Iluminados
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O homem que nos atacara era baixo, magro, vestia uma capa com capuz e usava uma adaga como arma. Isso me pareceu estranhamente familiar, até que ele lançou uma bola de algo que parecia fogo negro, dando-me a certeza de que ele era um sombrio.
Quando ele jogou aquela bola, nós três nos jogamos para longe em direções diferentes. Formamos uma espécie de círculo em volta dele. Em um movimento rápido, peguei meu arco e preparei uma flecha. Natten estava com uma magia pronta para lançar e Loren empunhava duas adagas. Por um momento, ficamos parados esperando o próximo movimento do inimigo. O homem estava de costas para Loren, o que foi um enorme erro dele. No exato momento em que ele ia atacar e se virar, o garoto ladino foi mais rápido, colocando a adaga no pescoço do homem em um rápido movimento e agarrando um de seus braços.
– Se fizer qualquer movimento, pode se considerar um homem morto. — disse o garoto no ouvido do sombrio, com um tom de voz quase que mortal.
– Está bem, está bem! Não vou me mover! Estou parado, bem parado! — respondeu o sombrio com um pânico na voz.
O homem encapuzado estava paralisado pelo medo e, por um breve instante, senti uma leve pontada de pena, até lembrar quem ele era e o que ele estava fazendo ali. A pena se transformou em uma vontade de atirar uma flecha bem entre os olhos dele.
– O que está fazendo aqui? Quem lhe mandou? — perguntou Natten.
– Meio óbvio o que eu estou fazendo aqui, não acha? — disse o homem em um tom arrogante.
– Responda. — falou Loren apertando mais a adaga no pescoço do homem, como que para lembrá-lo da situação em que se encontrava.
– Ok, ok! Estou aqui para tentar matar a princesa! Quem me mandou foi o meu mestre. — respondeu ele apressadamente.
– "Mestre"? Você quer dizer... — comecei a dizer.
– Sim! Lorde Polyum! Mestre das sombras e da escuridão! Meu mestre e senhor. — exclamou animado o homem.
Não sei o que me deixou com mais raiva (e um pouco de medo): o fato de alguém que eu nem conheço querer me matar e enviar alguém para isso, ou esse enviado ficar animado toda vez que fala o nome de seu mestre. Resolvi que a primeira opção me deixava com medo e a segunda com raiva. Loren apertou mais a adaga no pescoço do sombrio ao ouvir o nome do líder do clã das sombras, fazendo com que o homem tivesse dificuldades para respirar.
– Por favor. Deixem-me matá-lo. — Loren praticamente rosnou as últimas palavras. Dava para sentir a raiva em sua voz.
Eu não queria matar o homem. Ele era ruim e queria me matar, mas nunca pensei na morte como uma única opção para me livrar de alguém ou como vingança. Mesmo até porque para uns, a morte é um presente e um caminho melhor. Não sei se para esse homem era, porém eu não queria que ele tivesse uma morte rápida. Queria que fosse lenta e tão agonizante a ponto de fazê-lo ficar com medo e querer morrer logo. Esse pensamento me surpreendeu. Como poderia desejar isso a alguém? Aquilo era um pensamento tão... Sombrio.
– Não o mate. Faça um corte profundo em uma de suas pernas, mas não o suficiente para matá-lo. Quero que ele entregue um recado para seus superiores. — disse Natten. Ele olhava para o homem como se estivesse enojado pela simples presença do sombrio.
– Que assim seja. — retrucou Loren, e com um movimento rápido, fez um corte na perna do homem com a adaga. Este caiu de joelhos com um grito de dor.
O corte não jorrava sangue, apesar de ter começado a sangrar muito, segundos depois de ter ido feito.
– Kyla, faça uma atadura na perna do homem. — ordenou-me Natten.
– Sim. — respondi, mexendo-me rapidamente na direção do homem. Rasgando a camisa do sombrio, usei o pedaço para fazer uma atadura improvisada na perna dele. Quando terminei, Natten o puxou pela capa e colocou-o de pé. Com uma voz de ordem e um pouco assustadora, ele disse ao sombrio:
– Diga aos seus superiores o seguinte: "Esse deixamos vivo. O próximo mataremos. Se mandarem mais de um da próxima vez, mataremos eles também". Entendeu?
– Sim. Entendi. — o homem respondeu balançando a cabeça freneticamente.
– Ótimo. Agora saia daqui. — Natten largou o outro, deu alguns passos e ficou de costas para o sombrio. Este, saiu correndo na direção das moitas nas quais estava escondido.
Passado um tempo com os três em silêncio, Loren deu um suspiro e falou em uma voz cansada:
– Bom... acho melhor selarmos os cavalos e partir para a próxima vila. Seria legal dormir em uma pousada essa noite.
Com isso, selamos os cavalos e partimos.
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