I'm Not Come Back.

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Avisando novamente que é uma fic one shot, ou seja, não terá mais capítulos. A ideia para ela surgiu e eu comecei a escrever só pra escrever mesmo, mas acabei resolvendo postar. Espero que gostem.

Sete meses atrás eu ainda morava na Geórgia. Sete meses atrás eu ainda tinha amigos e familiares. Sete meses atrás eu ainda tinha uma vida perfeita e simplesmente não notei. Sete meses atrás eu era feliz e não sabia.

Estávamos em dez de janeiro, o dia em que fui embora. Eu não queria ir, não estava pronta para ir, mas eu fui. Fui embora deixando para trás aqueles que me amavam. Fui sem me despedir e agora me arrependo por não ter dado um abraço de despedida na minha mãe, ou pelo menos tocado uma última melodia no meu piano velho. Não irei mais tocá-lo.

Minha mãe chorou quando eu fui, claro que chorou. Acho que ela chorou tanto que agora não tem mais lágrimas para chorar, já faz um mês que ela não sorri verdadeiramente e eu nunca quis vê-la assim tão angustiada. Eu não queria deixa-la, mas eu deixei.

Meu pai não fez transparecer muitas emoções, ele sempre foi assim, ele continuou forte e estava lá animando os meus primos, porém nem ele mesmo estava conseguindo se animar. Meus primos estavam horríveis. Depois do décimo primeiro escândalo minha prima Abby finalmente se conformou com a minha partida. Meu primo James ainda tem esperanças de que irei voltar. Eu queria voltar.

Dana, minha melhor amiga, ficou em choque nos primeiros dias após a data em que eu fui embora, ela ficou “dormente” por alguns dias e depois simplesmente explodiu em lágrimas e soluços descompassados, ela sempre foi muito emotiva e eu queria ter estado lá para dizer: “Eu apenas fui embora, Dana. Vai ficar tudo bem”, coisa que eu nunca fiz, nunca consolei-a ou prestei atenção enquanto ela desabafava ou contava alguma piada, nunca ri daquelas bestas piadas. Amiga de merda eu fui! Meu namorado Brandon tentou acalmá-la, fazendo ela acreditar que eu iria voltar, quando ele mesmo já havia perdido as expectativas.

Eu sempre fui grossa com eles, uma irritante egoísta que não conseguia ver nada de positivo no mundo. Não conseguia sorrir, sempre fui extremamente séria e melodramática, muitos às vezes me falavam que a vida não era tão séria assim e que não era pecado dar um sorriso, sempre desprezei suas palavras. Eles me amaram quando eu não consegui me amar, me aguentaram quando nem eu mesma conseguia me aguentar. Eu me sentia sozinha, mas nunca estive realmente, eles sempre estiveram lá comigo, todos eles. Sempre. Eu pensava que tinha uma vida horrível, e nunca percebi que, na verdade, minha vida era perfeita. Nunca percebi o quanto eles eram importantes para mim até que eu fui embora.

Morava em Savannah, Geórgia, com meu pais, éramos vizinhos dos meus tios e de meus dois únicos primos, estudava em uma das melhores escolas, estava aprendendo a tocar piano e com a mais pura certeza eu entraria para uma boa faculdade. Eu queria ir para Cambridge, na Inglaterra, por motivos pessoais e profissionais. Diferente de todos os meus outros entes próximos que queriam algo mais perto da Geórgia, eu queria me distanciar. Agora eu não quero mais isso, queria estar perto da Geórgia, queria estar com a minha família, mas eu fui embora.

Desde que eu fui, ocorreram algumas alterações. Coisas, pessoas, lugares... todos mudaram. Porque mudar é um dos sentidos de viver. Muitas coisas deixariam de existir se não houvessem mudanças, como as borboletas. Então agora Dana arranjou uma nova melhor amiga, alguém que pode escutá-la, consolá-la e fazê-la rir. Brandon anda saindo com alguma garota do último ano, espero que ela o ame como eu nunca pude amar. Abby conseguiu uma bolsa em uma universidade na Virgínia e James está fazendo um estágio na mesma cidade. Meus tios estão pensando em se mudar para lá, mas não querem se afastar dos meus pais, nem de Savannah. Não estou com raiva, como normalmente estaria, por eles terem mudado, pois eu também mudei. Eu fui embora.

Meu quarto, na minha antiga casa, continua o mesmo com a estante de livros, sem os livros, os quais foram guardados pelos meus pais. Junto à cama um criado-mudo cuja madeira já está sendo traçada por cupins em alguns pontos, e no canto da parede está o meu velho piano, coberto por uma fina camada de poeira. Meus pais estavam juntando dinheiro para me comprarem um novo. Queria que eles gastassem aquele dinheiro com algo que fosse agrada-los, como o piano faria comigo, acho que o curso de pintura que escutei minha mãe falando seria uma boa opção, isso talvez a deixasse mais feliz.

Sete meses atrás eu era uma estúpida e mal humorada garota de dezessete anos e agora eu não sei mais quem sou. Provavelmente, um fantasma, uma lembrança. Fui embora no dia dez de janeiro e eu não vou mais voltar. Sofri um grave acidente e de acordo com os médicos, estou em um coma irreversível.

Lembro de ter brigado com o Brandon naquela tarde, estávamos a ponto de terminar quando a Dana interveio. Nós sempre brigávamos, na maioria das vezes por minha causa, mas daquela vez estava realmente sério então eu fui aos berros com ele e infelizmente com a Dana também. Lembro de ter passado o dia mal humorada, como se fosse novidade, e à noite eu saí de casa batendo as portas, ouvindo a minha mãe me chamar ao longe. Lembro de ter seguido pela Richmond Hill Avenue, as lágrimas caindo descontroladas e embaçando minha visão, mas não lembro de ter visto aquele enorme caminhão virando a curva.

E agora eu sou apenas uma parte da alma de Brianna Dursky. Meu antigo corpo ainda está plugado a inúmeros fios que têm o trabalho de manter um minúsculo pulinho de batimentos desacelerados. Já não dói tanto, a dor agora é apenas um enorme vazio que sinto, uma tormenta. Estou no limbo, na fronteira, barreira entre mundos, ou como queira chamar. Sou apenas uma recordação que está sendo esquecida aos poucos, que está desaparecendo aos poucos.

Eu era uma pessoa horrível. Uma pessoa fria que continua no frio. Alguém que não sorria e agora quer sorrir. Estou no vácuo, no mais profundo escuro. Eu estou indo embora. Eu já fui embora. Eu não vou voltar. Eu morri.

Notas finais
Obrigada a você que leu a minha história! Se tiver algum erro, me desculpem. Comentem suas críticas e elogios se for possível, é importante pra mim. Novamente, obrigada! Mil Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!