Part. Penny

Ainda naquela noite tive três sonhos.

No Primeiro, eu estava em um parque aquático com um golfinho vivo dentro da blusa.

No segundo, eu treinava baleias de para um torneiro de futebol.

E o terceiro, e mais importante, foi assim:

Eu estava em uma caverna, sentada em uma rocha colorida. No lado escuro da caverna, parecia ter alguém, mas eu não queria saber quem ou o que era aquilo. Eu estava, por alguma razão, virada para a parede, que era cheia de pedrinhas coloridas. Só aí que percebi que estava no fundo do mar. A coisa, ou pessoa que estava no fundo da caverna parecia caminhar na minha direção. E então ela falou:

– O que você está fazendo aqui? – Era a voz de Percy.

– Não te interessa! – Respondi.

- Interessa sim! O sonho é meu!

- Meu! – Estávamos agindo feito idiotas

– Parem, já! – Disse uma voz atrás de nós. – O sonho é dos dois, eu que estou nele.

– Pai? – Perguntamos nós dois juntos.

– Isso aí! – Disse ele, piscando. – Mas vamos direto ao assunto. Eu estava vigiando vocês hoje de manhã e...

– Nos vigiando? – Perguntou Percy.

– É. Como eu dizia... Estava vigiando vocês e vi quando Grover e Mike saíram.

– E? – Perguntei.

– E acho que eles foram ao mercado de uma cidadezinha perto de São Francisco. Na verdade, praticamente na entrada.

– E? Que problema tem? – Perguntou Percy.

– São Francisco, garotos! Como vocês foram parar lá, eu não sei, mas a atividade dos monstros nessa área é maior. Quanto mais perto do Acampamento ou de Nova York, mais seguros estarão. Mas é claro que em Nova York não é totalmente segura. Monstros atacam lá também. Não se baseiem no que eu disse.

– Ah, sim. – Falei

– Sim, senhor... Pai. – Disse Percy.

Poseidon sentou-se em uma rocha.

– Não durmo há dias.

– Dá para perceber. O senhor tem olheiras.

– Acho que estou com insônia. Passo o dia com sono, e quando vou dormir, simplesmente não consigo.

– Deuses têm insônia? Não tem como imaginar isso. – Falei.

– É... Principalmente o senhor... Poseidon, deus dos mares. Calmo. Quase impossível. – Disse Percy.

– Pois é. Como você disse. Quase. Quando você é de uma família olimpiana, o “Tudo” ou “Todos” se transforma em “Quase”, “Quase tudo” e “Quase todos”. Nada é impossível.

– É. – Dissemos eu e Percy.

– Eu já estou quase acreditando que a magia e feitiçaria existem. – Disse Percy. Meu pai ergueu uma sobrancelha. – Existem? Ah, então não tenho mais dúvidas.

– Sempre que estiverem pensando sobre algo que acham que é impossível, lembrem-se: Ainda existe o quase. Não se deixem esquecer.

Nós ficamos calados, nos olhando.

– Ah, sim, já ia esquecendo. Diga a sua amiga... Alex, que o computador e celular dela estão em um lugar seguro.

– Qual?

– No Mundo Inferior. Hades demorou a aceitar aquilo na área dele, mas deixou, desde que ficasse fora de sua vista. Deixei-o com Perséfone.

– Está bem, vou dizer.

– Ótimo. Agora tenho que ir, garotos...

– Ei, ei, ei! Espera! – Falei, mas tudo começou a girar. A última coisa que ouvi foi Percy, dizendo:

– Foi-se.

E depois tudo ficou preto.