Notas iniciais
A música usada nesse capítulo se chama Sophia e pertence à banda Ramirez... Quem quiser ouvi-la, o link tá aí: http://www.youtube.com/watch?v=R_PyncvGqPE

Capítulo 3


Helena gostou da casa da mais velha pois era aconchegante e silenciosa, do jeito que sempre quisera que a sua fosse.

Ela ficou no quarto da amiga enquanto a outra procurava um casaco e viu uma bela guitarra em cima da cama. Estava tão feliz que resolveu tocar um pouco, contudo, logo depois Manu, zangada, apareceu.

- O que você está fazendo? – perguntou pegando a guitarra das mãos da garota. – Sempre fica mexendo nas coisas dos outros?

- Desculpa... – balbuciou a mais nova. – Pensei que não tinha problema e como tu disse que queria me ouvir tocar... – respondeu toda corada.

- Nunca mais toque nessa guitarra. – disse enquanto guardava o instrumento no armário.

- Desculpa – murmurou abaixando a cabeça e quase chorando. – Não devia ter feito isso...

Manu se arrependeu de ter sido tão grossa.

- Helena, me desculpe. Não devia ter falado assim contigo. Essa guitarra é muito importante pra mim e não gosto que mexam nela. Porém isso não me dá o direito de tratar mal as pessoas, ainda mais você que sempre foi tão atenciosa comigo. Me desculpe, por favor. Vamos esquecer o que aconteceu hoje, ok?

- Não quero esquecer, Pierrot. Hoje me diverti muito.

- Eu também me diverti e estou muito contente por você estar aqui comigo, Colombina.

Helena sorriu.

- Você tem guitarra em casa? – perguntou a carioca mudando de assunto.

- Sim, posso tocar se tu quiser.

- Quero sim! Nessa folha aqui tem as cifras de uma das músicas da minha banda. Você podia tocá-las... – comentou.

Após algum tempo as duas já se encontravam no quarto da mais nova.

- É melhor a gente ir pro parquinho do condomínio. Se tocar aqui minha mãe pode acordar. – falou Helena já saindo.

A garota sentou num banquinho enquanto a mais velha se sentou no balanço que ficava ali perto.

Quando acabou de tocar, vendo a expressão séria de Manu, resolveu perguntar:

- Toco tão mal assim que não mereço nenhum comentário? – e sem obter resposta a chamou. — Manu?

A garota parecia ter acordado de um transe.

- Aconteceu alguma coisa?

- Tu me ouviu tocar? – perguntou tristemente.

- Sim.

- E?

- E você tocou tão bem que me deu vontade de cantar. Toca mais uma vez, por favor.

Helena não soube se ela estava pedindo aquilo porque não ouvira da primeira vez ou se apenas queria cantar, contudo, resolveu atender ao pedido.


A noite mais feliz, que eu tanto esperei.

Cenário exato de um castelo
E eu parada ali,
Foi quando te encontrei usando seu melhor modelo.
Faz-de-conta e baile no jardim, traz de vez um sonho pra mim!

E aceita logo meu convite,
Roberta, por favor!
Vem dançar comigo e me faz ser o seu primeiro amor!

Desde que cheguei
Foi fácil perceber que eu só falava no seu nome
E olhava pra você,
Princesa ao natural pra qual eu prometi o mundo

Uma noite pra não esquecer,
E eu só vou lembrar de você!

E aceita logo meu convite,
Roberta, por favor!
Vem dançar comigo e me faz ser o seu primeiro amor!


Ela se surpreendeu ao ouvi-la cantar. A letra saía com tanto sentimento que a catarinense chegou a ter vontade que Manu cantasse assim em seu ouvido.

Então se deu conta do que acabara de pensar e ficou vermelha como um pimentão.

A mais velha concentrada na canção não percebeu as emoções que passavam pela face da amiga.

- Quero te fazer um convite. – falou quando parou de cantar. – O que você acha de participar da minha banda?

A mais nova se surpreendeu.

- Tu-quer-que-eu-toque-na-sua-banda? – perguntou incrédula.

- Sim. Estamos precisando de uma guitarrista e você é perfeita – comentou deixando a outra novamente corada. – para o lugar. – emendou. – Agora preciso ir. Aparece amanhã lá em casa por volta das seis. – disse enquanto beijava-lhe a face. – Bom primeiro dia de aula amanhã.

- Obrigada e boa noite. – falou ainda atordoada.



Uma hora depois Helena ainda não conseguira adormecer. Várias perguntas povoavam sua mente: quem era Roberta? Será que Manu amava essa tal garota? Onde ela estaria?

Ficou relembrando o passeio que fizeram e sorriu. Não podia negar que estava encantada com a escritora. Tudo era motivo de piada e ela a fazia rir até das coisas que não tinham graça.

Sentia que podia falar de qualquer assunto sem ser criticada e isso lhe dava uma sensação de tranqüilidade e segurança.

Descobriu que ansiava por vê-la novamente e que estava muito feliz pela garota ter lhe convidado para a banda. Saber que Manu admirava uma de suas principais qualidades a fazia se sentir bem.

Imaginou como seriam as outras três garotas. A vocalista falara um pouco sobre cada uma delas. Letícia era a mais calminha e responsável, Cínthia possuía um humor negro e sarcástico, porém era extremamente fiel aos amigos e Bárbara tinha o coração do tamanho do mundo.

E sonhando com o dia seguinte, finalmente adormeceu...



- Como foi o encontro? – perguntou Cínthia logo que avistou a amiga.

- Que encontro? – perguntou se fazendo de desentendida.

- Anda, Manu! Conta pra gente. – pediu Lê.

- Como ela é? – perguntou Bárbara.

- O passeio foi ótimo. Vimos umas vitrines, depois lanchamos e depois eu a levei pra casa.

- Só aconteceu isso? – Cínthia, desapontada, perguntou.

- Bem, tivemos um problema porque ela tocou a guitarra da Beta...

- Não acredito que você brigou com ela por causa disso! – exclamou Babi.

- Eu me arrependi, ok? Então pára de falar assim porque vou me sentir ainda pior. – pediu Manuella.

- E como a Helena reagiu? – perguntou Letícia.

- Ela me desculpou. Depois fomos pra casa dela e finalmente a ouvi tocar.

- E então? Ela é boa? – perguntou Cínthia já cansada de não ter guitarrista.

- Eu a chamei para o ensaio de hoje. Espero que não tenha problema.

- É claro que não tem! – respondeu Babi. – Mas você não a chamou só por ela gostar das tuas histórias, né? – perguntou preocupada.

- O que você acha? – perguntou sarcástica. – Eu a chamei porque ela é fantástica... – falou em tom indiferente.

- Melhor que a Beta? – foi a vez de Letícia querer saber.

- Sim. Ela é uma excelente guitarrista. Na verdade, uma das melhores que conheço e nessa lista tô incluindo os famosos.

- Nossa! A garota te impressionou mesmo! – comentou Chíntia dessa vez sem malícia.

- Pois... Agora basta saber se ela vai gostar de tocar com a gente.

- E como ela é fisicamente?

Manu sorriu ao lembrar da garota lhe olhando quando se viram pela primeira vez. Realmente elas eram muito diferentes...

- Acho que não devo estragar a surpresa. – respondeu enigmática.

- Nem pense nisso! – Letícia falou. – Pode contar agora!

- Se não a conhecesse a definiria como roqueira, porém pelo o que a gente conversou, acho que ela se veste assim porque acha mais confortável e porque gosta desse tipo de roupa.

- Vai me dizer que ela se veste toda de preto, cheia de correntes e maquiagem escura? – perguntou Cínthia, a mais patricinha de todas, chocada.

As outras duas olharam para Bárbara.

- Desculpa, Babi, mas você sabe que acho horrível o teu visual! – comentou arrancando risadas pela sua sinceridade. – Apesar de que você nem é das piores... Pelo menos usa outras cores também...

Essa foi a deixa pras quatro caírem na gargalhada.

- Agora chega, Cínthia! – falou Manu quando se recuperou. – Deixa de ser preconceituosa, a Helena é muito legal e não quero que você a faça se sentir mal.

- Ei, eu jamais...

- Só estou te lembrando – cortou Manu. – A gente sabe como você é e não leva a sério as tuas alfinetadas, mas ela não te conhece. Então vê se fica comportada e age como uma garota de sua estirpe pelo menos uma vez na vida! – pediu ela fazendo todas rirem com a menção da família tradicional que a garota odiava.

- Por que você está tão calada, Babi? – perguntou Letícia depois das risadas.

- Estou tentando imaginar como é essa garota. Ela é bonita, Mamá?

- Sei lá, nem reparei.

As três lhe olharam incrédulas.

- Que cara de pau! Não tem vergonha de mentir desse jeito pras tuas melhores amigas? – a baixista perguntou. – Até parece que você não deu uma boa analisada nela...

- Não vamos tirá-la de você, Manu! – brincou Lê. – Eu e a Cínthia somos hetero e a Babi já tem namorada, esqueceu? Então pára de mentir e responde logo!

- Ela é bonitinha. – falou com cautela.

- Só bonitinha? – Bárbara perguntou.

- Ela é muito bonita! Satisfeitas? Ouviram o que queriam? – perguntou torcendo para que a raiva não deixasse transparecer a vergonha por admitir que reparara na garota.