I'll be Here
3 Primeira noite
Dinamarca, 23 de Abril,2001
Eu estou chorando?
Tenho vontade de chorar, então devo estar chorando.
Não, tenho certeza de que não estou mais chorando. Estou triste de mais para derramar mais lágrimas.
Sinto meu rosto pressionado por lágrimas secas.
Como ela pôde?
Como todos puderam?
Por que?
Por que no final eu sempre acabo chorando?
Eu fui abandonada.
— Se sente melhor? — Paul pergunta e eu não respondo. — Se sente ansiosa? — Fito o retrovisor e imediatamente encontro os olhos azuis de Paul. Seu olhar de pena me constrange — Sente alguma coisa?
— Eu estou com fome — digo, e pelo retrovisor vejo o olhar de Paul se transformar em um sorriso ansioso.
— Já estamos chegando, e se tivermos sorte nada lhe ocorrerá pelo atraso.
— Como assim? — digo e vejo o sorriso de Paul se evaporar de seu rosto, dando lugar a uma aparência amedrontada.
— A escola possui um método de conduta bem complexo.
Sem entender, volto a observar a estrada.
Acabamos de chegar em uma pequena cidade com alguns estabelecimentos antigos, os quais eu não consigo identificar.
Abro a janela à minha esquerda e sinto o ar frio doer os meus ossos, oque me faz fecha-la novamente.
No momento em que fecho, vejo um grande muro cinza de cimento salpicado surgir.
Observo que a velocidade do carro diminui quando chegamos próximos a um portão grande, com grossas e estreitas grades de ferro. Uma grande corrente com cadeado envolve suas grades onde os portões se unem.
Quando o carro finalmente pára, observo Paul saindo do carro com um chaveiro repleto de chaves.
— Um minuto, mocinha.
Observo Paul abrindo o cadeado e voltar com a corrente no pulso.
— E lá vamos nós — diz Paul seguindo com o carro até a entrada.
No momento em que passamos do portão, eu vejo uma imensidão de árvores amareladas.
A neve cobria o que parecia ser a grama alta e os simples brinquedos que haviam em um canto distante.
No centro do jardim havia um chafariz de pedra antigo, o qual, aparentemente, estava a muito tempo sem uso.
Em alguns cantos haviam grandes árvores e grama alta, e em outros, só era possível ver a grossa camada de neve.
Após observar tudo eu chego a uma conclusão: tudo aqui tem aparência antiga e gasta.
Inclusive a porta de entrada de madeira branca, da qual acaba de sair uma senhora magra e agitada com vestes de freira.
— Ande, ande! — a senhora exclama da entrada.
Paul estaciona o carro próximo a entrada e eu observo a moça se aproximando de nós.
— Por que demorou tanto, Paul?
— Quanto tempo você acha que a viagem dura, Maura? Vamos, Emma.
Paul e eu saímos do carro e eu aperto Rose contra meu corpo quando novamente sinto o frio congelante.
— Quando deixará de me chamar assim? — diz Maura e eu reparo como seus lindos olhos azuis contrastam com suas vestes.
— Esse é o seu nome, não?
— Sabe oque eu quis dizer!
— Por que se preocupa com a forma que eu te chamo? Não tem mais crianças para punir?
— Me respeite, sou sua mãe!
Observo o rosto de Maura se tornar um rosto amedrontador, com direito a olhos bem abertos e lábios pressionados.
— Onde está meu pagamento?
— É claro. — diz Maura revirando os olhos antes de entregar um envelope à Paul.
— Boa sorte, gatinha — sorriso quando vejo o ruivo piscar pra mim e voltar para o carro. — A gente se vê!
Me viro para ver Paul dando partida no carro e seguindo para o portão.
— Ande menina, está atrasada. Ande! — Maura segura meu braço esquerdo e o aperta com força me levando à porta de madeira clara.
Entramos na escola e Maura me solta.
A dor do aperto dá lugar à outra maior na parte traseira da minha perna esquerda.
Antes que eu possa reclamar, sinto outra dor, aparentemente mais forte.
Me viro para trás e vejo Maura com um cinto marrom em sua mão direita.
— PARE!
Quanto mais eu gritava e chorava, mais eu apanhava.
— Repita, "eu vou ser pontual" — Maura dizia calmamente.
— Eu nem sabia que havia um horário para chegar — Eu digo entre os soluços e grito ao sentir uma região de minha perna esquentar com o couro do cinto novamente.
— Repita!
— Eu vou ser pontual. Pare, por favor !
— De novo — Ela diz, após me atingir mais uma vez.
— Eu vou ser pontual!
— Ótimo, agora engula o choro e fique quieta, ou apanha de novo.
Assunto com a cabeça e me esforço para ignorar a dor e a raiva de Paul.
— O que é isso?
Demoro um tempo para entender que ela se refere a Rose.
— Rose — digo com a voz falhada.
— Sem brinquedos aqui.
— Não é um brinquedo.
— Me dê! — Maura diz com a mão esticada.
— Mas...
— Lembre -se do estado de suas pernas.
Vejo Rose sendo arrancada de minhas mãos alguns segundos depois e sinto uma incontrolável vontade de chorar.
— Quieta! — a voz calma e em baixo tom de Maura me amedronta. — Ande!
Volto a sentir o aperto em meu braço esquerdo me guiando a algum lugar.
No caminho eu vejo muitos quadros com imagens e pequenos bonecos de cerâmica.
As paredes internas também não possuíam azulejo, apenas havia o simples cinza do cimento salpicado.
Depois de passarmos por algumas portas, eu ouço barulhos de falatórios acompanhados de um maravilhoso cheiro de comida — o qual faz minha barriga roncar.
— Ande. — Exclama Maura antes de passarmos por uma porta escura.
Alí havia dezenas de mesas grandes e compridas.
Aparentemente tudo aqui é separado por idade, já que os maiores sentam em mesas separadas dos menores.
Maura me guia para a última mesa e eu me sento com dificuldade no banco de madeira.
— Bagda, traga um prato, essa menina chegou atrasada — Maura grita.
— O que houve? — pergunta uma senhora com vestes de freira.
— Paul se atrasou. Ainda dá tempo?
— Claro, se ela comer em dez minutos.
— Se não comer, dorme com fome. — Maura me lança mais um olhar amedrontador antes de ir embora e eu assinto.
Em alguns segundos um prato com frango e purê de batata.
— É melhor você comer logo ou eles podem bater em você. Eles bateram na Ligi por deixar cair grãos de arroz na mesa. — diz uma menina de cabelos castanhos a minha direita.
— Me bater por comer devagar?
— Eles não precisam de motivos. Não te bateram por chegar tarde?
Antes que eu possa responder Bagda grita "Andem logo" e eu como de pressa.
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Maura nos guia entre os corredores largos em silêncio.
— Meninos irão com a Bagda, meninas comigo.
Observo uma fila de meninos se afastarem atrás da freira.
— Vocês, venham!
Seguimos Maura por um longo caminho — o que me faz tentar deduzir o tamanho deste edifício -, até chegarmos em um quarto no final de um corredor.
— Aqui é onde vocês irão dormir durante este ano.
Era um quarto grande e largo. Alí apenas havia dezenas de camas de solteiro com lençóis claros.
No momento em que a porta foi fechada atrás de mim eu me perco na bagunça. Todas as meninas correndo em direção a uma cama específica.
— Ei, aqui! — Vejo a morena do refeitório me mostrando uma cama ao lado da dela e eu corro em direção a mesma.
— Meu nome é Alex, e o seu?
— Emma. — digo ofegante após sentar na última cama do quarto.
— Bem, pelo jeito seremos "as amigas".
— "As amigas"?
— Sim. Eu sou bem atenta as coisas, sabe? Olhe, aquela é a sofrida — Alex diz apontando para uma menina que estava deitada com os olhos fixos no teto. — E aquela... — Antes que ela possa continuar as luzes são apagadas. — Talvez outro dia.
Me deito na cama e me cubro com o fino cobertor.
— Bem, nós até que podemos ser "as amigas" ...
— Você não tem escolha.
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Olá, como vai?
Eu quero tirar umas dúvidas antes de dar continuação a estória.
* Emma vai crescer?
— Claro! No fim da estória ela terá 16/17 anos.
* Vai ser tipo Harry Potter?
— Nãããão, nada a veer. Em Harry Potter a autora conta um ano por livro. Em "I'll be Here" se passarão mais de dez anos.
*Então vai ser um livro grande?
— Eu vou pular alguns anos. Só estou pondo alguns caps de quando ela entrou no colégio pra vocês poderem entender tudo desde o início.
E eu pretendo escrever uma continuação.
Se tiver mais alguma pergunta comente, responderei todas.
Não perca o próximo capítulo.
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