I'm here with you.
26 Conversa.
Notas iniciais
Regina P.O.V:
Eu me orgulhava do filho que havia criado. Henry era uma criança especial, o fato dele saber lidar com qualquer coisa que aparecesse em sua vida fazia meu coração se encher de orgulho. Principalmente em um momento tão delicado quanto esse que estávamos compartilhando no exato momento.
O garoto prestava atenção em tudo que eu e Emma estávamos falando, praticamente sem piscar. Eu sabia que ele estava surpreso que suas desconfianças eram reais, acho que no mínimo ele pensava que nada disso realmente poderia ser possível e agora que estávamos afirmando que ele estava certo, o garoto parecia em choque.
"- Então agora eu e sua mãe estamos juntas" Emma terminou de explicar com um sorriso no rosto e segurou firme em minha mão.
Eu a encarei sentada ao meu lado e sorri em resposta. Me sentia extremamente leve por finalmente ter contado tudo ao nosso filho, esconder as coisas dele me fazia sentir como se tivesse um peso invisível nas costas e eu odiava mentir para Henry. Já havia feito isso milhares de vezes antes da maldição ser quebrada, e não queria que aqueles mesmos erros se repetissem, ainda mais com meu filho tão próximo de mim novamente.
A verdade é que eu estava estranhando o fato do garoto estar tão quieto com essas revelações todas. Eu não sabia como ele reagiria ao ficar sabendo do meu relacionamento com Emma mas esse silêncio definitivamente não estava nos meus planos. Eu imaginei que ou ele ficaria indignado -que era a pior e menor das hipóteses- ou que ele iria soltar fogos de alegria e depositaria todas as suas esperanças na família que poderíamos nos tornar.
Isso me assustava completamente. Óbvio que eu não imagino o fim do meu relacionamento com Emma como algo próximo, mas eu realmente não acreditava em finais felizes mais e terminar minha vida ao lado da loira definitivamente poderia ser descrito como um final feliz. Eu a queria perto de mim, gostava de sua companhia e de tudo que tínhamos construído até aqui, mas assim foi com Daniel e com Robin também e olha aonde eu cheguei. Então apenas não queria que Henry ficasse muito empolgado com essa ilusão de família perfeita que poderia não se tornar real.
Henry continuava parado, como uma estátua sentado na poltrona a nossa frente. O único movimento de seu corpo eram suas pálpebras piscando lentamente em nossa direção. Sua atitude estava começando a me assustar e coisas ruins começaram a passar pela minha cabeça -como ele não aprovando meu relacionamento com Emma- mas eu logo fiz questão de afastar tais pensamentos e decidi me pronunciar de uma vez.
Apertei a mão da loira para ganhar um pouco mais de confiança e depois de um longo suspiro finalmente disse "- Querido, você não tem nada a dizer sobre isso?" Eu estava apreensiva e notei que Emma também estava, seu corpo todo estava tenso e ela encarava séria o garoto a nossa frente.
Henry pareceu acordar de algum tipo de transe e chacoalhou a cabeça antes de focar os olhos em nós mais uma vez. Um alívio tomou conta de todo meu corpo ao notar um pequeno e tímido sorriso aparecendo nos lábios do nosso filho e fiz um carinho de leve com o polegar na mão da loira entrelaçada na minha. Automaticamente senti Emma ficar mais relaxada ao meu lado e um sorriso ameaçou aparecer em meus lábios também.
"- Então quer dizer que vocês estão namorando?" Henry finalmente fez sua primeira pergunta, ele estava um pouco tímido, mas sua curiosidade com certeza falava mais alto no momento.
"- Eu não ouvi nenhum pedido de namoro ainda, garoto" Emma respondeu antes que eu pudesse falar algo, fazendo com que minhas duas sobrancelhas se erguessem em indignação.
"- Quem tem que ouvir um pedido aqui sou eu" Retruquei a encarando e franzindo o nariz pelo fato dela achar que o pedido teria que vir de mim.
"- E eu posso saber o motivo?" Emma perguntou sustentando meu olhar e cerrando os olhos
"- Porque eu não faço pedidos de namoro, Emma" Respondi como se fosse óbvio.
Henry riu baixinho chamando nossa atenção para ele. O garoto nos encarava com os olhos brilhando e eu não pude deixar de o imitar e logo estávamos os três rindo dessa conversa que aparentemente iria ser séria e que no final estava completamente descontraída e leve. Eu com certeza estava preferindo que tudo se desenrolasse dessa maneira.
"- Ta bom, vocês estão juntas então" Henry chegou a uma conclusão dando de ombros, como se não fizesse muita diferença.
Concordei com a cabeça com um sorriso nos lábios mas logo minha feição ficou séria novamente e eu me arrumei em meu assento. Precisava fazer uma pergunta, e por mais que estava quase convencida que sabia da resposta, borboletas se acumularam em meu estômago me fazendo sentir um frio na barriga.
"- Você está de acordo com isso, querido?" Perguntei depois de juntar coragem o suficiente.
Assim que as palavras saíram de minha boca senti Emma também ficar um pouco apreensiva ao meu lado. Seu aperto em minha mão aumentou e pude perceber ela também se arrumando no sofá. Aquela conversa com certeza estava indo melhor que pensávamos mas a aceitação de nosso filho era importante e não sabíamos o que faríamos caso o garoto não concordasse com o nosso relacionamento.
Antes que eu pudesse raciocinar qualquer coisa, senti braços em volta do meu pescoço em um abraço forte. Henry tinha envolvido Emma e eu em um abraço esmagador que logo foi cortado apenas para o garoto olhar fundo em nossos olhos, fazendo o ar sumir de meus pulmões. Eu podia notar sua felicidade e nada me deixava mais satisfeita do que a aprovação de meu filho.
"- Você ainda pergunta, mãe?" Henry respondeu rindo e eu não pude conter o suspiro de alívio que escapou de meus lábios ao ouvir aquelas palavras.
No estante seguinte novamente senti braços me apertando mas dessa vez era Emma que me esmagava em um abraço firme enquanto ria perto da minha orelha. Automaticamente a abracei de volta e me acomodei no calor de seu corpo. Eu estava tão feliz que parecia que o mundo ao nosso redor tinha desaparecido e nada mais existia além de nós duas e aquela bolha que havíamos criado. Mas de repente um barulho se fez presente e eu logo notei que era Henry limpando a garganta para chamar a nossa atenção.
"- Vocês não precisam ficar se agarrando na minha frente também, né" O garoto disse tímido enquanto nos encarava com uma sobrancelha arqueada.
"- Estávamos apenas nos abraçando, querido" Respondi sentindo minhas bochechas ficarem um pouco coradas.
"- Desculpe, garoto. Eu só estou muito feliz" Emma deu de ombros com um sorriso maravilhoso nos lábios.
Ri da simplicidade da loira em expor seus sentimentos e decidi que já estava na hora de comermos a lasanha que eu havia preparado.
"- O que vocês acham de almoçarmos agora que está tudo esclarecido?" Perguntei olhando diretamente para Henry apenas para ver se ele concordava com aquilo "- Se você quiser fazer mais alguma pergunta podemos conversar enquanto comemos" Terminei com um sorriso.
Os dois concordaram e quando contei que havia preparado lasanha eles apostaram corrida até a cozinha enquanto gritavam e se empurravam. Eu apenas avisei que não era para correr pois poderiam se machucar mas fui completamente ignorada. Aparentemente tinha duas crianças em casa, mas não podia negar que tudo aquilo estava me fazendo extremamente bem.
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Emma P.O.V:
Nossa tarde havia sido maravilhosa. Eu simplesmente amava ter Regina e Henry comigo, nossos assuntos eram leves e tranquilos, tudo com naturalidade como se estivéssemos acostumados a ser essa família desde sempre.
Depois do almoço decidimos jogar alguns jogos com Henry. Regina insistiu para não ser nenhum vídeo game porque afirmava que aquilo não faria bem para o cérebro do garoto, mas depois que conseguimos a convencer percebemos que ela não queria jogar porque era completamente ruim e não conseguia fazer o carrinho andar mais de cem metros sem bater em um muro.
"- Você é uma droga nisso, Regina" Pontuei rindo enquanto seu carro fazia círculos no mesmo lugar na tela da enorme TV em sua sala.
Eu sabia que a morena odiava perder e era extremamente competitiva. Algo dentro de mim gritava para não a provocar mas Regina ficava nervosa muito fácil e eu adorava fazer com que ela se irritasse com coisas pequenas, era hilário ver sua cara emburrada e os olhares de ódio que ela lançava cada vez que eu a ultrapassava no jogo.
"- Mãe, você é a pior jogadora do mundo" Henry entrou na brincadeira e riu alto quando Regina simplesmente soltou o controle no sofá e cruzou os braços.
"- Vai desistir agora? Mais fácil desistir do que ficar em último lugar não é mesmo?" Provoquei mais um pouco e pude sentir seu olhar ameaçador atrás de mim.
"- Esse jogo é simplesmente ridículo, não vejo graça nenhuma nisso" Regina resmungou enquanto se arrumava no sofá e arqueava uma sobrancelha.
"- Mario Kart é um clássico, mãe. Você que não sabe jogar" Agora foi a vez de Henry mais uma vez pontuar como Regina era ruim no jogo.
Estávamos quase terminando aquela partida quando do nada o personagem que Regina havia escolhido passou como um jato para o primeiro lugar. Meu carro e o de Henry estavam extremamente lentos e eu não estava entendendo nada. Quando me virei para perguntar o que estava acontecendo pude perceber um sorriso enorme no rosto de Regina, ela estava usando magia para ganhar um jogo e eu não pude deixar de achar tudo aquilo extremamente engraçado.
"- Mãe, assim não vale" Henry falou e jogou o controle no sofá.
"- Você está roubando, Regina. Não te faz uma boa vencedora" Pontuei a encarando indignada.
Regina não mexeu nenhum músculo e só se virou para nos encarar quando seu carro passou a linha de chegada em primeiro lugar. Um sorriso estava presente em seus lábios e uma de suas sobrancelhas estava arqueada.
"- Ganhei" A morena pontuou dando de ombros revezando o olhar entre mim e Henry.
"- Você não ganhou, você roubou" Respondi ainda indignada pela infantilidade da mulher ao meu lado "- Você roubou do seu próprio filho" Pontuei apontando para o garoto emburrado ao meu lado.
"- Ele não deveria nem estar jogando e sim fazendo sua lição de casa então acho que ninguém tem o que reclamar" Regina respondeu encarando o garoto ao meu lado.
"- Você é uma péssima competidora" Falei negando com a cabeça e rindo baixo.
"- Deixa ela mãe, a gente sabe que ela nunca ganharia jogando limpo" Henry falou rindo comigo e levantando a mão para que eu batesse com a minha mão na dele.
Regina apenas revirou os olhos e suspirou alto antes de falar "- Henry, vá terminar suas lições agora, querido" Sua voz era serena e tranquila, como se nada tivesse acontecido.
"- Depois a gente pode jogar mais?" O garoto perguntou me encarando diretamente, obviamente ele não queria que Regina participasse do jogo de novo.
"- Claro que sim, assim que você terminar, tudo bem?" Respondi sorrindo na direção de meu filho que sorriu de volta e correu em direção às escadas.
"- Sem correr, Henry" Regina rapidamente disse e automaticamente os passos do garoto ficaram mais baixos, provando que ele havia obedecido sua mãe.
Encarei Regina sentada ao meu lado séria, eu ainda estava indignada que ela havia usado magia em um jogo de vídeo game contra sua própria família. A morena apenas cerrou os olhos me lançando um olhar ameaçador e no exato momento eu percebi que aquele assunto estava encerrado. As vezes era melhor evitar uma provável discussão invés de tentar provar que eu estava certa, coisa que no final era inútil pois Regina sempre achava um jeito de ganhar qualquer briga.
De repente um som se fez presente e depois de alguns segundos notei que meu celular tocava freneticamente na mesa de centro da sala. Com um movimento rápido Regina pegou meu celular antes que eu pudesse me mexer e olhou o nome que piscava na tela.
"- É a sua mãe" Ela pontuou me estendendo o aparelho para que eu atendesse de uma vez.
"- Seu ciumes é tanto que você precisa saber quem me liga agora?" Falei rindo e negando com a cabeça pegando o celular de sua mão.
"- Atende essa porcaria de uma vez, Emma" Regina ordenou batendo de leve com seu pé em minha perna e cruzando os braços.
Atendi a ligação ainda rindo da atitude da morena e me encaminhei para outro cômodo para poder falar com Mary Margaret, depois de alguns minutos no telefone com a minha mãe eu desliguei o aparelho e me encaminhei para a sala aonde Regina estava sentada passando pelos canais da TV. Talvez ela não ficasse muito feliz com o que eu iria dizer, mas agora que já havia combinado com minha mãe não daria para voltar atrás.
"- O que ela queria?" Regina perguntou no instante que eu entrei na sala e me sentei ao seu lado.
"- Hoje nós vamos jantar no Granny's todos juntos" Dei de ombros como se não fosse nada de mais.
"- Que horas você e o Henry terão que sair daqui?" A morena perguntou ainda encarando a TV e só então eu percebi que ela não havia entendido o significado de 'nós'.
"- Nós três vamos sair umas oito horas" Falei sendo um pouco mais clara e assim que Regina entendeu o significado de minhas palavras ela se virou bruscamente em minha direção.
"- Espera um minuto..." A morena disse e cruzou os braços.
Eu sabia que ela não odiava meus pais mais, mas ela também não era íntima o suficiente para querer jantar com eles uma segunda vez. O primeiro jantar não terminou muito bem e eu duvidada que ela iria querer ter um segundo, mas Mary Margaret estranhamente insistiu em ter a presença de Regina e eu não pude negar. Com certeza iria ouvir um sermão de no mínimo meia hora da morena ao meu lado, mas querendo ou não nós três no fim iríamos ao jantar.
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