I'm by your side.

4 Então ame novamente.


Depois de uma noite atordoada por conta dos estragos que Wraith fez na cidade, a população tentava manter a calma com o auxílio de Ruby e da Madre Superiora. Todos estavam tentando se adaptar a esta nova fase na vida deles, enquanto David continuava na luta por sua esposa e filha. Já os setes anões estavam no limite da cidade para desvendar o mistério do que acontece com quem atravessasse a linha. E por puro azar, Ranhoso foi designado à fazer esta tarefa. E com isso, todos ficaram sabendo que perderiam suas memórias e voltariam a antiga identidade durante a maldição se caso fossem embora de Storybrooke.

Já Regina se esforçava fracassadamente para ter sua magia novamente, ou melhor, fortalece-la em vista de que em alguns momentos conseguia fazer as coisas e em outras não . Completamente zangada, saiu de casa e foi em direção ao seu carro cautelosamente.

— Regina. — Archie apareceu em seu jardim. — Achei que talvez gostaria de conversar.

— Certo, aquele negócio da consciência... — Disse com desdém.

— É o que eu faço.

— Não estou com vontade. — Respondeu grosseiramente e abriu a porta do veículo.

— Que pena, porque... Porque acho que seria bom falar sobre sua dor. Pode ajudar você a descobrir quem realmente é.

Ela o olhou enfurecida, com tamanha ousadia do conselheiro.

— Sei quem eu sou. — O encarou mais uma vez e entrou em seu carro.

Foi de encontro a loja de penhores, em busca do livro de feitiços que há muito tempo na floresta encantada, Rumpelstilstkin deu à sua mãe, Cora. Ela não só encontrou o que procurava, mas também Gold e ameaçou contar o pequeno segredinho que ambos guardavam, caso não desse o que ela queria.

Agora, com seu poder mais forte do que nunca, poderia recuperar seu filho e colocar medo aonde quer que passasse e foi exatamente o que fez. Depois de tanto tentar convencer Henry que tudo que estava fazendo era para ele, se viu pensativa ao observar o livro.

— Quero vê-lo. — Como já estava se tornando de costume, David adentrou em sua mansão com uma espada em mãos. Regina virou-se e levantou da cadeira, ficando frente à frente. Sentiu a lâmina gelada encostar em seu pescoço e arrepiar seu corpo.

— Henry, desça. — Falou alto para o menino escutar, e continuou a fitá-lo. — Não precisará da espada.

— O que invocar, posso lutar!

— Não precisará da sua espada. — Repetiu afastando o objeto. Viu seu filho descer as escadas e foi até ele. — Henry, você vai para casa com David.

— Verdade? — O menino abriu um largo sorriso.

— Sim. Não devia ter trazido você aqui. Eu estava... Eu não sei muito bem como é amar. Não fui capaz disso por muito tempo, mas eu sei... Eu me lembro... Se você se prende demais a alguém, isso não faz com que ela te ame. Desculpe-me por ter mentido para você que te fiz sentir como se não soubesse quem era. Eu quero que você fique aqui porque quer ficar, não porque estou te forçando. Não por causa da magia. Eu quero me redimir. — Confessou entristecida. — Vá pegar suas coisas.

— Então prove. — Ouviu Nolan dizer, após Henry ter subido.

— Como?

— Me responda uma pergunta; existe?

— O quê?

— A floresta encantada, nosso reino... Ainda existe?

Ela se aproximou dele, com aquele aperto de não poder tocá-lo, mesmo estando no mesmo lugar. Ele não se preocupava com ela, Regina podia ver isso. Ele só queria reencontrar sua família, na qual ela e seu bebê não pertenciam. Aliás, ela não poderia contar à ele que estava grávida, que ele seria pai novamente. Não sabia o que David poderia pensar ou até querer tirar a sua criança e isso ela não permitiria.

— Sim. Mas eu não faço ideia de como voltar para lá. — Sua voz saiu um pouco falha. — Posso ver que acabei de te lançar numa missão heroica. Mas certifique-se de que também cuidará do meu filho. — Pediu sincera.

— Isso eu posso fazer.

— Antes de ir embora, preciso te dizer algo. — Cogitou em tentar conversar pacificamente.

— Regina...

— Por favor, é realmente importante.

— Tudo bem.

— Eu não queria falar sobre nós, mas sinto que...

— Não existe nós. — A interrompeu.

— E do que foge tanto? — Indagou já irritada.

— Eu não estou fugindo de nada. — Rebateu.

— Engraçado, porque eu disse a mesma coisa naquela... — Suspirou fundo com as lembranças. — Não importa, eu só não quero mais brigar com você. Agora que Snow e Emma se foram, temos uma chance de sermos felizes como antes. — Esperança podia perceber em suas palavras.

— Não posso crer que está pensando que vou desistir de procurar minha esposa e filha para viver uma ilusão com você. Eu não era feliz, Regina. Era tudo mentira, eu estava enfeitiçado.

— E agora? — O olhou no mais profundo de seus olhos. — Ainda acha que está enfeitiçado? Mesmo com a quebra da maldição, sei que ainda sente algo por mim.

Nolan riu sarcasticamente, debochando da rainha.

— Não... Eu não sinto nada por você, somente raiva. — Falou mais para convencer a si mesmo.

Depois de sair da casa da Prefeita com Henry, David estava o escutando atentamente sobre um plano para trazer Emma e Mary de volta, em que ele próprio apelidou de Operação Escorpião. Ele explicou ao garoto que Jefferson não poderia ajudá-los, pois necessitavam de feitiços. Mesmo Henry insistindo, David disse que não deixaria ele chegar perto da magia, pois ela sempre tinha seu preço.

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O sentimento de ódio que Regina vinha nutrindo em seu coração estava cada vez mais intenso. E embora, soubesse que prometeu à Henry que se redimiria, era algo difícil, pois tudo que pensava era em se vingar de todos. Sua vida virou-se de cabeça para baixo de um dia para o outro, seu filho mal falava com ela e David estava cada vez mais distante.

Sozinha em seu escritório, arrumava suas coisas nas várias caixas espalhadas pela sala. Os habitantes da pequena cidade praticamente lhe ordenou que saísse da prefeitura, e embora odiasse receber ordens, não tinha muito escolha agora. Porém ficou feliz ao receber uma ligação inesperada de seu filho, chamando-a para um almoço em 10 minutos no velho Granny's .

Regina ligou para David, num primeiro momento ele não quis atender, mas pela insistência, concluiu que poderia ser urgente. Ela lhe disse que Henry não compareceu ao encontro marcado e percebeu que suas chaves tinham desaparecido. Pediu para que ele fosse atrás do menino, sabendo que não queria vê-la ainda.

Ela estava tentando cumprir com que o disse, mas evitar de usar magia era mais difícil do que realmente parecia. Já fazia dois dias, mesmo que embora seja um começo excelente ao olhos de Archie, ela sempre conseguiu tudo usando magia e consequentemente perdeu tudo também por causa dela. Era a chance dela recomeçar, de conquistar Henry. Neste momento ela não tinha absolutamente ninguém, e seus pensamentos a atordoavam cada dia mais.

Em meio ao seus devaneios, lembrou-se de Daniel. Do quanto o amou, tanto quanto ama David agora. Depois da morte dele, jamais pensou que acharia outro alguém. Jamais conseguiu esquece-lo, pois ele sim a amou de verdade, mesmo que na época ela fosse um pessoa totalmente diferente do que é atualmente. Por mais que quisesse se livrar do passado, ele ainda a assombrava.

A chuva caia forte do céu, tão forte que quase bateu o carro ao não perceber um outro veículo atravessando seu caminho. Ainda se recuperando do breve sustou, olhou rapidamente para o lado e o viu.

— Daniel... — Sussurrou. Uma luz forte fez com que fechasse seus olhos por um instante e quando os abriu, não enxergou mais a imagem do homem. Ela se perguntou que diabos tinha acontecido, era tão real que por um momento parecia que estava lá.

No dia seguinte, foi até seu mausoléu e não achou o corpo de Daniel e completou que Dr. Whale esteve lá e que também pegou um de seus corações. Foi de encontro ao médico e, ele lhe disse que tinha ressuscitado o primeiro amor de sua vida. Mas que Daniel não era mais o mesmo.

— O que está acontecendo? Soube que o Dr. Whale foi agredido. — David apareceu no hospital.

— Pergunte aos médicos dele. — Respondeu Regina de maneira seca.

— Não. — Rebateu sério. — Estou perguntando para você.

— Eu vim aqui conversar com ele e descobrir que estava ferido. — Nolan a olhou não acreditando muito. — É verdade! — Exclamou irritada.

— O que mais? — Perguntou em seguida. — Você veio conversar sobre o quê?

— Sobre alguém do meu passado... Eu acho que ele voltou. Daniel... O nome dele é Daniel.

— O homem com quem você ia se casar. — Disse, e apesar de não demonstrar, o príncipe não estava gostando muito do rumo da conversa. — A Branca me contou o que aconteceu e... Que ele morreu por culpa dela.

— Sim. — Falou prontamente. — Ele morreu.

— E como ele está vivo? — Perguntou confuso. Regina explicou que Whale acreditava que poderia ressuscitá-lo, e não sabia como, mas ele tinha conseguido. David ficou surpreso ao saber que ela guardava seus corações, e perguntou de quem era o que estava no peito de Daniel. Ela se deu conta de que não sabia, pois tinha sido tantos.

— Preciso ir embora. Eu tenho que ajudá-lo...

— Não! — David a interrompeu. — Onde ele está? Você viu que ele é perigoso. — Não sabia o motivo, mas estava receoso por ela e não achava uma boa ideia dela ir atrás dele.

— Para mim, não. Ele não vai ferir mais ninguém, eu prometo. — Ele percebeu alegria em suas palavras e não pode conter o ciúmes em seu coração.

— Você sabe que não posso arriscar. — Segurou em seus braços num modo de fazer ela entender que não era seguro.

— Vai ficar tudo bem, não precisa se preocupar comigo.

— Estou preocupado com todos da cidade, não com você! — Mentiu e a obrigou a lhe dizer onde estava ou a prenderia. Regina não sabia ao certo, mas achava que era como David acordou do coma, ele estava seguindo as lembranças da última vez que a viu. Ela percebeu sua cara de assustado ao dizer que poderia estar no estábulo, e ao saber que Henry também estava lá não pode deixar de sentir o mesmo.

— Daniel! Solte-o. — Regina gritou ao ver seu filho. David ajudou Henry a sair de lá, mas a ex-prefeita permaneceu estática. — É verdade... Você está mesmo aqui.

David a empurrou ao perceber que o homem iria para cima dela, e fechou a porta com força.

— Não vai aguentar muito tempo! — O novo xerife disse. — Não tem um feitiço para imobilizá-lo?

— Não vou usar magia nele. — Respondeu como se fosse óbvio e viu Nolan sacar sua arma. — O que vai fazer?

— Ele é um monstro! — Afirmou. — Se não der um jeito nele, eu dou. Não posso deixá-lo machucar você. — Falou sem perceber com sinceridade.

— David, por favor! — Regina implorou, o segurando.- Me deixe conversar com ele.

— É arriscado demais!

— Me dê uma chance!

— Saia daqui, Regina! — Afastou tentando impedi-la.

— Não! Não vou deixar você atirar nele! Ele vai me ouvir. — Ela já estava chorando. A rainha amava David com todas as suas forças, mas era Daniel quem estava do outro lado. — Por favor....

— Não quero que se machuque. — Ele a olhou profundamente, com um nó em seu coração. Se ela se ferisse, jamais se perdoaria por isso. E mesmo contra sua vontade, permitiu que ela falasse com ele. Saiu de lá, mas não se afastou tanto para que qualquer sinal de perigoso pudesse ajudá-la.

Regina sorriu ao ver Daniel, ele estava lá, realmente estava lá e isso era tão confuso, mas ao mesmo tempo a deixava feliz. Era a pessoa com quem ela planejou tudo, e que o destino de ambos foi marcado por uma tragédia.

O ar lhe faltou quando sentiu seu pescoço ser agarrado com tanta força, ele estava irreconhecível, seu olhar era repleto de fúria. Tentou dizer algo, mas a sua voz falhou

— Eu te amo. — Sussurrou tão baixo que quase ela própria não escutou.

— Regina... — Por um momento ele voltou a si, e ela o abraçou tão forte. Sabia que aquele abraço era um adeus definitivo e isto era algo tão triste de se fazer. Daniel pediu para que ela parasse com a dor o deixando partir, pois aquela pessoa não era mais ele. Ela não queria perde-lo de novo, mesmo estando apaixonada por outro, não iria aguentar vê-lo ir embora novamente

— Eu te amo. — Repetiu. — Volte para mim.

— Então ame novamente. — Daniel tentou terminar, mas seu coração não era mais o mesmo, seu corpo já estava se transformando novamente. Regina viu seu olhar mudar e ali soube que não era mais seu Daniel que estava lá.

Ele se aproximou dela para machucá-la, mas antes que pudesse fazer algo, ela encostou em sua mão e com um feitiço o imobilizou. Não queria que aquela fosse a última imagem que tivesse dele, seu coração estava partido. Regina estava o perdendo novamente.

Com sua magia, ele se desfez em sua frente. Seu choro era alto, pois uma parte dela morria ali com ele. Regina desejou por um momento ir embora com Daniel, mas pensou em Henry... Pensou em seu bebê. Pensou também em como ele reagiria se soubesse que ela estava grávida de David, ele a perdoaria por isso? Ela tocou em sua barriga, repreendendo seus pensamentos.

Adeus, Daniel.

O fim de algumas coisas é muito difícil de aceitar. Regina sabia que quando a vida de uma pessoa próxima chega ao fim, o coração era invadido pelo luto e ficava repleto de tristeza, mas não imaginava que doeria tanto assim. Ele deixou um vazio enorme em sua existência, mas mesmo sabendo que ele se foi, as memórias de um homem fantástico ficarão com ela. As lembranças, ao contrário da vida, não podiam ser roubadas. É era nelas que a rainha encontraria motivação para continuar em frente.

— Posso te levar para casa, se quiser. — David apareceu atrás de si. Ele não sabia como confortá-la e se odiava por isso, existia uma grande barreira entre os dois e isso o matava por dentro. — Regina...

— Não. — Ela virou-se para ele. Seu rosto inchado entregou o que ele já temia, suas lágrimas ainda molhavam seu rosto. — Quero ficar sozinha.

— Eu sinto que...

— Por favor, eu preciso. — Pediu sincera e Nolan entendeu que não era o momento de contrariar. Ele queria abraça-la, dizer que tudo ficaria bem, mas ele não podia. Aliás, não conseguia. Apenas concordou com sua decisão e a deixou.

Notas finais
Eu recebi tantos comentários no capítulo passado e isso me deixou tão feliz ♥ Agradeço à cada uma de vocês, de coração muito obrigada. Até a próxima.