I'm Not Okay
2 2 - Eu Realmente Sinto Sua Falta
Fui para a sala de aula com o Ray. Eu achava que meu dia não podia piorar, mas parece que eu havia me enganado. Uh, denovo. 1º aula: MATEMÁTICA. Era o que que havia escrito no horário daquela semana dos infernos. Aquela professora, Sra. Fudge, tinha eterna obsessão por números. Certo, ela ensinava matemática mas, cara, não deixavam de ser números. Cálculos. Lógica, etc e tal. Nada do que ela falava entrava na minha cabeça, até levei uma surra do meu pai, certa vez, por ter ficado em recuperação na matéria dela, e como se isso não fosse bastar, a vaca me reprovou. Foram as piores férias da minha vida. Fiquei de castigo os dois meses inteiros, com meu pai me obrigando a estudar tudo o que eu tinha dado no começo do ano.
Vi um lugar ótimo para sentar, lá no fundo, bem longe da mulher, que mais parecia uma tempestade de baba ambulante, mas havia esquecido: ela tinha recebido ordem para sempre me manter sempre na primeira fila.
- Mr. Iero, queira sentar-se aqui, por favor! -disse ela apontando-me uma cadeira que ficava em frente a sua mesinha. Levantei-me, tentando não tirar a visão do chão. Peguei minha mochila e me sentei na frente.
Fiquei a aula toda pensando na Jamia. Seu sorriso n saia da minha cabeça... Aquele rosto, aquele jeito que me deixava maluco. Eu não sabia mais o que fazer pra que ela me notasse. Fazia ela, a mínima noção de que eu existia? Seria bom falar com ela, ou esperar um pouco mais? Eu não tinha a mínima ideia do que fazer. Se o Gee estivesse aqui, tudo seria mais fácil, ele me ajudaria, eu sei que sim. Ele sempre me ajudou, sempre foi meu melhor amigo... Ninguém é como ele, ninguém consegue me entender como ele me entende.
Estava distraído, não havia prestado atenção na aula toda.
"Nem que você quisesse..."
Nada do que aquela vaca falava fazia diferença para mim. Foi antipatia à primeira vista. Pensava em em jeito de fazer a Jamia me notar, quando...
- Sr. Anthony Iero, por favor!
- Ah... Presente!- O senhor tem certeza de que está presente na aula? -disse ela, no tom de voz superior mais insuportável do mundo.Eu odiava quando ela falava naquele tom comigo, me sentia a última das criaturas. Até porque aquilo fazia com que todos ficassem olhando para mim, me condenando por uma coisa que eu nem sabia do que se tratava. Abaixei a minha cabeça, e tentei ao máximo ficar olhando para o chão.
- Eu ainda estou esperando Sr. Iero! Será que poderia responder a minha pergunta?
Eu não fazia a mínima noção do que ela havia me perguntado... Mas de qualquer, eu nem iria saber responder. Continuei com a cabeça baixa.
- O senhor vai me reponder?
- Eu não sei! -respondi bem baixo, sem olhar para ela.- Não sabe? Pois acho melhor começar a prestar atenção na minha aula, caso contrário terei que conversar com seu pai novamente.Eu não podia ouvir a palavra pai que minhas mãos já gelavam... Meu pai realmente conseguia me por medo. O jeito como ele falava comigo, as liçoes de moral, tudo me deixava péssimo. Eu nunca fazia nada certo, nunca era bom o suficiente para ele se orgulhar de mim.
"Sempre foi assim..."
A professora voltou a dar a aula dela, até que pela graça de Deus o sinal para a aula de Inglês havia tocado.
Mudei-me de lugar assim que ela saiu da sala. Sentei-me ao lado do Ray e do Bob. Os dois começaram a conversar sobre coisas que eu não fazia noção alguma. É disso que eu estou falando... O Gee nunca me deixaria assim. Ele sempre conversava comigo sobre as coisas que eu queria. Sempre me deu espaço, e eu a ele. Talvez fosse por isso que a gente se dava tão bem. As pessoas achavam estranho o modo como nos relacionávamos... Estávamos sempre juntos, fazendo tudo o que podíamos, ou não.Na hora do intervalo, fui com o Ray e com o Bob para o pátio. Eles começaram a conversar, e eu quase não abri a boca.
B- O que aconteceu Frank?
Ray- Tá com medo de levar bronca do papai outra vez? -disse ele rindo com o Bob.Eu não gostei nem um pouco do comentrário. E talvez, bem no fundo fosse o que eu realmente me preocupasse.
Eles zoavam de mim todo o tempo por causa disso, e eu até entrava na onda com eles, mas ninguém tinha idéia de como realmente era minha vida. Que tipo de amigos eram eles? Nunca se preocupavam em saber nada sobre mim nem nada."ú.ù"
Mas... O que eu podia fazer? Eram os únicos com quem eu podia contar.
"Tá, não contar de ver-dááá-de..."
Eu- Sabe Ray, hoje eu realmente não to nem um pouco afim de ficar respondendo as suas perguntas idiotas. -disse me levantando.
B- Ow... Perai, Frankie! Cala essa boca, Ray! -falou segurando meu braço.Eu- Só não tô muito bem hoje.Ray- Claro, o Way não tá aqui pra te dar colinho...O que? Ele tinha ciúmes do Gee, todo mundo sabia e... ALO-Ô-U! Eu não me lembrava do dia de ter me dado \'otimamente bem\' com o Ray. Lembrava até da primeira vez que a gente se viu.
Ele era o melhor amigo do Gee... E eu só havia entrado naquele \'circulo de amizades\' a três anos.O Bob ficou calado, olhando para o Ray, que brincava com os próprios dedos.
Well. O que eu poderia fazer?Mais algun míseros minutos e o sinal tocou.
Eu- Ai, puta merda, já?
Ray- Ô... Que dia é hoje?B- Segunda.Nos levantamos dali, e fomos direto para a sala, que para minha infelicidade, a professora já estava lá.
Ôpa, e ainda tínhamos um trabalho pra apresentar."Escrever uma poesia e depois, ler... Pra TODA a classe."
Quer dizer, eu leria um poema insignificante na frente da Nestor. Eu tinha que reclamar de mais alguma coisa? O fato do Ierozinho aqui ter nascido já não era o bastante?
O-kay. Eu só precisava ler. Em público. Quem iria ligar pra isso? Bom, eu precisava da nota para passar de ano. Mas o trabalhinho seria para o dia seguinte, e eu ia ter TOOODO o tempo do mundo pra pensar nisso.
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