I'm Sorry

12 9. M1911 Black


**Notas: Oi tudo bem? Desculpem a demora, ontem eu cheguei em casa desmaiando e o mesmo na sexta. Espero que gostem do capítulo! Até a próxima.

Cap.12 9. M1911 Black

Nico DiAngelo

Eu podia ouvir a música entediante e lenta vazando para o corredor pelas brechas na grande porta de madeira, mas o som era completamente abafado pela tensão em Jason – na sua expressão facial, nos seus músculos, na sua voz – que de alguma forma parecia sólida, não há quem não note.

Pelo corredor passavam algumas garotas de vestidos bufantes e de cores escuras ou claras demais, todas correndo e de fora, eu não reconhecera nenhuma e tinha certeza que mal sabiam onde estavam se metendo. Tudo oque adolescentes precisavam para se meter em problemas era algo novo e de aparência duvidosa, provavelmente também encontraria garotos assim, apesar de não serem muitos.

A diferença entre as pessoas de dentro e elas era perceptível de longe e se mostrou presente quando Thalia e Luke surgiram de um dos corredores que levavam àquele corredor principal. O braço de Thalia estava levemente repousado no braço direito de Luke, suas costas estavam arqueadas, o pescoço erguido, seus passos eram leves, como se ela deslizasse. Seu cabelo estava preso em um coque complexo, com tranças o prendendo, e a franja ondulada solta na lateral do rosto. Usava brincos de rubi e um colar de diamantes chamativo. Sua cintura, fina e delineada pelo espartilho, a curva dos seios, apertados pelo vestido, atraía olhos masculinos e femininos cheios de desejo. A brutalidade de seu vestido tornava-o superior, era azul cobalto e bufante, o corpete era liso e convidativo, um laço preto dividia a saia do resto. Sua pele branca destacava-se e nos olhos, apenas uma leve maquiagem, enquanto a boca pulsava vermelha escura como se banhada em sangue. Os olhos azuis raivosos combinavam com as sobrancelhas perfeitamente arqueadas.

– Está deslumbrante esta noite, senhorita. – Eu disse ao me aproximar e beijar sua mão enluvada.

Ela puxou a mão discretamente e devolveu-a curvada sobre a cintura quando viu que Jason não faria o mesmo. Só então meus olhos analisaram Luke, usava calças escuras e sapato social, suas mãos estavam cobertas por luvas brancas, seu paletó se estendia num azul escuro, mas não tanto quanto o do vestido de Thalia. O cabelo cor de areia contrastava com o dela, de forma que quando olhei para os dois percebi que se não combinassem emocionalmente, fisicamente o eram, como chocolate preto e branco.

Assenti de leve para Luke e ele fez o mesmo.

– É bom ver que pode se levantar Senhor Grace. – Thalia se dirigiu a Jason, ignorando o incidente de alguns segundos atrás e se inclinando de leve.

– Sim, aprecio a preocupação. – Ele falou baixa e lentamente, desviando o olhar deles, em especial o de Luke.

– Mas na real cara? – Luke disse, fazendo gestos para a própria roupa. – Isso é horrível! Me aperta em todos os lugares, e por que temos que falar tão formalmente? Isso é uma merda.

– Cale a boca Luke! – Thalia bateu nele e depois riu de leve. – É só um baile.

– Que se foda. – Ele olhou para ela. – Vamos voltar para o quarto? A gente liga uma música e...

Eles começaram uma pequena discussão e puxei Jason para longe quando Luke começou a fazer algumas ofertas meio obscenas para a morena. Também me irritava um pouco Jason não tirar os olhos do corpo de Thalia.

– Acabaram-se as perguntas? – Indaguei.

Ele continuou andando e observando a porta que se aproximava de leve, “guardas” parados de cada lado a abriam vez ou outra para que mais pessoas entrassem. De vez em quando alguém parava no corredor ou virava o rosto para ver Jason, depois disfarçavam sua curiosidade conversando com a pessoa ao lado.

Eu não os culpava, Jason era carne nova, além de estar deslumbrante. Eu tinha escolhido para ele calças pretas e uma blusa branca de botões, um paletó preto que descia pelas costas e uma gravata vermelha. Seus cabelos estavam penteados para o lado e a cicatriz na boca ainda era cercada por um tom vermelho. Seus olhos azuis atrairiam muitos outros, eu tinha certeza, mas principalmente sua ingenuidade o tornava um alvo em potencial. Ele olhava para tudo com uma curiosidade contida e um medo guardado. Resisti ao impulso de arrastá-lo para fora dali e beijá-lo.

Chegamos em frente à porta e eu me virei para ele, arrumei sua gravata e a apertei um pouco mais que o necessário, ele me lançou um olhar de censura sem pensar duas vezes. Algumas dessas caras e coisas que ele fazia ou sabia fazer me faziam pensar se ele era um irmão mais velho. Ele ergueu o rosto e olhou para a porta.

– Eu vou ter de conhecê-lo? – Sua voz parecia ter sido deformada por algum problema de computador.

– Ele não vai ter muito tempo para gastar com você. – Eu disse tirando as mãos do seu pescoço.

Eu me inclinei para o guarda da direita e disse o nome de Jason, ele voltou a sua posição enquanto o outro guarda abria as portas.

Quando o salão se tornou visível a tensão de Jason pareceu triplicar, como se fosse possível. O salão estava cheio de pessoas conversando cordialmente, vestidas à caráter com as mais diversas cores e joias. Ao fundo uma orquestra tocava a nona sinfonia de Bethoven um pouco baixo. Em um dos cinco camarotes no alto das paredes estava meu pai, ele ria ao lado de minha mãe que vestia vermelho vivo e dizia algo, eu tinha quase certeza, sobre armas.

Nem ao menos nos notara.

O guarda se inclinara sobre outro homem que estava no topo da escadaria reluzente de mármore e ele anunciou meu nome e o de Jason. Nenhuma nomenclatura antes de algum deles.

As pessoas da gangue se viraram na minha direção e fixaram seus olhos em mim. As outras apenas continuaram a conversar nos seus grupos, e só então eu tive uma noção de quanto da sociedade comum tínhamos ali. Não eram poucos. Os que notaram não se manifestaram, não passaram a notícia, não se atreveram a tirar os olhos de mim.

Inclinei-me para trás e vi Luke e Thalia ultrapassando as portas. O olhar de Thalia transbordava superioridade, os de Luke, reprovação. Luke fez um gesto para o anunciante para que ele dispensasse o ato de dizer seus nomes.

Virei-me para frente mais uma vez.

– Luke? – Minha voz confiante e autoritária.

Não houve uma resposta imediata. Ouvi quando Luke tirou a 9mm do colete e disparou. De soslaio vi o corpo do anunciante cair no chão, o sangue se espalhando rapidamente, deslizando pela escadaria. Agora a atenção de todos estava voltada para mim, os olhos do meu pai me seguiam com breve satisfação.

Olhei para Jason mais uma vez antes de começar a descer as escadas, ele evitava olhar para o corpo. Chegamos ao fim da escadaria e as pessoas começaram a se afastar, os conhecidos assentiam com a cabeça, as mulheres não se esqueciam da reverência.

Afinal, era com linhagem azul que estavam lidando.

Um círculo espaçado se formou à minha volta e esperei que Thalia e Luke se posicionassem. Ambos olhavam lealmente para mim, como sempre o fizeram. Não pude evitar sorrir.

– Boa noite a todos. – Falei alto o suficiente para o som reverberar pelo salão. Meu sorriso se alargou. – Mas... Por que pararam a música?

Thalia sorriu para mim e eu me lembrei de seu rosto quando ela acertava seus alvos. Então Luke a puxou em posição de valsa e a orquestra recomeçou. Puxei Jason para mais perto observando as poucas pessoas que continuavam estáticas, enquanto as demais já sorriam e dançavam, esse prazer só concedido aos de dentro e aos que já não frequentavam nossos bailes pela primeira vez.

Eu sorri para Jason e ele me puxou no ritmo da música.

***Notas Finais: Desculpem a droga do spoiler do último capítulo que não se concretizou mas eu escrevi duas vezes e achei essa muito melhor. Considerem-no um spoiler para o próx. capítulo, por favor.

Por favor comentem! Até semana que vem.

~nolita