I'm Chasing the Rabbit

1 Its Not That Mysterious.


Notas iniciais
Eu percebi o jogo faz tempo. É só que não aceito as regras.

Um dia, Uma figura apareceu curvando-se diante de mim. O olhei curiosa, e em retorno, me foi proferido um "Me desculpe". Observando cuidadosamente, seu corpo estava um tanto machucado e uma pequena coroa jazia em sua cabeça.

"Quem és?" Me atrevi em perguntar.

"As memórias." respondeu.

Aquela simples resposta me fez voltar toda atenção à misteriosa figura.

Era realmente estranho como seu mistério era atraente de tal forma que o tornava ainda mais inexplicável. Logo mais descobri em nossa troca de palavras que aquelas memórias não me pertenciam, mas sim daquilo que lhe causaram as feridas.

"Doi muito"

"Gostaria de poder fazer algo".

Eu não o conhecia, mas queria tirá-lo dali o quanto antes. Algo parecia o estar consumindo e com certeza, o que quer que fosse, não estava certo.

"Tenho que ir." Disse ele.

"Nos veremos mais vezes?"

"Sim."

A cada encontro, menos visíveis se tornavam seus ferimentos. E até mesmo sua coroa havia caído. Mas era sempre ele quem me encontrava e nunca o contrário. Na única vez que tentei achá-lo antes, lembro que mal parecia ser o mesmo. Tentei chamá-lo pelo nome, mas pela primeira vez percebi que não sabia era seu nome. O percebi me avistar e sumir. Foi então que percebi que não queria ser encontrado.

"Tudo bem.* Pensei comigo mesma. "Vou me tirar qualquer tentativa de encontrá-lo novamente."

Durante dias não tive sua presença. E o mais estranho de tudo, senti como se meu próprio corpo estava começando a tomar para si, as mesmas manchas que um dia vi no corpo do outro. A sensação de angústia vinha e sumia.

“Como um estranho pode-me causar isso?” Pensava.

Achei que não voltaria a vê-lo.

"Está tudo bem??" Pulei para trás com a voz que surgia ao meu lado. Pela primeira vez me senti surpresa pela sua presença. E o pior, o tom preocupante em sua voz.

"Estou." Retornei calmamente.

"Tem certeza??" Insistiu.

O observei por um instante. Então, de olhos fechados, lhe abri um sorriso tímido.

"Sim"

"Está bem." Devolveu o sorriso ao mesmo tempo em que umas de suas orelhas de coelho lhe caíram sobre os olhos. Sim, a cada encontro, a figura aparecia com algo diferente sob sua cabeça.

"Não achei que a veria hoje"

"Também achava que não"

"Ainda bem que nos encontramos, então."

"Sim."

Íamos começar a discutir um novo assunto, porém, algo em urgente me surgiu.

"O que foi?" Novamente a preocupação em sua voz.

"Tenho que ir."

"Então acho que não nos veremos mais." Algo pesou em mim. Nada jamais tinha me parecido tão verdadeiro. Mas o outro lado me gritava. Por mais que ele me fosse importante, o que me chamava era importante também, de uma outra forma.

"Sinto."

"Adeus."

O dia seguinte me surgiu em um poço angustiante. Sentia como se tivesse perdido algo, muito, muito, muito precioso. Pedi mil vezes para que estivesse errada, porém minha intuição não costuma ser falha. Infelizmente para este caso, a teoria parece ter se aplicado. Naquele dia, eu tive certeza de que nunca mais o veria. Ou se, eu o visse, não mais trocaríamos palavras. Eu sabia que ele poderia me encontrar a qualquer hora, a qualquer lugar que ele quissesse. Mas eu não sentia a mesma permissão para mim. Eu já não poderia ser a Alice, perseguindo seu coelho branco.

Notas finais
Talvez tenha lido isso, ou não.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!