter um pedido de casamento lá no restaurante daqui a pouco. Eu estava pensando em te chamar para almoçarmos de qualquer maneira e caso queira ir... Podemos julgar se o pedido vai ser rejeitado ou não, como a gente costumava fazer.
A memória das duas julgando mesas alheias quando saíam para jantar passou pela mente de Sahni.
— Por que não chama sua nova amiga? — A pergunta de ciúme saiu mais rápida do que se deu conta.
Yas abriu um sorriso divertido.
— Está com ciúme da Zahirah?
Janna não respondeu. Yas não conseguiu conter o riso.
— Relaxa, você não vai perder o posto de melhor amiga tão fácil assim. Além do mais, ela deixou bem claro que romance de qualquer tipo não é a praia dela.
J o analisou por alguns segundos.
— Vou ficar por aqui.
Yas pensou em insistir, mas talvez não fosse a melhor hora.
— Tudo bem... Volto em duas horas.
***
Quando Sahni terminou as torradas que pediu depois de ver sobre elas no folheto do hotel e se levantou da mesa para escovar os dentes, notou um clarão e logo depois um trovão e barulho de chuva.
Em instantes, o dia já parecia outro. As nuvens eram tão escuras que parecia noite, até mesmo o mar parecia ter perdido a cor viva de turquesa.
Enquanto J esperava que Yas respondesse sua mensagem se estava voltando para a cabana, ela procurou por fósforos para acender as velas que tinha pelo bangalô. Ela gostava de acendê-las em dias de chuva quando estava em casa e ali não seria diferente.
Assim que guardou os fósforos e se deitou em seu lado da cama olhando para a chuva lá fora, ouviu Yas abrindo a porta e entrando com pressa. J percebeu suas roupas e cabelo molhados.
— Ainda bem que não foi, a garota não aceitou. Não valeu toda a chuva que tomei — contou, o semblante decepcionado. — Enfim, eu vou tomar um banho.
Sahni esperou que ela tomasse seu banho e secasse seu cabelo enquanto descansava seus olhos e se preparava para o que queria falar.
Por mais que o assunto a desesperasse mais do que deveria, ela ainda queria discutir sobre o beijo. Saber se mesmo acontecendo por impulso do álcool poderia acontecer de novo. Porque ela queria. E mais do que isso, esperava que ele quisesse também.
O pensamento que passou por sua cabeça quando acordou de que Yas poderia abandoná-la não a preocupava tanto agora. Ela sabia que se ele quisesse ir ele já teria ido.
Quando Yas abriu a porta do banheiro já vestido, J prontamente se preparou para o que queria dizer.
— Podemos conversar?
— Claro. O que foi? — Ele ajeitava a franja recém secada e ainda meio úmida.
E ele ficava estranhamente atraente fazendo isso.
— O que você tem a dizer sobre ontem?
O semblante do amigo mudou de repente. Não é como se tivesse ficado chateado, apenas... pensativo.
Ela se sentou na beirada da cama, com receio de se aproximar mais.
— Sabe aquele dia que você me arrastou para um show de rock metal em um bar porque tinha ganhado dois ingressos?
J assentiu, um sorriso tímido surgindo sem que ela percebesse.
— Foi terrível, e ao mesmo tempo divertido. Eu pedi a bebida mais forte do cardápio e passei mal logo no primeiro gole.
— É, você nunca foi muito forte pra bebida.
As duas riram. Um riso contido, mas genuíno.
— Naquele dia que eu tive certeza. E no dia seguinte, e no dia depois dele, até hoje. Quando disse que iria se casar, eu não poderia me dar o direito de ficar triste. Não tinha como você saber, e você estava feliz. Eu não queria perder de ver você feliz, e muito menos de perder minha melhor amiga.
— Você não ia me perder...
— Não tinha como ter certeza — Yas a interrompeu. — Eu...
Dessa vez foi J quem a interrompeu, com um beijo. Diferente do primeiro, esse não parecia errado ou proibido. Parecia a coisa certa, e para ambas.
Dessa vez, Yas retribuiu e tomou a iniciativa de empurrá-la gentilmente para se deitar na cama.
Dessa vez ele não se deitaria ao lado dela, e sim sobre ela.
Assim que Sahni se deitou e Yas se posicionou em cima dela, o menor retirou a camiseta que acabara de vestir, fazendo ela sorrir.
— Posso saber o motivo do sorriso? — perguntou, jogando a camiseta longe.
— Pelo que te conheço imaginei que precisaria implorar para você tirar a roupa — J respondeu, passando a mão de leve do pescoço ao ombro dele e aproveitando o caminho para descer a alça do sutiã.
— Ah, é? Bom... — Ela retirou o sutiã e também o jogou longe. — Não sou eu quem ainda está vestida por completo.
— Vem tirar, então. — A maior o olhou nos olhos de forma provocativa.
Em resposta, ele dividiu o olhar entre o olhar dela e os lábios antes de a beijar e descer as mãos na barra da blusa dela, interrompendo o beijo só o suficiente para conseguir passar a blusa pela cabeça e jogá-la longe.
Yas acreditava que estava em um sonho. Esperou tanto por isso e não acreditava estar pronta até Janna começar com o beijo. Se fosse mesmo um sonho, ela não queria acordar.
Ele a beijou e a beijou até que perdesse o fôlego. E quando perdeu, dividia o olhar entre os olhos dela e seu corpo seminu, admirando cada parte dele. Suas mãos percorriam seu corpo inteiro e, por onde percorria, ela retirava as peças de roupa dela no caminho.
Quando se deu por satisfeito, retirou o restante de suas roupas também.
J sorria de leve e sorriu mais ainda quando Yas deitou seu corpo sobre o dela, sentindo seus lábios a beijarem da bochecha, descendo pelo pescoço e irem aos ombros. Não é como se não tivesse sentido isso antes, mas com ele era... melhor. Ele sabia o que estava fazendo.
Enquanto ele a beijava e passava as mãos pelo seu corpo, ela o segurou na cintura com uma mão e agarrou o lençol com a outra. Sentia todo o amor reprimido borbulhar dentro de si e exalar para fora, os suspiros pesados gradualmente virando gemidos baixos.
Yas estava gostando de provocá-la, seja apertando-a na cintura ou beijando e dando mordidas pequenas em seu pescoço. Sabia que podia avançar um pouco mais, então foi descendo com os beijos, da clavícula até chegar nos peitos. Ele começou a beijar um deles e a lamber o mamilo, fazendo a amiga – ou seja lá o que J seria dela agora – gemer um pouco mais.
Ele não queria parar, e ela também não queria que parasse. Sentiu a língua dele em seu peito e sua boca se fechar nele, chupando-o levemente. Como se já não fosse o suficiente, sentiu a mão dele até então se fechando sobre sua cintura subir para o outro peito e apertá-lo, a força aumentando conforme gemia mais.
Continuando o que começou, Yas beijava sua barriga e lhe dava pequenas mordidas que arrancavam um sorriso dela. Sentia sua língua sobre a pele e isso a deixava mais excitada e ansiosa pelo que viria.
Sentiu a mão dele sair de seu peito e ficou frustrada por um breve segundo, só até sentir a boca dele sobre ele e a mão passar por sua barriga e subir para o outro, os apertos gradualmente ficando mais forte como fez no outro.
J se perguntou como que ele era tão bom nisso, afastando o pensamento logo depois. Não queria saber que outras experiências ele teve, queria que ele fosse seu e queria que ele fosse dela, e não só na cama.
Yas voltou a beijá-la enquanto sua mão descia para além de onde já tinha ido. Sua mão passou pela parte de fora da coxa e voltou pela parte de dentro, fazendo-a arrepiar. Fez isso uma, duas, três vezes, sentindo o passar da mão ficando mais pesado e cada vez mais próximo do seu íntimo. Seus gemidos deixavam claro que ela queria, ansiava por isso.
— Pare de enrolar — Sahni disse interrompendo o beijo, a respiração ofegante.
— Por que da pressa? — Yas perguntou baixinho, a mão subindo para acariciar seu pescoço, o polegar passando pela bochecha dela. — Estamos só começando, temos a noite toda pra isso.
J sorriu e a beijou mais uma vez, até que ele se afastasse e começasse uma trilha de beijos por todo seu corpo, descendo até seu íntimo. Quanto mais ele se aproximava, mais ela sentia que precisava daquilo, queria mais do que qualquer coisa.
Quando sentiu a língua dela sobre si, não pode conter-se de gemer mais alto. Ele era cauteloso, passando a língua pelos grandes lábios, depois os pequenos e indo ao clitóris, fazendo movimentos circulares com a ponta da língua e refazendo o caminho.
Ela estava molhada. Muito¸ e isso era um ótimo sinal. Escutando-a gemer só o confirmava de que ela estava gostando e de que não era para parar.
Então ele continuou, passando a língua cada vez mais rápido e ouvindo ela dizer, entre gemidos, para não parar.
Ele não ia parar. A segurava firmemente no quadril com os braços por baixo de suas pernas enquanto fazia seu trabalho, a língua dividida em penetrá-la ou chupar seu clitóris. Tentava fazer um pouco dos dois para provocá-la ainda mais, até sentir a mão de Sahni segurar sua cabeça quando estava passando a língua sobre o clitóris. Ali ficou, alternando entre passar todo o corpo da língua ou só sua ponta.
Os gemidos ficaram mais frequentes e mais altos, as pernas de Sahni se contraindo em Yas e seu corpo se mexendo conforme sentia estar mais próxima de seu ápice até... gozar.
Era como se sua alma tivesse saído do corpo e voltado, sentindo toda a sua circulação sanguínea se concentrar no meio das pernas.
Era a primeira vez que Janna se sentia assim. Seu ex jamais conseguiu fazer isso nela. E Yas na primeira tentativa já conseguiu. Como ela conseguia ser tão boa, perfeita, até nisso?
Ele limpou a boca com as costas da mão e deitou a cabeça sobre a coxa dela e a olhou enquanto J se recuperava. Assim que se recuperou, ela retribuiu o olhar e sorriu.
— Você gost... — Correia estava para perguntar quando J segurou em seu queixo e a beijou. Ela se sentou para ficar mais próxima dele e ele fez o mesmo. Ela apoiou as duas mãos nos ombros do outro e não demorou para ela o empurrar em um deles para fazê-lo deitar do outro lado da cama.
Yas não pôde deixar de sorrir enquanto ele se ajeitava e J se posicionava acima dele, as pernas uma de cada lado prendendo seu corpo.
— Sempre soube que você é dessas mandonas na cama — brincou e ela se deitou sobre ele, as mãos indo para sua cintura.
— Cala a boca. — Ela o beijou intensamente, suas línguas se entrelaçando e ela o segurando contra si um tanto forte demais.
Mas Yas não se importou. Deixou que ela fizesse o que bem entendesse, as mãos bobas passando por seu corpo todo durante o beijo. Em determinado momento, J segurou seu queixo e virou seu rosto para um lado para poder beijar, lamber e morder seu pescoço à vontade.
Ele a sentiu mordê-lo e chupar durante a mordida. Sabia que ia ficar marca depois e não se importou. Naquele momento ele era todo dela, de corpo inteiro.
Ela passou a beijá-lo nos ombros e desceu para os seios, lambendo um enquanto apertava o outro.
Yas gemia baixinho, mas para ela não era suficiente. Sua mão percorreu o corpo dele devagar até chegar em seu íntimo. Começou massageando devagar com dois dedos, o suficiente para ela fazê-lo gemer mais.
Uma das mãos dele deixou de segurar a cintura dela e segurou sua nuca. Eles se entreolharam por um segundo e sorriram até que ele a beijasse e cruzasse as pernas nela.
Ele sentia os dedos dela explorarem cada parte sua, indo de cima para baixo e em movimentos circulares. Ele gemia conforme ela o provocava e gemeu mais alto quando sentiu os dedos dela a penetrarem e se movimentarem mais rápido do que antes.
Sua mão desceu para o ombro dela, enquanto a outra se agarrava no lençol. A esse ponto, ele já estava com as pernas abertas sem nem ter notado.
Conforme ela acelerava com os dedos em seu ponto g e ele se aproximava de gozar, ele nem imaginava pelo que viria a seguir.
Ela parou de repente e Yas a olhou confusa, pelo menos até J descer até seu íntimo e sentir a língua dela na mesma velocidade em seu clitóris, fazendo ele gemer ainda mais e gozar em segundos, deixando que ela chupasse toda sua recompensa.
Correia estendeu as pernas e suspirou em alívio. Não que tivesse sido ruim, pelo contrário, tinha sido inesquecível.
J se deitou sobre ele, apoiando a cabeça em seu ombro e brincando com uma das mechas longas de seu cabelo.
— Isso nos faz sermos o que?
— Namoradas...? — Yas presumiu.
J riu de leve.
— Eu entrei aqui com uma amiga e estou saindo com uma namorada — disse, parecendo provar a palavra saindo de sua boca.
— Tem algum problema quanto a isso? — ele perguntou, preocupado de repente.
Ela se apoiou no antebraço e o olhou nos olhos.
— Não, nenhum. Na verdade, era para eu vir com um fracassado. E agora estou numa companhia muito melhor. — Seu olhar desceu para a boca dela e voltou aos seus olhos. — Melhor do que imaginava.
Yas sorriu e a beijou, mas ainda não seria o último beijo da noite.
***
Yas acordou primeiro, e ela segurava a mão de J que a abraçava por trás, na cintura. Se desvencilhou com cuidado e se sentou, ouvindo um murmúrio ao lado de si.
— Aonde vai? — Os olhos castanhos a analisavam. Dava para ver em como ela piscava que ainda estava com sono. Eles nem se lembravam da hora que foram dormir no dia anterior.
— A lugar nenhum — seu olhar estava focado no mar turquesa que dava para ver da janela. — A vista daqui é linda, mas... sabe o que é mais lindo que isso?
Ele escutou um murmúrio para continuar.
— Você. — Ele esperou por um agradecimento ou coisa parecida, mas recebeu um soco no braço. — Ai! O que foi agora?
— Ser fofo não combina com você.
— Bom, agora são dez horas. Não era você que dizia que oito horas é tarde? Dez horas se encaixaria no que?
Ela sorriu e seu olhar desceu para a boca de Yas.
— Quer descobrir?
Yas riu de leve.
— Eu te amo — deixou que seu coração falasse mais alto.
— Eu também amo você. — Janna correspondeu sabendo, com toda a certeza do mundo, que Yasmin não a abandonaria no altar.
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