I'm a Mess
1 Capítulo Único
Notas iniciais
É só mais uma noite
E eu estou encarando a lua
Vi uma estrela cadente e pensei em você
Cantei uma canção de ninar na beira d'água e soube
Se você estivesse aqui, cantaria para você
Você está do outro lado do mundo
E a linha do horizonte se divide
Milhas distante de poder te ver
A ruiva saiu do banheiro com a toalha enrolada ao corpo e foi nas pontas dos pés até seu quarto onde terminou de secar suas madeixas, depois foi ao guarda-roupa e escolheu a camisola mais confortável que possuía: Uma rosa creme que batia no meio da coxa. Foi até o criado mudo onde guardou suas amadas presilhais, presente do seu falecido irmão, e penteou o cabelo que se estendia até a cintura.
Depois do cabelo escovado desligou a luz e foi até sua cama macia e espaçosa, deitou-se e cobriu seu corpo com o edredom. Ficou parada, sua face serena, parecia que a ruiva já tivesse pegado no sono. Mas logo começou: A garota se virou de um lado para o outro inquieta, deu uma volta completa na cama e não parava, até que desistiu. Definitivamente Orihime não iria conseguir dormir hoje.
Fazia dias que Inoue Orihime não tinha uma boa noite de sono. Seus olhos já estavam marcados por olheiras, a face delicada e infantil vivia cansada, até parecia ser mais velha do que realmente era. Os olhos acinzentados da garota sempre estavam marejados e vermelhos quando em casa, mas na rua Orihime sempre mantinha o sorriso no rosto para não preocupar os amigos – ela sempre foi assim –, mas por dentro seu coração estava despedaçado.
Inoue sentou-se na cama, coçou os olhos cansados e levantou se dirigindo até a cozinha. Pegou da geladeira um copo de água e sentou na mesa, deu um longo suspiro cansado e deixou uma lagrima solitária escorrer pelo rosto e cair dentro do copo, onde ela via desanimada seu reflexo triste e cansado.
Orihime nunca imaginaria que iria se apaixonar por ele. Ela só aceitou ser sequestrada, só se deixou ser levada para Hueco Mundo para proteger seus amigos, proteger Kurosaki-Kun. Kurosaki-Kun. Depois da declaração que fez a ele descobriu que era tudo mentira! Na hora ela não sabia, agora sabe... E como dói.
Eu posso ver as estrelas da América
Eu me pergunto, será que você as vê também?
Então abra seus olhos e veja
Os nossos horizontes se encontrando
E todas as luzes irão te guiar
Pela noite, comigo
E eu sei que essas cicatrizes irão sangrar
Mas os nossos corações acreditam
Que todas as estrelas irão nos guiar para casa
Eu posso ouvir seu coração
Pelo rádio, ele bate
Eles tocaram "Chasing Cars" e eu pense em nós
No começo Orihime estava assustada, Ulquiorra não era frio, insensível, tão sem... Sentimento. Ele a levou para Hueco Munco, ameaçou matar seus amigos e Kurosaki-Kun, ficou responsável por protegê-la, falava coisas duras e insensíveis para Orihime. Mas ela não o odiava.
Os cabelos tão negros quanto o céu do Hueco Mundo, as orbes de uma imensidão incrivelmente verde a encantavam – mesmo sendo completamente inexpressivos –. a pele tão pálida e gélida, as marcas que iram dos olhos até o queixo que lembravam rastros de lagrimas. Orihime sentia uma estranha curiosidade pelo Quarto Espada, a ruiva gostava da companhia e das visitas do Espada, ele sempre lhe trazia três vezes por dia comida, eram as únicas horas que ela não se sentia tão solitária.
Somente quando Ulquiorra morreu, somente quando Orihime o viu se desfazer em cinzas na sua frente, somente quando o viu estender sua mão a ela e Orihime desesperadamente tentar toca-la, que Inoue se deu conta que o amava. Mas já era tarde de mais.
A ruiva bebeu a água contida no copo em um só gole e se dirigiu ao seu quarto. Após se arrumar nas cobertas e fechas os olhos tristes na esperança de enfim dormir, novamente a mente de Orihime é invadida por lembranças do passado. Desta vez uma em que Orihime e Ulquiorra conversam, depois que Aizen, o shinigami-traidor, deixou Las Noches aos cuidados de seu Quarto Espada.
– Está com medo? – O Espada perguntou para Orihime, mantendo alguns metros de distancia. – Você se tornou inútil a Aizen-Sama. Agora, nada mais lhe protege. Acabou. Agora vai morrer, sem poder tocar em mais ninguém, totalmente sozinha.
Orihime não respondeu, apenas o encarou com olhos tristes.
– Pergunto se está aterrorizada – Insistiu.
– Não tenho medo. – Respondeu, deixando Ulquiorra com olhos arregalados. O que era muito difícil – Todos vieram me salvar, por isso meu coração está junto de todos eles.
– Que besteira. – Respondeu seco – O seu destino e o de seus companheiros já estava decidido há muito tempo. Mesmo que eles cheguem aqui, nada mudará o fato de que todos morrerão. Compartilhar sentimentos perante a morte é um modo dos humanos se reconfortarem. É um dos instintos de vocês, para fugir do pavor e do desespero. Mas “Compartilhar sentimentos” é algo que não existe. É uma ilusão sem significado dos humanos.
– Talvez seja verdade, talvez seja impossível sentir exatamente a mesma coisa. Mas conseguimos considerar uma pessoa importante e deixar que o nosso coração se aproxime dela. Provavelmente é isso que significa unir dois corações a um só sentimento. – Os olhos de Orihime brilhavam, a delicadeza se sua face ficou mais evidente.
Ulquiorra demorou responder. Definitivamente ela era uma mulher interessante.
– O que é esse tal coração?
O Espada se aproximou de Orihime e levou sua mão até o peito da garota.
– Se eu abrir seu peito, eu o enxergarei? – Depois levou a mão até a face de Inoue – Se eu partir o seu crânio, eu o verei aí dentro?
Orihime não respondeu, pois Kurosaki Ichigo tinha chegado para salva-la e ordenou que Ulquiorra se afastasse de sua amiga.
A ruiva abriu os olhos marejados. Ela poderia ensinar a ele o que são sentimento, poderia ensina-lo o que era um coração, poderia fazê-lo sentir.
De volta ao tempo em que você se deitava ao meu lado
Eu olhei para o lado e me apaixonei
Então, eu peguei a sua mão
E pelas ruas, eu soube
Tudo me levava de volta à você
Você pode ver as estrelas
De Amsterdã
E ouvir a canção que bate no meu coração?
Mal sabia Inoue Orihime que quando Ulquiorra finalmente entendeu o que era um coração foi no instante em que tocou a delicada mão dela, no seu ultimo momento.
– Por que chora, mulher?
Orihime estava pensando tanto em Ulquiorra que já estava até ouvindo sua voz.
A ruiva sentiu um toque gélido e confortável na bochecha, virou o rosto assustava e deu de cara com os mais belos e melancólicos olhos verdes. Ulquiorra estava deitado ao lado enxugando as lagrimas que escorriam do rosto de Orihime. Ela ficou sem palavras, todas estavam presas na garganta. Estava pensando tanto nele que agora estava vendo coisas?
– Responda minha pergunta. – Disse ele com o tom gélido de sempre.
– P-por você – A voz estava tremula – Como pode estar vivo? Eu vi você desaparecendo na minha frente – Por impulso tocou o rosto do arrankar.
Ulquiorra não respondeu, apenas olhava para o rosto extremamente feliz e corado da ruiva. Então os olhos se cruzaram e sem pensar duas vezes puxou o rosto delicado com uma gentileza nunca vista antes e selou os lábios com perfeição, dando inicio a um beijo sereno e desejoso. As línguas se tocaram com suavidade que fazia ambos se sentirem no paraíso. O beijo acabou com vários selinhos.
O rosto de Orihime estava quente e vermelho, se aproximou do Espada e se reconfortou no peito dele.
– Por que voltou?
– Por você.
Então abra seus olhos e veja
Os nossos horizontes se encontrando
E todas as luzes irão te guiar
Pela noite, comigo
E eu sei que essas cicatrizes irão sangrar
Mas os nossos corações acreditam
Que todas as estrelas irão nos guiar para casa
Eu posso ver as estrelas da América
Fale com o autor