Illumina
5 Cânticos de Elfheim
Notas iniciais
A brisa do mar encontrava as costas da praia do reino de Elfheim, apesar de ser um arquipélago de ilhas possuía uma floresta imensa e densa em contraste com imensas construções e monumentos, um rapaz agachado no porto aguarda o navio atracar, sua única companhia no momento é seu lobo que cochilava deitado ao sol. Ao longe o navio surgia, suas velas vermelhas tremulavam ao vento, portavam os símbolos de Lumia, um amigo de meses atrás finalmente havia chegado, por mais que todos soubessem quando ele iria chegar todos estavam impacientes em esperar o druida. Todos conheciam seus hábitos, alguns desacreditavam de que ele voltaria das florestas de Kriengor, mas o mais estranho foi ele voltar acompanhado por um jovem.
Guilherme os observava pelo seu telescópio quem esta no barco, ele identifica o druida que Becker e Arnaldo disseram que viria, por um momento imagina não ser grande coisa, kazdanianos são treinados para matar qualquer coisa que respire, na certa se não tivesse sido treinado para matar algo era por que tal coisa não daria trabalho a ele, mas as palavras de Becker sempre o faziam pensar, sempre voltavam a sua mente e sempre levantava uma curiosidade e a necessidade de um alto desafio, algo que lhe desse a adrenalina que queria, algo que lhe despertasse a emoção que o combate proporcionava a ele, uma ideia tola.
O lobo acordara, levantou e caminhou ao lado de seu dono concentrado no navio, e sentou e começou a para o navio que a essa altura já estava a alguns metros do porto, assim que lançou sua ancora uma rampa desceu e o garoto mais jovem desceu do navio carregando uma urna, meio desajeitado pelo peso, mas sem larga-la. Logo atrás vinha Pedro, sorridente segurando uma mala imensa com sua mão esquerda apoiando a nas costas, em seguida três belas mulheres desceram do navio, neste momento Guilherme sorriu e confirmou tudo o que haviam falado sobre os modos do rapaz.
_ Então._ Disse o kazdaniano._ Tu és o falado druida, viciado em bebidas e mulheres?
_ Falado não posso dizer-te..._Responde com um sorriso no rosto._ Mas viciado em bebidas e mulheres, com toda a certeza.
Os dois se cumprimentam com um aperto de mão e partem do porto em direção a floresta, onde se estavam as cidades dos elfos, ao vento podiam se ouvir cânticos por todas as partes, por mais que se esforçassem não conseguiriam entender uma só palavra das musicas que podiam ser ouvidas em qualquer lugar, elas acalmavam ate mesmo o coração mais cheio de ódio, o lugar transmitia tranquilidade e paz para todo que ali passasse. A caminhada era um tanto que longa, porem seria uma forma de Guilherme entender quem seria seu novo aliado, entre as arvores construções imensas decoravam todo o caminho, muito elfos armados de arcos e flechas observavam os visitantes, caminharam ate um lugar em especifico similar a uma estalagem, porem sem bebidas ou meretrizes.
_ Que tipo de homem insano faria tal lugar?_ Abismado Pedro pergunta, com suas mãos no rosto._ Como tu me trazes a um lugar como este? Preferia que os Lobisomens tivessem matado me.
_ Pares de reclamar, eu trouxe uma companheira comigo e mesmo assim ela esta em um lugar separado._ Respondeu o kazdaniano.
_ Hahaha tu estais em pior situação amigo._ Argumento Pedro._ Tens a mulher mas não podes mostrar o quão viril tu és.
_ Creio que... Se tais reclamações afligem nossos convidados talvez devam se retirar._ Disse uma voz um tanto que afinada por traz dos dois rapazes._ Podem se sentir a vontade de deixar Elfheim assim que quiserem.
O homem quem falava chamava-se Isaque, era um dos soberanos dos elfos, apesar de sua opinião sobre os visitantes o conselho não daria ouvidos a ele sobre sua ideia de expulsa-los, sua visão de que os elfos deviam se isolar da violência no mundo de Illumina não era bem aceita entre todos os elfos.
_ A feiticeira e o garoto são bem vindos para adentrar na cidadela real, porem... Os dois baldarianos, o kazdaniano, o necromante e o druida permaneceram aqui ate segunda ordem compreenderam?_ Isaque volta a dizer, mas no momento demonstra um desdém e arrogância desmedida._ O druida não iras adentrar pelo seu comentário e... Exala perversão, alguém assim não é bem vindo.
Becker que estava sentado com seu machado no colo segura-se para evitar a risada, enquanto Arnaldo nada diz apenas continua afiando sua espada com a pedra que estava em sua mão, o druida pensa em fazer alguma piada em relação ao que o elfo acabou de dizer, mas o braço de Guilherme o impede de continuar.
_ Nós compreendemos sua repulsa por nós, lorde Isaque, porem como eu te disse antes, não estamos aqui sem razão._ Com o braço estendido na frente de Pedro evitando que fizesse a piada que queria, Guilherme se curva diante do anfitrião. _ Nossa missão é mais justa do que imaginas.
_ Justiça é diferente de vingança, jovem assassino._ Ao responder isso Isaque se retira da estalagem, assim batendo a porta por de trás dele.
Entre os cinco homens e o garoto que estava na estalagem ainda havia um que não se pronunciara, sua aparência era de um homem vindo do extremo oriente, os olhos puxados, o cabelo cumprido uma única espada na cintura com sua lamina curva medindo pelo menos 90 cm. O homem apenas bebia um cha e fumava um cachimbo, aparentava ter no máximo 25 anos de idade, olhava para o grupo e sorria, levantou se caminhou até os rapazes e disse.
_ Ireis esperar uma eternidade se dependerem do xenófobo.
_ Como tens tanta certeza e por que esta aqui?_ Perguntou Arnaldo levantando-se com a espada e a pedra ainda em mãos.
Pois tens de conversar com a pessoa, quer dizer elfo certo._ Respondeu o oriental._ Já estive aqui muitas vezes, tenho amigos por este reino, entretanto estou nesta estalagem pois não tenho nada o que fazer na cidadela e aqui é aconchegante.
_Largue este dialogo ridículo e sente-se és apenas um palhaço com uma espada._ Salientou Becker tentando acalmar Arnaldo.
Um som de desembainhar espada foi ouvido e logo a lamina do oriental estava no pescoço de Becker, ninguém conseguiu reagir a tempo, ninguém viu o movimento, Becker olhou fundo para o homem que logo afastou sua lamina da garganta dele, o machado que estava em punho baixou vagarosamente, ate tocar o chão, no momento que a espada voltou a ser embainhada, Becker saltou furiosamente sobre o oriental derrubando o no chão, começaram uma briga sem armas, enquanto o baldariano socava sem interrupção todos os outros apenas assistiam e riam do que acontecia, o outro homem apenas esquivava e defendia os poderosos socos de Becker.
_ Deveríamos interromper tal combate não achas tutor?_ Diego aflito pergunta para Pedro.
_ Por hora não, pois tenho que apostar em algum dos dois._ Responde tirando moedas do bolso.
Nesse momento o rapaz que parecia estar em desvantagem passa uma de suas pernas por cima dos ombros de seu agressor fazendo o cessar os socos e solta-lo, seguindo assim os dois levantam se Becker passa a defender chutes poderosos vindo do estrangeiro que apresentava maestria em combate corpo a corpo, os amigos de Becker sentam se e resolvem apenas aguardar a luta acabar, o baldariano suspende seu atacante no ar, o arremessa por uma janela, em seguida o grande bárbaro se retira da estalagem e retorna ao combate, o oriental já estava de pé, com um chute giratório acerta o peito do grande oponente que recua com dores.
_ Bastardo, não cansaste de dançar ainda?_ Becker com sua mão no peito bravejava.
_ Quando cansar de me divertir eu acabo com tua vida fique tranquilo.
_ Bastardo, vou polir minhas botas com sua ligua._ A resposta de Becker socou a face do oponente com tanta força que derrubaria ate mesmo um cavalo, porem seu oponente apenas um corte na parte superior de sua sobrancelha apresentava.
O combate cessa com a chegada de um cavalo branco, acompanhado de uma guarda, todos armados, porem sem usar armadura alguma, a comitiva parecia ser a recepção de convidados, porem todos estranharam a recepção, pois não eram bem vindos de acordo com o elfo Isaque, no cavalo branco uma figura encantadora montada, possuía adornos majestosos, um vestido com um tom rosado mesclado com o branco, um pingente de outro que fazia inveja ate no mais nobre dos corações, possuía um sorriso doce, cabelos castanhos lisos ondulados e olhos sinceros.
A figura desceu do seu cavalo, retirando seu véu, revelou sua face, sua pele branca, com o rosto quase rosada, como de uma jovem bela, suas orelhas pontudas e sua altura denunciavam sua descendência élfica. Ela aproximou-se dos dois oponentes, sutilmente cumprimentou o oriental, olhou profundamente para os dois combatentes, colocou as duas mãos na cintura e disse.
_ Acharia que encontraria apenas guerreiros honrados aqui._ Olhou para os acompanhantes de Becker._ Mas o que Isaque me dissera é fato, és apenas um bando de arruaceiros e assassinos.
_ Creio que provoquei tal situação minha senhora, queria testar tais homens, mostraram se honrados deixando o combate proceder entre apenas dois homens._ Respondeu curvando se o jovem.
Os outros rapazes seguravam suas armas, prontos para desembainha-las caso aquilo fosse uma ofensiva, a guarda dos elfos fitava cada um dos homens, também segurando no cabo de suas espadas, uma figura observava tudo de uma arvore, seu nome era Augusto, um dos elfos espadachins mais respeitados de Elfheim, rindo de tudo o que se passara, com saltos incríveis o elfo desce das arvores e posa em frente aos homens e a beldade élfica.
_ Minha senhora, quem ordenou tal teste fui eu, ordenei que Takahashi como um grande amigo e ótimo guerreiro testasse tais homens.
_ Mas com permissão de quem? _ Perguntou a moça.
_ Com a permissão de Isaque, minha senhora.
_ Isaque? Mas como ele passou por cima de minhas ordens e não permitiu que nossos convidados entrassem em nossa cidadela?_ Por um breve momento a jovem de sorriso encantador._ Tratarei disto quando voltarmos.
_ Tu és lady Myrlene? _ Guilherme quebra o silencio de seu grupo e pergunta a moça._ O motivo de nossa visita a seu reino é por sua causa.
Um dos guardas aponta uma de suas flechas para a cabeça de Guilherme que se aproximava ainda mais da elfa, retirou seu capuz e se curvou diante de moça a sua frente.
_ Milady, se permitir me apenas alguns momentos em sua presença, pois preciso de informações que possui, isso seria vital para meu povo.
_ Teu povo não foste todo extinto mercenário?_ Myrlene responde ao jovem ajoelhado._ Sim sou Myrlene, garanto que serão bem vindos contanto que suas intensões sejam nobres.
Com isso os homens seguem a comitiva que parte em direção a cidadela, cada um dos homens montou em seus cavalos, apenas o jovem kazdaniano que não usava um cavalo utilizava como montaria um lobo, ele liderou seus amigos, por de traz da comitiva de Myrlene, chegando aos portões dourados de Ingdar, a capital de Elfheim. Todos maravilhados com tais obras que ornamentavam a entrada, três estatuas de lordes elfos, um com uma espada, o outro com um arco e o terceiro com um livro, o terceiro era a maior das estatuas, simbolizava a justiça e o conhecimento. Guilherme montado em seu lobo, partiu para os estábulos acompanhado pelo filhote ao lado, já fazia dias que tiveram alguma refeição decente, hoje seria o dia perfeito para isso.
_ Podeis ficar aqui, em meu palácio haverá um banquete em homenagem a vossas visitas, sintam se a vontade._ Myrlene os cumprimenta curvando-se e retira-se.
_ Podemos confiar nesses elfos?_ Becker pergunta, arrumando o machado em suas costas.
_Não tenho certeza alguma meu caro amigo._ Responde Guilherme, de joelhos brincando com Bruce.
_ Entretanto, não me parecem querer nosso mal._ Salientou Bruno._ Acredito que podemos desfrutar da hospitalidade deles.
_Não sei que hospitalidade falas._ Pedro resmunga._ Nem mesmo umas únicas bebidas vão encontrar aqui.
_ Já chega de reclamar, estamos apenas de passagem por tal lugar._ Guilherme diz para todos em seu grupo._ Não me sinto bem vindo aqui, aquele Isaque não me fez confiar em nenhuma de suas palavras.
Todos os homens concordam com as palavras de Guilherme, pois realmente a repulsa de Isaque era evidente. Logo a noite se aproximava, o homens tiveram a chance de tomar um banho e se vestir de forma devida para adentrar no salão principal do palácio, além de banho todos ganharão tratamentos especiais, a aparência deles não era apresentável em tal lugar, alguns tiveram suas barbas feitas seus cabelos cortados, até mesmo roupas novas foram dadas aos visitantes, agora desarmados e vestidos com roupas de gala, todos estavam no salão.
Isaque fez uma expressão de repulsa, sussurra alguma coisa no ouvido do elfo a sua esquerda na mesa, o mesmo olha para o grupo de homens entre os elfos e apenas faz um gesto com a cabeça como se tivesse compreendido alguma ordem, os homens conversam entre si, comem bebem um pouco de uma bebida doce que os elfos consomem porem desconhecida para a maioria dos humanos. Eis que a festividade se silencia, afigura de outrora rodeada por uma comitiva e guardas adentra o salão acompanhada de Ana, que por sua vez usava um belo vestido vermelho, todos no salão prestam uma reverencia a Myrlene, que usava um vestido majestoso porem nos mesmos tons de antes, Guilherme espera conversar sobre o assunto que ele viera tratar, caminhando entre os convidados ele cruza o salão, ao aproximar se da mesa onde ela se encontrava Ana levanta-se e parte em seu encontro.
_ Finalmente conseguistes chegar ate aqui.
_ Creio que não foste fácil convencer a duquesa de permitir minha entrada, não com o noivo imbecil dela nos impedindo._ Responde o jovem enquanto beija a mão de Ana para cumprimenta-la.
_ Mulheres se entendem, tu deverias saber disso, tendo em vista de que cuida de varias._ Ana responde com certa ironia e se afasta deixando o caminho livre ate a duquesa.
Logo Guilherme caminhando para de frente da mesa onde poderia ter a liberdade de perguntar o que quisesse para Myrlene, posa suas duas mãos sobre a mesa e diz.
_ Minha senhora, venho a acreditar que seu povo tenha contatos com um feiticeiro orc que procuro.
_ Se tu falas de Ongar, sim és um convidado aqui esta noite._ Responde a dama.
_ Ótimo minha senhora, porem existe a necessidade que falemos em particular._ Guilherme estende o braço em direção a uma das saídas, quando é interrompido.
_ Tu achas que eu deixaria minha noiva sair do salão com um assassino frio como você kazdaniano?_ Isaque furioso, bate seu punho a mesa derrubando uma taça de ouro no chão.
_ Se eu a quisesse morta ela já estaria quando a vi na floresta._ Responde o rapaz._ Porem tu a vê aqui respirando em sua frente pequeno monarca.
Isaque apresentava 1,62 de altura, uma altura incomum entre os elfos, o kazdaniano também não era tão alto possui apenas 1,75 de altura, porem já era o suficiente para desdenhar com o elfo.
_ Insolente._ Esbravejou Isaque._ Guardas, levem este imundo daqui._ Isaque gritou e logo alguns de seus guardas surgiram para leva-lo.
Nesse mesmo momento os acompanhantes de Guilherme se uniram a ele, até mesmo Ana e Diego que nenhum problema com os regentes uniram se a eles, Bruno permanecia calado, ao abrir um sorriso parte dos guardas e da multidão entraram em pânico, Becker socava a própria mão em gesto de desafio aos guardas, Arnaldo olhava apenas para um dos guardas que tremia de medo ao ver a expressão do bárbaro olhando fixamente pra ele, Avelar pegou uma coxa de javali e continuou comendo, enquanto os guardas se amontoavam, meio a tudo isso Isaque mais uma vez decidiu se pronunciar.
_Vede meu povo, são apenas porcos e assassinos, quero que todo esse lixo sejas banido do nosso reino agora.
_ Espere, tu não respondes sozinho sobre isso, não ate o casamento, quero ouvir o que tal homem tem a dizer._ Myrlene levantou-se e aproximou-se do grupo.
_ Acredito que não importa somente a ti, mas aquele idiota de orelhas pontudas também._ Guilherme disse apontando o dedo para Isaque.
_ Como tu permites tal desrespeito com seu futuro esposo Myrlene?_ Isaque posou sua mão em seu tórax e perguntou se aproximando.
_ Isaque, acalma-te temos de ouvir o que dizem pois de muito longe vieram.
_ De muito longe vieram apenas para nos saquear._ Saindo do salão Isaque ainda esbravejava porem não se dava para ouvir.
Guilherme acompanha Myrlene ate a sacada do salão que ficava em andares elevados do palácio. Ela aproximou se do beiral e contemplaram as luzes de seu reino, suas construções ficavam sempre ao redor de uma arvore colossal, todas suas escadarias passavam por fora das construções, todos estavam aguardando do lado de dentro, a musica voltara a tocar, porem os ânimos não estavam com o mesmo apetite de festa. Guilherme aproximou se de Myrlene olhou nos seus olhos e sorriu.
_Se tu pudesses se ver agora jovem elfa, garanto lhe que estarias a olhar te nos olhos, sem peder nenhuma chance de apreciar seu sorriso gracioso e a formas que seu olhos se ilmunam ao luar._ Subitamente Myrlene da um tapa no rosto do kazdaniano.
_ Pensei em dar lhe alguma atenção, mas notei que fostes apenas um erro tolo._ Se aproximando da entrada do salão enquanto Guilherme retorna a si após o ocorrido.
_ Myrlene, espera, tal coisas que disse para ti agora fostes apenas força do habito._ O rapaz estende seu braço em direção da dama para evitar que ela saia
_ Então me perdoe por tal ato desmedido, mas não tolerarei mais outra “força do habito” como esta._ Desta vez com seus braços cruzados e sua expressão doce mudada._ Garanto que não vieste da quase extinta Kazdanian para apenas perder meu tempo.
_ Em verdade sim, não vieste aqui a toa nem trouxeste valorosos guerreiros sem motivo algum, o que sabes sobre Ongar o indigno.
_ És um soberano orc, não és muito agradável, mas és pacifico com meu povo, Isaque não aprova os acordos de nosso povo com o dele._ Apoia se na varanda mais uma vez._ Qual teu interesse nele, kazdaniano?
_ Simples, apenas quero mata-lo.
A expressão de Myrlene mudou completamente, se afastou dois passos de Guilherme que se encontrava serio, e de certa forma um pouco sombrio, a elfa realmente se assustou, pois conseguia perceber que estava decidido, tal ódio não era aceito entre os elfos, sua doutrina de apenas tirar uma vida para preserva varias não lhes permitia vingança. Aos poucos se afastou de Guilherme e correu para dentro do salão sem proferir apenas uma palavra.
Em seguida as cornetas anunciavam o convidado que acabara de chegar, uma comitiva orc trazia o feiticeiro orc, ao seu redor haviam guardas desarmados, mas mesmo assim possuíam um tamanho significativo que lhes valeria em combate, sua aparência era pior que a de seus guardas, ele tinha uma pele verde escura e grossa, mesmo que suas vestes fossem luxuosas ainda assim era repulsivo, exalava um cheiro fétido e acumulo de gordura incrivelmente notável. Os homens que acompanhavam Guilherme estavam apenas aguardando o seu retorno da varanda para saber como agir, o orc ostentava muitas joias e um colar muito incomum para um orc que, todos podiam notar a semelhança com os medalhões kazdanianos.
Kriengor.
Ao mesmo tempo em Kriengor na província onde a jovem Bianca vivia, após seu conflito com o s lobisomens nos portões da capital, só espera relatar o ocorrido para o Duque, pois em Kriengor ninguém tinha mais poder bélico do que o homem, ele possuía a lealdade do único homem interessado em ciência dentro do alcance de três reinos, Daniel era um estudioso que dedicou sua vida a ciência desde pequeno, ensinado por sua mãe ate o dia de seu falecimento.
Bianca adentra os estábulos de seu pai com seu cavalo e espera conseguir passar as informações que tem para ele, porem sua chegada já foi avisada e alguém, já partira em seu encontro. Bianca desceu de seu cavalo e correu em direção, a sua casa, precisava avisar, seu pai ele poria sua guarda em prontidão, ele mandaria recados para o rei, ele seria ouvido, esses eram os pensamentos da jovem, seu vestido com a barra suja e rasgada, correu para a porta principal da morada, encontrou seu pai no salão de festas, com sua taça de hidromel em sua mão esquerda como de costume, ouvia bardos tocando melodias alegres pois a noite era de festejo, a irmã mais velha de Bianca havia retornado após muitos anos de exilio, Bianca aos poucos entrou no salão cumprimentou alguns convidados de seu pai, se aproximou do trono que seu pai mantinha no salão onde ele se encontrava, olhou fixamente nos olhos da irmã, ao chegar ao lado de seu pai sussurrou lhe aos seus ouvidos palavras quase inaudíveis para os outros que estavam no salão, só seu pai pode ouvir em meio a musica.
Todos observam o gesto do homem para que a musica cesse, logo os bardos param o som de sua harpa, suas barbas cumpridas, algumas cicatrizes e seu cabelo cumprido mostravam sua idade, junto com seus fios brancos, ele se levanta e diz.
_ A comemoração acaba aqui! Todos voltem aos seus lares, guardas acompanhem-me._ Com estas palavras o Duque retirou-se do salão, deixando apenas suas duas filhas sozinhas em seu salão.
As duas se encaram por alguns segundos, apesar de serem irmãs as duas não tem nenhum respeito ou carinho uma pela outra, Bianca começa a se afastar, quando sua irmã levanta e segura seu braço.
_ Então caçula não acha que mereço um abraço?
_ Pelo que, por tentares me matar em quanto ainda eu era uma recém-nascida?_ Responde a garota soltando seu braço._ Gabriela, tu és a pessoa mais imbecil que já conheci em toda minha vida.
_ Tal respeito que demonstras pra mim?_ Gabriela diz enquanto da às costas._ Quero ver se demonstraras tal respeito pela manha.
_ Tu não mereces respeito algum, tu podes lembrar nossa mãe, mas tu não representas nada dela sua vadia imunda!_ Bianca se exalta com sua irmã chamando a atenção de alguns poucos guardas que ainda restavam no lugar.
Sem aviso algum, Gabriela desfere um tapa na direção da garota que cai ao chão, apesar da vontade dos guardas de intervir, eles não podem tocar em nenhuma das filhas do duque, calados eles assistem o que se passa sem mover nenhum musculo, a irmã mais velha se aproxima da mais nova caída no chão que limpava o sangue de sua boca.
_ Minha irmãzinha bastarda..._ Segurou o pescoço de sua caçula._ Tu gozas da bondade de um velho decrépito, mas durante o amanhecer, isso não será mais aceito.
_ O que quer dizer com isso?_ Bianca já liberta das mãos de sua irmã pergunta.
Logo as duas são interrompidas com o som da corneta de visitantes, que acabara de tocar, dois jovens cobertos por capas e capuz estavam aos portões de seu pai, ambos montados em lobos, um deles carregava consigo uma espada longa, um arco e algumas flechas, o outro tinha um cabelo que podia ser visto por baixo do capuz, os rostos estavam escondidos, os guardas apontavam lanças para o que pareciam ser dois kazdanianos perdidos.
_ Venho em paz até aqui, vim solicitar apenas uma morada noturna para um casal de viajantes._ A voz era de um rapaz jovem.
Os guardas os deixaram entrar Bianca não havia se dado conta, mas enquanto os visitantes a distraiam sua irmã havia se retirado, algo de errado estava para acontecer, ela sentia isso, mas a sua irmã não podia ser acusada sem prova alguma.
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