I'm Always There for You
2 Capítulo 1 - Meu doce encontro
Notas iniciais
O relógio da cozinha marcava 00h45min quando Sakura terminou de lavar e guardar o último copo antes de entrouxar o agonizante avental quadriculado que usava na mochila. De lá tirou um moletom daHollisterextremamente grande que havia se apossado do seu melhor amigo. Um pequeno sorriso brincou em seus lábios quando sentiu o perfume cítrico de Naruto no casaco. Ela sempre se sentia protegida quando vestia ele.
Sakura colocou a mochila nas costas e pegou o pesado saco de lixo preto que estava no canto e levou-o para fora, trancando a porta dos fundos da lanchonete logo em seguida.
Nas sextas ela sempre saia às 10h, horário em que a lanchonete geralmente fechava, já que muitas vezes o movimento era grande demais e o seu turno se estendia até de madrugada. Mas hoje foi uma exceção. A lanchonete fechara no horário de sempre, mas Ino, uma garota alta e loira que deveria ficar e limpar a cozinha antes de ir pra casa, fora a um encontro com sua nova paquera (um freguês que ela conheceu trabalhando no caixa) e pediu/implorou para Sakura ficar em seu lugar nessa noite.
A noite estava clara e sem quaisquer nuvens, o céu todo estrelado até o fundo do infinito.Perfeita para um encontro, pensou Sakura rindo sozinha. Ela encolheu-se diante do ar gelado e começou a caminhar com passos rápidos por entre as ruas de Konoha. Estava exausta e não via à hora de tomar um banho quente e hibernar em meio aos cobertores macios. Mas por vezes a vida era assim, inexplicável. Quando virou a esquina congelou ao escutar sons de lamúrias e gemidos de dor vindos de um beco escuro. Sendo mais curiosa do que gostaria de admitir, aproximou-se sorrateiramente e se deparou com uma cena que causou espanto e raiva a si mesma. Uma pessoa jazia no chão enquanto dois rapazes agrediam-na com chutes e palavras. Uma pessoa normal teria dado meia-volta ou no máximo ligado para a polícia. Mas como Sakura não era uma pessoa normal, ela fechou o cenho com raiva pela covardia dos agressores.
Não tendo mais que 1,57m, sendo uma garota pequena e delicada com um belo par de olhos esmeraldas, juntamente com o cabelo cortado levemente na altura dos ombros, liso e rosa, Sakura caminhou com passos firmes até os três.
— Ei, seus idiotas! — Ela gritou, chamando a atenção dos rapazes, que pararam com o que estavam fazendo, assustados. — A polícia já está a caminho. — Gritou outra vez, com a mão pro alto mostrando o celular.
Os dois bandidos, que por um segundo quase zombaram por ela ser uma garotinha querendo dar uma de "super-herói", deram meia-volta e correram para longe.Covardes, pensou com um sorriso vitorioso no rosto.
O sorriso logo desmanchou quando ela se virou e percebeu que a pessoa que apanhara ainda estava deitada no chão. Mas a notícia boa era que o rapaz estava consciente já que levantou uma mão pálida e levou-a de encontro ao nariz. Sakura foi até ele e se ajoelhou ao seu lado.
— Você tá legal? — Ela perguntou preocupada e tocou de leve com os dedos o corte que sangrava no nariz dele. A face do homem se retorceu em dor. Ela fez uma careta. — Pergunta estúpida. Eu sei. Sinto muito.
— Eu já tive encontro piores. — Ela ajudou-o a se sentar. — Obrigado.
Sakura prendeu a respiração quando conseguiu olhar o rosto dele iluminado pela luz impiedosa da lua. Ele era extremamente lindo. Seus cabelos de ébano eram arrepiados livremente nas costas. Sua pele era tão pálida que parecia feita de porcelana, seu nariz imperfeito equilibrava sua beleza e seus olhos eram de longe os mais lindos que ela já havia visto. Ele era o tipo de homem que as mulheres chamariam de "belo". Percebendo que ele a olhava com um brilho estranho nos olhos, quase opacos, ela pigarreou alto.
— Acho melhor a gente dar o fora daqui antes que eles voltem.
Ele pareceu reconsiderar.
— Você não acha melhor esperar a polícia?
— Polícia? — Sakura indagou confusa. Então passou a mão pelos cabelos, constrangida e esboçou um sorriso. — Ah, sim. Na verdade foi um pequeno blefe da minha parte. Meu celular está sem bateria desde que eu sai do trabalho.
Depois de um longo silêncio que se instalou o belo estranho arcou as sobrancelhas, seu lábio ficou rígido em uma linha reta. Parecia decepcionado.
— Você é louca? Você podia ter se machucado.
— Sem querer ofender mas quem tá todo quebrado aqui é você — Sakura retrucou aborrecida.
O homem não pareceu ficar mais tranquilo com a resposta.
— Mesmo assim... você não pensou como eu me sentiria se alguma coisa acontecesse com você? Esses machucados não seriam nem o início da minha dor. — Ele procurou a mão dela, vendo que não encontrava, Sakura segurou firme a mão dele. — Prometa-me que você nunca vai fazer uma loucura como essa novamente.
Sakura reconheceu a sombra de dor nos olhos escuros e sentiu um aperto no peito. Era estranho, mas ela sentia como se o conhecesse há anos.
— Agi por impulso, eu sei. Mas não me machuquei — ela respondeu com uma pequena careta. — Não pense tão negativamente.
— Desculpe... é só que... Eu queria tanto poder vê-la — ele sussurrou baixinho com um sorriso tímido e ela apenas o fitou curiosa, respondendo-lhe com um sorriso.
— Mas você está me vendo.
— Você não percebeu? — Ele perguntou, encarando-a. Então Sakura reparou que os belos olhos negros não a olhavam diretamente, mas a fitavam com intensidade, pareceriam atravessar a sua pele, pareciam ver a sua alma. — Eu sou cego.
Sakura sentiu dor e maneou a cabeça ao vê-lo expressar tristeza.
— Meu apartamento é logo na rua de trás. Vem — Ela o puxou pela mão, ajudando-o a se levantar. — Vamos dar um jeito nesses machucados.
— Você não tem medo de mim? Eu posso ser um serial killer — não tinha empolgação nenhuma em sua voz e seu sorriso era forçado. — Eu to legal, sério, não precisa se incomodar.
Sakura não pôde deixar de rir.
— Você não tá me incomodando — ela respondeu imediatamente, revirando os olhos ao que falava. — Vamos logo passar um merthiolate nisso.
Em silêncio os dois caminharam — de mãos dadas — até um edifício antigo e passaram pela escuridão das escadas e subiram os três lances na mesma mudez. Ao atravessarem a porta do 301, só se ouviu o ruído da madeira velha rangendo quando Sakura empurrou a porta com o ombro. Quando pisaram no tapete no chão em frente à porta de entrada, a garota finalmente quebrou o silêncio.
— Você fica sentado aqui. — Sakura deixou-o no sofá e correu para o banheiro, atrás de um kit de primeiros socorros.
Quando voltou com o kit nas mãos ela se sentou ao lado dele e apoiou a bolsinha no colo. A luta nervosa que ela travava com o zíper fazia parecer que ele estava tendo uma hemorragia ao invés de uns simples cortes. Um sorriso involuntário surgiu no canto dos lábios dele enquanto ouvia-a remexer todo o conteúdo da bolsa, provavelmente procurando algo para limpar o sangue que escorria pelo seu rosto. A sensação de ter alguém se importando daquela maneira com ele era tão... Esquisita! Não um esquisito ruim, simplesmente esquisito. Era um negócio que o fazia sentir-se feliz. Fazendo seu coração querer demonstrar o turbilhão de coisas que estavam perdidas em seu interior.
— Isso vai doer... — Sakura começou baixinho, pegando o algodão embebido em soro e colocando no corte dele — quase muito.
Quando sentiu uma superfície gelada e macia tocando o corte em seu rosto, uma careta involuntária de dor surgiu em sua expressão.
— Te machuquei? — ela perguntou exaltada, tirando o algodão imediatamente da pele dele.
— Não, claro que não! — ele respondeu prontamente, tentando assegurá-la de que estava bem. — Só ardeu um pouco, nada demais...
Os dedos dela percorriam a face ensanguentada com uma delicadeza que ele achava que fosse impossível alguém ter. Ele mal sentia a pele dela tocar a dele, apenas os movimentos suaves do algodão indo para cima e para baixo. Após algum tempo, que ele não soube dizer quanto devido ao torpor que ela o colocara com seu carinho e cuidado, Sakura afastou o algodão do seu rosto, e ele sentiu o que parecia ser um esparadrapo ou band-aid grudar em cima do seu machucado.
— Prontinho — Sakura disse gentilmente. — Você vai sobreviver.
Então o coração dela bateu desesperado, ela não sabia o que pensar ou o que não pensar quando mãos grandes deslizaram suavemente por seus ombros e pararam em cada lado de seu rosto. Olhos verdes aumentaram ligeiramente com a proximidade da face desse homem perfeito com a dela. Os olhos dele estavam fechados, examinando seu rosto através de suas mãos, e quando ele abriu, um pequeno sorriso desenhou-se na bela face. Momentaneamente embriagada por sua beleza, ela sorriu idiotamente.
— Obrigado, Sakura... Por tudo...
Com relutância, ela se afastou do toque suave e fitou-o confusa, mas sem qualquer medo nas palavras que disse:
— Eu não lembro de ter dito meu nome.
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