Ilusões
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Sakura
Eu havia achado uma baita falta de respeito, e consideração, não terem me perguntado se estaria tudo bem por mim, se jantássemos em um restaurante de comida estrangeira. Com certeza, isso iria para a minha lista negra de pontos negativos. Por falar nisso, será que eu deveria criar uma lista de pontos positivos? Talvez. Apenas para dizer que houve a intenção de olhá-lo com olhos inocentes, certo? Ah, mas que pena que não estou enxergando muito bem hoje! Ahém.
Mas me arrepiei só de pensar que ele estava caindo na minha teia como um patinho. Mas olha só que maravilha! Magnífico! Supimpa! Aquela mão boba, aquela conversa e seu jeito de falar, estariam registrados eternamente em meu celular. O gravador estava ligado dentro da bolsa, prontinho para incriminar o cretino. Agora, eu só tinha que dar um jeito de continuar enrolando o cara. O que não seria muito difícil, acredito eu, já que ele mostrou-se chegado numa birita. Quem sabe, se eu conseguir empurrar mais alguma coisa para ele beber, ele não cede? Homens quando bebem, conseguem ser mais tagarelas do que mulher fofoqueira! Seria uma maravilha se eu conseguisse fazer o miserável contar suas aventuras sombrias e sórdidas.
Ahm... Qual foi mesmo a pergunta dele? Ah, que pena que eu tive uma emergência feminina.
— Ahmm, se me der licença, eu preciso ir ao toalete. Emergência feminina. — lhe digo.
Mas isso, na verdade, não foi uma desculpa esfarrapada. Eu realmente comecei a sentir minha pressão sanguínea acelerar na cabeça, o que não era um bom sinal. E quando levantei, ainda por cima, senti como estivesse prestes a cair de cara no chão. Foi então que me dei conta de que estava comendo fígado. Um dos meus medicamentos me proibia de comer certos alimentos. Como queijos, pizzas, qualquer carne defumada, vinhos E fígado! Se algum desses ingredientes entrasse em meu estômago, eu poderia ter um acidente vascular cerebral. E convenhamos, isso não muito seria bonito, nem divertido!
E quando me lembrei disso, tive uma terrível vontade de chorar. Ah, que ódio! As lágrimas simplesmente começaram a cair como uma enxurrada. Se não saísse logo dali, eu seria capaz de provocar um dilúvio naquele restaurante, e afogar todo mundo! Não sei se alguém viu meu rosto, mas simplesmente saí correndo em direção ao banheiro. Peguei o aparelho de medir pressão, que sempre carregava comigo para emergências. E acredite, eu tinha muitas delas!
Minha pressão estava alta. Ainda bem que eu levava todos os meus remédios em minha bolsa. Enfiei o dedo na língua tentando expulsar a carne do estômago. Não era algo gracioso, mas, talvez, eu sofresse menos assim.
Depois de pôr tudo para fora, fiquei mais um tempo, trancada no banheiro, tentando me recompor. E pensando no meu plano maligno, é claro. Disquei, rapidinho, o número da Ino.
— Por acaso quer me fazer me sentir ainda mais miserável, e esfregar na minha cara que está jantando com ele? — ela pergunta, assim que atende. Mas eu não tinha tempo para suas lamúrias infundamentadas.
— Pensa rápido, Ino. Qual é o teu filme favorito, e por quê?
— Se chama Silêncio, e simplesmente porque ele está lindo, maravilhoso e gostoso. — e isso é lá motivo para se gostar de um filme???
— Me diz que você está de gozação comigo!
— Estou de gozação contigo. — err.
— INOOO! — grrr — Sobre o que fala o filme? Qual é o papel dele?
— Pois então, ele faz papel de um psicólogo sexy, que encontra a paciente mais estranha de sua carreira. A vadia não fala, e não se comunica de jeito algum.
— Uhum, uhum. O que mais?
— Bom, no final, ele descobre que foi ele mesmo quem matou o próprio irmão, e sofria de personalidade dupla e, sem querer, quase mata a vadia que, no final das contas, sabia de tudo. Vadia miserável! Ela deitava com ele, sabia do problema do coitadinho, mas nunca se prestou a dizer nada para ele! — err.
— OK. Captei a mensagem. — encerrei a ligação, e pus meu celular no modo silencioso. Com certeza, ela ligaria de novo perguntando como ele estava vestido. Err.
Liguei o gravador, de novo, saí do banheiro, e voltei para a mesa. Todos me olhavam desconfiados.
— Menstruei. — dei de ombros e sorri. Err.
Continuei a comer. Mas deixei de lado aquele bifão de fígado. Por um breve momento, pensei ter ouvido o cara dos cabelos brancos rosnar. Mas quando o olhei, ele se mantinha focado em seu prato. Hum. Que coisa. Enfim, pedi ao garçom que me servisse mais de saladas. Adoro carnes, mas comer capim, de vez em quando, faz bem pra saúde, não? Saco.
— Bom, — comecei a dar o bote — como eu ia dizendo... Gosto bastante daquele seu filme, em que você interpreta um psicólogo, sabe? Como é mesmo o nome dele? — me fiz de casual. Casual, mas intelectual, sem afobações. Homens gostam disso. É. — Silêncio! Lembrei.
— Uhum. — ele murmura, me olhando de canto. Percebi que já havia terminado sua refeição e, agora, bebia um suco. Humm.
— Pois é. É deste que gosto mais.
— E porque seria? — agora, ele gira o banco em que sentava para ficar me olhando de frente. Engoli a seco. Mas calma! Você consegue, Sakura. Lembre-se, você é quase uma menina super poderosa! Naruto havia me dado esse apelido, por ter pintado o cabelo quando passei no vestibular. Porque, eu não sei, já que nenhuma delas tinha cabelo cor de rosa. Mas enfim... Aquilo me dava mais coragem. Err.
Suspirei, rezando para que eu chutasse certo.
— Bom, o filme inteiro emociona com o seu personagem, que passa boa parte da trama na escuridão, sem entender o que acontecia a sua volta. O filme simplesmente é brilhante, porque, só no final descobrimos quem é o verdadeiro culpado por tudo. E o melhor, é ver que o moçinho se torna o vilão, o que é raro, embora não inexistente, em filmes do gênero. Imagino que tenha sido um grande desafio mesmo, interpretar dois pólos opostos, em um mesmo filme. — ele cerrou os olhos. O que isso quer dizer? Eu errei? Mas ele voltou a sorrir.
— Você poderia ter me dito isso. Não entendi porque envergonhas disso.
— Minha mãe sofre desse problema. Por isso era tão pessoal. — lhe disse. Atacando de moça coitadinha e indefesa era uma ótima tática para conseguir a atenção, também. Muahahaha. Eu sou demais! A melhor do mundo mesmo!
— Sua mãe? — ele pergunta, surpreso.
— Sim. Minha querida mãezinha. Está internada em um hospital psiquiatra agora, tratando desse problema. — boa, Sakura, boa! Quanto mais drama, melhor!
— Ohh! Eu sinto muuuuuuito mesmo por sua mãe!!! — ele diz, passando a mão em minha perna, me olhando com aquela carinha de cachorro de rua. Miserável!
Talvez, eu devesse comprar um micro câmera, e escondê-la estrategicamente em minha roupa, para Ino ver tudinho o que esse miserável fazia. Mas tudo bem; sem pânico. Uma coisa de cada vez.
Aí, depois que terminei de comer meu capim, o cara do cabelo branco nos fez posar para fotos.
— Sah?! — o cara do cabelo branco chamou.
— Sim? — eu e o idiota, respondemos em coro. Aí, estranhei. Mas como assim? O nome dele era Sakura, também? Mas a sombra dele apontou para o cretino mesmo.
— Kakashi chama o Sasuke de Sah, também. — Kurenai me disse. Hummmm. Nhe-nhe-nhe-nhem!
Feliz da vida, o fotógrafo tirava fotos e mais fotos, até nos cegar as vistas com aqueles malditos flashes. Depois da seção de fotos, eles deram por encerrada a noite. Para voltar, fomos em carros separados. Kurenai me deixou na porta do meu hotel, dizendo-me que, amanhã, eu tiraria mais fotos com o Príncepenico. Hum.
Me atirei na cama, sentindo cada músculo do corpo reclamando. Mas não dormi sem antes ver o que tinha naquele presente que ele me dera. Eu adoro presentes, mas não os surpresas! Presentes surpresa NUNCA são bons. Se fosse tão bom assim, a pessoa não se agüentaria e diria na cara o que era, para ver nossa reação. Então, eles nos dão de surpresa só para causar algum impacto, sabe? Certamente, é algum presente comprado de última hora. Uma meia, um lenço de assuar o nariz, uma fita para cabelo... Esse tipo de presente barato que se encontra em qualquer esquina. Mas ok. Vamos lá. E lá fui eu, me desfazendo do embrulho. Dentro daquele embrulho, havia outra embalagem, sem estampas. Hum. Ok, tirei a embalagem. Eis que me surge mais um saco plástico. Err. Rasquei o saco, vendo outro saco. Ai, ai, ai! Já comecei a perder a paciência! Só o que me faltava era encontrar uma unha de dedo dentro daquele monte de embrulhos! Err. Mas não. Antes fosse, na verdade, sabe? Acho que teria preferido uma unha suja cortada mesmo de presente. Mas não, era só uma camiseta com o rostinho gigante daquele egocêntrico na camiseta, mais uns chaveiros com o nome do filme. Eu queria poder atirar aquilo para bem longe, pela janela, mas não; resolvi levar de lembrança para a minha amiga idiota. Quem sabe, com as provas incriminadoras, eu tenho o prazer de vê-la atear fogo na carinha dele! Pelo menos, ele me deu, também, um buquê de rosas. Sou alérgica a rosas, à propósito. Err.
Bom, tudo bem. Devagar, mas sempre em frente! Amanhã, posso começar a pegar mais pesado com o garotão! Afinal, já estava quase provado de ele era apenas um aproveitadorzinho de menininhas! Ele estava no papo. Comendo na palma da minha mão como um pintinho de galinheiro! Maravilha!
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