I'm just a monster
1 The Started
Notas iniciais
Alguns anos atrás
P.O.V Cat Moretz
Eu estava tomando café da manhã com meus pais, Camila e Peter, e minha melhor amiga, Jennifer, que havia dormido em casa. Na época, eu e ela tínhamos 11 anos.
– Já é quase 7:10, melhor se apressarem para não se atrasarem – disse meu pai, enquanto terminava seu cappuccino
Dei uma ultima mordida em minha torrada e um ultimo gole em meu leite, acabando minha refeição – Vamos? – olhei para Jennifer e ela assentiu levantando da cadeira e pegando sua mochila
Dei um beijo na testa de minha mãe e de meu pai, peguei minha mochila toda listrada e saí de casa
Atlanta estava nublada e fria, como toda manhã
– Por que temos que ir a pé até a escola? É tão longe! – choramingou Jenny
– Longe? A escola é tão perto que fica no mesmo quarteirão de minha casa, você que é uma maria-mole – respondi rindo
– Só não te respondo, porque você está certa...
Tirei minha mochila das costas, a abri e peguei meu celular –Vou por na rádio –comentei
Por sorte nossa, acabara de começar uma música
“Baby, when they look up at the sky
We'll be shooting stars just passing by
You'll be coming home with me tonight
We'll be burning up like neon lights…”
– MAS NÃO PODE SER! ESTÁ TOCANDO MÚSICA BOA! – gritei
– PSIU! OU EU CORTO SUA LÍNGUA!
Jenny: a menina doce como um limão
“Shining like stars cause we're beautiful
We're beautiful, right now
You're all I see in all these places
You're all I see in all the…
O celular, do nada, ficou mudo
– CAT MORETZ! CARALHO! POR QUE DESLIGOU O RÁDIO?! – perguntou minha maravilhosa e delicada amiga
– Mas que droga! Meu celular pifou! – falei irritada – Meu pai vai me matar!
– Olhe pelo lado bom, Cat. Já chegamos na escola, mesmo se o seu celularzinho não tivesse estragado, nós iríamos ter que... – um chiado a interrompeu
O barulho vinha do meu celular, não era exatamente um chiado, parecia mais uma mulher falando. Tentei distinguir o que ela falava, mas o sinal estava horrível. A única coisa que eu entendi foi
– Terminus — murmurei
– Termi o que? Quer saber, esquece esse celular, você tá é ficando biruta e a gente já deve estar atrasada.
– Você tem razão – desliguei meu celular e o guardei em minha mochila
– Eu sempre tenho razão – Uhum, sei
[...]
Se tem uma coisa que eu odeie? Escola. Pra falar a verdade, acho que nenhum ser vivo goste de ir pra escola. Meninos chatos, professores chatos aulas chatas... é realmente um tédio!
Peguei meu livro “As vantagens de ser invisível” de dentro da minha mochila e comecei a ler pela trigésima vez.
– Hey, Cat! – sussurrou alguém me cutucando, ignorei – Hey, Cat! Hey, Cat! Hey, Cat! Hey…
– Mais que droga! – olhei para trás e me deparei com meu amigo, Thiago, me olhando com seus grandes olhos castanhos – O que você quer agora, encosto?
– Nossa! Só queria saber se você que horas são...
– Sei... – o encarei e olhei para meu relógio de pulso – Hm... agora são, exatamente, 8 horas. Ainda falta 1 hora pro intervalo – choraminguei
– Obrigado, Catnip
– Who?
– Catnip
– Que apelido tosco! Não gostei...
– “Não gostei!” – disse fazendo uma voz fina, me zuando – Você me chama de encosto, não tem que reclamar!
– Cara, você é chato pra... – fui interrompida pelo ranger da porta, a sala inteira parou o que estava fazendo e se sentaram, em silêncio. Peguei minha apostila de Ciências e abri na página que havíamos parado e esperei a professora entrar. Nada. A sala estava começando a conversar novamente, mas uma mulher de pele clara, olhos verdes e cabelo castanho amarrado em um coque entrou na classe. Ela segurava um telefone e um caderno todo rabiscado
Olhei para Jenny que se sentava ao meu lado e fiz um gesto perguntando quem era a moça. Ela escreveu na apostila “não sei” em forma de resposta. Podia ter negado com a cabeça, mas nãããão! Quis escrever na apostila...
A mulher misteriosa pigarreou
– Meu nome é Jack, sou a nova secretária do Ensino fundamental II. Vim avisá-los que a professora de Ciências, Paty, e a antiga secretária, Milly, sofreram um acidente de carro muito grave quando vinham para a escola.
Eu e Jennifer nos entreolhamos, ultimamente está acontecendo muitos acidentes na região. Antes que vocês pensem “Atlanta é uma cidade grande, é claro que vai acontecer muitos acidentes!”, os acontecimentos são muito estranhos.
– O que aconteceu?! – perguntou uma garota, Samantta
– Não fomos informados ainda, a única coisa que sei é que a Milly estava vindo para cá com a Paty e o carro capotou. Paty falou que uma figura estranha pulou no carro e quando foi desviar perdeu o controle. A perícia disse que deve ser algum pássaro que bateu no vidro do carro, nada de mais.
– E a aula? –perguntou Thiago, o encosto
– Como o ocorrido foi muito rápido, não tivemos tempo de chamar uma professora substituta, assim, irão para o intervalo mais cedo – respondeu e saiu da sala de aula
Por mais incrível que pareça, ninguém comemorou o fato de irmos mais cedo ao intervalo, não que sege um motivo para se comemorar, mas nem os mais idiotas da classe deram se quer um sorrisinho.
Guardei meu livro, peguei meu lanche e meu celular e fui para o intervalo.
Sentei em uma cadeira vermelha e desembrulhei meu sanduíche
– Hello – comprimentou Samantta, se aproximando com Jenny e Thiago
– Oi – abri meu suco de morango e dei uma golada
– E a rádio, voltou a funcionar? Ou ainda tá sem sinal? – perguntou Jennifer, se sentando em meu lado
– Sei lá – respondi
– Então vê logo! – apressou Sam
– Nossa, calma!
Liguei meu celular e coloquei na rádio. Ainda chiava, porém, as vozes podiam ser ouvidas com mais clareza “Washington foi tomada, repito, Washington foi tomada.”
– Que diabos é isso? – pergunto Thiago, tirando seus cabelos negros dos olhos
– Psiu! – pisei em seu pé
O rádio voltou a chiar, lacrando a voz do locutor.
– É...
– Terminus... – murmurou Jenny me olhando com cara de espanto – O que signi... – um grito surdo a cortou
Levantei a procura de quem estava gritando. Outro grito. Todos ficaram em silêncio e olharam ao redor
– Cat... – Jenny veio ao meu lado e me abraçou. Nunca a vi tão assustada
Alguém gritou novamente e pude perceber que os berros de tortura vinham de fora da escola.
Silêncio.
– Acabou? – perguntou Sam
Uma explosão imensa fez uma Ferrari voar e cair dentro do pátio onde estávamos, ela quicou e se despedaçou inteiramente, pegando fogo. Todos entraram em desespero
– AI MEU DEUS! – gritou Thiago
– NINGUÉM SAI DAQUI! VAI FICAR TUDO BEM! – prometi
– CAT! – gritou Jenny por cima dos demais gritos desesperados – ONDE VOCÊ VAI?
Não respondi.
Me aproximei da Ferrari em chamas dando passos lentos, não sabia quem podia estar lá dentro. Com dificuldade, tentei distinguir quem era entre a fumaça, parecia ser um homem, ele estava todo machucado e com a cara deformada,vestia um terno de empresário, muito parecido com o terno de meu... meu...
– Pai! – gritei – PAAAI! NÃÃÃÃÃO!!
Não podia acreditar que aquele homem, todo machucado, com os dentes expostos e os olhos sangrando era meu pai.
Caí de joelhos no chão, com os olhos cheios de lágrimas. Eu queria sumir, fechar os olhos e imaginar que isso nunca aconteceu. Queria entrar no meio daquele fogo e ajudá-lo. Queria acordar em meu quarto e ver que tudo passou de um sonho.
Mas essa tragédia era real.
Dias de hoje
P.O.V Jenny Collins
Depois que o pai de Cat morreu, ou melhor, virou um errante e mordeu metade da escola, ela nunca mais foi a mesma. Ela se tornou impulsiva e muito violenta. Faria de tudo para ter a retardada e palhaça Cat de volta.
Eu, Sam, Catnip e Thiago (sim, o apelido se espalhou) estamos a procura do tal Terminus desde então. Há 3 anos andamos sem rumo, com esperança de que um dia, achemos alguma pista que nos diga onde está localizado esse grupo de sobreviventes.
Estamos, mais ou menos, há 1 semana em uma grande casa que achamos no meio do caminho, o grupo concordou em furtar alguns suprimentos para a viagem, mas no fim das contas ficamos aqui mesmo.
Estava no meu quarto, procurando algo de útil para me distrair e achei um violão empoeirado, e por incrível que pareça, estava em bom estado. Coloquei ele em cima de minha cama e voltei a procura, não sabia tocar nenhum instrumento mesmo. Foi quando achei um porta — retrato roxo com uma foto de três garotas. Uma era muito parecida com a Cat pequena: pela clara com sardas, cabelos negros e olhos da mesma cor. A do meio tinha cabelos castanhos e olhos indecisos entre as cores café e verde. A terceira, que parecia ser mais velha do que as outras, tinha o cabelo castanho com alguns fios levemente ruivos e os olhos cor de mel.
Essas garotas... com certeza tinham uma vida maravilhosa pela frente. Elas eram lindas, poderiam ter uma família maravilhosa e seguir essa amizade para todo sempre.
Ouvi passos se aproximando, guardei o porta – retrato e deitei na cama
– Jenny, a Cat vai caçar, quer ir? – perguntou Sam abrindo a porta – Eu e Thiago ficaremos na casa por segurança.
– Ok.
Peguei meu revolver e minha e faca e fui procurar Cat, que já estava lá fora
– Que bom que irá caçar, quem sabe assim pegamos mais comida.
Seu cabelo estava preso em um coque descabelado e havia dois fios de cabelo jogados para frente, sua blusa xadrez vermelha e branca estava encardida igual sua calça jeans rasgada, segurava seu arco que encontrou há uns anos atrás e sua aljava cheia de flechas.
– Assim espero, estou com muita fome. – comentei
Ela encarou a floresta e a invadiu me deixando para trás, corri para acompanha-la. Peguei meu revolver e fiquei em alerta para qualquer tipo de movimento.
– O que acha de partirmos amanhã? – perguntou Cat, não tirando os olhos das árvores
– Acho uma boa ideia, se ficarmos parados nunca iremos achar uma pista desse tal terminal.
Dei mais uns passos e escutei alguns galhos se quebrando atrás de mim. Era um cervo. Cat atirou uma flecha em seu olho e eu abri sua barriga para tirar os órgãos e assim poder comer o animal.
Levamos ele para casa, montamos uma fogueira e o assamos.
– Isso tá bom! – elogiou Thiago de boca cheia
– Nojento... – zombou Cat e deu um sorrisinho, uma coisa que não via a muito tempo
– Enquanto vocês tão conversando, a Sam tá acabando com a comida. – apontei para a mesma, que agiu como se nada estivesse acontecendo.
Terminei de comer minha parte, limpei a boca e fui dormir.
P.O.V Cat Moretz
Dream ON
Eu estava em um jardim enorme, inteiramente feito de flores coloridas, todas separadas de acordo com sua espécie.
Eu corria por todos os lados procurando alguém, eu gritava seu nome, mas não saía som algum.
Parei de gritar. Uma imagem se aproximava de mim, tentei distinguir a figura, mas estava inteiramente embaçada. A imagem gritava comigo, me puxava para sair daquele jardim. Eu não obedeci. Era tudo tão colorido e vivo.
Então a imagem mudou. Estava em um local pegando fogo, pessoas e Walkers espalhados por todo local, alguns estavam mortos, outros andando ou correndo por todos os lados. Tentei sair do local, mas meu pés estavam presos no chão, não conseguia dar um passo se quer. Enquanto eu lutava para sair dali, aquela mesma figura apareceu no meio da confusão, só que dessa vez ela começou a se desembaçar e se transformou em minha mãe. Ela se aproximou de mim, olhou nos meus olhos e disse:
– Acredite — Se transformou em um errante e mordeu meu pescoço.
Dream OFF
Acordei assustada e suando. Que diabos era aquilo? Quem era aquela pessoa que se transformou em minha mãe? Isso tudo era muito esquisito.
Minha mãe morreu há muito tempo, eu mesma a matei com um tiro na cabeça, é impossível que ela tenha virado um Walker.
Ouvi três batidas na porta
– Pode entrar!
Thiago abriu a porta e se encostou no portal – Estamos indo, Sam já pegou os suprimentos que sobrou e colocou em sua mochila, se quiser pegar algo é melhor se apressar.
Esfreguei os olhos e me levantei – Ok.
Ele se afastou da porta e desceu as escadas. Peguei meu arco com as flechas, minha mochila que estava jogada no meio do quarto e coloquei coisas úteis, como armas, munições ou utensílios para higiene.
Desci as escadas, todos já estavam arrumados para partir
– Prontos? – perguntou Sam
– Prontos. – eu, Thiago e Jenny respondemos em uníssono
Saímos da casa e fomos para a floresta
[...]
Já era a noite, estávamos arrumando as coisas para dormimos, andamos o dia inteiro sem descansar um segundo.
– Acabei de amarrar os arames com as latas – disse Jenny para Sam, que tinha o olhar distante dali – Hey! Eu amarrei os arames!!
Ela não respondeu. Acompanhei seu olhar e vi algo que estava procurando há muito tempo: trilhos. Passei por baixo do arame, fui correndo até os mesmos e vi um cartaz com um mapa logo atrás
– Terminus: os que chegam sobrevivem. – li em voz alta
“Acredite” dissera minha mãe.
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