Notas iniciais
depois eu reviso

Talvez eu seja a pessoa mais incompreendida do Universo. Lá estava eu, muito bem acompanhado, deitado no chão enquanto tentava, o melhor que podia, não demonstrar pressa. Nunca fui bom nisso. O meu ritmo vai acelerando e, a menos que seja totalmente quebrado, não tem como reverter o processo. Quanto a quebrar é muito simples, basta ela dizer não e eu paro completamente, perco a vontade até, simplesmente não consigo. Ela pode dizer não como alguém que, no fundo, quer e só prefere tirar o peso da decisão dos ombros, mas eu não consigo. Depois chego a me arrepender, mas na hora eu travo.

Toda minha suposta calma estava em ir da segunda para terceira base sem abandonar a primeira, mas obviamente que eu não estava demonstrando isso nem um pouco. Mal era a terceira vez que eu fazia algo do gênero, se é que a primeira vez podia ser contada como uma experiência ativa e não apenas eu como espectador de algum show, estranho demais para ser verdade. A manobra foi friamente calculada, pelo menos umas três vezes, mas nem isso evitou que fosse um desastre completo. Por mais que o zíper da calça já estivesse aberto eu não conseguia puxá-la para baixo com a minha mão esquerda e o posicionamento das peças não permitia que a mão direita fosse em socorro de sua irmã desajeitada. Puta que pariu. Eu podia parar o showdown e fazer da maneira certa, mas isso seria admitir a incapacidade em primeiro lugar e eu sou péssimo nisso. Eu estava fodido, era impossível abaixar aquela porcaria de jeans, eu já podia ver, ela ia me mandar para fora xingando a mim e às 5 gerações de eunucos que obviamente deveriam estar por trás de tamanha aberração da natureza que sequer conseguia tirar as calças de uma dama.

- Certo, deixa eu te ajudar. Pronto, assim fica mais fácil.

Eu sou um retardado mental.

- Happiness is a warm gun.

- So why don't you pull that trigger? Ela me respondeu sorrindo.

Nesse momento eu me senti como se estivesse estuprado a Estátua da Liberdade.

***

Notas finais
não acabei ainda