Im Just A Fallen Angel...

3 My heart made of Ashes


''Estas pequenas pintas brancas a que os Humanos chamavam de neve caíam do céu que nem eu...porém, a aterragem delas era suave, fazendo com que se pousassem levemente sobre tudo ao seu alcance.

Aos poucos o branco dominava tudo...''

Começava uma fase conhecida como Inverno naquele lugar na Terra, onde a neve e o frio predominava em tudo quanto era lugar. Havia passado apenas um mês desde a minha ''chegada'' e aos poucos eu tentava me habituar ao ambiente e aos seres em si, embora estivesse sendo mais difícil do que pensava.

Eu ainda não entendia certas expressões, emoções, sentimentos ou qualquer outro nome usado para denominar coisas desse gênero. Não entendia como é que podiam chorar pela morte de alguém e chorar pelo nascimento de um filho...situações extremamente diferentes mas no entanto tão parecidas.

Há coisas pelas quais eu não fui criado para entender...Como poderia um anjo de coração de cinzas entender algo vindo de criaturas feitas por mãos Divinas...?

...

Olhei para o céu nublado e gélido, os flocos de neve que caíam sem ordem alguma pareciam infinitos, retirando a cor da maior parte das coisas e substituindo-as por uma imensidão branca. Eu passava os dias assim, sentado em um banco do jardim do Mosteiro apreciando coisas que para os Humanos eram insignificantes.

''O canteiro das rosas era agora um monte de ramos finos e destruídos pelo frio, enquanto a grama parecia ainda mais verde do que o costume...''

Eram poucas as pessoas que passavam pelo jardim, andavam todos muito ocupados com os preparativos para o Natal que se aproximava e aos poucos eu era posto de lado. Viviam falando que não se podia desperdiçar tempo. Como é que o tempo podia ser desperdiçado? Essas dúvidas ainda permaneciam... E levariam bem mais que um mês para serem esclarecidas.

Todos tinham se acostumado com minha presença no local, já ninguém me perguntava de onde eu vinha, quem eu era ou até mesmo porque meus olhos eram brancos... Apenas sorriam seguidos por cumprimentos simpáticos, nada mais que isso.

Minhas feridas ainda não tinham sarado, por isso eu andava somente com ligaduras cobrindo meu tronco e braços, um monte de adesivos no rosto e meu cabelo que outrora era longo tinha sido cortado ficando meio espetado, minhas mechas brancas ainda lá estavam...Mas eu não gostava do corte.

Durante um mês eu fui cuidado por madre Teresa e outras freiras, me deram comida, água, roupas...mas no entanto eu nunca senti fome, sede nem frio.

Eles ainda não sabiam de minha natureza...

Olhei para minhas mãos pousadas sobre minhas pernas e aproximei-as ao meu rosto, eu não tinha veias...coisas que deveriam ser facilmente notadas com minha pele pálida.

Enquanto eu estava perdido em minhas comparações com os seres Humanos, senti a ponta do meu casacão comprido sendo puxado...Olhei para baixo e vi duas pequenas figurinhas, uma menina que se escondia atrás de um menino.

–...?...-esperei que fizessem alguma coisa.

–Hmmm...A gente queria dar isso para você.- a menina saiu de trás do garoto e esticou os bracinhos com um uma pequena bola de neve estranha. Era oval, tinha duas pequenas pedras pretas na frente e duas folhas verdes em cima.

–...O que é?- Perguntei recebendo aquilo, que cabia na palma da minha mão.

– É um coelhinho que Ariel fez para você!- o garoto respondeu segurando a mão da pequena.

–Um coelhinho...?- perguntei erguendo uma das sobrancelhas, não sabia o que era.

–Alex, você não sabe o que é um coelhinho??- o menino subiu no banco onde eu estava sentado e abriu os braços espantado.

–Eu aposto que isso é porque de onde Alex vem não tem coelhinhos!- Ariel retrucou enquanto tentava subir no banco, sem sucesso.

–Você só está dizendo isso porque gosta dele.- o menino descendo do banco como se descesse de uma montanha.

Eu pude notar que as bochechas da pequena ganharam um tom róseo, seus olhos brilhavam e não conseguia dizer nada. Ali estava mais uma emoção que eu não entendia...

– Ariel! Kadis! Já para dentro! A catequese começou há cinco minutos! — Uma freira chamava por eles zangada. Os dois foram de mãos dadas e de cabeça baixa lá para dentro, mas pude ouvir um sussurro da pequena antes de entrar.

– Eu ainda vou me casar com ele....- disse ela para o garotinho que cobrira a boca para conter o riso.

–Alex! — Madre Teresa me chamou e apontou para o relógio, a missa iria começar e ela sabia que eu gostava de estar lá para ver tudo.

Guardei o coelhinho de neve entre uns galhos de uma árvore baixa onde não se conseguia ver e pudesse ficar gelado. Me apressei para entrar no mosteiro, passei por todas as freiras, padres e bispos que se dirigiam para o salão onde a missa seria proferida. Eu tinha um lugar apenas para mim, e ficava distante do resto...

No meio do corredor havia uma pequena porta por onde entrei, subi as escadas estreitas e escuras que por fim foram dar a um balcão no cimo do salão da missa. Era ali onde eu ficava todos os dias durante uma hora...por um mês.

Olhava para a entrada apreciando os seres humanos que entravam, alguns me faziam rir ao fingirem ser fiéis quando entravam na Igreja...outros tinham meu respeito por serem realmente fiéis. Mas no entanto, eram todos monótonos...

Eu começava a ficar entediado de ficar ali esperando que alguém interessante aparecesse. Me sentei em uma cadeira de madeira que tinha ali para mim quando a missa começou a ser proferida... Foi nesse exacto momento que os vi... As primeiras pessoas que atraíram minha atenção acabavam de entrar, uma moça jovem um homem mais velho que ela.

Me levantei logo ao vê-los. Ela tinha olhos verde-água e com um brilho fraco, seus cabelos castanhos claros chegavam ao seus ombros e tinha uma franja bagunçada com uma boina na cabeça. Sua pele estava pálida e era bem magra, usava roupas de frio escuras. Segurando a sua mão estava ele, quem realmente chamou minha atenção. Ele tinha cabelos longos e prateados, seus olhos eram da mesma cor que os dela... Ele tinha um olhar forte e um tanto ''mortífero'', seu pescoço estava coberto por um longo cachecol...

Me senti obrigado a me aproximar deles, não pareciam pertencer àquele mundo, as suas almas eram corrompidas...

Segui-os com meu olhar até que se sentassem e permaneci assim durante a missa inteira, nem me apercebi dos cânticos que eu tanto gostava. Tudo isso para não perder de vista dois desconhecidos...

Quando a missa terminou todos se levantaram e se dirigiram à porta, menos eles. O homem se direccionou ao Padre que dirigiu a missa enquanto que ela foi ao banheiro.

Me senti tentado...

Decidi fazer algo que nunca fiz desde que cheguei na Terra... Sem esforço algum eu fui envolvido por inúmeros vultos negros e desvaneci do balcão onde estava, aparecendo da mesma forma no banheiro onde ela tinha entrado... Mas não correu como eu tinha previsto.

– AH!- Ela gritou ao me ver aparecer entre vultos através do espelho. Se virou para mim assustada, sem conseguir falar nada. Eu não me apercebia dos riscos que estava correndo...por isso apenas levei meu indicador aos meus lábios e calmamente pedi que fizesse menos barulho.

– Shh...-

–M-me deixe sair!- ela olhava para meus olhos, trémula. Eu impedia a passagem dela pela porta.

–...Esper...- fui interrompido por um chute no estômago. Ela saiu correndo do banheiro...Fiquei indiferente, o chute não me afectou em nada, apenas deixei ela ir para não chamar muita atenção.

Virei-me para a parede, iria voltar para meu quarto daquela forma...Mas fui atirado contra a parede gélida do banheiro com tanta força que esta se rachou... Virei-me lentamente e me deparei com ele, o homem de cabelos longos me olhava mortalmente e com os punhos fechados. Eu acabara de levar um soco...

– Desapareça da minha vista...- disse ele em tom de ameaça. Eu apenas sorri de lado.

– Tch...- eu virei o rosto.

– Artemis...-ela cutucou o homem e apontou para meu rosto. Ambos olharam arregaladamente.

– Puta que pariu... O que raios é você?? — ele me perguntou franzindo o cenho.

Mal ele disse isso eu olhei para o espelho e não tardou para que eu arregalasse meus olhos também. A parte do meu rosto que tinha se embatido na parede estava se desfazendo em cinzas. Olhei novamente para eles.

– ... — Ela olhava para mim de forma diferente, não estava mais assustada, mas sim... curiosa (?).

Eu não ficaria mais ali, voltei a sumir, literalmente, voltando para meu quarto. Não sabia o que estava acontecendo comigo... Não era normal eu me desfazer como se fosse um monte de pó. Até que notei algo por cima da minha cama... Era um envelope dourado sem selo. Abri-o.

...

*continua*


Notas finais
lamento muito galera, é que preciso sair correndo e não deu pra acabar.
Nota: Artemis e a moça são personagens que pertencem a AriadineSpeak e todas as personas da fic foram originalmente criadas para um RPG chamado Mansão Hanashi, no Orkut.