I'm here with you.
3 Emma, espere.
Notas iniciais
Emma P.O.V:
Acordei com uma tremenda dor de cabeça, na verdade eu praticamente não dormi a noite toda. Fiquei pensando em mil maneiras de ajudar Regina, desde abrir um portal do tempo e deixar Marian para trás de novo até ajudá-la a encontrar um novo amor.
Sei que amor não dá em árvore, amor verdadeiro é coisa rara e quando encontrada deve ser cuidada e aproveitada, mas eu estraguei tudo.
Regina e eu nunca tivemos uma relação muito boa, sempre fomos uma contra a outra e só nos uníamos quando o assunto era a proteção de Henry. Mas Regina tinha mudado muito, ela era uma mulher digna de amor e felicidade agora por isso eu tinha que achar uma forma de ajudá-la.
Levantei da cama, me espreguiçando e indo em direção à cozinha. Minha barriga roncava alto e eu precisava comer algo logo.
Assim que cheguei a cozinha encontrei Henry, o garoto estava sentado comendo cereal com uma cara de poucos amigos. Eu sabia que estava encrencada e que aquela criança me daria uma tremenda lição de moral, mas eu também sabia que Henry não iria me culpar porque ele me conhecia e sabia que eu nunca faria uma coisa daquelas de propósito. Mesmo assim ele me esperava de braços cruzados e uma cara fechada.
"- Mãe, o que foi que você fez?" Ele falou com uma voz manhosa e colocando as mãos na cabeça "- Como é que você podia ter trazido alguém do passado, mãe? Todo mundo sabe que isso gera consequências" ele continuou como se fosse uma coisa óbvia.
"- Eu sei garoto, não precisa nem me lembrar disso" Apenas disse com sinceridade enquanto pegava um pouco de cereal para mim.
"- Você tem noção de que a minha mãe pode estragar tudo? Que ela pode voltar a ser vilã e acabar com tudo que construiu até agora" Eu podia sentir o desespero em sua voz ao pensar em Regina se tornando ruim outra vez.
"- Henry não se preocupe, eu vou fazer de tudo pra isso não acontecer. Pretendo ajudar a sua mãe" Afirmei com uma confiança que não sabia da onde tinha tirado.
"- Eu posso te ajudar? Qual é o plano? Hm, preciso pensar em um nome pra essa operação" Henry já estava com a voz mais animada enquanto coçava o queixo e olhava para o teto.
"- Garoto, desculpe mas essa eu tenho que resolver sozinha. Eu fui a única que causei isso e agora tenho que arrumar sem ajuda" Respondi sincera, pois eu sabia que Henry era o ponto fraco de Regina e eu não queria usar disso para concertar tudo.
"- Mas mãe, eu quero ajudar. Ela é a minha mãe e eu só quero que ela fique bem" Henry sabia que quando fazia aquela carinha era impossível de dizer não, porém eu tinha que me manter firme. Aquilo era algo que eu precisava resolver sozinha, apenas eu e Regina.
"- Dessa vez não vai dar, garoto. Mas eu juro te contar tudo que acontecer enquanto eu tento arrumar essa confusão que eu criei" Disse enquanto passava a mão nos cabelos dele e roubava uma colherada de seu cereal.
"- Ei, esse é o meu café da manhã!" Ele disse afastando a tigela de mim enquanto ria "- Tudo bem, mãe. Acho que terei que me contentar com o que você me contar depois" Resolveu dando de ombros.
Eu apenas afirmei com a cabeça enquanto colocava a minha tigela na pia e ia até meu quarto trocar de roupa.
Se eu tinha que começar com um plano, teria que começar conversando com Regina primeiro. Só não sabia como ela ia me receber depois do que eu fiz, mas teria que tentar.
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Regina P.O.V:
Minha cabeça doía como muito tempo não acontecia, quando abri os olhos me deparei com duas garrafas de vinho ao meu lado, então era por isso que minha cabeça doía tanto. Beber é bom apenas na hora, porque a ressaca que vem depois é insuportável. Então decidi que era melhor descer logo e tomar algum remédio.
Eu estava de pijama e quando me olhei no espelho levei um susto, minha maquiagem estava inteira borrada. Rímel escorrido até as bochechas, batom espalhado para todos os lados e os olhos inchados denunciando o quanto eu tinha chorado. Não pretendia sair de casa e depois de ter me visto nesse estado tinha certeza que não sairia para nada.
Estava quase chegando até a cozinha quando a campainha toca. Mais uma vez alguém me importunando na hora errada. Dessa vez decidi não atender, fui até o depósito de remédios e coloquei dois comprimidos para enxaqueca na boca, quando fui buscar a água a campainha tocou novamente.
"Que pessoa mais insistente" pensei com cara de poucos amigos.
Não deu tempo de dar dois passos até a escada e a campainha começou a tocar sem parar, a pessoa do outro lado estava com o dedo pressionado o maldito botão repetidamente.
Minha cabeça estava explodindo e eu quase joguei uma bola de fogo contra a porta mas ao invés disso gritei um "Já estou indo, maldição" enquanto ia na direção do espelho tentar arrumar o estrago que meu rosto se encontrava. Quando percebi que não ia ficar muito melhor que aquilo respirei fundo e fui em direção à porta.
Quando abro me deparo com ninguém mais ninguém menos que Emma Swan, a mulher que eu queria simplesmente matar estava plantada na minha porta de manhã me encarando com um sorriso tímido e um olhar arrependido.
"- Swan, o que eu tenho que fazer para você me deixar em paz?" Disse batendo o pé no chão e fazendo uma voz birrenta.
"- Regina, nós precisamos conversar. Eu preciso que você entenda que nada do que eu fiz foi de propósito" Ela fez uma pausa olhando fundo nos meus olhos "- Nós estávamos tão bem, nunca faria nada para a prejudicar e..."
Eu não a deixei continuar, a raiva estava tomando conta de mim.
"- Você precisa? Você não tem que precisar de nada senhorita Swan, e nada do que você precisa me interessa" Eu disse rindo ironicamente o mais fria possível, demonstrando que nada que ela me falasse ia resolver alguma coisa.
Com os olhos arregalados e as bochechas vermelhas Emma começou
"- Regina, me desculpe. Não foi isso que eu quis dizer" Dava para notar claramente como ela estava nervosa "- Eu quis dizer que eu quero te ajudar, você merece ser feliz, merece ter um amor verdadeiro, eu acredito nisso"
Suas palavras foram tão sinceras que me pegaram de surpresa, nunca ninguém tinha falado nada disso para mim então eu não pude e não consegui dizer nada, apenas fiquei parada encarando o chão. Então Emma continuou
"- Eu vejo o seu estado, vejo como está sofrendo e você não merece nada disso" Ela disse enquanto apontava para o meu rosto, provando ainda mais o quanto estava nervosa.
"- Então agora você está simplesmente falando mal da minha aparência, senhorita Swan?" Disse com uma risada falsa só para provocá-la, para deixá-la ainda mais nervosa, apenas por diversão.
Emma arregalou ainda mais os olhos e colocou a mão na direção do coração mostrando o quanto estava arrependida
"- Cla...Claro que não Regina, você está ótima como sempre. Você não conseguiria ficar feia nem se tentasse" Sua voz só deixava transparecer sua confusão.
"- Agora você está flertando comigo, Swan?" Continuei enquanto levantava a sobrancelha, só para ver até aonde aquele nervosismo iria chegar.
Emma respirou fundo duas vezes antes de continuar
"- Regina, eu só estou aqui para mostrar que o meu arrependimento é sincero, para você saber que eu nunca faria nada para te machucar de propósito" Terminou cruzando os braços e tentando reconquistar a compostura.
"- Senhorita Swan, você ainda não entendeu que eu já sei de tudo isso?" Disse devagar enquanto a encarava "- O problema não é o seu arrependimento ou você vir aqui pedir perdão, o problema é que já aconteceu. Não importa quantas vezes você me peça perdão, não importa nem se você ajoelhar na minha frente, porque nada disso vai mudar o que aconteceu ontem à noite" Comecei a elevar meu tom de voz sem nem ao menos perceber, a raiva estava tomando conta de mim "- As suas desculpas não vão me ajudar em nada! Nada do que você fizer vai me ajudar ou me confortar, então por favor apenas me deixe em paz" Terminei de falar e só depois percebi que estava a centímetros do rosto de Emma.
"- Tudo bem Regina, te deixarei em paz" Emma disse depois de algum tempo me encarando, sua voz estava tão carregada de arrependimento que por um momento eu me amaldiçoei por ter falado tudo aquilo tão asperamente.
Emma simplesmente virou as costas e começou a andar para fora do meu quintal, quando do nada algo dentro de mim me fez chamar o seu nome
"- Emma, espere"
Ela apenas me olhou com certa dúvida e esperou que eu falasse o que queria mas a verdade era que nem eu sabia o que eu queria, não sabia o porque a chamei, foi um impulso dentro de mim que me obrigou a chamá-la. Eu abria e fechava a boca e nada saía porque eu não tinha o que dizer a ela, então falei a primeira coisa que veio à minha cabeça
"- Apenas diga a Henry que eu o amo"
Ela me olhou de um jeito questionador, eu sabia que ela queria dizer que se eu quisesse era só pegar meu telefone e ligar para ele ou até ir ao encontro do meu filho. Eu mesma estava ciente disse, mas precisei falar qualquer coisa rápida para me livrar daquela situação constrangedora que tinha me enfiado. Emma apenas balançou a cabeça e foi até o seu carro.
Apressadamente entrei dentro de casa e fechei a porta atrás de mim. O que diabos acabou de acontecer? Por que subitamente eu chamei Emma apenas por ter a visto chateada? Desde quando eu me importo com o que os outros pensam ou sentem?
Pelo visto essa seria uma tarde longa igual foi essa noite, cheia de pensamentos confusos que ainda iriam me deixar louca.
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