I'm Not a Hero

5 Where is the hope in a world so cold?


Notas iniciais
Olá, seus gatosos! *-* Quero agradecer a todos os comentários; saibam que eu nunca abandonarei a fanfic, por mais que eu demore a postar, hehe. Gosto de finalizar as coisas que eu começo, e nunca faria tal desfeita com os leitores. Pois bem, também quero agradecer as recomendações que eu recebi!! Isabelle010, Lynn e ezedequias, seus lindos, deixa eu morder vocês. nhac/// Amei cada recomendação. sz Obrigada! Ah, pra ficar mais fácil pra vocês imaginarem os personagens... É assim que eu imagino as garotas aqui na fanfic: Ino: http://crepusculae.deviantart.com/art/85-344572545 Sakura: http://thefireofhonou.deviantart.com/art/Jonin-Sakura-373370599 (imagino o traje da Sakura assim, só que sem espada, calçando botas, com o cabelo curto e ela sem peitos oasioais) Tenten: http://pia-sama.deviantart.com/art/Commission-Future-Tenten-208205263 Neji e Shikamaru usam os coletes ninjas de Konoha e tal, com a diferença que a blusa que o Shika usa por baixo do colete é preta e a do Neji é branca, com o símbolo do clã Hyuuga nas mangas e na parte de trás do colete. O traje do resto dos personagens eu vou descrevendo ao decorrer da fic. :} Ah, sim, tem algo que eu queria chamar a atenção de vocês sobre. A leitora Lynn comentou que "O ser humano, seja ele como for, tem dentro de si o bem e o mal. Ele vai ser bom em alguma hora de sua vida e mal em outra.", e ela está correta. Eu vou explorar muito esse ponto aqui na fic. Numa guerra, por exemplo, vocês acham que tem o lado bom e o lado mau? Não; porque são coisas muito relativas. Pessoas morrem dos dois lados, sofrem dos dois lados. Aqui, não vai existir alguém inteiramente bom, nem inteiramente mau (talvez só o Masao. -q). Os personagens vão fazer escolhas certas e erradas em algum ponto, e não os condenem por isso, porque eu quis fazê-los bem humanos. E o ser humano não é perfeito, não é? Tradução do título: "Onde está a esperança em um mundo tão frio?" É de uma música da banda Red. Decidi colocar tal título porque ele é bem sugestivo quanto aos capítulos que estão por vir... hoho. adoro/ Boa leitura~ XD

"Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão." Voltaire.



Outro corte, agora no rosto, mais profundo e grosseiro que os outros, porque estava ficando impaciente.

O grito que se seguiu poderia ser ouvido a quilômetros de distância. Era agoniado, tenso e doloroso de se ouvir para qualquer um. Eles, no entanto, apenas ignoraram. Já estavam tão acostumados a tais gritos... Aos gritos suplicantes para que as ignóbeis vidas fossem poupadas, nem que isso custasse a vida de seus companheiros, nem que isso custasse sua pequena honra.

— Por favor... — chorou o homem. — Por favor, não me matem... Eu digo! Eu falo tudo! Mas por... por favor...

Naruto desprezava aquele momento mais que tudo: o momento onde eles suplicavam. Desprezava o fato de que, na hora da morte, o ser mais nobre se tornava o mais desprezível. Perguntava-se o porquê de eles quererem tanto agarrar-se a uma existência miserável e dolorosa. Perguntava-se pelo que eles viviam.

— Ah, sim, é claro que você vai falar. — disse de modo arrastado antes de sorrir cinicamente. — Vai entregar tudo o que sabe? Todos os planos que ouviu?

— Sim! — o homem gritou; um brilho de esperança cintilando em seus olhos. O sorriso de Naruto aumentou, mesmo que não houvesse humor por trás.

— Quão desprezível você é... — murmurou de modo simples. — Comece.

Sasuke, lá em cima, sentado em cima de um galho com as costas contra o tronco, apenas observava. Porém não analisava o ninja, que tremia e chorava como uma barata prestes a ser pisada; observava Naruto. Os olhos vermelhos estavam ficando cada vez mais escuros... mais negros. Aquilo não era um bom sinal.

Esperou, apenas esperou, pelo momento em que teria que intervir.

— O Hokage...

— Masao não é Hokage. — o Uzumaki interrompeu-o, falando com indiferença. — Um Kage só é tornado oficial quando tem a aprovação da população. Imagino que o idiota não tenha tal coisa, não é?

O guarda, que fazia parte do exército de Masao, ficou em silêncio. Ele estava junto de outro grupo, indo atrás da Hyuuga fugitiva, mas acabou se afastando e então se encontrou com aqueles ninjas... Ninjas? Não. O cara em cima da árvore tinha o olhar mais frio que já poderia ter visto em alguém, e quando olhou diretamente para o guarda, o último sentiu tudo dentro de si gelar em puro medo.

E o ninja a sua frente... Ele havia lhe feito cortes em todo o corpo, e para cada grito que soltava, o loiro apenas revirava os olhos, primeiramente azuis, depois vermelhos... e agora, eles estavam ficando escuros. Muito escuros. Negros.

Ele não era nenhum ninja. Ele era um monstro. Podia saber, podia sentir só de olhar em seus olhos. Ele lhe mataria em um segundo, sem nenhum arrependimento, remorso; sem pensar duas vezes.

— Eu não estou ouvindo sua voz. — Naruto comentou aborrecido.

Temendo a fúria dele, pôs-se a falar:

— M-Masao pretende começar a quinta guerra...

Sasuke arqueou as sobrancelhas, e ele e Naruto trocaram olhares.

— Com qual exército? — foi o Uchiha que perguntou. — Ele tem, no máximo, cem homens. Muito fracos, pelo visto. — debochou olhando para o ninja.

— Ele é poderoso! — contestou. — Muito, muito poderoso! Nem mesmo eu sei a dimensão de seus poderes, m-mas ele... — balançou a cabeça, como se estivesse tendo alguma lembrança muito horrível. — E também há muitos ninjas poderosos ao comando dele. Eles fazem parte do exército pessoal dele. Vocês não podem contra Masao. Ele vai esmagá-los sem ao menos suar.

Um sorriso arrogante se fez presente nos lábios de Naruto.

— Você também não sabe a dimensão de nossos poderes. Agora, seria ótimo se ao invés de nos dar conselhos, você dissesse o que sabe sobre o ataque da Kyuubi, não acha?

— Eu não morava na vila essa época. — engoliu em seco. — Eu só ouvi rumores, fofocas... Nada confirmado... Eu nem sei ao certo...

O guarda do Shimura interrompeu-se ao ver que uma minúscula esfera de chackra começava a formar-se em cima do dedo indicador de Naruto. O loiro o encarou. Havia aperfeiçoado o Mini Rasenshuriken e agora já não precisava mais do chackra da Kurama para fazê-lo; seu poder ofensivo também tinha sido bastante aumentado.

— Se você não começar a falar tudo o que sabe, eu vou jogar isso em você. A esfera cortará seu corpo como se fosse gelatina e o estraçalhará em dois segundos. — deu um sorriso sádico, enquanto Sasuke via seus olhos ficarem totalmente negros. Ele já está se tornando parte dele, foi seu pensamento preocupado, mesmo que nunca demonstrasse nada. — Que tal pular pra parte que eu quero ouvir?

— S-sim, senhor, por favor, tenha misericórdia, contarei tudo...

Naruto novamente desprezou cada palavra, e outra vez, pegou-se perguntando por que o homem se agarrava tanto àquela vida miserável. Pelo que ele lutava? Pelo que ele vivia? E então estreitou os olhos, a pergunta que mais temia e evitava fazer-se se fez presente em sua mente: pelo que ele próprio vivia?

“Se você não tem motivo para estar vivo, é o mesmo que estar morto”, as palavras distantes de um velho amigo seu ecoaram por sua mente. Ainda seria meu amigo se visse o que eu me tornei, Gaara?

•••

— Entre. — ordenou quando ouviu alguém bater na porta. Não se virou para ver quem era, mas sabia que era Temari. Podia sentir sua preocupação; era quase palpável. — Ela dormiu?

— Desmaiar seria o termo correto... Não sei como a garota aguentou tanto tempo em pé. — soltou um suspiro. — Gaara, você... O que você vai fazer?

Ele não mudou sua expressão, mas seus olhos tremeram enquanto observava o céu pela janela. Ele também se perguntava aquilo.

A Hyuuga lhe explicara tudo, todas as crueldades, toda a maldade do tal novo Hokage. As mortes, torturas, a miséria, a desesperança. Só de ouvir era agonizante. Perguntava-se por que não tinha notado antes. Era certo de que não confiava no novo Hokage desde que o vira pela primeira vez, na primeira reunião de kages após a morte de Tsunade. Ele tinha olhos de quem tinha sede de sangue e Gaara sabia tão bem daquilo, porque ele próprio já tivera tais olhos uma vez. No entanto, resolveu ignorar sua desconfiança, porque imaginou estar sendo apenas implicante.

Tsunade não deveria ter morrido e, mesmo assim, o Rokudaime deveria ter sido Naruto... Mas não se tinha notícias de Uzumaki Naruto há três anos. Era como se ele tivesse simplesmente se apagado do mundo.

E Gaara mais de uma vez perguntou-se se Naruto de alguma forma sabia e se ele ainda se importava. Se ele ainda fosse o mesmo de anos atrás, ele com certeza ainda se preocuparia... Mas o Kazekage sabia que o Uzumaki não seria mais o mesmo se, de alguma forma, estivesse vivo e vagando por aí. A solidão muda as pessoas. O sentimento de abandono... oh, era o mais terrível sentimento que alguém poderia ter.

— Gaara?

Saindo de seus pensamentos, percebeu que ainda não havia respondido à irmã. Virou-se para encará-la e viu seus olhos ansiosos e determinados. Os olhos de quem obedeceria qualquer ordem que lhe impusesse, mas se não concordasse, lutaria para tentar fazê-lo mudar de opinião.

Ele nunca imaginou que teria que passar por aquilo de novo. Hinata falara e falara e falara e tudo o que se repetia em sua mente era guerra. Por que, é claro, como poderia ajudar Konoha sem declarar guerra à Konoha? Apertou a base do nariz, sentindo-se de repente muito cansado.

— Reúna duzentos dos meus melhores ninjas. — sua voz trovejou, não demonstrando todas as incertezas que ele tinha no fundo de sua mente. Não podia levar mais shinobis do que aquilo. Suna sempre fora a menor das vilas, com a menor população, e a guerra havia lhe levado muitos ninjas. Ainda precisava manter a segurança da vila caso qualquer coisa a ameaçasse. — Mande pergaminhos avisando a situação para os outros kages. Se eles decidirem participar, será por conta deles.

Temari curvou-se em sinal de respeito.

— Mandarei ajeitar tudo. Quando partiremos?

— Você fica.

Ela arregalou os olhos e endireitou-se ao perceber o que aquilo significava.

— O quê? — gritou furiosa. — Você não pode...

— Baixe seu tom, Temari. Ainda sou seu Kazekage. — ela calou-se, mesmo que a contragosto. — Eu irei também e eu preciso de alguém de minha confiança para liderar a vila enquanto eu estou fora.

— Mas...

— É perigoso demais — cortou. —, e você é uma de minhas melhores ninjas, você tem que ficar. Temari, você está me entendendo? Caso algo aconteça à vila ou a mim... Você ficará na liderança. Suna está em suas mãos.

A loira apertava os lábios em revolta, os olhos cravados no chão. Por fim, soltou um suspiro baixo e assentiu.

— Sim, Kazekage-sama. Com sua licença. — curvou-se novamente antes de sair da sala.

Gaara suspirou quando ela saiu e sentou-se em sua cadeira. Temari era justa demais. Queria lutar e vencer e poder livrar Konoha de toda aquela injustiça, tanto quanto ele queria, mas ela não podia entendê-lo. Não podia entender que ele não queria correr o risco, por menor que fosse, de perder outro irmão. Kankurou se fora na última guerra; ele não queria perder sua única família restante naquela que estava prestes a travar também.

Ouviu novamente algumas batidas na porta. Com a mente distante, ele mandou a pessoa entrar. Saiu de seus pensamentos ao ouvir o suave som da porta sendo fechada. Quando percebeu, a pessoa já estava atrás de si.

— Gaara-sensei... — sentiu o murmúrio quente ao ouvido. — Você está tenso... Precisa relaxar mais...

Ele suspirou.

— Matsuri, o que faz aqui?

A garota pousou as mãos em seus ombros, começando a massageá-los. Ela tinha um ponto; ele estava mesmo tenso demais.

— Fiquei preocupada. — disse sinceramente. — Vi que Temari-san estava reunindo homens para uma luta. O que está acontecendo, sensei?

Ele ignorou a pergunta, virando a cadeira para observá-la de frente. Matsuri ainda era muito nova, com seus dezoito anos e seu rosto infantil, e, no entanto, ao olhar para ele, seu sorriso não poderia ser menos que malicioso.

— O que realmente veio fazer aqui, Matsuri?

Ela mordeu os lábios e então se sentou em seu colo. Gaara desviou os olhos, as mãos firmes nos braços da cadeira.

— Senti saudade. — ela disse em uma voz baixa, brincando com o tecido do manto dele. — Faz muito tempo que não o vejo, sensei.

Ela inclinou-se para beijá-lo, mas Gaara desviou o rosto.

— Saia.

— Gaara-sensei! — ela lhe olhou, desolada. Há semanas ele a ignorava, e aquilo já passara dos limites para sua paciência. — Pare de me evitar! Eu o a...

— Você é só uma criança. — interrompeu-a, não querendo ouvir tais palavras. Não a amava e não queria magoá-la, mas ela continuaria sonhando se não o fizesse. Pegou-a pelos braços, tirando-a de seu colo e levantando da cadeira também. — Foi um erro o que aconteceu entre nós, e não tornará a se repetir. Peço desculpas, Matsuri, mas você deve se retirar. Agora.

Ela livrou-se do aperto em seus braços, encarando-o magoada, o que a fazia parecer ainda mais jovem. A culpa se fez presente no peito de Gaara e ele suspirou, limpando as lágrimas da garota.

— Você não me ama. — disse tentando ser gentil, coisa que sabia estar falhando terrivelmente. — Você só está deslumbrada demais comigo porque fui seu primeiro. — ela balançou a cabeça, negando as palavras, mas ele prosseguiu. — Você é nova, Matsuri, e encontrará alguém que te ame como você merece. Mas esse alguém não sou eu.

Ela mordeu os lábios, dessa vez tentando conter os soluços que queriam lhe escapar.

— E-estou saindo. — curvou-se. — Com sua licença, Kazekage-sama.

E correu para fora. O ruivo soltou um suspiro exasperado, tornando a sentar-se. Cometera um erro ao envolver-se com a aluna, sabia, mas a garota sempre fora deslumbrada por ele, ficando cada vez mais ousada nos últimos tempos, e chegou o momento em que ele não aguentou mais e sucumbiu ao pecado que Matsuri era. Sentiu desprezo por si mesmo. Mal conseguia comandar a própria vida, então como conseguiria continuar a liderar a vila em direção a uma guerra — contra um inimigo de poderes desconhecidos — de novo?

•••

Debatia-se na cama do quarto de hóspedes que lhe fora oferecido, como se aquilo pudesse livrá-la do pesadelo. Não livrou.

No sonho, Shino a chamava para se aproximar. Hinata tentou andar até ele, mas a cada passo que dava parecia que apenas se distanciava ainda mais. “Por que está se afastando, Hinata?” ele lhe perguntou. Sua mão estava estendida, e Hinata tentou pegá-la, mas não podia. Ela tentou gritar que não conseguia aproximar-se, mas não tinha voz, e ele ia cada vez mais se afastando, até o momento em que alguém surgiu atrás de Shino e o atacou por trás. Seu corpo caiu no chão, imóvel, e Hinata já estava longe demais, até o ponto em que a visão dele simplesmente desapareceu.

Então Kurenai surgiu.

Ela lhe deu um sorriso, aquele seu sorriso caloroso e maternal que dava quando Hinata ia conversar e pedir conselhos. Em seus braços, o pequeno fruto de seu amor com Asuma. O bebê riu para ela, mas logo o riso transformou-se em choro e Kurenai já não mais sorria. Os guardas de Masao estavam a sua frente. “Você desobedeceu às leis e deve pagar por isso”, eles diziam em uma voz monótona, quase automática, como robôs. “Pare” ela gritava, em uma voz desesperada, com as lágrimas enchendo seus olhos enquanto um deles pegava seu filho. “Pare! Não toque nele! Não toque-”, mas já era tarde e o bebê já nem ria nem chorava, o peito perfurado pela kunai. Então Kurenai também não gritava nem chorava mais, o sangue jorrando do corte feito em sua garganta, tão rubro quanto à cor de seus olhos.

E Hinata não pôde fazer nada a não ser observar a imagem desvanecer-se e flashes começarem a passar em sua cabeça. Hanabi, seu pai, seu clã, o sangue deles lhe manchando suas roupas como se tivesse sido ela a matá-los.

As imagens pararam subitamente.

Dessa vez, era Kiba que sorria e lhe estendia a mão, daquele jeito amigável que sempre lhe agradou. “Está tudo bem, Hinata?”, ela não conseguiu responder, mas conseguiu segurar sua mão, agarrando-se fortemente a ela, com medo de que ele se desvanecesse também. O sorriso de Kiba alargou-se, seus caninos à mostra, Akamaru ao seu lado lambendo a outra mão de Hinata... até que a cabeça de Akamaru rolou para longe, o sangue respingando na face da Hyuuga enquanto ela sequer podia gritar; apenas afastar-se em puro horror, o grito entalado na garganta. Sua mão desprendeu-se da de Kiba e tão logo a cabeça deste também foi rudemente cortada, antes de rolar para onde a cabeça de seu cachorro jazia; seu corpo caindo, caindo e caindo... como havia caído após o ataque da Kyuubi, na luta contra o, na época, recém auto declarado Hokage. A mesma maldita cena. A mesma maldita morte.

Dor. Gritos. Gritos. Desespero. Gritos. Sangue. Então a imagem daquela kunoichi sendo estuprada, sem chance de defesa, sem chance de escape, se fez presente na mente da Hyuuga. Hinata não sabia dizer se quem gritava era ela ou a garota, mas os gritos lhe penetraram os ouvidos, fazendo-a levantar as mãos até eles, não querendo ouvir aquilo. “Salve-me”, era a garota quem gritava, e Hinata apenas balançava a cabeça, querendo apenas que aquilo parasse. Culpa parecia consumir cada célula de seu corpo. “Por favor, salve-me! Por favor! Eu lhe suplico. Ajude-me! Por que não me ajuda? Salve-me! SALVE-ME!”.

Mas Hinata não se moveu. Não a salvou no sonho, como não a salvara na realidade.

Então os gritos e súplicas pararam subitamente. Ficou tudo silencioso demais, e ela atreveu-se a abrir os olhos. A garota estava a sua frente, machucada, triste, imóvel, sêmen escorrendo por suas pernas e manchando sua pele branca, agora marcada. Ela ainda conseguiu mover seus olhos até Hinata. “Por que você não me salvou?”, foi sua última pergunta, em uma voz fraca, antes do brilho de seus olhos perderem-se de vez e a escuridão engolir tanto ela quanto Hinata.

Quando sentia que ter o coração perfurado doeria menos do que tudo aquilo, Naruto apareceu. Dessa vez, porém, não foi ele quem falou, mas sim ela. As palavras lhe escaparam sem nem perceber: “eu amo você”, lhe gritou, mesmo não querendo, mesmo não sabendo por que estava falando aquilo. Naruto a encarou por um momento antes de dar-lhe as costas e caminhar para longe. “Espere!” ela gritou novamente, sem controle sobre a língua. “Eu amo você”.

Ele parou e virou-se para ela, a expressão vazia quando rebateu “então por que deixou que eles me culpassem? Por que deixou que eu fosse embora?”.

A Hyuuga não respondeu, apenas ficou lá, atônita, paralisada, enquanto Naruto novamente caminhava para longe, do mesmo jeito que acontecera quando Tsunade o expulsara de sua vila e de seu país.

Tentou gritar para ele parar, mas antes disso acontecer, ele próprio empacou quando uma espada atravessou seu corpo. Gotas de seu sangue pingaram da ponta da espada até o chão. Ele ainda teve forças para virar seus olhos mortos para ela. “Se me ama tanto, por que deixou que me matassem?”, disse em um último suspiro, antes de a espada retirar-se de si e seu corpo também ir ao chão. E, atrás dele, com a espada fina e longa — a mesma que matara Shino e Kiba, a mesma cujo dono estava por trás de todas as outras mortes — era a vez de Masao lhe sorrir.

Ela acordou subitamente com as batidas à sua porta. Seu corpo inteiro tremia e ela sufocou um grito de agonia. Levantou-se da cama, correndo, mas não foi para abrir a porta. Correu para o banheiro, onde se ajoelhou diante do vaso sanitário e pôs tudo o que havia comido mais cedo para fora, como se aquilo pudesse fazer as imagens pararem de se repetir em sua mente, outra e mais outra vez.

De tanto vomitar, já podia sentir o gosto de sangue proveniente da garganta machucada, e mesmo assim não conseguia parar, a culpa e a dor lhe apertando o estômago e a garganta. Quando pensou que iria sufocar, sentiu seus cabelos sendo segurados gentilmente.

Quando já não havia mais nada no estômago, ela permitiu-se chorar; suas lágrimas misturando-se ao sangue e ao vômito. Não se importou em demonstrar sua fraqueza perante Temari, que lhe olhava gentilmente; não se importou naquele momento com os ensinamentos de seu pai, de que “Hyuugas não choram perante ninguém, porque chorar é sinônimo de fraqueza e Hyuugas não são fracos”. Não se importava mais. Estava tão cansada de ser forte! Vinha sendo forte há três anos, vendo todos aqueles a quem amava serem mortos, um por um. E ela continuava ali, viva. Por que ela estava viva e eles não? Por que ela?

— Está tudo bem. — Temari lhe disse, e Hinata não se importou por ela ser praticamente uma desconhecida. Ela estava lhe oferecendo consolo e era tudo de que precisava naquele momento. Ela lhe encostou a cabeça em seu ombro e acariciou seus cabelos. — Está tudo bem. — repetiu, mas nada estava bem. Nada nunca ficaria bem, porque estavam todos mortos e ela continuava ali.

Por que eles e não eu?

— Estão todos mortos... — ela disse em um sussurro estrangulado, as palavras custando a lhe sair. — E eu não fiz nada para impedir. Eu poderia ter feito alguma coisa... eu poderia... — ela soluçou, seu pensamento voando desde Hanabi até a garota da floresta, clamando pelo socorro que ela poderia ter dado e não deu. O pensamento de que ela era exatamente igual a Masao lhe enojou tanto que se afastou de Temari e tornou a vomitar, mesmo que já não tivesse mais nada para ser posto para fora.

Por que eles e não eu?

— Por favor... — ela implorou quando a ânsia parou; sua cabeça rodando, as lágrimas ainda lhe encharcando o rosto. Temari não lhe encarava com pena, mas com cumplicidade, e foi a única coisa que lhe deu coragem para prosseguir. — Por favor, ajude Konoha. — sua mente foi invadida pela imagem de Neji e seus amigos; eles ainda estavam vivos... ou assim ela esperava. Por favor. — Foi tudo o que me restou.

•••

Ela acordou com um resfôlego, assustada, o coração acelerado como se ainda estivesse naquela miserável sala, sendo torturada cruelmente. Quando abriu os olhos, a primeira coisa que avistou foi Ino. Ela parecia exausta; havia pingos de suor rolando pela lateral de sua face, e sua respiração estava pesada.

— Finalmente. — ela murmurou com um suspiro aliviado. — Faz tempo que tento te acordar. Cheguei a pensar... bem, enfim. Que bom que acordou!

— Ino-chan, o que houve? — Tenten olhou em volta, sabendo, embora seu raciocínio ainda estivesse lento, que havia algo errado. Estavam na floresta. — O que fazemos aqui? Como me tirou de lá? Onde estão os outros?

— Uma pergunta por vez, Tenten. — a Yamanaka esfregou os olhos cansados. Havia gastado muito chackra curando a garota, Neji e Sakura. — Eu e Konohamaru conseguimos invadir a Sala de Tortura, e com a ajuda de Shikamaru, que já tinha um plano antes, conseguimos tirar vocês de lá. Curei Neji e Sakura, mas você deu mais trabalho, então vim para a floresta e te curei aqui, para não ficar no meio da batalha e...

— Batalha? — a morena ergueu-se abruptamente, olhando assustada para a amiga. — Por Kami, que batalha?

— Se você me deixasse explicar, seria ótimo! — repreendeu-a, levantando-se também. Tenten calou-se, enquanto Ino tirava a grama das roupas. — Muito melhor assim. Shikamaru vem planejando algo há tempos, você sabe, ele é um preguiçoso, mas continua sendo um gênio. Ele planeja fazer uma rebelião. — antes que Tenten dissesse algo, agitada, Ino continuou apressadamente: — Há anos ele vem plantando a semente da esperança entre os habitantes de Konoha. Sabe, dando algo pelo qual eles poderiam lutar e viver. Ele até treinou secretamente alguns habitantes que não eram ninjas, e escondeu isso de todos nós, porque tudo tinha que ser o mais discreto possível. Ele está reunindo aqueles que ele treinou nesse exato momento, e todo o resto da população de Konoha que ele tem certeza de que gostaria de fazer algo. Os que são idiotas ou covardes demais para não se mobilizarem... bem, não há nada que possamos fazer sobre eles.

Tenten alisou a testa, percebendo-a pegajosa de suor.

— E o que essa rebelião nos traria? — perguntou, abalada. — Não sabemos a dimensão dos poderes de Masao, não exatamente, mas ele matou uns dos melhores ninjas naquela época em que pegou o posto de Hokage e todos nós sabemos que não temos chance alguma contra ele, e ainda tem aquele exército secreto dele que ninguém nunca viu e...

— Tenten — Ino pôs as mãos em seus ombros. —, respira.

A morena fez o que lhe foi pedido e então a amiga prosseguiu:

— A rebelião é apenas um pretexto. — expôs, muito baixo, com medo de que até mesmo as árvores tivessem ouvidos. — É apenas para ganhar tempo até Suna chegar até aqui, e, deuses, que Suna venha e que venha logo. — soltou um suspiro pesado, e só naquela hora Tenten percebeu o quanto ela também estava preocupada. — Nossos ninjas são poucos, e mesmo os treinados por Shikamaru ainda não são muitos e nem tão habilidosos. Estamos em total desvantagem.

— Então por quê...

— Porque é a única coisa que podemos fazer! — seus olhos azuis estavam muito determinados, muito diferente dos olhos tristes que Tenten via há três anos. — Sakura curará os feridos e ajudará na batalha ao mesmo tempo, a força dela será importante. Shikamaru tem um monte de estratégias de luta, e o Kagemane dele foi muito melhorado. Neji — os olhos da morena tremeram, muito mais preocupados. Ino lhe deu um sorriso solidário. —, Neji é forte. Ele também é chamado de gênio, não é?

Sim, ele era, mas seu coração não podia evitar falhar algumas batidas ao pensar nele gravemente ferido ou, ou até...

Lee e Gai já haviam ido embora. Neji, seu melhor amigo, seu antigo companheiro de time, um dos ninjas que ela mais admirava, seu primeiro e único amor... só o pensamento de perdê-lo lhe deixava um gosto amargo na boca.

— Tenten, preste atenção. Você não pode se preocupar com Neji o tempo todo. Você, mais do que ninguém, sabe o quanto ele é forte. Concentre-se na batalha e nos inimigos. Seu ataque é de longa distância e sua mira é perfeita, então você poderá atingir vários inimigos de uma só vez. Você também é crucial nessa luta, Tenten. — ela finalmente largou seus ombros. — Nascemos e crescemos aqui, é nossa vila. É nossa Konoha. Temos que lutar por ela.

Tenten deu um aceno muito sério, a postura totalmente mudada.

— Eu sei, Ino-chan. Com certeza farei meu melhor! Vamos acabar com esses idiotas.

A Yamanaka lhe deu um aceno positivo, com um sorriso.

— Agora, preste atenção. Shika compartilhou algumas ideias comigo. Quando a luta começar, preciso que me dê cobertura.

— O que vocês pretendem? — perguntou curiosa.

— Você sabe para o que meu Shintenshin no Jutsu é originalmente usado, certo?

— Sim, claro, pra recolher informaç... — ela parou, entendendo tudo. Ino lhe sorriu de novo.

— Precisamos de toda informação que pudermos recolher, principalmente sobre Masao. Deve ajudar em algo, pelo menos... Agora vamos — disse apontando o caminho com a cabeça. — que a batalha só está começando...

[...]

Suna podia ser o inferno de dia, mas suas noites eram gélidas. Seu manto esvoaçava com o vento que soprava fortemente, levantando areia e sussurrando noite a fora. Encarou os duzentos ninjas a sua frente, as mãos atrás das costas, a expressão dura, ocultando todos os sentimentos conflitantes dentro de si. Então, depois de respirar fundo, Gaara começou, sob os ouvidos atentos dos shinobis:

— Konoha, assim como todas as outras vilas, é nossa aliada. Lutaremos por ela como se fosse nossa própria pátria. Ajudaremos seus habitantes como se fossem nossos próprios companheiros de vila. O mundo shinobi é um só, e como um só, ele deve se ajudar, a fim de manter a paz cujo custo foi alto e seu tempo curto demais para se arriscar agora. Há uma ameaça pairando sob Konoha e, se permitirmos, ela logo se arrastará até as outras vilas e a paz pela qual eu e muitos de vocês lutamos, a paz pela qual tantos morreram, será acabada. — ele pausou, e todos prendiam a respiração, esperando as próximas palavras, um silêncio crucial instalando-se no centro da vila, enquanto outros ninjas e habitantes que não participariam observavam a tudo, espalhados ao redor do Kazekage e seu batalhão. — Há duzentos ninjas aqui essa noite. Eu não sei quando essa batalha irá acabar, mas quando acabar — e que seja nosso lado o vencedor, pensou sombriamente. —, eu espero ter duzentos ninjas vivos. Estamos entendidos?

O silêncio foi quebrado pelos gritos e urros dos duzentos ninjas; alguns jogaram os punhos para o alto, em uma comemoração barulhenta, em uma promessa muda de que venceriam, enquanto os outros, aqueles que não participariam, torciam e riam junto.

Gaara gostaria, mas não conseguia partilhar de toda aquela animação. Por que tenho a impressão de que isso é o começo? Levantou as mãos, silenciando a todos.

— Vão! — disse em uma voz alta e firme, e todos pularam e dividiram-se do modo estratégico que ele e os conselheiros haviam discutido mais cedo. Os duzentos ninjas dirigiam-se a Konoha. Um grupo menor se infiltraria na floresta, lutaria com os ninjas que a guardavam e abririam caminho para os outros grupos. Estava prestes a acompanhá-los, quando Hyuuga Hinata pulou a sua frente.

— Por que não me chamou? — ela lhe perguntou em uma voz rápida e baixa, a respiração meio ofegante, como se tivesse corrido o caminho todo até ele. Ela parecia mais cansada do que quando havia chegado, no começo do dia.

— Hyuuga, você precisa descansar. Não será de ajuda emocionalmente instável do jeito que está.

Ela subiu os olhos para ele, e Gaara foi surpreendido com a frieza encontrada nestes. Era a mesma frieza que havia visto nos olhos de Hyuuga Neji, enquanto lutava com ela, em um Exame Chunnin que havia ocorrido muitos anos atrás. A frieza de um Hyuuga, percebeu.

— Eu sei o quanto está pondo em jogo apenas para ajudar Konoha, e não sabe o quanto eu agradeço por isso, Kazekage-sama. — ela começou com uma voz suave, muito embora seu olhar fosse duro. Olhos de quem precisa provar a si mesmo. Gaara quase sorriu com o pensamento. — Eu pedi sua ajuda, sim, mas o senhor não é meu líder, tampouco manda em mim. É a minha vila, e eu lutarei por ela mais do que qualquer outro.

Gaara a observou por um momento, sabendo que ela lhe lembrava um alguém de muito tempo atrás. Naruto, o que você acharia disso? Por fim, deu de ombros.

— Muito bem, então. Não quer se atrasar para salvar sua vila, quer?

•••

Ele acariciou o anel, tão bem guardado em seu dedo anelar. O número sete brilhava, incrustado no ouro. Olhou através da janela e divertiu-se com a visão. O caos se espalhava pela vila de modo rápido. Ele podia ouvir os urros de jutsus, de dor, de raiva, dali, do escritório do Hokage. Pensou que o cinco gostaria disso, então inclinou a cabeça para trás e gargalhou com o pensamento.

Podia ver as formiguinhas esmagando-se uma a uma dali, com forças tão inúteis, com esperanças tão vãs. Oh, pobres, pobres formiguinhas... Seus poderes sequer poderiam comparar-se aos dele. Não passavam de insetos, de miseráveis formigas que logo seriam esmagadas.

Pensou que talvez a Hyuuga trouxesse-lhe uma surpresa, algo maior, algo que talvez ele até pudesse se divertir destruindo. Esperaria por ela. A quem teria pedido ajuda? Viria sozinha? Ela retornaria ou seria fraca demais para fazê-lo? Sorriu sombriamente.

— Senhor? — ele moveu os olhos da janela para o guarda a frente de sua mesa, de olhos nervosos. Sempre ficavam nervosos ao seu redor. — O que faremos?

— O que mais fariam? — arqueou as sobrancelhas. — Lutem.

— Nossas forças estão se acabando rapidamente... Eles estão em menor quantidade, mas...

Masao revirou os olhos. Eles eram assim tão inúteis? Bem, talvez aquele grupo de ninjas, aqueles amiguinhos da Hyuuga valessem algo. Olhou para o monumento Hokage; ele não o tirara dali. Era para que os antigos kages pudessem ver o que acontecia a amada Konoha deles. Para que eles vissem como ela havia decaído. Seu rosto não estava lá esculpido; era muito mais poderoso do que aqueles fracos, sempre lutando pela paz, sempre do lado do bem... Estúpidos!

Pensou o que seu pai sentiria ao vê-lo naquele momento. Serei o deus de um novo mundo, enquanto meu pai foi apenas um idiota sua vida inteira. Sentiria orgulho de mim, pai, por fazer o que você nunca foi capaz? Sorriu novamente, agora com escárnio. Não. Seu pai nunca sentira orgulho dele. Era um bastardo, algo que havia nascido do fruto de uma noite qualquer com uma rameira qualquer, e nunca significara nada para Danzou quando vivo; tampouco agora que nada restava além do pó de seus ossos. Nunca precisei daquele tolo, de qualquer forma, pensou zombador, soltando outro sorriso.

Oh, estava rindo bastante, mas não podia evitar. Estava tão feliz. A hora finalmente havia chegado. A hora que eliminaria Konoha do mapa, e construiria uma nova vila. Uma muito mais poderosa, sombria, onde ele seria venerado como um rei... e logo, as outras quatro vilas seriam suas, também. O mundo shinobi seria seu.

Tombou a cabeça e gargalhou novamente, assustando o guarda, que ainda esperava por alguma resposta.

— Pare de ser covarde e lute! — disse para ele quando o riso cessou; seus olhos verdes brilhavam em um êxtase insano. — Vá!

O homem correu para fora, para o caos da vila. Masao fez um leve movimento com a mão direita, e então as nuvens negras que cobriam a lua afastaram-se, e ela brilhou esplendorosa, lá no alto. Mil estrelas brilhavam lá no céu.

Uma noite tão bonita, ele pensou, sorrindo sadicamente, para uma luta cujo final será tão triste... para eles. E que a guerra comece.

Notas finais
Opa, o que significa o número sete no anel do Masao? Quem é "o cinco"? Como Masao conseguiu fazer o tempo mudar só com uma mexida na mão? Mistérios... mas acho que quanto a última coisa, vocês já devem ter uma ideia... A coloração negra dos olhos do Naruto é outro mistério também, mas se você lê o mangá (aliás, vocês leram o dessa semana? pqp, debatam comigo sobre aquilo!) e tem uma boa memória, talvez você tenha uma ideia do que possa significar, também. Eu dou muitas dicas, gente, vocês só precisam prestar atenção e deixar a imaginação fluir. E esse 'exército pessoal' do Masao, serão os ninjas que o compõem fortes? Provavelmente. Nossos 'heróis' estão fodidos? Provavelmente. Suna está chegando... mas eles ainda vão demorar uns dois ou três dias por causa da distância entre as vilas. Como Konoha ficará nesse tempo? o_o Vocês verão logo, heh. No próximo capítulo (que provavelmente vai demorar, desculpem, mas estou cheia de obrigações ultimamente) as lutas começam! Me esforçarei ao máximo nelas, e espero que vocês gostem. Comentem, deem opiniões, digam o que acham que vai acontecer. Interajam comigo, gente! Besos.