Notas iniciais
(Paramore)

(Josh)

Minha vida estava uma bagunça. Meu interior estava completamente conturbado. Mas eu não poderia demonstrar isso à Jenna. Não poderia demonstrar isso à ninguém. Estava desesperado, tenso e cansado. Estava fraco de tanto resistir a angústia que todo esse turbilhão de sentimentos me causava.

Queria me entregar literalmente ao desejo que, havia algum tempo, me tentava. Não valia a pena me entregar. Não depois de todo esse tempo. Não depois de tudo o que houve, e como eu fiquei depois de tudo.

Porém, a distância e a saudade me transtornava. Quanto mais eu lutava e resistia, as lembranças vinham com mais forças para me atormentar.

– Josh, vou ao shopping. Quer alguma coisa ?

– Não. Tô bem.

– Não perguntei como estava se sentindo, mas... Está compondo ?

Ela pegou algumas folhas que estava sob a cama.

– Letras fortes, não ?! E indiretas também ?

– Cuidado com a paranóia.

– Por que você só escreve sobre saudade, solidão, arrependimento, raiva ... Por que não escreve sobre amor ?

– Porque ele foi o causador de todos os outros.

– O nosso amor ? — perguntou e soltou as folhas. — Escreva sobre o nosso amor, sobre nós. "Nós" !

– Vou me esforçar ao máximo.

Ela me olhava intrigada :

– Não vou me meter. Mas, depois não quero ter de aturar aqueles ...

– Eu sei. Mas é inevitável, você sabe.

– Mas às vezes tem como evitar. E ... depois nos vemos !

Ela beijou minha testa, e por fim, disse :

– Te amo.

– Também.

Eu não estava em condições de repetir o que ela me disse. Se eu tivesse dito, minha voz falharia. Não que não fosse verdade, mas não sairia com a intensidade que ela queria ouvir, muito menos o entusiasmo.

– Tô indo então ...

– Ok, vai lá.- E ela saiu. E voltei a pensar na minha angústia. Eu precisava esquecer e precisava me curar.

Mas, do que eu precisava para esquecer toda a angústia e tristeza que eu mantinha dentro de mim ? Percebi que também precisava de respostas.

Talvez essa angústia fosse por querer algo que seria impossível de eu ter : Hayley.

Queria desesperadamente procurá-la, fazer o que eu tinha vontade, mas, em hipótese alguma, poderia continuar alimentando isso, então, seria mais conveniente continuar na minha.

Ela estava bem e feliz sem mim. Eu não tinha o direito de procurá-la. Sinceramente, o que me matava, foi de não olhar em seus olhos para dizer sequer um "adeus". Ter deixado ela ir, sem ao menos me despedir de uma maneira definitiva, conclusiva. Mas ela foi embora. Eu não podia procurá-la. Eu era casado, tinha planos com a minha esposa. Não podia ficar pensando no passado. Eu tinha que me concentrar no que eu estava vivendo com Jenna. E finalmente, deixar tudo para trás, por mais que me sentisse incompleto, foi Jenna que eu tinha escolhido. Determinei para eu mesmo, que esqueceria Hayley de uma vez por todas. Pra sempre.