I'm lying in the ocean
3 Últimos encontros e lágrimas salgadas
Último semestre.
Últimas semanas.
Há quase um ano a Big Hit paga meu salário. Há mais ou menos o mesmo tempo, eu flutuo no oceano profundo dos seus olhos tão puxados e espertos.
Minha última disciplina na faculdade é montar um projeto experimental em Biblioteconomia, o que estaria tudo bem se não fosse um simples, essencial e aterrador detalhe, o projeto todo deverá ser feito em inglês.
1 — 2 — 3 — 4 — 5 — 6.
Os dias passavam rapidamente.
Permaneci no limbo da insignificância sem ideia do que fazer quanto a isso, ainda em dúvida de como começar. De nós três, Wang é o mais fluente, só que ele já trabalha tanto e quando consegue uma folga das aulas só o que quer é passar um tempo com o filho que cresce tão rápido bem diante dos nossos olhos. Como eu poderia perturbá-lo dessa forma com meus afazeres que não são da alçada de ninguém além da minha?
Soltei a respiração em lufadas de ar que imitaram a neblina mais a frente. Outro dos motivos de tanto gostar desse terraço gelado, além do óbvio é que daqui de cima uma grande parte do rio Han pode ser avistada.
Eu gosto de praias, a noite, não de dia. Quando estão desertas e não movimentadas. De água de coco ao invés de chá mate com limão. Sinto falta de nadar em suas águas límpidas, aqui é sempre tão frio, mas eu também sempre preferi o inverno ao verão. Dias chuvosos a ensolarados. Cobertas a biquínis.
Aqui é a minha casa, mas as vezes sinto falta de casa, de quando era apenas uma criança. Tudo era tão fácil, descomplicado e sem importância, com a permissão de quem eu cresci e me tornei adulta?
Se eu fechar os olhos a imagem perfeita me atinge. Quero nadar, e nadar e nadar, flutuar no oceano, deitar sobre seu travesseiro de ondas, ser envolvida por suas mãos salgadas, cantando mentalmente sua canção. A voz dele me inunda mais do que a própria água, o tom, o timbre, a fala me aquece mais do que qualquer raio de sol conseguiria e pelo menos ali, ele seria meu.
Meu " Deus da Destruição ", só meu.
A empresa se encontra silenciosa, cheguei mais cedo que o normal. Altas horas da noite Sung teve febre, e com ele doente, quem de nós poderia deitar e dormir em paz? Acabei de acompanhá-los ao hospital, Eva ficou com ele, aparentemente não foi nada demais, então Wang foi para a Seoul University e Woo-bin me deu uma carona até aqui.
Woo-bin é um dos amigos mais chegados do meu cunhado. Ele também é professor e também dá aulas na Seoul University só que de História.
Eu sempre gostei de história.
Talvez goste tanto por parecer com Literatura, afinal, História não são os acontecimentos que se concretizam hoje, passados para o papel amanhã muitas vezes de uma forma filosófica, ficando assim gravados pela eternidade? Em muitas ocasiões quis ter uma máquina do tempo escondida no sótão, ou qualquer poder que me fizesse regredir/avançar no tempo, nas horas, dias, meses, anos, séculos.
Qual é o sentido da vida?
Qual o sentido de tudo?
Quando ainda conversávamos, Joon e eu fantasiávamos sobre o sentido.
Ele não acredita em Deus ou no Diabo, em Anjos ou Demônios, no Paraíso ou Inferno.
Eu sim, não que isso seja relevante já que ambos até agora não encontramos nenhuma resposta para nossas colocações utópicas. Mesmo assim, era bom ter alguém com quem dividir minha incompreensão existencial.
Ele me entendia.
Encontramos Woo-bin saindo de casa, além de amigo e colega de trabalho de Wang, ele também é nosso vizinho. Além de nos acompanhar ao hospital pela saúde do menorzinho, ele me ofereceu uma carona até a empresa, onde Eva e o Wang faltaram me empurrar dentro de seu carro para que eu aceitasse.
Nós saímos uma vez.
Ele também é alto, bonito, inteligente e interessante, seu cheiro é de hortelã e seu sorriso mostra dentes brancos perfeitos. Nos últimos tempos, após minha decisão de esquecer o outro, Eva parou de impedir as tentativas do marido em ajudar o amigo, e também depois de uns meses, resolvi aceitar o convite, afinal, por que não?
Por que não?
Boa pergunta.
Talvez, porque mesmo assim incrivelmente eu ainda prefira cheiro de canela, e sorrisos com covinhas.
— O que está fazendo aqui tão cedo? Está frio. — uma voz, um suspiro, um lamento.
Se não estivesse acostumada com ele, com certeza teria me assustado. E lá vinha o causador de várias das minhas paranoias, o único que me trás salvação e decadência.
Ele vinha na minha direção com a fumaça provinda de duas xícaras o atingindo quase na face. Seu boné é escuro, fios soltos me mostram seus cabelos loiríssimos, quase platinados. Uma vez ele tinha dito que sua cor favorita no cabelo é o cinza, e ali eu também admiti que o cinza era a minha cor.
Nam-joon.
Sim, está frio, o cinza notório, a brisa gélida.
Um olhar.
Agora mal trocamos algumas palavras, já que sempre fujo e evito ficar nos mesmos locais que ele anda sempre tão atarefado e rodeado de pessoas.
— É só um café, você não precisa ir não tem ninguém lá embaixo a essa hora. — disse erguendo uma das xícaras, sabendo que se eu pensasse por um segundo a mais, iria deixá-lo.
O vapor quente me atingiu em cheio, aquecendo uma pequena parte de mim, mas não tanto quanto seus olhos me aqueciam.
— Obrigada. — agradeci por fim aceitando não só a bebida, mas sua presença.
Eu sinto falta dele, muita.
As conversas que não acontecem mais na realidade eu passei a imaginar na minha cabeça, todas as noites minha mente cria um tópico. Eu fecho os olhos e nitidamente ouço o timbre certo da sua voz me invadindo, o jeito que o tom muda quando ele troca de idioma, a forma como ela soa conforme se empolga.
Por causa da saudade, mesmo sabendo que deveria sim descer e continuar a ignorá-lo, eu fiquei.
— Não está com dor nas costas? — óbvio que ele dormiu aqui, seu casaco junto da jaqueta tem amassados por toda a parte, uma máscara descansa em seu queixo, e pequenas olheiras desenham suas feições tão lindas para mim.
Outro gole, ele fechou os olhos minimamente sobre o vapor, quis abraçá-lo para que o frio não o arrefecesse tanto, mas eu não podia.
Eu nunca posso.
— Um pouco, mas já tomei umas pílulas. — ele também sempre toma pílulas. — Estou mais cansado. — admitiu, e eu imagino que sim, sua agenda comprovadoramente quase não tem uma linha vaga e quando tem ele mal pode sair livremente por aí.
Secretamente curto todas as suas fotos no Twitter, ou Fancafe, ele ama a natureza, os animais aquáticos, a vida.
E eu amo ele.
— Yah, Namjoon-aaah, quais eram os dois principais objetivos da vida do Bukowski. — impliquei e ele bufou.
Nós dois adorávamos o Bukowski.
Sua escrita era ácida, cruel, real.
Tão, mais tão real.
— Evitar a dor e dormir bem. — concordei olhando para frente, com certeza ele não evita a dor e claramente não dorme bem, mas eu também não e o motivo é ele.
Ele causa minha dor, ele não me deixa pregar os olhos corretamente e quando consigo, ele ainda vagueia pelos meus sonhos mais profundos.
— Não devo, não posso e nem adianta pedir para você descansar um pouco, então só vou ficar na minha. — suspirei infeliz ao dar as últimas goladas no café.
Apesar de querer cuidar dele, além de não dever, não posso, ele é um homem adulto, eu não sou a sua mãe e nem acredito que sirva para ser a de alguém.
Uma cadeira improvisada servia de assento, sua fragilidade com tamanho homem sobre ela me faz ter quase certeza de que mais um acidente aconteceria a qualquer momento. Um pequeno, leve, mínimo sorriso se formou sobre meus lábios. Como alguém tão incrível pode ser tão desastrado? As vezes acho que ele é desastrado justamente por ser incrível, nem Deus aceitaria tanta perfeição assim em uma pessoa.
E para mim, ele é perfeito.
— Exato, mas sabe o que você pode fazer? Ir tomar café comigo, outra coisa que eu estou é com fome. — disse já levantando, erguendo a mão livre casualmente na minha direção.
Há quanto tempo não nos tocamos?
Analisei aquela cena absurda de volta aos meus pensamentos normais, com a intenção de me esquivar.
— Do que você chama isso que acabamos de beber? — perguntei sem conseguir parar de encarar sua mão estendida, a minha formigava de vontade.
Ele bufou, de novo.
Diferente de mim, há dias eu o percebia inquieto, mas minha inquietação eu escondo por dentro, mesmo que meu peito queira gritar, eu suprimo.
— Para Eden!!! Vai me tratar assim até ir embora? Eu vejo você falando com os outros, você até ri para eles, mas quando eu chego você some. — abaixei a vista com a confirmação em palavras dos meus atos. — Por que? Por que só comigo você mudou? — perguntou ofendido.
— Porque com você é diferente, e eu AINDA trabalho aqui. — respondi sem encará-lo. — Nam-joon, você não percebe que nossa relação tinha saído da profissional e que isso no final prejudicaria nós dois? Não podemos nem ser amigos por causa do contrato, quando alguma de nós está perto de um de vocês os managers nem piscam os olhos. Sinceramente, nem deveríamos estar tendo essa conversa, isso não faz o menor sentido eu sou só uma staff e você o idol.
Eu tenho que ir. Não posso mais encará-lo assim, tão perto, tão ressentido.
Levantei com o intuito de ir embora, sabendo que nem amizade poderíamos ter, quanto mais outra coisa. Nossas realidades não batem. Elas divergem da mesma forma que água e óleo, não se misturam, nunca se misturam.
— Isso não passa de bobagem da empresa. Eu sou um idol no palco, agora eu estou na sua frente e sou apenas um homem. — disse fechando a mão livre no meu pulso, me puxando de encontro a si antes que conseguisse escapar.
Eu não consigo respirar.
— Você está longe de ser só um homem. — principalmente para mim.
Por que ele tem que me olhar desse jeito?
Tentei me afastar, mas como faço minha mente entender que meu corpo tenta nos enganar, ele age por vontade própria, enquanto meu cérebro berra por perigo.
Perigo.
Perigo.
Perigo.
— Me solte, o manager pode chegar, você quer que eu seja processada além de despedida? — perguntei em pânico, mirando as escadas lá de cima desesperada.
— Calma Eden, ninguém vem aqui em cima a não ser você e eu. — ele pegou o tablet, as xícaras, colocando-os no chão, mas não soltou do meu pulso, tem medo que eu fuja e com toda certeza, fugiria.
Olhos.
Seus olhos são tão lindos.
Lábios.
Seus lábios são tão cheios.
— Eu não posso fazer isso. — neguei fracamente, mas minhas mãos o tocavam quando deveriam ficar paradas.
O corpo dele transforma o meu em um emaranhado de fios elétricos, ele é como a água prestes a causar um curto-circuíto.
— Por que? — sussurrou subindo os dedos pelo meu braço, ombro, nuca, deixando uma pressão nessa última.
Por que?
Porque eu não quero me machucar.
— Porque nossos mundos são diferentes. — suspirei traçando sua face, me afundando em cada detalhe, em cada curvatura de cílio longo.
Quantas noites mal dormidas passei somente pensando em como deve ser beijá-lo?
Seus lábios são chamativos, incrivelmente convidativos, inacreditavelmente tão perto.
Nunca daria certo, não tem como dar.
Nós dois, estamos fadados ao fracasso.
Sua outra mão lentamente desceu pela minha cintura, o ar pesou, minhas pernas tremeram, outro carinho foi deixado por dedos que deslizam pelo meu cabelo, se prendem sobre minha face, ele fechou os olhos.
— Vivemos no mesmo mundo Eden. — disse quase completamente curvado, o aroma de canela do seu perfume se sobressaiu pela proximidade e me atingiu em cheio.
Um beijo.
Só um beijo e eu poderia me libertar dessa vontade, dessa atração, desse desejo. Terminar o contrato e seguir minha vida sem mais me martirizar por pelo menos nunca tê-lo provado.
Erguendo o corpo em sua direção, me apoiei em seus ombros largos, até o último momento possível encarei seus lábios e imitando seus gestos, também fechei os olhos.
Seu beijo me enlaçou da mesma forma que suas mãos grandes, nossa respiração tem o mesmo compasso, sua língua pediu passagem e eu a abriguei.
Calor.
O beijo dele é quente, envolvente, arrebatador.
Ouço as arpas tocando, o enorme coral formado por anjos canta. Todas as borboletas existentes se agitam, inclusive as que mantenho no estômago.
As pontas dos meus dedos doem de tanto que os forço para alcançá-lo, seu aperto é firme, ele aceita meu toque, o seu me causa arrepios, desejo que esse beijo não termine jamais.
Ele está me beijando.
Nam-joon, está me beijando.
O que farei agora? Como seguirei em frente?
Eu só queria um beijo, só concordei com um único beijo, mas ao tê-lo assim, me pergunto se conseguirei ser capaz de me contentar somente com isso. Se meu corpo, meu sub-consciente, minha alma, minha vida pode seguir em frete somente com um beijo.
Seus lábios tomam os meus livremente, ele tem gosto de café, sua pele me aquece, suas mãos me apertam.
Roguei as estrelas inexistentes que se algum dia alguma delas se transformasse em estrela cadente, meu pedido mudo fosse atendido.
Eu queria ele.
Mal consegui manter os olhos abertos ao nos separarmos, se seu aperto não me mantivesse junto de si, eu sairia voando pelo terraço, pelos céus até a órbita do planeta.
Olhares.
Você entende o meu olhar?
Pelo olhar pedi:
" Não me machuque".
Mas tola como sou, já estava.
— Temos que manter em segredo. — ele sussurrou ainda respirando o meu ar.
Eu nunca quis ser o segredo de alguém, muito menos o dele.
Não sei como aconteceu, mas meus olhos se encheram de água com uma única frase, todo um sentimento suprimido.
— Eu não posso. — repeti, sem conseguir tirar as mãos dele. — Essa história de manter em segredo, viver as escondidas, ter medo da minha própria sombra como a namorada do seu hyung. Eu não posso com isso Nam-joon, não posso.
Meu corpo todo nega ao mesmo tempo que aceita.
Que tipo de vida teríamos juntos? Ele é famoso, eu sou só uma quase bibliotecária, não vamos esquecer o letreiro de estrangeira que brilha sempre que chego em qualquer canto desse país, isso não só soa como é totalmente incompatível e ridículo.
Suas mãos também não saem do meu corpo, elas devem, mas eu não quero que deixem de me tocar.
Eu quero o toque dele.
— Você sabe. — um carinho pela face, outro beijo molhado, mais carinho. — Sabe que eu tenho um contrato Eden, todos nós temos. Não posso assumir nenhum relacionamento agora, principalmente agora.
Eu sei.
— Claro que sei, e é por isso que eu também sei que não ia dar certo. Além do óbvio, eu não faço parte do seu mundo e não me olhe assim, você entende perfeitamente do que estou falando. — segurei sua face com as duas mãos, tentando faze-lo entender. — Quando você começou a fazer sucesso, ali deixou de ser só um homem, e hoje nem que você queira pode voltar atrás. Não vou e nem faz sentido negar, eu gosto sim de você, e muito, bem mais do que deveria ou do que poderia admitir, mas não estamos destinados a ficar juntos Namjoon-ah, só isso.
Funguei como uma estúpida, limpando os cantos dos olhos úmidos com as mangas do casaco, sem querer que as malditas lágrimas caíssem.
Sentimentos.
Por que tão confusos? Por que tão contraditórios?
Eu digo uma coisa, parecendo querer outra, meu corpo berra que eu quero.
— Isso são apenas rótulos, Rap Monster, RM, Idol, meu nome é Kim Nam-joon. — anunciou. — E acho que está bastante óbvio que eu também gosto de você Eden, mas não posso ir contra a empresa, a minha carreira e a dos outros membros está em jogo. Esse sempre foi meu sonho, tudo o que eu quis a minha vida toda. Eu só preciso de mais alguns anos, só mais alguns anos.
Anos.
Seu olhar também me pede algo, que eu aceite suas condições, que viva no escuro, nas sombras, a mercê do destino.
— Anos? Você sabe quanto as coisas podem mudar em apenas alguns anos? — já estava decidida. Ergui mais uma vez toda a minha extensão para beijá-lo, querendo aproveitar a chance de estar em seus braços, de respirar a sua essência, de dividir meu ar. O gosto da sua boca, lábios, beijos nunca sairá da minha memória. — Eu não sirvo para viver assim Kim Nam-joon, eu não te quero em pedaços, quando der, as escondidas ou atrás de alguma pilastra, eu quero você por completo, eu quero você para o mundo. E é exatamente por não poder tê-lo assim, que também não posso aceitar as suas migalhas. — pus os dedos sobre seus lábios, ele quis falar, mas eu não terminei.
— Se qualquer um que não seja um dos meninos nos pegar aqui assim, você sabe que eu mais do que você estou ferrada. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco e claramente esse sou eu. — ele balançou a cabeça devagar, com as costas da mão limpou mais uma lágrima intrusa que teimou em cair. — Eu só tenho mais cinco semanas aqui, vou me formar e já tenho um emprego na minha área, de qualquer forma vamos nos separar. Não acha melhor fazermos isso do jeito fácil?
Sem mais drama do que esse que corre bem diante de nós?
— Eu nunca deixaria alguém fazer algo contra você, e não posso obrigá-la a ficar comigo, apesar de querer. — um sorriso contido e falso, que eu retribuí da mesma forma, atuando como se não fosse nada demais. — Tem certeza que é isso o que você quer Eden?
Eu tenho certeza?
Não.
— Claro que não. Eu não tenho certeza de nada, o que eu sei é que eu não posso aceitar você desse jeito. Quando os quatro anos restantes do seu contrato acabarem, se você não tiver arrumado uma mulher que faça cambalhotas para te agradar e não for tão, mais tão famoso ou esnobe que não faça mais a mínima ideia de quem eu seja, se você estiver sozinho e ainda for pelo menos metade do cara que é hoje, me procure. Então quando você me achar leve um café quente, ou uma pulseira de diamantes quem sabe — soltei uma risada para esconder os soluços que me consomem ao encará-lo tão sofregamente, apertando-o tanto, mais tanto quanto posso. —, e se você tiver sorte Kim Nam-joon, eu finalmente te aceito.
Ele é grande, quente, cheiroso, amável, sinto que nos braços dele eu sou tudo, mas infelizmente, isso é apenas ilusão.
— Por que está fazendo isso comigo Eden-shi? — sussurrou contra meu corpo usando o sufixo que utilizávamos até a terceira semana de trabalho, antes de tudo ficar íntimo demais, complicado demais e tão pesado ao ponto de terminarmos aqui.
Mais lágrimas.
Minha visão embaçada ofusca o cinza da paisagem, algumas gotas mancham sua jaqueta escura, as janelas dos prédios começam a se abrir, o vento gélido ficou mais ameno e mesmo improvável, o cinza foi diminuindo.
— Estou fazendo isso porque eu te amo Namjoon-ah, mas eu me amo mais. — não posso viver a sua mercê.
Ao me afastar só um pouquinho, percebei que seus olhos brilhavam, os meus não pararam sequer um segundo. Deslizando as mãos pelo seu corpo, me permiti acariciá-lo só mais uma vez, me perder, inundar, afogar, flutuar com a sua presença, o quanto eu posso, antes de ir.
— Eu vou te achar Eden. — afirmou em tom de promessa como o Ha Jin em "A Espera", antes de prender os dedos pelos meus fios, liberar beijos pela minha face, até chegar na boca, até chegar no meu coração.
Então me encontre Nam-joon, só me encontre.
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