I'll be there for you...
1 Capítulo 1 - We're going home!

Eu sempre amei o Natal, desde que era bem pequena. Lembro de acordar bem cedinho e procurar os presentes, naquele frio típico de dezembro. Minha mãe costumava fazer torradas com canela e um chocolate quente bem gostoso. Sempre queimava minha língua. Meu pai muitas vezes trabalhava madrugada a dentro, então só o viamos mais tarde. Não importava, ainda conseguiamos passar um bom tempo juntos, em um dia que parecia que o ar ficava carregado pelas expectativas, e tudo tinha uma cor mais viva. Era tudo muito perfeito.
Quando entrei em Hogwarts, então, meus natais passaram a ser ainda mais cheios de magia, por assim dizer. A casa de meus pais era muito longe da escola, e ainda mais da estação de King's Cross, então muitas vezes optei por ficar na escola, com meus amigos. Meus pais entendiam, era um mundo novo, o qual eu gostava de absorver cada minuto, cada experiência nova. E contava tudo isso nas cartas diárias que enviava a eles, pela minha coruja. Falando assim, é completamente normal, mas meus vizinhos sempre se questionavam porque haviam tantas corujas pelas redondezas ou porque eu ficava fora o ano todo. Como eu nasci com poderes dentro de uma família de trouxas, era bem complicado explicar, então sempre diziamos que eu estava em Londres, na casa de uma tia enquanto estudava, e as corujas simplesmente não tinham explicações. Como explicar, não é mesmo?
Sinto falta dos meus pais e da minha antiga casa. Parecia tudo bem mais confortável. Mas como diria minha avó, filhos são criados para o mundo. E foi isso que fiz, assim que terminei meus estudos em Hogwarts. Fui para o mundo.
— Kat, você encontrou meus potes reservas? — Jaz me pergunta, enquanto segura várias caixas de papelões.
— Ainda não, mas se eu encontrar, deixo no seu quarto — respondo, enquanto tiro o cabelo que cai no meu rosto.
Ninguém nunca fala o quão desgastante é fazer uma mudança. Estamos em cinco e ainda assim, mal conseguimos dar conta de tudo que trouxemos para o nosso novo apartamento. Bem, considerando que estou indo morar com a super estrela da música bruxa, a sensação da nova geração, Liz Jenkins, e seu 395 pares de sapatos (sim, nós contamos) e um curandeiro que está sempre fazendo novos experimentos com poções e precisa de MUITOS ingredientes, é até compreensível. Ainda bem que temos Eric e Eleonor, nossos amigos e futuros vizinhos para nos ajudar.
— Isso aqui é pus de bubotúbera, Jaz? — Eleonor pergunta, levando o frasco de vidro até o nariz, para sentir o cheiro. Do outro lado da sala, onde estou, consigo sentir o forte odor de gasolina.
— Nell, solta isso! Vai te dar furúnculos! — Eric fala, soltando a enorme pilha de roupas que está segurando. Nellie só ri e põe o vidro de volta na caixa.
Alguns fatos sobre meus amigos, que me fazem amar e odiar cada um: Jason é um curandeiro maravilhoso e trabalha no Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. Em seu tempo livre, quando não está fazendo estranhas misturas, ele gosta de descobrir novas propriedades mágicas das coisas. Algumas poções que ele inventou deram super certo, como a Poção Ventora, que ao ingerir, você se recupera de uma forte crise de asma. Outras, nem tanto. Mas ele nunca se deixa abalar, pois tem uma determinação que nunca vi em nenhuma pessoa. Juntando isso a um pouco de birutice, temos o Jaz. Somos amigos desde que eu estava no quinto ano de Hogwarts, e ele no sexto. Foi Nell que nos apresentou, já que eram da mesma casa, em um dia que estava sofrendo para passar em meus exames de poções e ela me indicou Jason como tutor.
Agora, se você achar ele meio avoado, você irá adorar Eleonor. Ela é a pessoa mais doce que já conheci na minha vida, tanto que quando nos conhecemos, no primeiro ano, eu estava chorando por alguma razão no banheiro por um bom tempo e ela notou, se sentou no chão e começou a conversar comigo, sem razão nenhuma. Em questão de minutos, ela já estava me fazendo rir e soubemos que seriamos amigas a partir de então. Por ela ser da Corvinal, ela é muito inteligente e esperta, mas sempre compartilha todo o conhecimento que tem, e me ajudou nas horas que eu mais precisava. O estranho era que ela era boa com todos, mas nem todos eram com ela. Alguns comentavam que a achavam meio boba da cabeça, mas só me fez com que tivesse mais vontade de me aproximar dela. E tem sido assim, desde então. Hoje em dia, ela tem uma loja muito famosa no Beco Diagonal, a Flores e Cristais da Nellie, e vende todo tipo de poções, amuletos, ingredientes e cosméticos. Ela simplesmente ama o trabalho que tem, e faz questão de passar isso para seus clientes.
Já seu irmão, Eric, é seu completo oposto. Começando pelo fato que são gêmeos e foram para casas diferentes, já que ele é grifinório de paixão. E quando digo isso, é porque ele é realmente obcecado e orgulhoso da casa que veio, o que é até engraçado. Eric tem uma personalidade muito forte, usa humor para literalmente tudo, sempre faz questão de mostrar o que pensa e demonstra seus sentimentos. O mais importante: se você realmente importa para ele, é possível que ele irá matar e morrer por você. Nós todos vemos o carinho e proteção que ele tem por Nell, mas o mesmo acontece com o restante do nosso grupo. Eu o conheci quando ele defendeu alguns garotos do primeiro ano da Lufa Lufa que estavam sendo pertubados por outros da Grifinória. Achei que ele tinha muita coragem, principalmente por enfrentar a própria casa. Depois disso, e por conta de Nell também, acabamos nos aproximando. O engraçado é que todos falam que dariamos um belo casal, mas acho nunca nos enxergamos dessa forma.
— EU SÓ QUERO SABER QUEM PEGOU O LENÇO DA SORTE! — Liz grita, entrando na sala, com as mãos na cintura. Eu olho com um sorriso acusatório para Tom.
Liz sempre é aquela que está no centro da atenção de todos. Desde sempre, ela prometeu ser uma grande artista, e conseguiu chegar lá. Hoje em dia, ela tem shows lotados e sempre está presente nos eventos mais importantes do mundo bruxo. Tenho muito orgulho dela e da pessoa que ela vem se tornando. Quando ela está com a gente, parece que o mundo fica mais escuro, porque toda a luz emanada vem dela. Liz é a luz de cada um de nós, e fica feliz por isso. É a pessoa certa para quando você está triste ou desanimado.
— Ora, será que você, Jason, teria algo a dizer sobre isso? — eu digo, imitando Liz com as mãos na cintura.
— Ora, pois eu não tenho nada a acrescentar, senhorita Winter — diz Jaz, também com as mãos na cintura.
Começamos a rir e Nell se junta a nós, enquanto Eric pergunta o que houve.
— Hoje eu tenho uma reunião importantíssima com o Chefe Bruxo da Suprema Corte dos Bruxos e eu preciso do lenço! — Liz diz, procurando o lenço nas caixas a sua volta.
— Por que ele quer falar com você? — pergunto, enquanto limpo o suor do meu rosto em um pano.
— Ele quer que eu cante na festa de Natal que ele dará para alguns amigos — eu começo a contestar, mas ela me interrompe — e sim, Kate, eu sei que você está organizando uma festa para a gente e eu estarei aqui, como prometido. Mas antes disso, eu irei fazer meu show. Imagina! Quantos contatos ele deve ter! Será ótimo!
— Sim, se você encontrar o seu lenço — diz Jaz, saindo correndo da sala, com Liz correndo atrás. Acho que seremos ótimos companheiros de quarto.
Nell diz algo sobre buscar alguma coisa em seu apartamento para comermos e ficamos só Eric e eu arrumando as coisas. Ele encontra minha caixa das minhas roupas de Hogwarts e nos sentamos para ver o que temos lá dentro. Ao longo dos anos, fui colecionando pequenas lembranças do meu tempo na escola. Eu costumava tirar muitas fotos, e quando descobri como fazê-las se mexer, fiz um álbum especial para cada ano que passei lá. Meus boletins, anotações de deveres, as cartas da minha família, um pomo de ouro que o capitão da Lufa Lufa me deu uma vez. E por falar de Lufa Lufa, várias e várias peças de roupa da minha casa: cachecóis, moletons, gorros, todos amarelos e pretos.
— Depois eu que sou louco pela minha casa, olha o tanto de coisa que você tem! — Eric diz, rindo. — Acho que só conheço mais uma pessoa como a gente...
— Quem? — eu pergunto.
Ouvimos uma batida na porta e a maçaneta girando. Ele entra, com sua feição séria, de poucos amigos, e seu sobretudo preto. A primeira coisa que vejo, como sempre, são seus olhos cinzas, bem claros. Em sua mão, está o lenço de Liz.
— Estou interrompendo? — ele pergunta, com sua voz grave.
— Claro que não — digo, me levantando e limpando a poeira da minha roupa — Oi, Henry.
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