Ilusões
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Sakura
Eu o teria parado no meio da rua se não estivesse vendo como vesga: tudo duplo. E se ele não tivesse me causado aquela impressão estranha...
Saí andando com ele de mãos dadas pelas ruas. Tudo o que eu conseguia ver era a sua mão sobre a minha. E duplo, ainda por cima! Err. Naruto não segurava minha mão. Não sei bem por quê. Ele tinha vergonha de mim? Seria por causa do meu cabelo? Não, não podia ser. Ele inventara aquele apelido em homenagem a isso... Ou ele estava debochando?
Argh! Eu não queria mais pensar nisso. Mas saber que eu ainda teria de confrontá-lo me atormentava. Então, resolvi fazer uma parada no boteco em que estávamos passando para comprar alguma bebida. Eu não estava bêbada o suficiente ainda para esquecer de algo. E Sasuke parecia estar menos alcoolizado, pois não ria mais, embora ainda me arrastasse por aí. E eu ainda precisava dele bêbado.
Comprei uma garrafa de gim. Como é uma bebida forte, imaginei que não levaria muito tempo para fazer efeito. E saímos bebendo até chegamos a um motel qualquer. Na verdade, ele foi bebendo. Mal bebi um gole e ele já foi arrancando a garrafa das minhas mãos. E como ele estava sem sua carteira, ainda tive que pagar pelo “pato”! Err. O quarto era arrumadinho, mas nada comparado com o hotel em que eu estava, ou mesmo o apartamento dele. Mas ele disse que escolhera aquele porque ninguém desconfiaria que ele estivesse em um motel daqueles e com uma estranha. A essa altura, Londres inteira já devia saber quem sou, mas como o cara que nos atendeu era um velho meio cego, eu não disse nada. Até porque, logo em seguida, assim que entramos no quarto, ele segurou meu rosto com ambas as mãos. E ficou me olhando daquele jeito esquisito... Sedutor. Eu simplesmente fiquei impossibilitada de sibilar qualquer coisa.
Eu hein?! Me arrepiei toda. Como ele conseguia fazer aquilo?
Talvez fosse o gole de gim que bebi...
— Hehehehe... Estou nervoso. Faz tempo que não transo. — ele diz, passando o dedo nos meus lábios.
—Ah! Somos dois. — comecei a sorrir para ele como uma debilóide.
Não, espere aí! Concentre-se Sakura! Err. Eu não podia tomar um porre! Precisava de, pelo menos, o mínimo de sobriedade, para fazer isso dar certo.
— Porque você não vai se preparando, enquanto eu... Ahm... Ponho um contraceptivo — peguei minha bolsa, e me fui para o banheiro.
Respirei fundo, enquanto via meu reflexo... Digo, reflexos! — Err —, no espelho. Eu não podia acreditar que estava prestes a fazer isso! Graças às investidas idiotas da Ino, eu levava uma camisinha feminina na bolsa. Ela tentava me empurrar para cima daquele amigo da tatuagem, que mencionei antes. Mas ele era apenas um ruivo nerd, vidrado em computadores e vídeo games! Não tínhamos nada em comum!
Enfim... Após me certificar de que meu celular ainda gravava tudo, pus o bendito negócio lá dentro do buraquinho. Eu estava tremendo da cabeça aos pés, em nervosismo! Err.
Sasuke já estava sem camisa, e deitado na cama, bebendo mais uns goles do gim. Pus a bolsa, com o zíper aberto, ao lado da cama, para que captasse bem tudo o que disséssemos. Até mesmo os mínimos ruídos! Incluindo gemidos. Err.
Mas ele mal me deu tempo, e já foi me puxando para a cama. Começou com os beijos, e mãos bobas para lá e para cá. Quando vi, eu já estava sem minha blusa, e com ele em meus “petchos”. Bom, havia um tempo em que as teias de aranha dominavam minha região baixa, né? E ele não era o pão que o diabo amassou. Ele era o Davi, que Deus modelou! Em carne e osso, com covinha e cabelo liso! Não tinha como negar aquela belezoca, com tanto sangue no meu álcool! Digo, álcool no meu sangue! Err.
Correspondi seus toques; não deu para resistir. Juro que tentei! NOT. Ahém. No entanto, não fui com tanto entusiasmo, mas com hesitação. Seus beijos continuaram divinos e, seu perfume, diferente de antes, era muito melhor. E seus cabelos; minha nossa! Eram macios como seda. Eu preciso perguntar que xampu e condicionador ele usava... Err.
Depois de um tempo me beijando, aqui e ali, ele se ergue, e me olha com aquele sorriso incrível de lábios colados.
— Eu tenho que dizer isso... Faz um tempo que eu não me divertia assim, tão espontaneamente. — ele diz, enquanto passava os dedos em meus cabelos, me olhando com aqueles olhos negros, sedutores. — Sabe; quando se faz parte da mídia, você conhece muitas pessoas, é claro. Acaba ficando amigos de uns, e conhecido por outros. Durante as gravações dos filmes eu me divirto sim. Seria hipocrisia minha, se dissesse que não. Principalmente quando se faz parte de algum filme de comédia! O ambiente de trabalho se torna muito mais amistoso e descontraído. Mas ainda assim, você não deixa de pensar que está trabalhando, e que há limites entre a relação chefe-empregado. Bom, no meu caso, diretor-ator. Em meu ponto de vista, atores não passam de marionetes nas mãos dos diretores, onde temos um roteiro a seguir, de acordo com o que ele manda, entende? Portanto, por mais descontraído que o momento pudesse ficar, ainda temos que seguir as regras. Mas isso é o que eu gosto de fazer; não estou reclamando exatamente disso. Poder interpretar pessoas diferentes, com vidas que eu nunca poderia ter, é fascinante. Entrar em um mundo completamente diferente do seu, é até mesmo surreal. Mas aquele vazio que fica, quando tudo acaba, é que me atormenta. E você nunca mais encontra os mesmos colegas de trabalho de novo, tendo-se que ocupar com outro trabalho. E a falta de rotina, por mais estranho que possa parecer, faz falta... Eu sinto falta... Eu queria poder repetir essa noite mais vezes. — ora essa! Isso não era nada do que eu esperava ouvir dele!
Hum.
— Porque você não sai com seus amigos antigos? — há! Boa, Sakura, boa! Lembrei da conversa das duas moças no elevador. Eu estava louquinha pra saber o que ele diria!
— Eu ainda falo com alguns deles, mas nem todos. É engraçado que, quando comecei a aparecer, surgiram amigos que nunca realmente tive. Eu não posso confiar em qualquer um, entende? Ainda mais depois que um deles disse quem meus pais eram. O que é uma merda! Eu não posso confiar em ninguém, cegamente. Porque qualquer um pode se aproximar de mim com segundas intenções... Eu odeio viver assim. Eu preciso ter alguém em quem confiar... — oh.
Ele me dizia aquilo tudo com a voz embargada em amargura e ressentimento. O cara realmente estava falando a sério.
Ele passou a mão em meu rosto, tirou as franjas dos meus olhos, e me beijou. Eu sentia cada gotinha de álcool que ele havia ingerido em seu hálito. Mas o beijo dele era tão terno, macio, quente e firme, que isso não tinha mais importância. Hum.
— Essa foi a melhor noite que tive em milênios! Você me faz me sentir normal. Nunca mais que eu ira sair bebendo pela rua, e xingando motoristas! Hehe. E você não fica se jogando para cima de mim, fazendo elogios baratos, me lembrando o tempo todo em que mundo sufocante vivo... Você não faz idéia de como é bom estar com um estranho, que não me conhece! Eu quero te ter essa noite, Sakura. Eu preciso esquecer-me de tudo por, pelo menos, alguns segundos! Você me permite?
— O... Ok. Si...Sim. — de repente, me vi nervosa, diante dele. Com medo de errar alguma coisa.
Ele tirou a calça jeans que usava, enquanto me desfiz da minha. Ele mesmo tirou minha calcinha, ergueu minhas pernas para o alto, e se pôs entre elas. Sua língua era incrível; parecia que sabia onde e como exatamente me tocar. Tive que morder o travesseiro, para conter os gemidos. A sensação era muito forte. Inconscientemente, eu já rebolava para ele, que também se tocava com uma das mãos.
Agarrei-me ao lençol, sentindo ondas de calor me acometer, enquanto ele sugava meu clitóris. Às vezes, eu erguia a cabeça só para olhar aquela boca quente em mim. Firme, mas suave, macia e úmida. Deslizava para todos os lados, sem pressa. O cara só podia ser o Deus do sexo! Não é possível! Ou eu, que estou muito enferrujada! Err.
E quando eu estava prestes a alcançar o ápice, quase como se soubesse disso, ele parou e veio subindo pelo meu corpo, deslizando sua língua, me deixando levemente frustrada. Lambeu meu umbigo, a lateral de uma das costelas, e veio para o meu seio. Seus lábios contornaram minhas curvas até chegar ao meu mamilo, onde sugou delicadamente. Por vezes, sua língua contornava auréola, e ele mordiscava o bico do seio. Sutilmente, ele passou uma das mãos por baixo de seu corpo, para me dar mais massagens, lá embaixo, enquanto eu gemia com suas investidas em meu seio. Me contorci na cama, com aquela explosão de sensações! Ele estava me deixando maluca, prestes a subir pelas paredes!
Seus toques eram suaves, como se tivesse medo de me ferir, mas, ao mesmo tempo, eram extremamente sensuais. Ele continuou a beijar meu seio, enquanto acariciava o outro com a mão livre. E prosseguiu com as leves mordiscadas no bico rígido, alternado entre leves beliscadas com os dedos. Abracei sua cintura com as pernas, lhe dando passe livre para me penetrar. Ele se ergueu, e, assim o fez; lenta e cuidadosamente. Seu membro rígido e quente, me penetrando, causava-me calafrios. Eu gemi; ele não. Mas suas expressões lhe entregava; ele estava, sim, sentindo prazer. E ele fazia cada expressão sensual, que eu seria capaz de ter um orgasmo para cada uma delas! Eu juro! Surpreendi-me, na verdade, ao perceber que eu não tirava os olhos dele.
E então, vieram os movimentos de vai e vem. Vai e vem. Vai e vem. Vai e vem, vai e vem, vai e vem... Ele não tirava os olhos dos meus seios, balançando com seus movimentos, enquanto estocava com firmeza, tirando-me o fôlego. Ambos estávamos ofegantes, com as costas suadas.
— Hummm. Eu vou gozar... — ele, então, anuncia num sussurro rouco.
— Não antes de mim! — lhe joguei para o lado, e fiquei por cima, no controle das ações.
Com as pernas estiradas para trás, minha vagina tinha mais contato com sua pele quente. E com ele massageando meus seios sem parar, eu chegaria logo ao clímax.
Eu não conseguia parar de olhar para aqueles lábios em minha pele. E aqueles olhares, que ele me lançava o tempo todo, me fazia perder a linha do pensamento. Eu mordia o lábio inferior para me conter. Ele parecia querer me induzir a agir de modo mais... Selvagem! Era isso o que eu tinha vontade de fazer. Chutar o pau da barraca, e perder o controle do bom senso. Cavalgar em cima dele, e exigir que me dissesse palavras excitantes. Eu tinha vontade de lhe arranhar as costas, e lambe-lo todo. Isso tudo porque ele embaralhava a minha cabeça!
Eu não deveria me deixar envolver por ele, assim, tão intensamente! Mas me contive. E deixei que a sensação me dominasse. Meu orgasmo durou um pouco mais de um minuto! Um recorde para mim! Nesse meio tempo, enquanto eu gemia mais alto e me movia com intensidade, ele sugou meus seios com mais força, passando a se mover com mais rapidez. Isso ajudou a meu orgasmo durar mais. Quando acabou, ele também já havia chegado a seu ápice, e sorria para mim.
Me joguei para o lado, mas ele me pôs em seu peito.
— Você deveria estar aqui, perto do meu coração. — ele ainda disse.
Não sei se era apenas efeito do álcool, preferi pensar que não, mas achei que essa fora a melhor coisa que alguém poderia ter me dito. Naruto sempre pedia por espaço para dormir. Dizia que não conseguia ficar a vontade comigo abraçada a ele. Eu até o entendia, porque também me sentia assim, mas poder dormir abraçada a alguém, de vez em quando, era bom. E Sasuke havia sido completamente diferente do que eu imaginava!
Ele tinha alguns fios de pêlos no peito. Fiquei um tempo mexendo neles, para distrair a náusea que comecei a sentir, devido à bebida. Enquanto fazia isso, e ele bebia mais da garrafa, alguns pensamentos e memórias vieram à tona.
— Eu sei que algumas pessoas ficam loucas, com tanta exposição; alguns até cometem suicídio... Mas você poderia tentar relaxar mais. Tem muita gente que consegue lidar bem com isso, Sasuke. — lhe digo após um tempo, passando a mão em seu peito. Algumas pessoas, até mesmo, usam o álcool e a droga para fugirem da realidade... Como eu achei que ele estivesse tentando fazer, naquele momento.
— Mas eu não sou como essas pessoas. Isso está me sufocando mais do que eu pensava que poderia ser capaz. Você não entende... — ele diz, bebendo mais um gole. Tomei-lhe a garrafa da mão, para que parasse de beber. Ele já havia ingerido álcool em demasia.
— Eu entendo mais do que você imagina... — lhe digo. Eu não gostava de me lembrar, ou sequer falar sobre isso, mas achei que, desta vez, seria válido — Minha mãe era uma atriz famosa em Paris. Ela também não agüentou a super exposição, enlouqueceu e se suicidou.
— Tsc! Sério?
— Hum. Me prometa que não irá deixar isso te acontecer, ok? — a idéia de morte me assustava.
Ele não respondeu; apenas beijou o topo da minha cabeça. E assim, abraçados, dormimos. Digo, ele dormiu logo em seguida. Eu ainda penei acordada, com pensamentos e memórias me atormentando.
No dia seguinte, milagrosamente, eu ainda me lembrava de algumas coisas. Lembrava-me de ter sido arrastada até o motel, e de transarmos. Lembrava que havia gostado daquele momento, e que ele havia me confessado algumas coisas, embora não sabia bem o que. Então, quando ele começou a me ofender, eu fiquei muito fula sim. Ele me acusava o tempo inteiro de coisas que eu não havia feito! E o cretino sequer ficou para ver o que tinha para lhe mostrar em meu celular. Quando entrou no banheiro do quarto, fui direto ouvir a última gravação, lembrando que ali estaria a parte crucial de tudo. O que eu não esperava era me emocionar com toda aquela conversa. E depois de ouvir suas declarações, outra vez, eu simplesmente não tive mais coragem para lhe denunciar. O cara era mais problemático do que eu pensei! Fiquei com medo de chateá-lo ainda mais, e ele surtasse de vez.
Por sorte, ele demorou lá dentro. Assim, tive tempo para apagar tudo do aparelho. Não sei se foi por compaixão, ou o quê, mas eu não podia fazer aquilo com o Sasuke. E comecei a olhá-lo com medo e pena, pois eu não queria que ele tivesse o mesmo fim que minha mãe tivera.
E acabei me surpreendendo ao pensar que, na verdade, ele poderia ser o cara mais legal que encontrei na vida...
Mas eu ainda estava brava com ele, é claro. Ele feriu meu orgulho injustamente. Eu havia lhe dito que não usava contraceptivos, apenas para mexer com ele. Eu queria ver qual seria sua reação. Mas não esperava que ele fosse agir estupidamente daquela forma. Ele se esqueceu da noite que tivemos? Bom, não seria eu a lhe dizê-lo. Até mesmo porque, estando de cabeça quente, ele não acreditaria. Então, resolvi engolir o sapo em silêncio. Apenas por enquanto, é claro! Que ele fique a pensar o que quiser, até lembrar-se de tudo e vir se rastejando de joelhos, me implorando perdão. Pois assim que essa dor de cabeça passar, eu voltaria a azucriná-lo! Ah, se ia!
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