I'm Always There for You
3 Capítulo 2 - Meu doce anjo da morte
Notas iniciais
O silêncio preencheu o cômodo, apenas o barulho ambiental da rua e os grilos do lado de fora cortavam o ar palpável, enquanto Sakura esperava uma resposta.
— Eu não posso te responder isso agora — disse de uma maneira desconfortável. — Não de um jeito que você possa compreender.
— Você tem algum problema envolvendo a polícia ou a yakuza? — Ela levantou uma sobrancelha rosa, desconfiada, mesmo que Sasuke não pudesse vê-la.
— Não — ele disse, com mais aspereza do que pretendia. — Mas eu peço que você confie em mim, apenas isso.
E por mais um momento teve a sensação que já o conhecesse, pensou que ele era familiar; a sensação era parecida com umdéjà-vu.
— Sabe, é estranho... você pode me achar louca também — ela disse sem graça, passando uma mão pelos cabelos tingidos de rosa. — Mas eu sinto como... como se eu já o conhecesse.
Ele lhe deu um sorriso triste, e Sakura novamente sentiu um aperto no peito por ver essa expressão em um rosto tão bonito.
— Eu sinto a mesma coisa, Sakura — ele respondeu baixinho.
— Eu tenho um travesseiro e um cobertor guardados no meu guarda-roupa — Sakura tentou mudar de assunto, levantando-se do sofá e caminhando até a porta, porém, parou no batente e voltou-se para o estranho. — Então, se importa de dormir no sofá? Meus amigos sempre dizem que o sofá daqui é bom.
— Claro que não. Eu já quero roubar esse sofá — Ele apalpou o sofá sorrindo. Era tão macio e confortável, e o melhor de tudo é que ele tinha o cheiro de Sakura. Não só o sofá, a casa inteira tinha o cheiro dela. Isso o deixava mais calmo.
Ela riu e foi até o quarto, abriu o guarda-roupa e pegou as coisas extras e levou até o sofá, arrumando as almofadas e deixando-o confortável para que qualquer ser humano passasse uma noite boa ali.
— Boa noite — ela disse, vendo ele se deitar no sofá.
— Sakura — ele a chamou e Sakura parou no caminho. — Meu nome é Sasuke.
Sakura ficou parada por um instante, sem mover um músculo sequer. Ela ainda sentia as sensações passarem por todo seu corpo ao escutar aquele nome dito em um sussurro. Ela definitivamente já tinha o ouvido antes. Suspirou pesadamente e balançou a cabeça, indo até o quarto e separou uma roupa para dormir entrando no banheiro em seguida. Escovou os dentes e prendeu o cabelo num rabo de cavalo frouxo.
Então saiu do banheiro, passando pela sala novamente e parou, observando Sasuke em silêncio, ele parecia já estar dormindo, a sua cabeça ainda girava e o misto de emoções que sentira minutos atrás ainda a assustava, mas se ela pudesse escolher, poderia sentir aquelas emoções pelo resto da vida.
x-x-x
Sasuke abriu os olhos, sentindo o cheiro de café invadir suas narinas e lembrou da noite anterior se assustando quando o barulho de alguma coisa caindo veio do que ele achava que fosse a cozinha. Levantou um pouco a cabeça e ouviu Sakura murmurando algo baixinho. Sentou no sofá lentamente.
— Te acordei, né? Desculpa. — Sakura falou num tom audível, mas bem baixo.
— Tudo bem. — Respondeu no mesmo tom. — Eu já estava acordado. — Completou se levantando e arrumando o sofá.
— Pode deixar que eu arrumo depois — ela disse. A torradeira apitou e duas torradas pularam para fora. Sakura pegou um prato e depositou as duas torradas.
Sasuke, mesmo assim, dobrou o cobertor e caminhou até a cozinha, seguindo a voz de Sakura. O apartamento era pequeno e a sala ficava junto com a cozinha.
— Você prefere manteiga ou geléia? — Ela perguntou, e reprimiu um riso quando olhou para ele. O cabelo de Sasuke estava todo despenteado, e perigosamente lembrava a bunda de um pato.
— Geléia — ele respondeu simplesmente, sentando-se logo em seguida.
# Flashback (17 anos antes)
Vestido em um longo e preto casaco de gola alta que era abotoado do pescoço até a cintura, Sasuke se inclinou contra a parede rosa clara, sem ser visto pelos médicos e enfermeiras que corriam ao redor da sala. Em sua defesa, no entanto, ninguém nunca viu um anjo da morte.
Com os braços cruzados sobre o peito, ele viu uma jovem mulher, prestes a ser mãe, deitada na cama. O marido dela estava ao seu lado, segurando suas mãos e lembrando-a de respirar, sussurrando palavras de encorajamento e de amor, enquanto ela esmagava suas mãos com as próprias.
— Mebuki — o médico, que estava entre suas pernas, disse: — Só mais um pouco de força.
Sasuke se afastou da parede, escutando o irritante bip contínuo da maquina de eletrocardiograma que mostrava a vida da mulher desaparecer a cada segundo.
— Doutor — uma das enfermeiras tentou avisar, mas o médico estava com o rosto enrugado com preocupação, concentrado em sua tarefa.
O pai olhou para cima, e ficou confuso quando fitou a enfermeira.
— Que barulho é esse? O que isso significa? — Suas perguntas foram cessadas quando Haruno Mebuki apertou sua mão e seu grito ecoou pelo quarto, acompanhado do choro de uma criança.
Depois Sasuke observou quando o médico colocou o bebê no peito dela, e ambos os pais sorriram quando ela passou os dedos pálidos e finos nos lábios levemente azuis.
— Nossa linda menininha.
— Enfermeira! — Então a enfermeira tirou a garotinha de seus braços. Sasuke seguiu a mulher mais velha, que atravessou o quarto e colocou a pequena menina sob uma lâmpada de aquecimento. Mais duas enfermeiras se materializaram ao redor da criança. Atravessando a película de vidro, Sasuke moveu a mão pálida sobre a pequena criança e sorriu para os poucos fios claros que estavam na cabeça dela.
Ignorando a vibração constante da equipe médica, e mais ainda os gritos histéricos do pai, Sasuke cedeu à tentação e correu os dedos sobre a cabeça da bebê.
No momento em que seus dedos tocaram os fios macios, os olhos da criança se abriram. Vividos olhos verdes esmeraldas trancaram com seus olhos de uma profunda cor de ônix, e parecia que a bebê estava olhando diretamente para ele.
Ele deu um passo para trás, com os olhos negros arregalados, e segurou sua mão contra seu peito.
— Não é possível — sussurrou, olhando para o teto, como se as palavras fossem dirigidas ao céu. Quando ele olhou para baixo novamente, os olhos afiados da bebê ainda os seguiam e uma pequena mão cor-de-rosa estendeu em sua direção. — Não é possível — Sasuke repetiu e deu um passo para trás. A garotinha começou a chorar.
— Minha filha está bem? Alguém nos diz o que está acontecendo! — o pai exigiu e uma enfermeira se virou e sorriu para ele.
— Ela é uma menina saudável e vai ficar bem.
— Oh, graças a Deus — respondeu Haruno Kizashi e abaixou-se para beijar sua esposa. — Você ouviu, Mebuki? Tudo vai ficar bem. Você foi maravilhosa. Eu te amo, eu te amo tanto.
A mulher loira virou o rosto.
— Kizashi — ela começou, com um sorriso sonolento nos lábios pálidos —, eu estou...
A Máquina de eletrocardiograma começou a preocupar novamente e os médicos com as enfermeiras foram até a cama, e Kizashi começou a chamar freneticamente o nome da sua esposa. Dentro de cinco minutos, Kizashi e a garotinha foram retirados do quarto. Em mais dez minutos, o médico tirou as luvas, olhando solenemente para o relógio na parede, dizendo à hora da morte de Haruno Mebuki.
Ninguém viu Sasuke remover a mão da testa de Mebuki e desaparecer, deixando um pai de família aos prantos. Mas, em sua defesa, ninguém nunca viu um anjo da morte.
Até aquela noite.
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