Ilusão Vermelha

1 Ilusão Vermelha


Notas iniciais
Pequena, mas espero que gostem.

Ilusão Vermelha

A música clássica ecoava por todos os corredores da mansão, homens e mulheres usavam os seus melhores trajes para aproveitar o máximo do banquete oferecido pela família Lion, onde o Imperador Roberto iria apresentar sua filha que acabará de completar seus quinze anos, idade qual os pretendentes a casamento já deveriam surgir...

Atrás da pesada cortina de veludo vermelho estava a jovem a ser apresentada, olhava todos com cuidado, sentia suas pernas tremerem, eram tantas pessoas mais velhas do que si dançando e conversando. Estava acostumada com a escola de freiras onde estava nos último dez anos, as orações feitas a cada duas horas, estudos sobre a bíblia durante quatro horas e cânticos ao Senhor...

–Não deveria estar dançando? — se virou encarando o belo homem fardado atrás de si.

Sentiu seu rosto esquentar e abaixou a cabeça segurando seu lenço com as duas mãos, mas então ele tocou seu rosto com as pontas dos dedos, fez com que ela lhe encarasse e sorriu mostrando seus dentes perfeitos alinhados e tão brilhantes.

Ele tinha olhos verdes grandes, lábios finos rosados, pele branca e cabelos loiros bem penteados para trás, a roupa num tom de azul marinho com diversas medalhas deixavam claro sua posição, era um general, um jovem e pelo general. E aqueles olhos verdes analisavam a pequena a sua frente, os cabelos castanhos em longos cachos os olhos na mesma tonalidade bem delineados a deixavam semelhante a uma boneca, principalmente devido seus lábios estarem vermelhos...

Como estavam lindos naquela cor...

–General. — o Imperador o chamou sério, olhou para a filha fazendo sinal que a mesma fosse para outro lugar, ela assentiu passando pelos dois — Fique longe de minha filha.

Foi dito enquanto o General olhava a jovem ir para longe, lhe espiar sobre os ombros, sorrir com aqueles lábios vermelhos...

–Como desejar, Imperador.

∞

O banquete ainda acontecia, contudo apenas os mais velhos se deleitavam de tanta fartura enquanto os mais novos dançavam, a filha do imperador já estava em sua quinta dança, com seu décimo cavaleiro...

–Posso? — ela ouviu a voz do General atrás de si e sorriu involuntariamente, o jovem que antes dançava lhe entregou há ele e uma nova música começou — Ainda não me revelou seu nome...

–O senhor também não... — disse baixo vendo ao longe que seu pai fazia uma cara de reprovação.

–Me diga você primeiro.

–Evelyn... — respondeu o vendo sorriu — E o do senhor?

–Richard... — sussurrou em seu ouvido — Nunca se esqueça...

Ele expirou seu perfume antes de se afastar dela, sorria a fazendo sentir seu rosto esquentar cada vez mais. O Imperador então mandou cessar a música e o centro foi ficando vazio, eles foram o último casal a deixar, ele reverenciando enquanto beijava sua pequena mão. Os telespectadores daquela cenas já tinham em mente que aquele seria o escolhido para ser o marido de Evelyn e em futuro, próximo Imperador.

∞

Evelyn seguia pelo corredor principal, a festa já havia acabado a mais de três horas e os empregados estavam terminando de limpar tudo. Infelizmente seu caminho foi interrompido devido sua curiosidade, ouvirá da biblioteca gritos de seu pai com alguém que sequer ousava responder.

–AGORA SAÍA DAQUI!!!

Escondeu-se atrás de uma coluna vendo alguém sair e em seguida seu pai fez o caminho oposto, provavelmente indo para seu dormitório. Suspirou aliviada em não ser vista saindo para o meio do corredor quando sentiu uma mão em sua cintura, seu corpo ficou petrificado de medo.

–Seu perfume não passa despercebido... — reconhecerá a voz de Richard — Não estava na sua hora de dormir?

–Eu... — estava nervosa com aquela aproximação — Fui beber água...

–Também estou com sede... — sentiu o hálito dele quente próximo ao seu ouvido — Gostaria de me acompanhar em uma bebida?

–Eu...

–Por favor. — a virou para si — Não está curiosa para saber o porque dos berros de seu pai?

Não teve como dar resposta, ele segurou sua mão com delicadeza a conduzindo pelo corredor, não havia como ignorá-lo, como não o seguir. Richard foi o primeiro homem de fora de sua família que falou consigo, que lhe tocou como instantes atrás, e este charme lhe dava medo, mas como já dito, ignorar não era algo possível.

Desviaram de alguns empregados e aqueles que perceberam sua presença fingiram não perceber, problemas com a família imperial não era o que nenhum deles desejava.

Richard abriu uma porta, ali era um dos escritórios da mansão, puxou a cadeira para que ela se sentasse e foi até a mesa com algumas garrafas coloridas, pegou dois copos e uma garrafa que já estava pela metade. Assim que abriu a tampa Evelyn sentiu o forte cheiro de álcool, aquele liquido era vermelho e não lhe dava vontade de provar, mas ali a sua frente estava Richard oferecendo o copo, pegou se afogando com o aroma mais forte devido a aproximação.

–Um brinde a nós, Evelyn. — ela realmente tentou saborear, mas logo que pôs o liquido engasgou-se o cuspindo — Apenas tenha calma, aprenderá saborear logo... — Richard bebeu seu copo de uma única vez.

E pela segunda vez ela tentava saborear, mas apenas molhou os lábios, mas quando ameaçou tirar o copo dos lábios ele empurrou a fazendo engasgar-se novamente.

–Assim não irá se acostumar... — disse como se estivesse certo — Sinto muito, fiz com que sujasse seu vestido... — ela pegou o lenço que sempre carregava consigo para limpar, mas ele lhe tomou — Eu fiz isso, o mínimo é que eu mesmo limpe...

–Não... — prendeu a respiração ao sentir o lenço tocar seu rosto, descer pelos seus lábios, pescoço e chegar finalmente ao seu discreto decote — Eu preciso ir... — levantou-se de súbito pegando seu lenço, mas ele não soltou o tecido — Por favor...

–Sabe porque seu pai gritou comigo? — ele também ficou em pé — Para que eu saísse de perto de você, mas não poderia...

–Por que? — engoliu seco o vendo tão perto.

–Porque me apaixonei por você, Evelyn. — acariciou o rosto dela que tinha os lábios trémulos — No momento que a vi senti algo que nunca senti antes. — ela não havia o que responder — Já sentiu isso, Evelyn, amor? — apenas balançou a cabeça negativamente — Você não sente seu coração bater mais forte quando me vê? Não sente suas pernas tremerem com minha voz? Não deseja me beijar?

Ele selou seus lábios nos dela, mantinha os olhos verdes fechados enquanto aquelas orbes castanhas lhe encaravam assustada, era seu primeiro beijo, tinha gosto amargo e sentia seu coração falhar, aquilo parecia medo, mas ele disserá ser amor...

O beijo fora interrompido pela criada que abriu a porta, os encarou e voltou a fechar, Evelyn tinha seus olhos bem abertos, pegou seu lenço e correu para fora deixando Richard a servir mais um copo.

∞

Evelyn tomava o café na companhia de seu pai, mas olhava incansavelmente a jovem criada que lhe flagrará naquela noite, temia que algo fosse dito ou algo feito contra Richard. Agora se perguntava o porque estar preocupada com ele, mas talvez isso fosse o amor que ele havia lhe dito.

–Imperador. — e ali fardado estava ele, a postura perfeita que lhe lançou apenas um leve sorriso — Meu homens estão prontos para acompanha-lo.

–Ótimo, já irei.

–O que? — Evelyn indagou involuntariamente ao ver o pai se levantar.

–Não tive tempo de informar-la, terei que passar dois dias em Londres, mas não se preocupe é apenas burocracias, trarei presentes... — se aproximou da pequena beijando sua testa — Fique bem. — assentiu sorrindo para o pai que assim que se virou foi seguido por Richard que não saiu sem antes sorrir abertamente para o jovem ainda na mesa.

–Senhorita... — foi chamada pela jovem empregada que lhe flagrou — Não quero parecer rude, mas se afaste do General... Ele não fará bem a senhorita...

–Agradeço por não ter mencionado nada ao meu pai, mas não se meta nisso. — foi rude pela primeira vez em sua vida, levantou-se indo até a janela.

Seu pai já estava dentro da carruagem, e quem observava ela dar partida também era o General Richard com sua expressão superior. Evelyn tocou o vidro com as pontas dos dedos como se pudesse toca-lo e o viu se virar e encara-la, sorriu lindamente como sempre e foi para longe de sua vista.

∞

Era tarde quando observava o céu estralado, a noite estava fria, mas estava segura no aconchego de seu quarto, fechou os olhos assim que sentiu uma brisa mais forte bater contra seu rosto e deixou que seus pensamentos partissem.

–Linda. — se assustou com a voz de Richard.

–O que faz aqui? — a porta estava fechada, ele sentado sobre sua cama — Por favor, saía.

–Você não quer isso, Evelyn. Você me ama... — se levantou indo até ela — Aceite-se casar comigo, poderemos ser felizes juntos, nunca irá sofrer ou ficar só... — a abraçou com força — Diga que será minha, Evelyn.

–Eu... — sentia o cheiro da bebida vinda dele — Por favor, Richard, vá. — ele se afastou e riu.

–Foi mais esperta do que sua criada... — ele já não parecia o homem desesperado pelo seu amor — Ela realmente acreditou que nos casariamos e se deitou comigo.

–Por isso... — sentiu-se mal pelo modo que tratara a criada mais cedo — Vá, Richard.

–Não sem ter você.

–O que...? – foi interrompida pelo forte abraço dele que lhe calou cobrindo sua boca.

Conseguia sentir o gramado molhado embaixo de seus pés, podia ver o céu cinzento, as folhas vermelhas das arvores do jardim, estava sendo levada arrastada para o próprio jardim. Seu corpo pequeno foi jogado com força contra o chão, gritou, mas de nada adiantou, ele a puxou pela pelos braços até uma arvore, rasgou um pedaço de seu próprio vestido para amarrar suas mãos no tronco fino e resistente de madeira.

Sentia as mãos frias dele levantarem sua saia, suas pernas expostas foram afastadas com os joelhos de Richard que ficou entre elas, pressionou os quadris com força mostrando sua ereção, mas isso só a fazia chorar ainda mais. Não havia como gritar, não havia ninguém que pudesse salvá-la, não havia mais vida em si...

∞

O imperador Roberto saiu da carruagem, respirou fundo vendo que amanhecerá a pouco tempo, quando ouviu algo, era um gemido, olhou para a escadaria onde uma mão sangrando lutava para se mostrar, correu até lá com seus homens reconhecendo sua filha, as vestes sujas de lama e sangue, o rosto inchado, machucado e molhado do choro.

–Minha filha... — se ajoelhou a colocando no colo — O que houve? — acariciou os rosto dela que aos poucos perdia a consciência — Chamem um médico! Rápido! — gritou fazendo todos correrem — Vai ficar tudo bem, meu amor...

Apesar de ouvir seu pai, tudo que ecova em sua mente era a voz de Richard com seu sangue em mãos...

"Vermelho sempre foi minha cor preferida..."

∞

Seis meses se passaram, Richard ficará longe do imperio durante todo o periodo, fora em missão em outros reinos e hoje voltava como um homem honrada, que lutara na frente de tantos outros para honrar seu brasão. Desceu da carruagem sorrindo para os soldados que logo abriram a entrada da mansão.

Adentrou olhando ao redor, era para ser uma festa em sua homenagem e não havia ninguém ali. Então ouviu a porta ser fechada num estrondo, tomou em mãos a espada quando percebeu outra porta se abrir, uma mulher de cabelos vermelhos assim como seu vestido surgiu com uma vela em mãos.

–Ordeno que me diga o que esta acontecendo aqui! — gritou andando até ela, mas parou ao ver mais mulheres surgirem com as mesma vestes — Digam agora!

De todas as entradas mulheres surgiam com seus cabelos tão vermelhos como seus vestidos, algumas com velas em mãos e outra escondiam algo, logo todas as portas se fecharam e do alto da escadaria uma ruiva em especial surgiu com um lenço em mãos.

–Evelyn?!

Ela sorriu inclinando a cabeça para a esquerda e Richard sentiu o corte em seu braço, logo as espadas acertavam seus braços, mas principalmente suas pernas, enfiavam com força e retiravam lentamente para fazer com que a dor fosse mais duradoura. Ele caiu sem ter como sequer segurar sua espada, elas pararam e Evelyn se aproximou com o lenço, aquele mesmo tecido que havia sido usado para amarrar suas mãos e o pos sobre os olhos dele.

–Fique com minha ilusão. — sussurrou pegando um punhal de seu vestido, passando como uma caricia em seu pescoço — Sentirá até a última gota da sua cor preferida, querido.

Notas finais
Bjos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!