Aqueles olhos verdes, que antes tinham um brilho intenso, agora eram foscos, seus lábios finos e vermelhos abriam gradativamente, seu cabelo vermelho e volumoso caindo e modelando seu rosto simétrico refletido pelo espelho que aqueles globos esverdeados olhavam com tanta euforia, esperando uma comunicação com a única pessoa que Zelena achava que se importava com ela. Suas mãos seguravam firmemente aquele objeto e liberavam calmamente uma pequena corrente de magia.

— Estou aqui minha pequena, queria falar comigo? – Aquela voz rouca ecoou por aquele cômodo em que a ruiva se encontrava, naquela casa da floresta em que ela se permitiu abrigar.

— Eu estou perdida. – Ela confessou por fim, ouvindo aquela voz masculina suspirar do outro lado do espelho, seus olhos um pouco chorosos não se afastava um segundo sequer daquele reflexo. – Não sei o que está acontecendo, eu estava tão certa de que isso era o que eu queria. – Seu tom era fraco, confuso. – E agora parece que nada se encaixa.

— Minha garota, eu lhe disse há muito tempo quando me contou o que pretendia fazer que não valesse a pena. – Com um tom carinhoso, porém rígido ele sibila cada palavra com uma perfeita dicção torcendo internamente para que a ruiva o entendesse. – Regina não tem culpa de nada.

— Sim ela tem! – Falou firme, rude, ríspida. – Ela tem e teve tudo o que um dia eu quis na vida e não dá um pingo de valor a isso.

— Não minha menina, Regina não dá a mínima para isso – Ele confirmou o que a mesma disse. – E você sabe o porquê? Porque aquela vida de Rainha que ela levava na Floresta Encantada não era nada do que ela queria, isso foi tudo articulação da mãe de vocês. Cora simplesmente a forçou a ser tudo aquilo que ela não era, se ela pudesse escolher nunca escolheria ter aquela vida. Você e sua irmã têm muito mais em comum do que vocês imaginam ambas buscam pela felicidade plena, mas você Zel você é muito mais que isso, você está simplesmente escolhendo o pior caminho para isso. – Ela não segurava as lágrimas que escorriam por seus olhos. – Você pode conseguir a sua felicidade sem tentar destruir a felicidade da única pessoa que restou da sua família.

— Não. – Ela foi rápida em responder, apesar da voz estar totalmente embargada pelo choro incessante. – Você também é minha família, talvez o único que se importa comigo.

— Talvez. – Ele ponderou. – Eu sou apenas seu guardião.

— Se Cora estivesse viva, eu a agradeceria pessoalmente por ela ter escolhido você para cuidar de mim. Foi à única coisa boa que ela fez por mim. – Ela sorriu fracamente.

— Minha menina, agora me fale o que você pretende? – Ele pediu calmamente tentando esconder o quanto aquela declaração um pouco torta de sua protegida mexeu com ele. – Você não é assim Zelena. Eu que acompanhei todo seu processo de crescimento naquela simplória fazendo, conseguia enxergar em você um enorme potencial, sabia o quanto você era, e ainda é muito poderosa. Porém criança, você acha certo usar isso para fazer o mal, tirar a felicidade de sua família quando a mesma não sabe de nada e não pode se defender?

— Eu.. Eu só quero ser feliz, quero encontrar o amor verdadeiro que a maioria anseia, mas Regina.. Ela.. – Fez uma pequena pausa tentando conter as lágrimas insistentes que se formavam em seus olhos. – Ela apenas teve isso e desperdiçou. Não consigo compreender como Regina, que era a Rainha tinha todo um reino que temia por ela, simplesmente lançou uma maldição e veio para esse mundo que nada pode oferecer a uma Rainha ou qualquer outro título de nobreza.

— Uma coisa que você tem que entender Zel é que o que Regina entende por felicidade pode não ser o que você julga por felicidade. Apesar de serem irmãs vocês duas são duas pessoas de opiniões diferentes, nada daquela vida luxuosa fazia da imponente Regina Mills feliz, ela queria mais que aquilo, ela queria um amor verdadeiro, uma família.

— E você acha que não quero isso? – Ela pergunta um pouco chateada por ele não saber que ela simplesmente quer o mesmo.

— Se você quer tanto uma família, porque está tentando destruir a felicidade da sua irmã?

Ela se calou diante daquela pergunta, afinal, ela estava em duvida de o porquê fizera aquilo. Há tanto tempo ela ansiava tirar tudo de Regina por ela simplesmente ter tudo o que um dia à ruiva sempre quis e agora ela estava ali, se ponderando, refletindo se aquilo que ela fizera estava trazendo felicidade a ela ou simplesmente destruindo um pouco de chance que ela tinha de ter sua irmã do seu lado. Aquilo tudo era passado. Zelena estava totalmente confusa, será que ela realmente queria destruir a felicidade de Regina?

— Eu não sei, estou confusa. – Ela suspirou, deixando que algumas lágrimas escorressem por suas bochechas e molhassem ali.

— Se quiser verdadeiramente corrigir seus erros eu posso lhe ajudar, porém apenas se quiser verdadeiramente, então tente refletir sobre isso e mais tarde se tiver sua resposta, me chame. – O mago guardião lhe deu um meio sorriso, e desapareceu.

Zelena via seu reflexo derrotado naquele espelho, respirou fundo depositou aquele espelho com certa raiva na bancada de onde estava sentada. Precisava pensar analisar tudo o que tem feito e balancear, ponderar se ainda vale a pena tirar Emma Swan de Regina Mills.

***

Várias portas eram dispostas naquele corredor. Cada porta continha a identificação para onde iria dar caso alguém as atravessasse. Mundos. Reinos. The World of Oz estava estampado em letras douradas em uma das portas, enquanto em outra continha Wonderland, e The Enchanted Forest também estava ali.

— O que fazes aqui meu garoto?

Uma voz ecoou por aquele corredor fazendo Henry assustar-se e procurar por todos os lados o dono daquela rouquidão masculina. Apesar de mostrar toda sua bravura indo atrás daquele objeto que o mesmo julgava mágico e que iria ajudar suas mães a encontrar a felicidade uma na outra, Henry sentiu sua espinha enrijecer e um frio sair do âmago e percorrer cada apêndice filiforme do seu corpo, fazendo-os arrepiar-se.

— Responda menino, em que posso ajuda-lo? – Novamente aquela voz se fez presente, e Henry desistiu de procurar o dono da mesma.

— Estou procurando um objeto. – Confessou ainda receoso.

— E que objeto seria esse?

— Porque eu deveria confiar em você? Eu nem ao mesmo sei quem você é, ou o que você é, nem ao menos sei onde estou, nem o que é isso aqui. – Sua voz se elevou um pouco, não queria ser mal educado, porém não conhecia aquele lugar e nem a figura por trás como deveria dizer o que faria ali, afinal, era algo precioso e importante.

— Válido meu garoto. Você é muito esperto Henry. – Se pudéssemos ver o rosto por detrás daquela voz, diríamos que ele estava sorrindo. – Deixe-me esclarecer algumas coisas, sobre o que é esse lugar. – Um suspiro foi-se ouvido.

— Como sabe meu nome? – Adiantou o garoto.

— Acalme-se meu rapaz, responderei todas as suas dúvidas assim que eu terminar de lhe contar minha história.

— Tudo bem, continue.

— Para que eu continue, preciso que abra e entre na única porta que não tem um destino já traçado, você entrará em um grande salão.

Ainda que desconfiado daquela voz, Henry sabia que assim que decidiu procurar pelo anel, faria de tudo para que o recuperasse. Andou vagarosamente, colando seus olhos em tudo que fosse suspeito, reparava em cada pequeno detalhe disposto naquele enorme corredor. Finalmente avistou a porta do qual a voz lhe indicara. A centímetros de distância da mesma elevou seus pequenos dedos pálidos e trêmulos a maçaneta e refletiu consigo mesmo se aquela opção era a mais viável.

— Não tenha medo campeão! Não lhe farei mal algum e essa porta não o levará exatamente há lugar nenhum.

Henry ouviu atentamente, e inspirou profundamente levando todo oxigênio que conseguia para seus pulmões esperando que isso lhe desse alguma coragem. Girou aquela maçaneta dourada e exatamente como lhe foi dito, a porta revelou um salão enorme. Henry teve a pequena sensação de que aquele lugar lhe era familiar, lembrou-se vagamente de seu sonho, e do salão onde Mary organizou o baile, a única diferença era que a decoração que o garoto estava olhando agora era toda trabalhada no dourado. Era simplesmente tudo dourado, Henry encantou-se.

— Aproxime-se do grande espelho no canto direito Henry, preciso mostrar-lhe algumas coisas.

O garoto obedeceu, aproximou-se do que achou que fosse um espelho, pois o monumento estava coberto por um enorme pano branco, que Henry puxou calmamente, revelando aquele espelho incrível.

— Você sabe que tem o coração do verdadeiro crédulo não é garoto? – O mago lhe pergunta, e Henry rapidamente reponde que sim. – E você sabe a importância disso?

— Todo mundo gosta de me falar isso, mas sinto que ter esse coração não seja tão bom como ter magia. – Ele falou cabisbaixo.

— Nunca mais diga isso Henry, seu dom é bem mais poderoso que toda a magia de todos os reinos que você conhece. – O garoto abriu rapidamente a boa em “o” demonstrando total surpresa. – E para recuperar o símbolo do verdadeiro amor de suas mães você vai precisar usar do seu dom.

— Mas.. – O garoto interrompeu-o, sua cabeça estava tão cheia de duvidas.

— Não Henry, não há um, mas, não há uma condição, você precisará confiar no seu coração tudo bem? Agora preciso que foque toda sua atenção para esse espelho, você pode fazer isso?

— Eu vou tentar. – Foi tudo o que o garoto disse.

O espelho então ganhou outra tonalidade e o reflexo do mesmo deu lugar a uma nuvem de fumaça, para logo em seguida aparecer um lindo bebê, sua pele era branca, alva, seus olhos os mais verdes que alguém já havia visto, seus cabelos era de tons acobreados, e o bebê sorria singelamente. Novamente aquela fumaça se fez presente e agora o que aparecia no espelho era uma linda garotinha, com cabelos ruivos e duas trancinhas, os mesmos olhos verdes reluzentes enquanto a pequeninha corria e brincava no quintal de uma casa humilde. Novamente aquela fumaça se fez presente e rapidamente se dissipou, revelando uma moça de aproximadamente 20 anos, cabelos compridos e lisos com cachos tímidos nas pontas, seus olhos verdes já não eram tão brilhantes e vivos assim, seus lábios tinham um tom rosado e suas roupas eram precárias demais, ela claramente discutia com alguém. Henry já foi capaz de reconhecer a identidade da mulher misteriosa, ela não sabia muito bem o que aquilo significava, mas estava prestando total atenção naquele espelho e na história que o mesmo estava lhe contando. E mais uma vez aquela fumaça dissipou a imagem anterior dando uma nova imagem ao espectador que tinha seus olhos focados no espelho, era uma linda mulher, suas roupas eram sexys e longas, vestidos justos e decotados. Seus olhos verdes já não eram tão verdes assim, eles alimentavam uma fúria que Henry não conseguia entender, e antes seus finos lábios rosados agora eram delineados do rosa mais forte que alguém poderia conhecer.

— Eu não entendo! – Henry pronunciou pouco depois que as imagens sumiram.

— O que você não entende garoto? – Aquela voz o perguntou.

— Como aquele lindo bebê se transformou na mulher que desejo o mal as pessoas que eu amo. – Ele falou pesaroso, suspirando entre as palavras. – E como eu irei recuperar o anel com isso tudo.

— Primeiramente Henry, deixe-me te explicar algumas coisas. – Fez uma pausa dramática. – O lindo bebê inocente nasceu em berço de ouro e foi abandonado, e ela sofreu. Ela sofreu muito, mas isso não justifica todo o mal que ela fez. A vida não foi legal com ela, do berço de ouro que ela nasceu, jogou-a em uma terra desconhecida e precária onde seus pais, aqueles que a cuidaram, esconderam dela sua origem e todo seu potencial. Certa vez ela me encontrou e foi aí que ela descobriu tudo o que ela era capaz e descobriu também sua origem, e ela apenas quis vingar-se de sua mãe menino, mas ela sabe que Regina Mills não teve escolha assim como ela. Porém nada disso justifica tudo de ruim que ela fez com sua mãe garoto, sua tia não é uma má pessoa, ela só quer uma família e um amor.

— Se ela quer isso, porque lançar uma maldição desse nível e magoar as duas pessoas que eu amo? Eu tenho certeza de que se ela tivesse conversado com minha mãe, sem intensão nenhuma de machuca-la fisicamente ou psicologicamente, minha mãe entenderia e daria a ela uma família.

— Talvez ela não entenda isso meu menino, talvez ela não entenda que tudo é mais simples do que imagina.

— Talvez não! – Henry era muito mais esperto e mais compreensivo do que qualquer garoto de sua idade. – Mas eu ainda não entendi como irei recuperar o anel da minha mãe e quebrar essa maldição.

— As coisas são simples Henry.

O mago falou e de repente um silêncio se fez presente. E uma densa nuvem de fumaça que Henry sabia muito bem ser magia se fez presente, revelando um homem alto e esguio, cabelos castanhos, juntamente com ela, Zelena estava lá, seus olhos um pouco vermelhos denunciando que a mesma havia chorado.

— Você precisa usar seu coração Henry, só assim recuperará o anel de sua mãe!

Notas finais
E então? Me deixem saber o que acharam!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.