Dinamarca, 30 de Abril, 2001

Abro a a porta de entrada com dificuldade devido ao peso. O frio da maçaneta me traz recordações indesejadas.

Sei que talvez eu deveria estar de volta neste final de semana, mas não é exatamente o que está acontecendo.

Porque, por um lado eu estou finalmente longe de todo o trabalho, mas por outro eu estou perto

— Emma.. — dele — Que bom que você voltou. — Abaixo os olhos imediatamente e sinto os mesmos se encherem de lágrimas.

— Onde está a minha mãe?

— Que pena que não pudemos nos despedir, não é? — ouço sua voz rasgada se aproximando junto com conhecido cheiro de álcool que sempre embrulha meu estômago.

O pavor toma conta de mim quando sinto o que está por vir.

— Venha.

Sinto seus dedos cumpridos apertarem meu braço direito e o sigo, já sabendo para onde estávamos indo.

Meus corpo se arrepia e eu não controlo minhas lágrimas.

Eu sinto dor, internamente. Meu coração dói.

Eu sinto medo. Mas do que isso, eu sinto pavor.

Quando chegamos no quarto e meu pai tranca a porta, eu sinto nojo.

Pela primeira vez em toda a semana eu sinto falta do colégio interno.

— Sentiu minha falta, Emma?

— Eu quero ir embora! — o pânico toma conta de mim ao ver meu pai se despir.

— Aqui é a sua casa, Emma. Bem vinda de volta ao seu lar.