I'll come back
1 Maybe I'll come back
Notas iniciais
“Se eu falar bem devagar,
Se eu segurar sua mão,
Se você olhar bem perto, meu amor,
Você pode entender.
Aqui vou eu
Eu vou te dizer
O que você já sabe.
Aqui vou eu.
Eu vou te dizer
O que você já sabe.”
For You – Angus and Julia Stone
Uma semana, foi esse o prazo que a Liga dos Assassinos me deu para entregar a eles o verdadeiro assassino de Sara, ou eu e toda a minha cidade sofreríamos as consequências. Me sento no chão perto do meu boneco de treinos, rindo de toda essa ironia. Nunca quis ter uma cidade, não queria nem mesmo ser um herói, Diggle e Felicity me fizeram ver as coisas de um modo diferente quando se juntaram a minha cruzada, passei a me ver através dos olhos deles o que me tornou no que sou hoje.
–Então, obrigada a vocês! –Murmuro com ironia, sentindo meu corpo febril e mesmo assim não conseguia parar de sorri. Acho que estou em estado de choque.
Faltavam agora quarenta e oito horas para o maldito prazo ter fim e bom, as tal consequências que eles falaram. Odeio a Liga dos Assassinos, não faz ideia do quanto, mas lutar contra eles é suicídio, e não só para mim, mas para minha família, amigos e aliados. É como ter dez Slade’s de volta a minha vida ao mesmo tempo, ao meu inferno de vida.
–Oh, ai está você... Tenho te rastreado a horas, como bloqueou meu sinal? Não importa! –Felicity suspira aliviada me vendo sentado no chão, ela caminha em minha direção com um sorriso compreensivo nos lábios e se senta ao meu lado tomando cuidado com a saia do vestido salmão que usava. –Por que está sentado no chão? –Sorri me olhando. –Temos muitas cadeiras a disposição. –Ela faz um gesto indicando o local.
–Só... Pensando. –Respiro fundo passando as mãos na cabeça, como se esse gesto tivesse o poder de clarear minha mente.
–Ainda temos quarenta e oito horas, vamos dar um jeito Oliver. –Sinto sua mão na minha, a tirando da minha face. –Caitlin está repetindo as análises do sangue do assassino, eu tenho esperança que vai haver uma saída. –Sua voz é carregada de emoção, sei que ela só está falando aquilo para me confortar, pois Felicity estava tão apavorada quanto eu ou o resto do meu time.
–Não vou arriscar a vida de vocês Felicity. –Me viro a olhando nos olhos. –Nem a sua, a da Thea que agora é um alvo duplo com o pai que tem, Roy ou Diggle e a família dele. Não posso mais fazer isso, não com vocês. –Ela respira fundo tentando se acalmar, posso ver em seu rosto a força que está fazendo para não gritar comigo aos sete ventos, aquilo quase me fez sorrir novamente.
–Okay Oliver, eu realmente entendo o que está sentindo e pensando nesse momento...
–Não você não entende. –A interrompo em voz baixa. –Felicity, eu salvo pessoas todos os dias, pessoas a quem não conheço, não tenho nenhum tipo de sentimento verdadeiro por elas. –As palavras pareciam me causar dor ao sair por minha boca, mas eu precisava fazer com que ela entendesse. –O que você acha que eu faria por quem eu amo de verdade? Em? –A encaro esperando que ela processe minhas palavras, vejo seus olhos se encherem de lágrimas, sua face ganhar um leve tom de vermelho, sinto meu coração se partir mais uma vez ali, naquele momento, vendo a dor necessária que estava a causando.
–Você tem um plano. –Não era uma pergunta, ela sabia o que estava prestes a fazer, e parece que pela primeira vez eu tenho seu apoio, ou parte dele.
–Tenho. –Confirmo vendo um única lágrima descer por sua face, antes dela escorar a cabeça na parede fechando os olhos. Acompanho cada um de seus gestos afim de guarda-los em minha mente.
–E se eles te... –Respira fundo contendo um soluço causado pelo choro que segurava.
–Não vão Felicity. Eu vi isso nos olhos do Ra’s, ele está intrigado comigo, me quer mais como membro de sua seita do que morto, eu não teria nenhum valor para ele nesse caso. –Mais um soluço dela, mais uma faca em meu peito.
–Pretende voltar um dia? –Se vira com olhos de uma criança que perdeu seu brinquedo preferido.
–Espero que sim. –Pego sua mão, sei que não era certo, mas era o mínimo que poderia me permitir naquele momento, me sentia a ponto de desabar, precisava de meu alicerce ao meu lado. –Prometo fazer o possível para isso, mas não sei quanto tempo vai levar. –Ela dá um sorriso triste.
–Você nunca promete voltar. –Observa me fazendo espelha a tristeza de seu sorriso no meu. –E sempre volta, espero que o fato de você estar prometendo agora não quebre a corrente.
–Eu sempre prometo! –Protesto.
–Não você não promete... Mas não me importo com isso de verdade, só o que conta é ver você descendo aquelas escadas, ou passando por essas portas. –Ela aponta para a porta ao nosso lado. –Então eu volto a respirar. –Outra lágrima escorre por sua face.
–Precisa cuidar dos outros em minha ausência, ajudar Roy com a cidade, manter Laurel na linha com aquela ideia dela de se tornar uma vigilante, estar ao lado de Diggle, e se não for pedir muito, dar uma olhada em Thea. Sei que Merlin vai fazer isso, mas não confio nele.
–Sou sua garota. –Responde me fazendo sorri.
–É verdade, você é. –Levo sua mão aos meu lábios beijando sua palma. –Não a garota, garota... –Brinco imitando um antigo discurso dela a algum tempo atrás. Felicity empurra meu braço e tombo propositalmente meu corpo como se tivesse sido ela, para não ferir seus sentimentos.
–Babaca. –Fala em voz baixa.
–Você vai ser sempre minha garota Felicity. –Repito o que disse antes e Felicity coloca sua cabeça em meu ombro. Nunca fizemos isso antes, mas dane-se, tenho poucas horas agora, nem sei se vou voltar a vê-la.
–Obrigada. –Fala quando passo meu braço em seus ombros a puxando para meu peito.
–Quer falar sobre aquele beijo agora? –Pergunto. –Sei que o plano era adiar até não podermos mais, só que agora é o “não podermos mais”. –Digo e dou um beijo no alto de sua cabeça, ela permanece imóvel, não como se estivesse constrangida, mas como se quisesse me sentir perto dela pelo maior tempo possível.
–Você me ama? –Perguntou em voz baixa e podia sentir o choro ali.
–Sim. –Suspiro a apertando mais em meu abraço.
–Mas não pode ficar comigo. –Conclui.
–Não, Felicity, não posso. –Engulo em seco, sentindo como se meu peito fosse explodir em sofrimento.
–Se pudesse, você ficaria... Sabe, de verdade, como um casal normal que tem planos? –Sinto a insegurança em sua voz.
–Todos os meus sonhos impossíveis são com você Felicity, família, filhos, um lar de verdade, queria poder ter tudo isso ao seu lado, mas sabemos que isso não faz parte do pacote de herói.
–Esse pacote é uma bosta. –Fala me fazendo dar risada.
–Felicity. –Chamo adorando cada letra de seu nome.
–Sim Oliver.
–Você me ama? –Nunca me senti mais inseguro antes em toda a minha vida.
–Mais do que você imagina... Sim Oliver, eu te amo. –Ela respira fundo com pesar e nos abraçamos por muito tempo.
Ela se levanta quando nos separamos e eu imito o gesto. –Eu vou voltar Felicity. –A puxo pela mão quando ela estava prestes a ir embora.
–É melhor mesmo Oliver, você nunca me viu verdadeiramente brava. –Ameaça da forma mais adorável possível.
–Pode demorar. –Aviso.
–Eu sei. –Sussurra com os olhos repletos de lágrimas. –E isso está acabando comigo.
Não suporto mais a tristeza dela e a puxo para mim, unindo nossos lábios em um beijo de despedida, era o máximo que poderíamos ter. Intensifico o beijo, pois precisava de algo a que possa me agarrar, dia após dia que estivesse de volta ao inferno. Sinto suas mãos pequenas e macias bagunçando meu cabelo curto, coloco as minhas firmes em sua cintura, ao romper o beijo passo para seu rosto. Limpando suas lágrimas com pequenos beijos meus, nos abraçamos mais uma vez apertado sentindo nossos corações batendo forte, não queria a soltar, mas se não fizesse agora talvez nunca mais tivesse forças.
–Tenho que ir. –Digo a ela que se mantem firme, enxugando as lágrimas de seu rosto.
–Posso te dar cobertura. –Força um sorriso para me agradar e caminha para seus computadores. E essa é minha última imagem dela, não poderia ser melhor.
Saio em minha moto pela cidade com o comunicador aberto, as vezes escutavas pequenos múrmuros de choro, mas ela não me pede para voltar atrás em nenhum momento e me sinto grato, pois voltaria no primeiro chamado seu. Chego no ponto de encontro mais rápido do que desejava sentindo o ar me faltar.
–Felicity. –Chamo pela última vez.
‘Estou aqui.’ –Me delicio com sua voz, sentindo a coragem que precisava no momento.
–Eu te amo. –Digo com todas as letras, no que pode ser minha última chance, posso morrer, mas não morreria sem contar isso a ela.
‘Sei disso, eu também.’ –Então tiro o comunicador de meu ouvido e piso sobre ele o destruindo.
FELICITY
Cinco longos meses se passaram desde a última vez que o vi, e acredite quando eu digo que me sinto menos viva a cada longo segundo. Mas me agarro em sua promessa, claro que continuo vivendo minha vida, tenho meus trabalhos, o normal e o extra curricular. Laurel assumiu o manto da irmã, sei que Oliver me pediu para evitar isso, mas em uma hora em que a cidade precisou, não tive escolhas, Roy e Diggle também ajudavam na ausência dele, prefiro dizer ausência a cogitar outras hipóteses.
Roy tem usado meu sistema da caverna escondido, tentando encontrar Oliver. Sei como ele tem se sentido, mas Oliver fez isso por ele também... E ai vai mais uma coisa na qual me agarro como se minha vida dependesse disso. Caminho pelas ruas escuras de Starlling a noite, é ridículo isso e eu sei, mas tenho visitado alguns lugares onde o Arqueiro já salvou pessoas, mas esse de hoje é especial, pois a pessoa em questão sou eu mesma.
Foi o dia em que enfrentamos o Artesão de Bonecas e fui a isca. Olho para esse maldito beco me agarrando ao pouco que me mantem inteira, estava cansada de ser forte, de ver aquela merda de uniforme verde na caverna juntando poeira. Me sento no mesmo lugar onde cai naquele dia, abraçando minhas pernas para voltar a me sentir inteira.
‘Felicity.’ –Escuto a voz de Diggle no comunicador. Enxugo minhas lágrimas e respiro fundo me recompondo.
–Sim. –Respondo com a voz firme.
‘Temos um nome para o caso do assalto a banco, mas achamos que o trabalho está sendo terceirizado.’ –Conta. ‘Nos encontramos na caverna.’
–Tudo bem, estou a caminho. –Limpo a sujeira de minha roupa e volto para meu carro.
Laurel, Roy e Diggle já estavam me esperando quando eu chego. Caminho em direção a minha cadeira sem olhar em direção a vitrine do uniforme do Oliver, pego o nome em silencio e começo a trabalhar. Muita sujeira na vida desse cara, o tipo de caso que Oliver mais gosta. E novamente a tristeza me invade.
–Oscar Dumbler, 52 anos, ele aparentemente “construiu” sua fortuna do nada, mas bom, agora sabemos como fez. Ele é semelhante ao Esquiva. –Olho para Diggle que se aproxima interessado. –Mas a forma que trabalha é um pouco mais elaborada. Dumbler desenvolveu uma espécie de droga que deixa as pessoas suscetíveis a ordens, na verdade a uma ordem apenas, e a compulsão não passa enquanto ela não é executada.
–Odeio essas merdas. –Murmura. –Tem um endereço?
–Claro. –Digo a eles que saem em seguida à procura do cara.
Chego em casa as três horas da madrugada, sentindo minha mente exausta. Vou direto para o banho deixando a água quente lavar toda a dor física e emocional que venho sentindo. E ainda tem Ray Palmer, de quem prefiro não falar nesse momento, com todas as mentiras que ele me envolveu.
E percebo que essa é a grande diferença entre Oliver Queen e Ray Palmer. Oliver é um ótimo mentiroso, mas é péssimo em me contar mentiras, enquanto Palmer é excelente em ambas as partes. Como sinto falta dele por perto... Saio do banheiro e me enfio em um pijama de bolinhas horrível que nem me lembro mais por que o comprei, e vou direto para baixo ad cobertas lembrando de tudo que passei ao lado de meu herói preferido. Tudo que dissemos um ao outro e o que não se precisou dizer, percebo agora que sempre falamos mais um com o outro no silencio. Silencio esse que eu me ocupava em quebrar com algum discurso constrangedor.
Todas as pequenas declarações feitas, toques... Sou tão idiota! Cubro minha cabeça com o travesseiro para abafar um grito de frustração, sentindo as malditas lágrimas descerem por meus olhos, uma hora elas teriam que acabar, uma hora eu ficaria completamente seca por dentro.
–Felicity. –Ouço o que só pode ser alucinação da minha mente perturbada.
–Vou fechar os olhos com mais força, assim tenho certeza que a voz vai sumir. –Murmuro sentindo meu coração acelerado. –Me sinto como a garota de Crepúsculo agora... –Então ouço o riso.
–Eu nunca entendo as referências a esse filme.
–Oliver. –Me sento vendo a sombra de seu corpo na parede sul do meu quarto.
–Sou eu. –Ele caminha em minha direção e me levanto rapidamente me jogando em seus braços.
–Você voltou. –Digo admirada.
–Era esse o trato. –Ele se afasta e posso olhá-lo nos olhos, que brilhavam intensos. –Disse que voltaria.
–Ah Oliver! –Murmuro o abraçando mais uma vez. –Você aparece logo no dia em que escolho esse pijama horrível... –Penso alto em meio ao choro com o rosto escondido em seu peito ouvindo sua risada.
–Senti falta de disso. –Sinto um beijo no alto da minha cabeça.
–Senti falta de você. –Me afasto o olhando nos olhos.
–Nada mudou Felicity, ainda não podemos ficar juntos. –Me lembra cheio de pesar.
–É verdade, nada mudou. Mas estamos longe a cinco meses, e agora você está aqui. Hoje pode ser uma noite fora do nosso acordo. –Proponho.
–Posso te beijar, só hoje... –Ele apresenta sua contra proposta me fazendo sorrir. –Ainda vamos ser nós depois disso.
–Vamos sim. –Concordo.
–Espero que um dia isso também mude. –Diz antes de me beijar cheio de carinho por um longo tempo. –Espero de verdade que um dia possamos fazer isso sem precisar parar. –Cola sua testa na minha me olhando nos olhos.
–É o que nós dois queremos... Mas ainda temos essa noite. –Sussurro.
–Vamos fazer com que valha a pena. -Então toma em seus braços me levando de volta para a cama.
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