Ilusões
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Sasuke
Eu não pude ficar parado, apenas assistindo aquela cena! Que loucura!, pensei. Em que mundo aquela garota vive?, me perguntei. Mas após ouvir toda aquela conversa, me dei conta de que ela não era quem aparentava ser: uma desmiolada qualquer!
Quando desci as escadas, me escondendo dela, os vi entrar no elevador. Corri até a recepção e pedi para usar o telefone. Liguei rapidamente para o Kakashi, pedindo para me informar o número do quarto dela.
— É o mil quinhentos e quinze. Mas para quê voc... — desliguei o aparelho antes de ele terminar a frase.
Corri para o outro elevador que, por sorte, já estava a caminho. Ao chegar no décimo quinto andar, encontrei a porta de seu quarto entreaberta. Discretamente, me encostei à parede ao lado para o que diziam. Eles discutiam não muito alto, mas ele, principalmente, parecia alterado.
Esse cara era mesmo um imbecil, por insistir em negar a infidelidade que obviamente cometera. O que diabos ela viu nele, além do cabelo amarelo?
Algum tempo depois, ouvi um ruído estranho. Mas como continuaram a discutir, não dei muita importância. Depois, acho que ele a jogou na cama — ouvi o barulho do colchão ranger sobre o estrado da cama. E então, a ouço dizer algo sobre ele forçar algo. Sua voz saiu meio rouca, como se algo a impedisse de falar mais claramente. Hum. Achei melhor espiar para ver o que se passava. Cuidadosamente, então, abri mais a porta.
Ele parecia querer estuprá-la. Eu não pretendia interferir na discussão deles, afinal, isso era entre eles, mas não pude deixar com que ele continuasse a forçá-la daquela forma. Ele estava sendo covarde. Não entendo porque nessas horas, mulher alguma se lembra de que o ponto fraco masculino está na cabeça de baixo! Um chute ali acabaria com tudo! Err.
De qualquer forma, ele parecia ter perdido o controle de si. Passou a resmungar coisas sem muito sentido. Como por exemplo, como eu fui com ela! Porque diabos ele iria querer saber isso? E porque diabos eu não me lembro de nada? Saco!
Infelizmente, entrei no quarto tarde demais. Não tive tempo de impedir aquele soco que ele lhe aplicou, mas consegui impedir que ele extrapolasse os limites do bom senso comum. O puxei pela gola da camisa que vestia, e o joguei contra a parede. Ele ficou meio atordoado, com o baque, mas parecia querer insistir. Levantou-se, arrumando a camiseta, e partiu para cima de mim.
— O que pensa que está fazendo, seu bêbado?
— Hehehe. Sabe qual é a vantagem de se estar bêbado em uma briga? É que o álcool inibe o sistema nervoso. Ou seja, não sentirei muita dor, caso me soque. Já você, meu caro... — lhe dei um belo soco na boca, que o fez cair de volta contra a parede. — Como se sente? — sorri.
— O que é que você quer, hein? Cai fora! Isso não tem nada a ver con... — ele se calou, quando tirei o boné e os óculos escuros. Não que eu quisesse dar uma de bonzão, nessas horas; apenas quis preservar meu caro Ray-Ban. Err. Enquanto eu os posicionava sobre a cama, vi que ela estava desacordada; o que me deu ainda mais nojo daquele sujeito.
— Seus pais nunca lhe ensinaram a não bater numa mulher, nem com uma flor?
— Hehehe. Então, almofadinha, quer ver quem é mais duro na queda?
— Dá o fora daqui! Já chamei a polícia, assim que te vi, quando atravessamos a porta! — mentira! Mas ele não precisava saber disso.
Ele suspirou, passou a mão sobre o fio de sangue que escorria no canto da boca, e, de repente, me derrubou no chão. Eis uma desvantagem no álcool: ele retarda todos os seus movimentos! Err. Ou seja, ele pulou em cima de mim, antes que eu pudesse até mesmo me dar conta do que havia acontecido! Err. E assim, começou a me socar repetidas vezes no olho, nariz e boca. Quando cansou, levantou-se e saiu sem se despedir! Mas que filho da mãe mais mal educado! Hehehe.
Precisei de um tempo deitado para me recuperar. Eu não estava tão bêbado assim; acho que por ter tomado em pequenos goles. Senti cada maldito soco que ele me deu. Kakashi não vai ficar nada contente ao ver minha mais nova forma física... Inchada e roxa!
Enquanto olhava para o teto branco daquele quarto, eu ia revendo tudo o que acabara de ouvir deles. E me peguei a pensar que, talvez, eu tenha mais em comum com ela, do que eu poderia imaginar. E que eu lhe devia algum pedido de desculpa. Ouvindo algum em troca, é claro...
É claro? Ela não fez nada de errado, ou fez?
Sem pressa, fui me levantando do chão. Percebi que ela começava a despertar. Droga! Eu não queria que ela me visse! Ainda mais neste estado. Então, fiz o impossível para sair de lá. Puxei energias na terra, sentindo toda a eletricidade carregar meus músculos em descargas elétricas, me dando forças para voar, como todo super-herói de quadrinhos... Err. Ok, estou bêbado! Fui me rastejando como um verme, todo fodido, até a porta! Saco!
Resolvi descer um andar pelas escadas, ao invés de passar toda uma eternidade esperando o elevador naquele andar, e me arriscar a deixá-la me ver. Ela poderia inventar de querer sair atrás do loiro, e se esbarrar comigo. E estando desfigurado, daquele jeito, não era uma boa idéia. Se bem que ela até poderia não me reconhecer! Err.
No andar de baixo, peguei o elevador. Baixei a cabeça, ao chegar ao saguão do hotel, e me apressei até meu carro estacionado. Fui direto para casa. Felizmente, Kakashi e sua sombra feminina já haviam ido embora. Fui correndo direto para o banheiro, para me ver no espelho. Bem, a situação não era tão terrível quanto eu imaginava. Eu só estava com um nariz enorme, acho que quebrado, estava praticamente caolho (inchou tanto que não conseguia abrir a pálpebra)e com o lábio inferior maior do que minha mão! Eu não estava tão mal; ainda estava bonitão...
Err. Azar! Eu me sentia um rebelde sem causa, mas muito feliz com o resultado adquirido. O sangue na boca tinha quase gosto de liberdade; misturado com álcool, é claro. Fazer sucesso porque é considerado bonito é uma merda! A impressão que eu tinha, às vezes, é que me dão um papel para interpretar somente por isso. O filme fará mais sucesso porque o bonitão estará lá! Tsc! Como se todo o meu esforço em criar a personagem, e interpretá-lo, fosse inútil. Os críticos, pelo menos, são mais honestos. Mais devastadores, mas mais honestos...
Eu havia guardado a garrafa do uísque no bolso da minha jaqueta. Ainda sobraram uns poucos goles, então, resolvi apreciá-los no conforto da minha sala bagunçada. Mas ao me jogar no sofá, foi que reparei que a Kurenai, com certeza, arrumou tudo. Droga! Tomei um gole e me fui em direção ao quarto. Mas parei ao ver o quarto de hospedes ali, de porta fechada. O abri, lembrando que ela havia estado ali. A cama ainda estava desarrumada, exatamente do jeito que ela havia o deixado. Suas formas físicas ainda estavam marcadas nos lençóis, me deixando estranho com aquela visão.
Bebi mais um gole, e entrei no quarto. Cuidadosamente, sentei no colchão, e me inclinei até o travesseiro. Ainda havia o leve perfume de seus cabelos, que eu não teria reconhecido se ela não tivesse esfregado sua cabeça em meu nariz, na noite em que veio comer pizza. Mas, infelizmente, estava muito leve, quase imperceptível.
Não importa!, pensei. Deitei-me ali, terminando de esvaziar a garrafa. Inalei todo o resquício de seu perfume, sentindo estranha urgência em me tocar. Lentamente, me desfiz do botão e zíper da calça. Meti a mão por baixo do boxer, e fui imaginando-a deitada naquela cama.
Eu não me lembrava de absolutamente nada na noite no motel. Mas o fato dela ter dito que fui cuidadoso, me deixava mais aliviado. Então, fui imaginando o que eu poderia ter feito...
Eu teria beijado aqueles lábios delicados, mas suculentos. Acariciaria seus seios, enquanto beijava-lhe o pescoço, ouvindo seus gemidos abafados. Colaria meu corpo ao dela, sentindo a maciez de sua pele quente, levemente suada. Lhe penetraria com o dedo e, talvez, lhe beijaria ali.
Quanto mais eu pensava, mais rápida minha mão agia. Não levou muito para que chegasse ao ápice da coisa. Havia uma caixa de lenços de papel no criado mudo, que puxei para me limpar. Como estava exausto, acabei adormecendo ali mesmo. Mas dormir por pouco tempo, pois meu nariz começou a incomodar mais. Tive que tomar um banho rápido, para ir ao pronto socorro do hospital mais caro de Londres; assim, eu não me incomodaria com gente em cima de mim...
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