Dias Atuais

Dias depois que a maldição lançada pela Rainha Má foi quebrada, aos poucos os habitantes da cidade voltavam ao seus afazeres normais. Todos se voltaram contra ela, porém a mesma não ligava, só uma pessoa que importava naquele momento. Aquele por quem ela se apaixonou, não queria, mas simplesmente aconteceu da forma mais inesperada possível. A dor em seu coração era insuportável, ela sabia que David iria se revoltar e pensar que tudo que viveram nesses poucos meses foi pura vingança. Porém, para ela não, tudo que mais queria era ser amada e justamente o único homem que não podia, foi quem deu esse amor que tanto necessitava.

A prefeita de Storybrooke se encontrava em uma cela pequena neste momento, era o lugar mais seguro agora. O povo do antigo reino queria sua cabeça em uma bandeja de prata depois de tudo que fez, tirando o final feliz daqueles que não tinham nada a ver com Snow White. Ela agiu por impulso, mas não se arrependia nem um pouco. Tudo que aconteceu à levou para um caminho, no qual tinha Henry, seu filho. Apesar de não estarem muitos próximos por culpa dela mesma, ela o amava verdadeiramente. Foi desesperador saber que ele comeu a torta com a maldição do sono. Se martirizou, tudo que menos queria era matar seu filho. Era para Emma Swan, ela sim que deveria ter comido e nada disso estaria acontecendo agora. Mas como sempre em sua vida, nada sai como o planejado. Na verdade não sabia o que deu certo para ela, a escuridão parecia a cercar por onde quer que passasse.

— Agora nós vamos conversar. — O príncipe entrou na delegacia com os olhos repletos de pura fúria e passos firmes. Depois de tanto tempo pensando em tudo que aconteceu, tomou a coragem para falar com ela e encarar a realidade de uma vez.

— David ... — Regina levantou o olhar, o vendo atravessar pela porta. — Eu posso explicar.

— Explicar? — O mesmo sorriu em deboche. — Como?

— Você irá me entender, confia em mim.

— Você não merece a confiança de ninguém Regina. Isso não tem explicação, você mentiu para mim! — Grita, andando impacientemente de um lado para o outro.

— Não, eu não menti. Eu realmente me apaixonei por você, David. No começo eu tinha segunda intenções, confesso. Mas, eu não sei o que houve.

— Por que será que não acredito em você ? — Fala e Regina deixa algumas lágrimas de decepção rolarem pela sua face. — Você me usou, eu pensei que me amava ...

— Eu... — Hesitou.

— Isso tudo fazia parte de sua vingança contra Snow, sempre foi assim, não foi? Fui idiota em acreditar em você, nunca amou ninguém e nunca irá amar. Sabe por quê ? Porque seu coração não tem espaço para isso, Regina. Há somente trevas! — Afirma angustiado.

Ela pensou em revidar do seu melhor jeito, mas por dentro estava machucada demais para isso. David a deixava assim, sem argumentos. E agora, não era diferente. Regina podia ver a dor em cada palavra dita por ele, e isso era como se esmagassem seu próprio coração aos poucos.

— Não consigo entender como uma pessoa tem coragem de atingir a outra, brincando com sentimentos.

— Eu sei que errei, mas não brinquei com seus sentimentos.

— Eu te conheço, Regina. Você faz as piores coisas para conseguir o que quer.

— É, você tem razão. — Fala a última frase e vira as costas tentando segurar o choro. Ela o amava, e estava demonstrando suas fraquezas, coisa que ninguém jamais viu. — Mas com você foi diferente, David.

— Eu te odeio! — O príncipe diz sério. — Eu te odeio porque você nem sequer consegue admitir.

— Eu entendo seu ódio.

— Você tem sorte de ter Henry, porque se não fosse por ele, você já estaria morta e eu não me importaria nem um pouco com isso. — Diz e sai deixando-a sozinha. Regina apenas suspirou e encostou-se na parede, pensando em tudo que estava acontecendo, por ter se apaixonado. Deveria ter continuado com seu plano de vingança assim que se aproximou dele, seria bem mais fácil lidar com a situação agora.

— Eu sinto muito. — Sussurrou novamente enquanto seu rosto era molhado pelas lágrimas que insistiam em cair, pousou sua mão na altura de seu ventre. — Eu sinto mesmo.

Três meses antes ...

— Acho que bebemos de mais por hoje. — Regina falou tentando acertar a tranca da fechadura. — Que foi ? — Indagou, reparando no olhar sugestivo dele.

— Nada. É que, você não parece ser o que dizem. — Ele pega a chave da mão dela e abre a porta com facilidade.

— Ninguém nunca me viu assim, bêbada. — Ela sorri para David o acompanhando.- Mas o que dizem?

— Que você é uma pessoa fria, sem coração, que abusa de sua autoridade. Você não é assim, pelo menos para mim.

— Talvez você não me conheça realmente. — Regina fala simplesmente, sentando ao lado dele na mesa.

— É, talvez não. Mas acho que não vou me decepcionar em relação à isso, você é uma pessoa boa. — Regina ao ouvir aquilo, o olha atentamente, surpresa. Realmente ele pensava isso dela? Uma pessoa boa era a única coisa que não se encaixava em seu perfil. Se fosse em outros tempos, ela até entendia. — Só precisa mostrar mais para os outros.

— É, com toda certeza você não me conhece. — Dá uma curta gargalhada.

— Você se priva demais, não gosta de amizades pelo que vi. Tem medo de parece fraca...

— Ninguém nunca me disse isso antes.

— Talvez eu te conheça. — Ele hesita em pegar na mão dela, mas acaba cedendo a sua vontade. Com esse simples toque, percebeu como estava nervosa. — Desculpa.

— Tudo bem, é só que ... Está ficando tarde e você tem que ir. — Ela fica em pé novamente, vendo-o repetir o gesto.

— Te vejo novamente ? — Pergunta. — Porque sinceramente, eu quero te ver de novo.

— Você verá. — Regina sorri genuinamente.

David se aproxima mais dela e sente sua respiração irregular, porém não estranha, pois a sua estava igualmente o mesmo.

— Eu adorei a noite.

— E eu adorei a dança.

Seu corpo parecia necessitar daquilo, devagar ele se aproximou dela, ao ponto de ficarem colocados um no outro. A prefeita não sabia o que fazer, apenas deixou fluir naturalmente. Ela queria isso também, e não se surpreendeu ao sentir os lábios macios de David nos seus. A sensação que tomou seu corpo era estranha, o domínio que ele tinha sobre ela era completamente louco. Regina não se lembrava de como aquilo era bom desde a época que namorava Daniel. E questionou-se a si mesma, o que estava acontecendo com ela.

Ele a encostou na parede da sala e o beijo se intensificou vagarosamente. Cada beijo em sua boca, o deixava enlouquecido, passou suas mãos pelo corpo dela, a puxando mais para si. Ele acariciou seu pescoço, a fazendo ficar arrepiada no mesmo instante. A respiração de ambos já começavam a ficar ofegantes, o desejo já se fazendo presente junto com a vontade de conhecê-la por completo. Durante todo o tempo, David foi cuidadoso e cavalheiro. Queria mostrar para ela que não tinha pressa, que tudo seria no tempo dela.

Ele mexeu com ela de uma forma sem igual, e isso não poderia estar acontecendo. Regina sabia muito bem disso. Não fazia parte de seus planos, Nolan era sua vingança e não um caso amoroso.

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— Oh David, onde estava? Fiquei preocupada.. — Snow se aproximou dele, vendo-o meio abatido. — Aconteceu algo?

— Não, nada. — Respondeu.

— Falou com ela? — Se referia a Regina, ela soube de tudo que aconteceu e procurava entender o lado de David. O mesmo mantinha o seu pensamento de que a antiga prefeita de Storybrooke o enfeitiçou e com isso, convencia sua esposa que não tinha a possibilidade de estar apaixonado por ela mesmo após a quebra da maçdição.

— Sim, foi uma conversa difícil. — Confessa. — Mas nada que faça importância agora.

— Eu ainda não acredito que ela foi capaz disso tudo. — Mary o olhou. — Querer se vingar de mim dessa forma... Usando você.

— Nem eu. — Disse sem expressar reação alguma, e apenas foi para seu quarto.

Mary Margaret não era burra, ela sabia que David estava sofrendo com isso. De alguma forma, o que Regina fez com ele, o machucou. Mas prometeu a si mesma, que o ajudaria e respeitaria o momento certo. Afinal, ela também tinha tentando um relacionamento depois do príncipe e que por sinal, não foi como o esperado.

Eles simplesmente eram o motivo pelo qual, os habitantes daquela cidade não desistiram de suas vidas ali. Deveriam ficar juntos, assim como nos contos de fadas. A situação era muito complicada, e era exatamente por isso que entendia seu marido. Ele estava confuso em relação a sua vida tanto quanto ela.

Porém Snow não deixaria isso passar em vão, Regina e ela teriam uma conversa franca e de uma vez por todas. Usar David foi o cúmulo para ela, de todas as crueldades que sua madrasta já fez, considerava essa a pior.

— Hey . — Ela se escora na porta e o vê sentado na cama, com o pensamento longe.

— Ah, oi. — Ele desperta subitamente.

— Eu estava pensando que... — A mulher se aproxima dele e senta ao seu lado. — Que a gente podia ter consultas com o Doutor Hopper, ele pode nós ajudar.

— A última coisa que quero é que ele me ajude.

— Por que ? Ele sempre foi nosso amigo, podemos confiar.

— Não é questão de confiança, só acho que é cedo.

— Tudo bem então. — Ela sorri. — Mas se você não se importar, eu gostaria de vê-lo.

— Sem problemas, agora preciso de um banho gelado.

— Claro, vai lá. — Ambos se levantam e Mary se atreve a selar seu lábios nos deles por um breve momento e ficou feliz que não demonstrou nenhum sinal de rejeição.

— Podemos tentar recomeçar. — A princesa fala com seu braços ao redor do pescoço do loiro. — A Rainha já me tirou tantas coisas, mas você é a última coisa que pretendo perder.

— Sim, nós podemos. — Ele a abraça novamente e logo em seguida vai para o banheiro.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥