Notas iniciais
Minha segunda oneshot já postada. Ela era uma twoshot, mas resolvi postar um único capítulo... Espero que apreciem; Boa leitura!

A chuva caía incessantemente naquela tarde de sábado. Não se sabia se era mesmo um mal tempo, ou se eram os sentimentos da Lockster que lhe escapavam do controle. Mas ninguém ligava. Estavam ocupados de mais compartilhando as mesmas sensações da azulada.

O frio estava cortante, combinando perfeitamente com a situação. Porém, ninguém parecia senti-lo. A dor que havia se instalado no peito dos presentes era maior do que a provocada pela fúria da natureza naquele momento.

Dor. Tristeza.

Sentimento que não deveriam ser experimentados por ninguém, mas tão presentes no dia-a-dia das pessoas... Isso mostra o quão cruel e implacável o destino pode ser. Ah, e insensível também.

O velório estava cheio. Ninguém havia faltado... Ninguém. A guilda mais barulhenta de toda Fiore pela primeira vez em anos estava em completo silencio. Levy era a que estava mais próxima do meio do salão, então tinha a melhor visão do corpo da amiga. Ali, estirada naquele pedestal de mármore, Lucy parecia dormir. A baixinha tinha os olhos presos nos arranhões profundos que haviam tomado o corpo da loura, o que a fazia chorar ainda mais.

Cana saiu do meio da multidão, carregando um buquê de peônias brancas. Depositou-as sobre as mãos da amiga. Depois acariciou a franja dourada dela, sentindo os olhos arderem por conta das lágrimas. Oh, como se culpava pela morte tão prematura da Heartfilia! E não era a única. Wendy também estava assim, afinal, foi por ela que Lucy se sacrificou. Foi para salvá-la que a loura havia morrido.

Erza aproximou-se do lugar onde o corpo da amiga repousava, sendo acompanhada por Gray. Em mãos, ambos traziam um arranjo de rosas de várias cores, deixando-o pendurado no pedestal. A ruiva sentiu os joelhos fraquejarem quando fitou o rosto sereno da nakama. Iria ao chão se não fosse amparada pelo mago do gelo, que tentava conter as lágrimas. Mirajane trouxe um buquê de crisântemos brancos, dividindo-os em pares e enfeitando os longos fios dourados espalhados pelo lençol branco. Lisanna prontificou-se a ajudá-la, enquanto via Bisca espalhando camélias brancas por toda a extensão do longo vestido azul bebê que Lucy usava.

Wendy aproximou-se do corpo, junto do mestre. Makarov pigarreou, chamando a atenção de todos. Iniciou um discurso fúnebre em homenagem a maga Estelar, fazendo o clima pesar ainda mais. Os gemidos de agonia escapavam pela boca de todos os presentes, a fim de deixar a dor sair. Enquanto o velho falava, as pessoas depositavam flores diversas sobre os pés do pedestal, colorindo um pouco o ambiente, demonstrando com aqueles simples gestos todo o sentimento de compaixão que sentiam. O único que não se moveu foi o rosado. A ficha da morte da garota ainda não havia caído.

–... E então esperamos que ela, como uma das mais belas estrelas, tenha um lugar no céu.

–Ela terá, Jii-san.

Todos voltaram a atenção ao ruivo, que caminhava sendo seguido pelos outros Espíritos que Lucy tanto amava. Cada um trazia uma única flor, listando tudo o que sentiam pela dona. Áries, Virgo e até mesmo Aquárius choravam incessantemente.

Foi então que Natsu desabou. Voltou alguns dias antes, lembrando-se do ocorrido...

***

Um mês antes dos fatos narrados anteriormente, Lucy estava com Wendy na “casa” de Polyushka. A azulada havia recebido um ataque direto em um trabalho e não estava nada bem. A velha havia se retirado por quase dez minutos e tinha acabado de voltar.

–E então, Polyushka-san... O que a Wendy-chan tem?- Lucy perguntou apreensiva.

–Não me apresse! É por isso que não gosto dos humanos! São todos desastrados! Essa menina- a rosada apontou para a azulada- é uma idiota! Graças ao ataque que recebeu, ela desenvolveu uma doença que suga a energia mágica e a concentra no coração e no cérebro. Se ultrapassar os limites, ambos explodirão!

–O QUE?

–E ainda tem mais. Graças a grande quantidade de poder mágico que Dragon Slayer tem, a velocidade dessa concentração pode dobrar ou até quadruplicar.

O queixo da loura caiu e seus olhos arregalaram-se. Olhou para Wendy que começava a chorar.

–Quais os sintomas?

–Pelo que descobri, o corpo fica fraco, não há disposição para nada, nem para sequer comer. Arranhões arroxeados vão surgir por todo o corpo, até atingir os alvos, coração e cérebro.

–Não há cura?

–Nenhuma que eu conheça. Tudo o que podemos fazer é transferir a doença para uma pessoa que possa suportá-la. Até lá... Tentarei retardá-la ao máximo.

Lucy suspirou, voltando a fitar Wendy. Assentiu para Polyushka, dizendo que seria melhor voltar a guilda.

***

–Então o caso é grave... – Makarov suspirou.

–Sim. Polyushka-san disse que temos que encontrar uma pessoa o mais depressa possível.

O velho anão fitou a “filha”. Wendy estava em prantos, preocupada com o que o destino reservava para ela. Foi então que Charles levou as mãos à cabeça e encarou um ponto específico. Os olhos vidraram e ela ruiu de joelhos.

–Charles!- Lucy chamou, ajoelhando ao lado da gata.

–É uma visão, Lucy-san!- Wendy acalmou a amiga.

A Exceed fitou o rosto da loura de uma forma apavorada.

–O que viu, Charles?

–Eu vi... Eu vi... Eu vi...

A gata balbuciava coisas desconexas. Wendy a pegou no colo e a levou até o andar de baixo. Lucy voltou a atenção ao mestre.

–Acho que deveríamos deixar as cartas de Cana decidirem quem deve assumir a doença de Wendy.

–Hum... Vá chamá-la então, por favor.

A loura caminhou até o andar de baixo e chamou a amiga alcoólatra. Explicou resumidamente tudo o que estava acontecendo e então ambas voltaram até o escritório do mestre. Cana embaralhou seu baralho e sorteou uma carta. Nela, jazia uma imagem de Natsu.

–Não... Isso... — Lucy balbuciou.

–Então será o Natsu...

–Não! Polyushka foi muito clara que, em um Dragon Slayer, a doença se desenvolverá mais rápido.

–Foi a escolha das cartas, Lucy.

–Mas...

–Não se preocupe. Ele é forte. Vai ficar tudo bem.

A maga Estelar assentiu a contra gosto. Temia que o rosado não sobrevivesse. Não podia evitar... Afinal... Estava apaixonada por ele.

Levantou-se da cadeira e saiu em silêncio da sala. Desceu até o primeiro andar, topando de cara com Natsu, que olhava o quadro de missões fixamente. Quando a viu, ele lhe sorriu animadamente.

–Nee, Luce? Vamos sair em um trabalho?

–Desculpe, Natsu... Não estou com humor para trabalhar...

Ele tombou a cabeça para o lado como um cachorrinho, confuso.

–Achei que seu aluguel estava para vencer... Não quero que tenha problemas com a proprietária...

–Não se preocupe... Por que... – passou os olhos pelas pessoas que se encontravam na guilda- Por que não chama Lisanna para ir com você?

–Porque ela não é minha parceira...- ele frisou a última palavra, cruzando os braços. Lucy não sabia porque, mas toda vez que ele a chamava disso, sentia seu coração acelerar. E não foi diferente dessa vez.

A loura bufou. Por que, Kami-sama, esse garoto era tão teimoso?

–Natsu... Eu não quero ir em uma missão com você.

Dito isso, a moça se levantou e caminhou para fora da guilda, deixando um Natsu atônito e magoado para trás.

Eu sei o que tenho que fazer...

How it all ended ...

Dias depois

–Tem certeza de que quer fazer isso mesmo, Lucy-san?- a azulada perguntou, ajeitando-se na cadeira.

–Sim. Não vou deixar que ninguém além de mim se machuque...

Polyushka sentiu uma pontinha de pena da loura. Achou as ações da mesma muito nobres... Ela própria não faria tal coisa por outra pessoa.

–Muito bem. Sente-se aqui e prepare-se. Essa será a experiência mais dolorosa e traumática que você experimentará na vida...

Lucy assentiu, respirando fundo. A velha senhora posicionou uma mão em cada uma das jovens magas. Sussurrou palavras incompreensíveis para ambas e então uma luz azulada se projetou de suas palmas, circundando as outras duas. A loura sentiu uma dor lacerante passear por suas entranhas, até que se alojou em seu peito. Abriu os olhos, vendo vergões arroxeados aparecerem lentamente por toda a extensão de seu braço esquerdo, indo até sua clavícula. A azulada, por outro lado, sentiu um alívio extremo apoderar-se de seu ser, o que a fez suspirar.

A Heartfilia sufocou um grito de dor quando mais vergões começaram a surgir por seu tronco, descendo até o calcanhar direito. Era como se sua pele fosse passada à ferro... Os arranhões pareciam lamber a carne branca da moça, zanzando sem fim, como se um pincel invisível os desenhasse lenta e dolorosamente... Um pincel feito de ferro flamejante...

–Está feito. Deve se poupar de quais quer emoções muito fortes... Tente não usar muita magia e não saia em trabalhos, em nenhuma hipótese! Irei vê-la todos os dias...

–Meu aluguel...

–Não se preocupe, Lucy-san. Irei pagá-lo até que fique boa...

–Wendy...

–Não diga nada! A senhorita está salvando minha vida. É o mínimo que eu deveria fazer.

A moça abraçou a menina fortemente. Não conseguiu impedir as lágrimas, que jorraram como uma cascata sem fim, molhando os ombros do vestido da criança. A azulada retribuiu o abraço, compartilhando as mesmas lágrimas da mais velha. Soluçavam mutuamente... A cena era de partir o coração, mesmo sendo da mulher que dizia que odiava os humanos.

–Já basta... Deve ir para casa descansar...

A loura assentiu, levantando-se e deixando a casa da rosada juntamente com Wendy. Polyushka olhou-a caminhar vacilante pela estrada, enquanto murmurava...

–Está cercado de crianças incríveis, Makarov...

***

Logo chegaram à casa da loura. Lucy vasculhou seu guarda-roupa, tirando do mesmo um conjunto de moletom amarelo e azul.

–O que é isso, Lucy-san?

–Não quero que se preocupem comigo, Wendy-chan. Por isso não vou contar a ninguém...

–Mas...

–Não. Prometa-me que vai fazer o mesmo.

–Acho isso injusto, Lucy-san. São nossos amigos! Eles irão apoiá-la!

–Prometa-me!

A azulada hesitou, ponderando. Não queria esconder nada dos nakamas... Sabia que todos apoiariam a moça e a ajudariam... Por outro lado, respeitava a decisão de poupá-los...

–Tudo bem... Prometo que não direi nada.

Lucy sorriu, agradecendo. Caminhou até o banheiro, despindo-se das roupas curtas que estava acostumada e segurou um grito de pavor. Eram mais vergões do que havia imaginado. Iam da clavícula, descendo pelos ombros, costas, até que paravam no calcanhar esquerdo. Girou, ficando de costas. As marcas profundas ainda não haviam atingido aquela parte do corpo, por sorte. Suspirando, vestiu-se e saiu do banheiro, encontrando Wendy sentada em sua cama.

–Vamos para a guilda?

–Se estiver bem...

A loura sorriu, estendendo a mão para a azuladinha. Caminharam até a Fairy Tail lentamente, enquanto conversavam sobre banalidades. Adentraram as portas de madeira da guilda lado a lado, gritando um “Tadaima” para o resto do pessoal e indo até Mirajane, que estava no balcão.

–Yoo, Mira-san!

–Yoo! Hã… Está tudo bem, Lucy?

–Sim! Tudo perfeitamente bem!

–Hum... Natsu estava atrás de você...

–É m-mesmo?

–Sim... Ele me parecia bastante magoado...

A moça segurou um grunhido. Lembrou-se da desfeita que havia feito ao rosado, dizendo-lhe que não queria fazer uma missão com ele. Suspirou, levantando-se do banco. Ouviu um arquejo vindo de Mirajane, fazendo-a se virar.

–Qual é o problema, Mira-san?

–O que é isso descendo por seu braço?

Lucy fitou a azulada, sem entender. Percebeu que seu moletom havia descido um pouco, revelando uma pequena parte do seu ombro. Ajeitou a peça de roupa, afobada, olhando em volta. Fitou novamente para a albina, que mantinha em seu semblante uma expressão de pavor.

–Lucy... Isso não seria... Você não podia ter feito isso! Essa era uma responsabilidade de Natsu!

–Mira-san... Fiz isso exatamente por esse motivo. Eu não poderia deixá-lo se machucar porque... Sei que ele faria o mesmo por mim. Eu, só uma vez, queria protegê-lo, em forma de agradecimento.

A Strauss fitou o rosto levemente corado da maga loura. Suspirou.

–Tem certeza de que é só por isso, Lucy?

–Hã? Por que mais seria?- a moça perguntou, confusa.

–Irei deixá-la descobrir sozinha...

A albina voltou aos seus afazeres, deixando a maga Estelar ainda mais confusa. O que diabos ela havia insinuado?

***

As semanas se arrastaram lentamente. Polyushka ia todos os dias acompanhar a evolução da doença de Lucy, que ficava cada vez pior. Sua aparência estava péssima. Não tinha qualquer disposição para comer, tomar banho... Apenas dormir. Só ia para a guilda pelas manhãs pelo simples fato de Mirajane arrastá-la... Os vergões aumentaram, cobrindo até as mãos da moça por completo. O único lugar em que não havia marcas era seu rosto, o que poupou a maga de aparecer na Fairy Tail com um saco de papel na cabeça! Os amigos estavam cada vez mais preocupados com ela... Happy, para tentar levantar os ânimos, sugeriu que Lucy havia comido um peixe estragado e ficara com dor de barriga, mas até para ele soava como uma ideia estúpida.

A angústia apenas aumentava, ainda mais com as visitas freqüentes de Polyushka à moça. Ambas, acompanhadas do mestre e de Mirajane, trancavam-se na enfermaria da guilda e lá ficavam por horas, deixando todos ainda mais preocupados. E não fora diferente na manhã da quarta semana...

–Bem, Lucy, devo dizer que a doença está começando a regredir.

–Isso é muito bom!- Makarov festejou.

–Porém, esta será a fase mais complicada... Não deve, em nenhuma circunstância, deixar-se levar pelos sentimentos. Irá se irritar com mais facilidade, assim como será magoada mais facilmente. Caso algo muito forte aconteça, não tenho ideia da dimensão que o problema tomará.

A loura assentiu, dando um pequeno sorriso. Havia, finalmente, começado a mudar sua expressão abatida...

Agradeceu Polyushka e deixou a sala, caminhando até o balcão de Mira.

–Você parece melhor.

–Sim. Polyushka-san disse que a doença começou a regredir...

–Isso é excelente, Lucy!

Ambas começaram a conversar, até que o assunto chegou a Natsu. A loura corou. Havia pensado muito nessas últimas semanas, até ter certeza de que estava realmente amando o Dragon Slayer. E, para sua desgraça, ela descobriu que sim... Não podia deixar de pensar de forma negativa, afinal, o rosado era apaixonado por Lisanna... Certo?

–Nee, Mira-san... Estou realmente apaixonada por ele...

–Oh, então finalmente admitiu! Vá lá e diga isso a ele!

–Não posso! Ele... É apaixonado por sua irmã... E...- foi interrompida por uma gargalhada de Mira.

–Sabe, achei que você fosse mais esperta... É claro que isso é um equívoco seu! Natsu veio ontem mesmo me perguntar o que estava acontecendo com você. Eu disse que estava doente, então ele me disse que estava com medo de estar mal também, porque sentia algumas sensações estranhas quando estava próximo a você... Depois de me contar quais eram, eu disse que ele não precisava se preocupar... Era só amor.

Os olhos de Lucy se arregalaram feito dois pratos. Diabos... Isso era realmente verdade? Rodou seus olhos pela guilda, até encontrar a silueta grande do amigo, que conversava animadamente com Erza. Suspirou, criando coragem. Levantou-se do banco e caminhou até eles, sentando-se ao lado da ruiva.

–Yoo, Lucy.

–Yo, Erza-san...

–Hum... — Natsu resmungou, fechando a cara.

–Está tudo bem, Natsu-kun?- a loura perguntou, vendo-o estranhar o sufixo. Desde quando ela o chamava assim? Que coisa... Estranha.

–Tudo na mais perfeita ordem, Lucy-san.

A loura segurou uma exclamação.

–Fiz algo de errado?

–Se você não se lembra... – ele começou, grosso.

–Por que está fazendo isso comigo? Já lhe pedi desculpas.

–Não acho que isto bastaria...- a voz fina de Lisanna foi ouvida pelo grupo. A albina sentou-se ao lado do rosado, apoiando suas pernas no colo do mesmo, que não móvel um músculo para afastá-la.

–O quê...?

–Já contou a ela que estamos juntos, Nat-kun?

Lucy sentiu seu coração falhar. Começou a tossir compulsivamente...

–Do quê...?- o rosado começou a dizer, mas foi interrompido pela albina, que o beijou.

Aquela fora a gota d’água para a moça loura. Levantou-se com dificuldade da cadeira e virou-se para o balcão. Lágrimas teimavam em verter de seus olhos sem qualquer tipo de controle... A cena anterior desenrolava-se em sua mente... A guilda toda prestava atenção na situação que se desenvolvia no centro...

Um baque alto tirou a atenção de todos. A maga Estelar encontrava-se estatelada no chão, tremendo. Um grito de pura dor preencheu o ambiente, e então Lucy começou a arranhar as mangas do moletom. Todos tentavam ajudá-la, atônitos de mais para verdadeiramente fazer alguma coisa.

–Chame a Polyushka! AGORA!- Mirajane gritou para Cana, que correu até o segundo andar, enquanto a albina colocava Lucy deitada no balcão. A guilda toda margeou-o e assistiu, horrorizada, a Strauss arrancar a peça de roupa da loura, revelando as marcas profundas que se instalaram na pele. Levy segurou um berro histérico de puro pavor ao colocar os olhos sobre o corpo tensamente retesado da amiga, o que não fora diferente com Erza e Natsu. Gray, Juvia e Wendy tentavam, de alguma forma, diminuir a febre da moça, sem sucesso.

–Saiam da frente, seus imprestáveis!- a velha gritava desesperada. Preparava uma injeção ao mesmo tempo em que atropelava os magos, quase derrubando o conteúdo da mesma no chão. Aplicou-a no braço esquerdo da moça, que guinchou. Debateu-se por alguns instantes, até que sua respiração começou a ficar mais leve e fraca.

O rosado empurrava as pessoas para os lados, até que chegou ao lado de Lucy, juntamente com o restante do time. A loura sorriu fracamente, olhando nos olhos de cada um.

–Sabe... Nunca... Tive uma família... Depois que minha... Mãe morreu... Pelo menos... Achei isso... Até conhecer vocês... Obrigada por tudo... Pessoal...

–Não fique dizendo essas coisas... Parece até que está se despedindo. Não vou deixá-la se livrar de mim tão facilmente, Luce.

Lucy sorriu, tocando o rosto de Natsu levemente.

–Oh, Natsu... Você é... Uma das pessoas mais... Especiais para mim... Desde Hargeon...

–Você também é muito especial para mim, sua estranha. Agora, agüente firme!

–Sabe... Tão bem... Quanto eu que, talvez... Eu não consiga agüentar... Só quero que saiba uma coisa...

–Não...

–Aishiteru, Natsu... Será que eu poderia fazer um pedido egoísta?

–Sim...- ele já não segurava mais as lágrimas.

–Viva... Viva por mim... Por todos os bons momentos que passamos juntos... Viva.

–Luce...

–Shh... Não gosto... De te ver chorando... Sorria para mim, sim? Uma última vez...

E então ele forçou um sorriso. Aproximou-se lentamente seu rosto do dela, locando os lábios levemente. Lucy se sentiu infinitamente feliz. Ela poderia... Até morrer agora, não se importaria nem um pouco.

Muito lentamente, as forças começaram a esvair-se de seu corpo. O braço que tocava o rosto do Dragon Slayer caiu sobre seu tronco. Sua respiração foi interrompida, assim como seus batimentos. O rapaz começou a chorar mais compulsivamente, segurando o corpo desfalecido da mulher que amava entre seus braços. Sim, ele também a amava, mas não tinha tido tempo de dizer isso a ela.

–Fique calmo, Natsu... Ainda há esperança. Apliquei um soro capaz de extinguir a doença de seu corpo, mas agora precisamos que ela lute por sua vida. Ela tem três dias para acordar.

O tempo se arrastou lentamente. Um... Dois... Três... Cinco... Sete dias transcorreram-se lentamente para o Dragon Slayer. Não se via nenhuma mudança perceptível em Lucy. E então a velha curandeira deu o veredicto que Natsu não queria ouvir.

–Acho que ela desistiu de lutar...

Não, ele não chorou como o restante da guilda. O rosado não queria acreditar que sua mulher estava morta...

***

Ali, de joelhos, segurando uma rosa branca, as lágrimas não foram impedidas de sair. Gray levantou-o pelos ombros, dando leves tapinhas em suas costas, tentando confortá-lo. Livrando-se das mãos geladas do mago do gelo, o rosado correu até o pedestal e debruçou-se sobre o pequeno corpo da maga, molhando o belo vestido.

–Por favor... Você não pode estar morta, Luce. Vamos, abra os olhos e sorria para mim... Me bata se quiser, grite comigo... Só não me abandone! Não pode me deixar! Aishiteru, Luce!

Todos ficaram comovidos pelas ações do Dragon Slayer e começaram a chorar mais. Mal sabiam que, observando-os...

–Está vendo, filha?- a loura de opacos olhos verdes apontou para os magos.

–Sim, Mavis-san... Estou certa de minha decisão.

–Tem um coração muito nobre, Lucy. Concederei seu desejo. Nenhum filho que peça ajuda de sua família ficará desamparado...

Uma luz quase maternal atingiu a todos, que levantaram o rosto para o céu. O Sol finalmente mostrara seu esplendor, presenteando a todos com seu calor. Não estranharam ao depararem-se com a primeira mestra, Mavis Vermilion, sentada, mexendo as pernas, no degrau próximo ao pedestal. O único que não havia percebido nada era Natsu, que sentiu uma mão delicada tocar sua cabeça.

–Nee, Natsu-kun? Por que está chorando?

A voz lhe era muito familiar. Não poderia ser... Levantou a cabeça, deparando-se com o rosto sorridente de Lucy a observá-lo. Arregalou os olhos e sentiu seu queixo cair e teve que esfregar os olhos para ter certeza de que aquilo não era uma ilusão.

–Luce... É você?

–Sim! Achou que era quem? Sting Eucliffe?

–Mas... Como...?

–Mavis... Ela me ajudou a lutar e a voltar... Isso porque ouvi você, Natsu. Obrigada.

Então ela o abraçou. Todo o restante da guilda, antes chocados, atiraram-se aos prantos sobre a maga. Levy apertou-a em um abraço de urso, deixando-a levemente sem ar. Mirajane a beijou no rosto várias vezes, assim como Erza. Gray a rodopiou no ar, logo depois abraçando-a... Nu. Juvia a abraçou fortemente, molhando-a com seu corpo que estava quase todo transformado em água. Os espíritos da maga se aproximaram, saldando-a um por um. Aquários ameaçou-a se ela tentasse morrer novamente. Virgo perguntou se Lucy queira puni-la por não ter morrido... Por fim, Lisanna foi a última a se aproximar, receosa.

–Lucy-san... Queria pedir perdão. Não sabia sobre seus sentimentos pelo Natsu... Foi por minha culpa que a senhorita quase... Bem...

–Não se preocupe, Lisanna. Sei sobre seus sentimentos, então eu entendo...

–Cuide bem dele...

Ambas deram um abraço apertado. Lucy sabia que dali nasceria uma bela amizade. Voltou até onde o rosado estava, sendo abraçada por ele.

–Nunca mais faça uma coisa dessas! Já disse que não se livrará de mim tão facilmente.

–Bobo... Aishiteru... Não quero deixar você.

O rosado a beijou apaixonadamente, apertando-a em seus braços.

–Aishiteru, Luce. Para sempre...

Notas finais
Mereço review?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!