I'm Sorry

5 Desert Eagle


Notas iniciais
Oie, sim estou atrasada, desculpa mas a escola apertou e hoje não parei em casa. Capítulo fresquinho, por favor comentem! ~nolita

Cap.05 Desert Eagle

Nico Di Angelo

Abri o armário de baixo da pia do banheiro e encarei os remédios, esparadrapos e agulhas: tinha remédio o suficiente para causar uma overdose. Suspirei cansado e peguei um analgésico, band-aids, curativos daqueles de faixas e álcool. Coloquei tudo sobre a pia e depois me levantei encarando o espelho: o rosto branco com um leve tom cinza em baixo dos olhos, a boca esbranquiçada, os cabelos pretos bagunçados, os olhos escuros. Peguei os remédios e voltei para o quarto.

– Eu achei alguns remédios. – Comentei.

Ele mal se moveu, seus olhos estavam fitando o nada com convicção e duvido que tenha ao menos me ouvido. Jason estava sentado na beirada da cama, sem a camisa. Os hematomas e cortes visíveis e sangrando menos agora, mas ainda pulsantes em tons fortes, senti algo dentro de mim se preocupando se aquilo não poderia se tornar algo mais sério, mas reprimi o pensamento. Jason estava ali para morrer, isso era inevitável, se ele escolheria ceder agora ou depois não cabia a mim decidir, apenas conformar-me.

Puxei uma cadeira para perto dele e coloquei os frascos e curativos em cima da cama, então fitei o problema. Ele não tinha levado uma pequena surra, mas sido espancado, não só a murros, chutes e pontapés como também com objetos cortantes. Na circunferência do seu quadril tinha um corte de aproximadamente dez centímetros que não sangrava mais, mas era uma das principais fontes de preocupações visíveis, eu não queria nem pensar nas não visíveis. Na verdade nem sabia por que estava gastando meu tempo cuidando dele, mas, acho que se me perguntasse de verdade diria que Jason tem algo diferente que me fascina.

Não sei se estava no azul ao mesmo tempo inocente e explorável nos seus olhos, ou no tom de desafio que ele fazia a si mesmo sem nem se dar conta. Ele era forte, mas ainda era uma criança e um desejo muito íntimo queria tanto proteger essa ignorância primordial e inocente e ao mesmo tempo corrompê-la nas mais diversas formas. Jason era um cara atraente se sexy, apesar de muito magro, e não me impressionava que eu sentisse atração sexual por ele.

Eu só não esperava toda a tensão dos órgãos dentro de mim quando eu toquei sua barriga com um pano úmido com água. Tudo estava se revirando e eu sabia que não se compara à dor física dele, mas sentir meu coração se apertar em proporções tão erroneamente dolorosas me fez me sentir contrário a tudo que eu já estava acostumado.

A cada vez que ele estremecia eu lutava contra a vontade de estremecer também. Resisti à ideia de chamar Thalia, por que provavelmente ela estaria com Luke e eu não queria que histórias se espalhassem e por que provavelmente eu a encontraria transando com Luke, por que era isso que parecia que aqueles dois queriam fazer toda vez que os olhos dele se encontravam com os tempestuosos dela.

Talvez eu devesse fazer o mesmo com Jason, afinal, dor no sexo era como um prazer inesperadamente proveitoso, eu era sádico e podia convencê-lo de ser o masoquista que eu queria para satisfazer minha excitação.

Calei a boca da minha imaginação – que já começava a formular cenas obscenas – quando ele gemeu de dor e segurou meu braço com um aperto contido, como se tivesse medo de me tocar, mas precisasse de um apoio.

Minhas mãos seguravam um pano encharcado de sangue sobre o corte na lateral do seu corpo, seu rosto exibia uma careta de dor que me fez querer gritar, mas me contive. Guiei sua mão – pouco maior que a minha, mas notavelmente maior – até meu ombro e olhei para ele como se dissesse “pode apertar se quiser” e então continuei com os procedimentos.

Obviamente eles o tinham forçado a tomar banho. Seus cabelos pingavam um pouco e as roupas se grudavam de leve na pele, fora pelo sangue que empapava tudo agora. Mas além de tudo, eu não me arrependia de tê-lo deixado com eles tanto porque esse fato nem passara na minha cabeça, como se fosse – e é – um simples fato de rotina. Ele era um objeto e eu o trataria como tal, talvez o consertasse algumas vezes, mas, no fim, o queimaria e veria derreter até a essência da alma. Desenvolvi certa compaixão com esse estranho, apesar de não ignorar o inevitável ramo do seu destino.

Dei de ombros mentalmente e molhei o pano com álcool. Os olhos do loiro se arregalaram com medo antecipado. O mais rápido que pude encostei o pano contra a ferida e ele não teve nem tempo de me impedir, mas certamente de reagir. Ele fechou os olhos e cerrou a mandíbula dando ao seu rosto um aspecto mais retilíneo. Sua testa estava encharcada de suor, suas mãos cerradas em pulsos e seus pés esticados em direção ao chão, mas não tocando-o, como se fosse feito de fogo. Um sibilo de dor escapou da sua boca seguida por arfadas rápidas e desgovernadas.

– Procure respirar de forma ritmada. – Instrui, apesar de eu mesmo não estar mais conseguindo controlar minha própria respiração.

– Um, dois, três, quatro. – Comecei a sussurrar. – Um, dois, três, quatro. Um, dois...

– U-um... Arght. – Ele tentou seguir o ritmo, mas fechou os olhos com força, formando rugas na testa.

Eu não gostava de quando ele fechava os olhos e escondia aquela vastidão azul, me dava a impressão de que o céu estava se pondo pela última vez e o mundo seria todo escuro como imagino ter sido no começo.

– Abra os olhos Jason. – Falei tremulamente.

Ele continuou de olhos fechados, mas sua mão continuou apertando meu ombro com força enquanto eu limpava o resto dos ferimentos. Não achava que precisaria de pontos, tanto porque eu não tinha a mínima experiência em costurar carne humana, só cortá-la o que definitivamente era muito mais prático, e não pretendia aprender agora.

Envolvi da sua barriga até seu peito com as faixas de tom amarelado. Quando terminei encarei seu rosto que continuava com os olhos fechado, mas tinha suavizado a expressão assim como também era menos bruto o seu aperto no meu ombro. A dor tinha diminuído e esse era o primeiro passo para ela ir embora, acho que Jason entendia isso.

Deixei o resto das faixas do lado e permiti que o pano agora vermelho descansasse no chão quando me voltei para seu rosto. Os olhos fechados num tom de perturbação serena contrastavam com o estado do resto do seu rosto. Era tudo roxo, esverdeado e negro apesar de não sangrar mais. Seus olhos eram a luz da saída das trincheiras em plena Guerra Mundial: eram a saída de todo aquele inferno que na verdade não tinha uma saída, mas era o mais perto que se podia chegar.

O seu lábio superior tinha sido cortado deixando uma pequena linha que eu julgava ser uma futura cicatriz, levei um pedaço limpo do pano úmido até lá e quando as duas superfícies se tocaram, os olhos de Jason se abriram.

Eu estava perto o bastante para sentir a respiração entrecortada em processo de estabilização, o calor que emanava exageradamente dele me atraia e seus olhos puxavam os meus como se fossem correntes ancoradas na vastidão azul.

O oceano se tornou cobalto e cintilou com as lágrimas.

Ele reprimiu a boca numa linha fina e me olhou com súplica antes de proferir palavras tão cheias de impulso corajoso sem fundamento.

– O que eu sou para você?

Eu não deixei de encará-lo e nem ao menos pensei em respondê-lo, ele fitou por um momento minha boca e foi toda a importância da qual eu precisava. Eu o beijei de leve e ele estremeceu, me afastei interpretando os temores como algo casual, não porque respeitava-o ou porque ele era precioso de alguma forma, mas porque definitivamente ele deixava meu físico perturbado: meus olhos presos no azul, minha boca ensandecida pelo sangue da dele, minhas mãos cobiçando tocá-lo onde estava mais sensível e absorver seus protestos de dor como uma melodia sexual que não deixaria meus ouvidos tão cedo. Queria que as suas mãos tentassem me parar para eu poder contê-las e deixá-lo indefeso, passivo. Eu queria tocá-lo onde não devia, excitá-lo das mais diversas formas — grosseiras e delicadas — queria fazer sua boca não só gemer de dor mas do ápice do prazer. Queria usar seu corpo para se fundir ao meu em uma dança nua e prazerosa, mas um instinto mais primitivo que a cobiça pela sensação de prazer me repreendeu. Eu queria protegê-lo: dos outros e suas maldades, das brigas e das humilhações.

E de mim. Primeiramente de mim, porque uma vez que eu o tivesse era certo de que não seria capaz de parar.

Notas finais
SE veio ATÉ aqui ACHO que PODE e DEVE comentar. :D ~nolita