Notas iniciais
Bom pessoal, essa é minha primeira fic original, aliás, minha primeira fic de qualquer coisa. Fiquei bem animado com a história e espero que gostem XD

— Srta. McAllister! – Era a terceira vez que a Sra. Campbell, minha professora de violino, me chamava a atenção no mesmo dia.

— Sim, Sra. Campbell? – Respondi, tentando prestar mais atenção do que realmente parecia.

A Sra. Campbell dá aulas para classes de violino há mais de 30 anos em Nova Iorque. Infelizmente, ela ainda pensa que estamos no século vinte e nos trata como “babuínos sem coordenação”, como ela mesma diz. Acho que vou dar um espelho de presente no próximo aniversário dela, já que é uma senhora de (1)60 anos que vive usando um coque apertado, saia longa verde escura, blusa xadrez de lã e um óculos redondo pequeno demais para o rosto, e não percebe que tudo isso não combina com ela, ou melhor, com ninguém.

— A Srta. está desafinando outra vez.

Queria dizer que não estava nem aí e que ela me irritava, mas tudo o que disse foi:

— Desculpe.

— Talvez se parar de conversar tanto com a Srta. Collen, pudesse prestar mais atenção na aula – disse ela, enquanto erguia a batuta para recomeçar o ensaio.

A Srta Collen a quem ela se referia era Aphrodite Collen, minha melhor amiga desde a quarta série. E sim, ela tem o nome da deusa do amor, já que os pais dela são fascinados por mitologia grega, e não, Aphrodite – ou Dite, como EU a chamo — estava longe de ser um amor de pessoa. Ela é rockeira, odeia violino com todas as forças, e odeia ainda mais a Sra. Campbell. Só estava ali porque os pais a obrigavam, como ela mesma diz quando imita eles com voz de repreensão: “Filha, você precisa saber fazer alguma coisa, ou aprende a tocar violino, ou volta para o internato”. Ela vive falando que quase escolheu a segunda opção, já que lá o som mais próximo ao de um violino era o que os pássaros faziam quando os alunos jogavam pedras neles.

Pode parecer que Aphrodite é meio bruta, e ela é mesmo, mas só com quem ela não gosta – o que se resume a metade da classe -, mas comigo ela é realmente legal, me trata super bem e eu sei que posso confiar nela. Temos a mesma idade: 17.

Ela é uma das garotas mais populares e bonitas do curso, podia mesmo ser comparada a deusa. Tem olhos verdes, pele branca levemente avermelhada com sardas no nariz e um longo e ondulado cabelo vermelho como fogo, que ela gosta de deixar preso em um rabo de cavalo. Usava uma blusa branca de ombro caído, calça jeans rasgada, All Star preto e suas mil pulseiras de rock, e entre elas a de amizade que nós duas tínhamos.

— Mia, shopping depois da aula? – Perguntou Aphrodite, baixo o suficiente para que a Sra. Campbell não a ouvisse.

— Não posso, jantar em família em casa. Se eu der outro bolo nos meus pais, você vai ter que tocar violino no meu velório -. Falei, tentando disfarçar a conversa.

Dite pareceu mais incomodada com a ideia de ter que tocar violino na frente de uma plateia deprimida do que com a minha morte.

— É a noite da família? – Perguntou ela.

Meus pais todo mês fazem a “noite da família”. É uma noite do mês onde ficamos acordados até as 6 da manhã jogando jogos de tabuleiro, fazendo mímicas, assistindo à coleção de fitas caseiras da mamãe – que iam dos meus primeiros (tropeços) passos ao meu irmão tentando se equilibrar em um trepa-trepa. Mamãe diz que toda família precisa de um tempo junta, mas não apenas de estar sob o mesmo teto, e sim sob o mesmo espírito.

Posso dizer que eles são um tanto excêntricos: minha mãe, Alisson, é uma mulher incrível. Tem cabelos longos e loiros e olhos castanhos, como os meus. Ela é agitada e gosta de fazer artesanato, por isso minha casa sempre vai ter uma caixa de leite/vaso de flor em algum canto. Meu pai, Ronald, por outro lado é bem tranquilo, tem cabelos grisalhos que um dia foram tão negros quanto os meus, usa SEMPRE camiseta Polo, bermuda e Converse, menos quando está no gabinete dele. Sim, papai – e mamãe – são políticos. Ele é assessor de publicidade do governador e mamãe secretária chefe da prefeitura, por isso posso dizer que minha família tem condições, digamos, muito boas: moramos em uma grande casa a norte de Manhattan, tenho coisas de marca – apesar de não ligar para elas – e comemos do melhor – tá, pra comida eu ligo! -, sei tocar violino, piano e harpa. Pode parecer que não, mas eu AMO música, principalmente clássica, e tocar esses instrumentos.

Eu e meu irmão sempre estudamos nos melhores colégios... ah é, meu irmão, Mark. Ele tem 9 anos e é um fofo, apesar de me irritar quando mexe nas minhas coisas. Também tem os cabelos pretos e olhos castanhos, namora o Xbox dele e adora usar sua fantasia de Sullivan (ele ama Monstros S.A.). Eu e ele estamos em uma competição de quem consegue amar mais o outro e, por enquanto, estamos empatados.

Já eu sou o mais próximo do que se pode chamar de “ovelha negra” da família. Todas as minhas primas são muito mais “menininhas” do que eu. Cler é ligada à moda, sempre vestindo Prada e Chanel. Charlotte ama maquiagens, e as vezes ela me lembra um palhaço. Mas eu sou apenas eu, Michaella, a garota que gosta de música clássica, instrumentos, pintura e de livros, que gosta de estar em seu próprio mundo, onde coisas “compráveis” não têm o mesmo valor que coisas “vividas”. Sempre estou em uma rodinha de meninas, mas gosto de estar com garotos também, num bom sentindo. Não me preocupo tanto com a aparência porque, sinceramente, acho que não preciso. Me considero bonita: tenho cabelos pretos lisos com uma única mexa roxa, repicado nas pontas há alguns meses – e não decidi ainda se gostei ou não -, meus olhos não são verdes ou azuis, são castanhos escuro como chocolate, e você não acha chocolate verde por aí. Sou magra — não que seja tão importante – e branca, porém levemente bronzeada das últimas férias no Caribe. O meu estilo, ao qual meu pai chama de “depressão dos jovens”, é mais um “patricinha rockeira” (odeio esse termo). Amo meia calça, blazer de couro, pulseiras e afins, amo rosa e preto, e amo ainda mais misturar os dois. Sei que é um pouco estranho, mas quem disse que o estranho não pode ser belo?

— Tudo bem, eu vejo se o Ben tá livre – Disse Aphrodite, enquanto endireitava seu violino preto com espinhos e um toque de trevas no pescoço.

Ben é o namorado 4 anos mais velho de Dite. Ele é moreno, alto e forte e uma das únicas pessoas, além de mim, é claro, que consegue arrancar gargalhadas dela.

O sinal tocou depois do que pareceram séculos, já estava atrasada e mal me despedi de Dite. Na saída esbarrei em Ben, que sempre busca a namorada depois do curso, e quase derrubei os dois copos do Starbucks que ele segurava, que presumo serem os dois de Dite.

— Ei, calma aí, onde você vai com tanta pressa? – Perguntou ele com um sorriso no rosto, enquanto reequilibrava os copos.

— Jantar, casa, mãe, pai. – Consegui dizer enquanto tentava colocar o violino na case e saia praticamente correndo em direção a porta de vidro, que por um milagre do destino, estava aberta.

Só quando cheguei na rua percebi o quanto estava tarde. Já escurecia e era possível ver a lua, que parecia pedir socorro enquanto era sufocada pelas incessantes luzes de Nova Iorque. Às vezes me impressiono em como essa cidade é tão grande em seus prédios, ruas, avenidas, sonhos... uma grande selva de pedras e desilusões. Nova Iorque só não era grande em amor.

Peguei o primeiro táxi que vi e rezei para que mamãe e papai fossem tão desastrados quanto eu e também se atrasassem. No caminho, recebi uma ligação de Liam, meu namorado. Ele queria sair – pela terceira vez naquela semana. Liam era um pouco “mimado” e não gostava muito de ouvir não, mas eu preferia ouvir um sermão dele do que do meu pai. Nos conhecemos em uma festa há alguns meses, e acho que ele realmente gosta de mim. O acho bonito: cabelos loiros jogados cuidadosamente para o lado, olhos azuis, pele branca, corpo atlético e inteligente, só pecava um pouco na personalidade: era um mauricinho, filho de um importante empresário e com um ego que as vezes me irritava, mas mesmo assim, gostava dele.

Por sorte não havia trânsito, e logo estava eu no nº42 da Rua Ofneew, uma casa grande de dois andares com um jardim enorme e repleto das mais variadas plantas e flores – culpa da minha mãe – com uma passarela que levava à porta de entrada, grande e de vidro e madeira.

Desci do táxi e assim que botei os pés além do portão preto de entrada, percebi que a casa estava muito quieta. Normalmente Mark brincava no jardim, seja escalando uma árvore/torre de castelo ou no balanço de pneu que eu e papai fizemos quando eu tinha 4 anos, e sempre que ele me via chegar, corria para me abraçar.

Mark não apareceu, mas Valentina, sim, e estava eufórica correndo em minha direção. Valentina é minha mascote. Não, não é um cachorro, um gato ou um porquinho-da-índia, Valentina é uma macaca prego que meus pais trouxeram da viagem de férias deles no Brasil. No começo achei que minha mãe havia se drogado no Rio e pirado quando me apareceu com um macaco de presente, mas com o tempo aprendi a amar Valentina, e ela, a mim (ou às minhas frutas). Ela sempre usava o collant e saia rosa que mamãe costurou pra ela, e quando não havia ninguém para desabafar, ela ficava contente em me ouvir, bem, eu acho.

— Val!! Meu amor! O que foi? – Perguntei, fazendo a mesma voz que fazemos pra falar com um bebe.

Ela chegou perto e começou a puxar minha saia e apontar para dentro incessantemente, como se quisesse que eu visse algo.

Só então percebi que a porta da frente estava aberta, o que os meus pais nunca deixavam acontecer. Corri para dentro, largando o violino ali mesmo, no jardim, e imaginando as piores coisas possíveis. Quando entrei na sala, meu coração gelou: tudo estava revirado, a poltrona do papai caída, o quadro que pintei de nos mesmos estava agora no chão e rasgado em frente a lareira onde ficava pendurado, o sofá branco de couro da mamãe quebrado e, atrás dele, Mark, encolhido com os braços em volta do joelho, tremendo e chorando como nunca o tinha visto chorar.

— Mark! – Disse eu desesperadamente enquanto me abaixava perto dele e o abraçava.

— O que aconteceu? Onde estão mamãe e papai?

Ele olhou para mim com o olhar mais triste que uma criança poderia olhar, e depois, olhou em direção a escada. Só então percebi que haviam machas de sangue no corrimão de madeira. Nessa hora levantei quase que por instinto e corri o mais rápido que pude para cima, de dois em dois degraus.

— MÃE! PAI! — Eu gritava desesperada, sem conseguir pensar em mais nada, a não ser em quanto eu os amava.

Os piores segundos da minha vida foram os que separavam o começo do corredor do quarto dos meus pais. Finalmente cheguei a porta e a abri o mais rápido que pude. E então, meu universo desabou: minha mãe e meu pai estavam mortos, de mãos dadas em cima da cama, que agora era um poço de sangue. Fiquei paralisada. Não pensei, não respirei. Por um segundo, morri junto a eles. Senti como se estivesse em um dos meus piores pesadelos, em que era impossível acordar. Senti a felicidade deixar o meu peito. Senti tudo de ruim que alguém poderia sentir. E naquela noite quente de verão, me senti mais fria do que nunca.

Devo ter ficado uns 30 segundos parada ali, na porta, imóvel. Então, por algum motivo, olhei para a parede cor de salmão acima da penteadeira da mamãe. E ali estava, marcada a sangue, uma frase que representava o mal em si. Alguém entrara em casa, alguém matara meus pais, alguém me deixara um recado:

“Segredos matam, e agora você está SOZINHA”

Notas finais
É isso pra começar, pessoal XD. Espero muito mesmo que tenham gostado, porque ela vai continuar ahsuah
Os mistérios e intrigas estão só começando, e Mia ainda viverá grandes experiências...
Se você gostou comente e espalhe pros amigos, convide-os pra ler tbm, preciso saber oq acharam, então comentem comentem e comentem!!! pfv hahaha XD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.