I'm Theo

1 Capítulo 1 - Eu sou Theo


Theodore, andando pelos corredores da sua nova escola e observando atentamente os outros alunos, começava a perceber que era a única criança que possuía uma característica diferente. Seu rabo de esquilo fazia com que os outros alunos o encarassem de forma desconfortável enquanto ele passava. Nem todos pareciam hostis, entretanto, alguns apenas estavam curiosos.

Sua aparência nunca havia sido um incomodo antes, tendo crescido em uma pequena cidade onde todos se conheciam e frequentado uma escola com poucos alunos, Theodore sempre havia se enturmado muito bem entre as outras crianças. Como a cidade era pequena, todos já conheciam Theodore, porém nunca o descriminaram por ser do jeito que é.

Seus velhos amigos naquele momento estavam muito distantes, e o novo colégio parecia imenso, a ponto de deixá-lo perdido. Apertou as alças da mochila, os olhares que recebia pareciam estar se tornando mais intensos a cada passo, ou aquilo podia ser apenas seu nervosismo o fazendo ver coisas, de qualquer forma, o garoto apenas abaixou o olhar e começou a andar mais rápido.

Agradeceu internamente ao ouvir o sinal e entrou na classe, sentou-se no fundo, onde achou que seria menos notado. Olhou pela janela, era um dia de neve pesada, o ar estava frio, mas as mãos de Theodore suavam mais que o normal.

Experimentou olhar ao redor novamente, dessa vez para os alunos, duas fileiras à direita, também na última cadeira, estava uma menina de cabelos negros cortados retos na altura do queixo, pele branca pálida e olhos estreitos que iam de um lado para o outro como se procurassem algum perigo, ela batia as mãos na mesa de forma frenética, porém, nenhum som era escutado por causa das luvas que usava, sob seus cabelos cor de carvão, a garota tinha um gorro de um tom rosa bem forte e chamativo.

Theodore imaginou que pudesse ser também o primeiro dia da menina naquela escola. Apesar da distância das mesas, ele começou a juntar um pouco de coragem para falar com ela, mas antes que pudesse, os olhos da menina encontraram com os seus e rapidamente foram do seu rosto para a cauda, o que fez a expressão da menina mudar.

O garoto não sabia exatamente o que era. Seria surpresa? Talvez medo? Ia dizer para ela não se assustar, mas ela virou o rosto no mesmo instante, olhando fixamente para frente.

Theodore sentiu-se aborrecido, não era o tipo que se abatia fácil, mas estava ouvindo os alunos que falhavam em falar baixo dizendo coisas sobre ele e isso estava se tornando um incomodo, pior, estava se tornando constrangedor.

Já havia considerado antes a possibilidade de encontrar problemas para se ajustar, ele era um pouco tímido e de um lugar uma cidade pequena, mas não achou que seu rabo fosse causar tanta estranheza, ele sempre fora um garoto como todos os outros, ora.

A professora entrou na classe minutos depois do sinal e a aula começou, Theodore já não tinha mais nem o mínimo de empolgação de continuar ali. Ele apenas murmurou o nome e o lugar da onde veio quando teve que se apresentar na frente de todos. A professora parecia simpática, sorriu e lhe desejou as boas vindas, como ninguém mais havia feito, e não pareceu espantar-se com sua peculiaridade, mas aquilo não foi o suficiente para restaurar o humor do garoto. Ele apenas abriu o caderno e acompanhou as aulas até o intervalo, sem tentar falar com ninguém e esforçando-se para ignorar os outros.

Não sabia quais alunos os irritavam mais, se eram os que estavam com medo, já que não havia nenhum motivo para isso, ou os que estavam intensamente curiosos, mas por alguma razão preferiam cochichar entre si a vir falar com ele, ou quem sabe os que estavam debochando dele, e havia aquela garota, de cabelos pretos e a touca de cor chamativa que não parava de espiá-lo pelo canto dos olhos pequenos.

Ouvir o sinal para o intervalo foi um alívio, as aulas haviam acabado. Theodore não suportava mais estar naquela classe, juntou o material o mais rápido que conseguiu e jogou a mochila nos ombros, porém, antes que pudesse sair, outro aluno o barrou na soleira da porta, permitindo somente a saída de outros alunos.

— Então ...- Disse ele — Que tipo de esquisitice é você?

Theodore recuou um passo, o tom agressivo do garoto o perturbava mais do que a pergunta, havia um sorriso de escárnio no rosto dele.

Vários outros alunos preferiam evitar a confusão e simplesmente saiam da sala, passando reto por Theodore e o outro garoto, dando apenas uma olhada rápida para situação antes de sumirem sem fazer nada. Alguns outros ficaram na classe, fingindo estarem ocupados com algo para assistirem. Nem todos pareciam concordar, mas ninguém parecia disposto a fazer algo.

— Ninguém avisou você que animais não são permitidos na escola? — Continuou o garoto, cada vez que ele avançava um passo, Theodore voltava um.

Ele nunca havia estado em uma briga, sequer presenciara uma, e, portanto, não fazia ideia de como reagir. Sua antiga escola era bem pequena e tranquila, ele nunca viu esse tipo de coisa acontecendo. Provocações, sim. Mas uma briga? O garoto estava fechando os punhos e erguendo o braço.

— Acho que vou ter que te colocar para fora... — Disse, dando risada.

Antes que o garoto pudesse acertá-lo, Theodore sentiu um empurrão nas costas e foi jogado para o lado, o agressor errou o alvo, antes de ver exatamente o que aconteceu. A menina de touca rosa o agarrou em seu pulso e começou a correr, puxando-o junto.

Ela não diminuiu o ritmo dos passos ao chegar no corredor, costurando entre os outros alunos e fazendo o possível para desviar de todos sem esbarrar em ninguém. Encontrou uma porta aberta e, sem pensar duas vezes, empurrou Theodore para dentro e fechou a porta atrás de si, encostando as costas nela como se quisesse impedir qualquer um de entrar. Era apenas um armário. Theodore pôde analisar melhor a menina agora de perto, os olhos cor de âmbar, o suor escorrendo pelo rosto, lábios finos, respirando rápido por causa da corrida.

— Obrigado – Agradeceu ele, sentindo também um pouco de falta de ar.

— Sem problemas — Ela assentiu e, com um movimento rápido tirou a touca rosa.

Na cabeça haviam orelhas de raposa, brancas como a neve. Antes que Theodore pudesse falar, ela colocou um dos dedos nos próprios lábios e sorriu.

— Shhhh — Fez baixinho, dando risada.

Theodore riu de alívio, era a melhor coisa que havia acontecido desde que aquele dia frustrante havia começado. Ela colocou novamente a touca e estendeu a mão.

— Vamos indo? Acho que aquele cara já foi. – Assentiu a menina

Theo balançou a cabeça positivamente, segurou a mão dela e abriu a porta em direção ao corredor. Andou devagar. De repente, era como se mais ninguém estivesse olhando.

— Qual seu nome, aliás? – Perguntou o garoto, ainda recuperando o folego.

— Eu? Eu me chamo Emma.

—Continua-