O que dizer sobre as pessoas que estão a minha volta, sem ofender? Acho que isso é meio impossível, já que julgam a vida dos outros sem mesmo conhecer tal pessoa. Fazem isso comigo, mas eu não me importo.

Sou uma adolescente, não muito incomum, mas também muito comum. Já que passo a maior parte do tempo fora de casa, ouvindo música e desenhando. Mas quando não posso sair, fico lendo ou cozinhando.

No momento estou na escola, lanchando no telhado... onde o lugar é proibido, mas as regras são feitas para serem quebradas, não é mesmo?

Observo o céu escurecer, então começa uma chuva forte. Pego as minhas coisas de qualquer jeito, e saio.

- Olha só, ela está toda molhada...

Cochicha uma garota para sua amiga.

- Não a encare. É a Natsuko Miu, dizem que você pode ver a Morte.

Diz a outra.

Isso não me irrita, mas também não é algo com que possa se alegrar.

Sim, sou Natsuko Miu, tenho 17 anos. Meu pais me abandonaram não faz muito tempo. Os motivos? Ah, bem... o mesmo de sempre. Trago o azar, demônios, a própria Morte. Isso é o que dizem após olharem em meus olhos. Mas eu mesma já fiz o teste, e não acontece nada. Me pergunto qual é o problema dessas pessoas.

- Tsc... querem experimentar olhar para Ela?

Pergunto dando um sorriso sínico, as duas saíram correndo.

Não só são os meus pais e os alunos a minha volta que fazem isso... os professores e adultos estão incluídos. Não existe ninguém que já tenha se aproximado de mim sem nenhuma dificuldade.

Mas as coisas mudaram. Após um acidente (Um assalto), acabei sendo atingida e tive a impressão de ter visto que um humano jamais conseguiria ver.

- Ajude-me...

Murmurou a voz.

Depois daquilo, não me lembro de mais nada. Acordei em um hospital e um garoto estranho, de aparência bem jovem, sentado ao meu lado, olhando-me fixamente.

- O... que aconteceu... ?

- Você foi vítima de um assalto, e parece que você foi usada como refém e como não pagaram no prazo estipulado, atiraram em seu olho.

Explica o mesmo.

Olhei indignada. Passei a mão no me rosto, meu olho direito estava enfaixado e por um momento deixei um grito sair.

Nenhum médico veio me atender, os meus colegas de quarto... não havia nenhum.

- Você... agora é minha.

Disse o garoto.

- Hã?!

Estava com uma dor de cabeça tremenda...

- Há quanto tempo fiquei dormindo?

- Uma semana.

Responde ele... o mesmo tem cabelos ruivos, olhos verdes tão penetrantes quanto meu olhar. Ele parece uma criança.

- Qual forma é melhor? A original?

De repente, sua aparência ficou igual a um jovem de 18 anos.

- Eu achei que você iria conseguir se adaptar melhor com a minha versão mais nova, mas parece que me enganei.

- Isso não ajudou em nada, de qualquer forma... o que é você?

- Eu sou a Morte, digamos que agora você é minha e... irá me ajudar a coletar as almas.

O que significa tudo isso?! Estou sonhando, é mais um daqueles meus sonhos sem sentido e eu vou acabar acordando com o barulho do despertador!

- Isso é real.

Diz ele um tanto feliz pelas minhas reações.

Por acaso ele lê a minha mente?!

- Sim, sim... essa é uma das vantagens de ser a Morte. Então, quando começamos a coletar as almas? A propósito, quando você morrer, se tornará minha definitivamente.

Alguém... me acorde.