I'll Never Let You Go
1 Don't Let Me Go
Notas iniciais
Foi no segundo ano que tudo começou. O bonito e brilhante James Potter, com quem todas esperavam ter uma chance, finalmente me notou. É, eu era a sortuda da vez. Mas eu não me rebaixei ao nível dele, claro. De início ele pareceu bastante surpreso com minha negativa, mas não desistiu, embora todos esperavam que ele desse de ombros e partisse para outra (afinal, ele era James Potter, se eu não queria, com certeza havia quem quisesse). Claro, ele continuou, como é que eles dizem, ''aproveitando a vida" com as garotas de Hogwarts, mas estranhamente, eu passei a ser sua favorita. O motivo era óbvio, eu passei a ser o desafio maior para ele, e desde esse dia ele nunca mais me deixou em paz. E, infelizmente, nunca vai deixar.
Eu acordei de manhã cedo, como sempre, e me arrumei rápido, na esperança de terminar o café antes que o Potter aparecesse. Desci com Alice, que também estava tendo sua cota de problemas com garotos e queria evitar o namorado, Frank Longbottom.
Eu cruzei o quadro da Mulher Gorda, onde Severus me esperava. Estávamos descendo, quando Frank apareceu pedindo desculpas e Alice ficou lá, discutindo com ele.
Sev e eu continuamos, rindo dos dois. AS brigas deles estavam ficando chatas. Chegamos ao salão principal sem que nos déssemos conta, e paramos em frente à porta, adiando a hora de nos separarmos.
Recostei-me junto a parede, apreciando o fato de que o Potter não tinha dado o ar de sua desgraça, quando senti severo se mexer, incomodado. O seguidor favorito do Potter, Sirius Black, se aproximou de nós.
–Evans, ei Evans! Oi!
–O que você quer? perguntei, enquanto via meu amigo mexer a mão em direção à varinha.
–James me pediu....
–Aquela lá é a professora Sprout? disse Severus, apontando para a professora que estava coberta de lama.
–Grande novidade, sev, ela só anda mexendo com as plantas o dia inteiro. Desembuchaa, Black, o que você quer?
–Eu já disse. Tenho certeza de que disse. Até mais, Evans!
Me virei, intrigada, e e percebi que Severus guardava a varinha rapidamente, com ar de desafio, como quem diz ''você não pode provar que eu fiz nada"
–Você... eu franzi a testa, balançando a cabeça em seguida. Quando se tratava dele e os marotos, não adiantava argumentar.
–Eu o quê? Quer saber, Lils, vou indo, Avery está me esperando. até mais!
Fui até a mesa da Grifinória, onde logo fui alcançada por Alice, que começou a me contar como ela e Frank tinham feito as pazes. Que previsível. ''Sabe, está mais do que na hora de algo inesperado acontecer por aqui." pensei.
Fui sozinha até a aula de transfiguração, alegre por não haver nem sinal do Potter, alegria essa que aumentou quando ele não deu as caras na aula.
Não o vi tampouco no tempo livre que se seguiu. Minha alegria só não foi maior por dar de cara com ele na aula de Feitiços.
Fechando a cara, sentei-me no lugar de sempre, na frente, esperando que ele viesse ao meu lado para importunar-me (ou ''seduzir" como ele diria) mas ele nem sequer pareceu tomar conhecimento da minha presença. Pelo contrário, permaneceu sentado com os amigos no fundo fazendo absolutamente nada, pelo resto da aula. O lugar ao meu lado foi ocupado por Severus.
James permaneceu indiferente a mim pelo resto do dia, nem sequer me dirigiu a palavra. Pelas barbas de Merlin, isso sim era algo inesperado. Já no meu dormitório, fitei o teto, tentando entender o que tinha acontecido. Será que ele estava doente? Ou tinha finalmente tinha tido a decência de me esquecer?
Fui invadida por uma sensação de alívio. Teriam minhas preces sido atendidas?
James não falou comigo no dia seguinte, tampouco. Parecia que tinha desistido mesmo de mim, ou seja, eu tinha motivo de sobra para comemorar... mas algo parecia estar faltando, era tão estranho que ele tivesse desistido assim, de repente...
Acho que o Potter fez alguma aposta de não falar comigo.
Foi o quê eu disse à Marlene, no sábado enquanto caminhávamos à beira do lago, assim como muitos estudantes. Os ''marotos" haviam acabado de de passar por nós, e embora Remus e Sirius tivessem acenado quando nos viram, James nem olhou para mim.
–É tão difícil acreditar que seu adorador tenha desistido de você?
–Não é bem isso, é que parece bom demais para ser verdade...
–E o que você esperava? depois de tantos anos ferindo o ego dele, parece que você finalmente consegui o quê queria.
–Vamos combinar que o ego de uma pessoa com ele precisa ser ferido de vez em quando, se não infla e acaba sufocando. Mas você tem razão, eu não estou comemorando como deveria. As minhas preces foram ouvidas! Eu vou dar uma festa! Uhúúl!
Marlene riu do meu entusiasmo repentino, e eu comecei a fazer a dança da vitória, logo caindo na risada com ela.
Dois dias se passaram, e minha felicidade foi diminuindo aos poucos. Aquilo era desagradável, ele parecia extremamente magoado, por algum motivo. Como se EU tivesse feito alguma coisa pra ele! O babaca arrogante, só porquê é lindo acha que nada é culpa dele!
Porque ele está agindo assim, com esses olhares rancorosos e tratamento frio? Eu nunca fiz nada pra ele, nada! Nunca fiz nada pra ele se apaixonar por mim e nem fiz nada agora pra ele desistir assim! Ou será que fiz? Claro! Alguma coisa que eu fiz ou disse fez o Potter desapaixonar, agora eu só tenho que descobrir o que é.
Na manhã seguinte, acordei perdida e preocupada. Nada restava daquele alívio de dias atrás, por mais incrível que pareça. Eu só pensava no que eu poderia ter feito para magoá-lo... cheguei a matar História da Magia, perdida numa confusão de preocupação e... saudades. É, eu sentia falta dele. Não porque sentisse qualquer coisa por ele, nada disso, mas porquê eu estava tão acostumada com as cantadas dele que não imaginava Hogwarts sem ele. Eu estava tentada a ir até ele perguntar o que eu tinha feito, quando me ocorreu que se tudo se resolvesse, ele voltaria a me importunar. Eu não podia fazer isso, não agora que eu tinha uma vida livre dele. Eu não queria que ele voltasse, queria? me doeu pensar aquilo, e eu fiquei confusa. Eu não queria que as coisas ficassem com estavam, mas não queria que voltassem a ser com eram.
James tinha me dado tudo o que eu sempre lhe pedira, e que agora parecia inaceitável ao meu coração.
É, eu percebi que se passasse mais um dia assim, eu morreria. Eu precisava dele, porque há uma semana eu estava incompleta, há uma semana, ele desistira de mim. Eu o perdera.
A compreensão se abateu sobre mim aos poucos, enquanto eu perdi o controle dos meus membros e meu cérebro processava a informação de que eu o amava. Minhas pernas fraquejaram, e a primeiras lágrimas começaram a cair. O peso da minha dor se tornou demais, e em instantes eu corria pelo castelo, já sem rumo.
Tudo em que eu podia pensar era no quanto eu o amava, no quanto eu o amara todos esses anos em que ele esteve bem aqui, e fui orgulhosa demais para admitir, até para mim mesma. O quanto eu fora presunçosa, e o quanto o fizera sofrer. E agora, o que quer que o tenha feito desistir, tinha tirado o meu James de mim.
Eu já nem sabia aonde estava indo, até que ao entrar em um corredor deserto a fim de me desviar de um grupo de quintanistas eu me choquei com alguém que vinha do sentido oposto, caindo no chão. E é claro que esse alguém tinha que ser James Potter.
Para minha surpresa, ele não me ignorou como vinha fazendo. Aliás, pareceu bastante preocupado para alguém que me tratara com tanta frieza. Assustado, abaixou-se e, com um teor apaixonado no olhar, me ajudou a levantar, enlaçando minhas costas com um dos braços.
–E-eu estou bem, eu disse, exugando as lágrimas. Ele, entretanto, fingiu nem percebê-las.
–Bom, já que é assim, eu, hm vou embora... é... isso. ele respondeu, tentando recuperar a postura fria.
Ele voltou-se para a direção de que eu viera, mas eu o puxei fracamente e o abracei, transformand-me novamente em um chafariz de lágrimas. Xinguei-me mentalmente por isso, mas não pude me conter. Eu finalmente encontrara alguém que pudesse me oferecer consolo, então desabei.
–O que foi, meu Lírio?
Meu Lírio. Ele tinha me chamado de meu Lírio! Eu poderia ter sorrido, mas me obriguei a encará-lo.
–O que foi, James? Me diga, o quê foi que te fez desistir?
–Do quê?
–de mim!
Ele recuou, confuso. Parecia não entender do que eu estava falando.
–Quem te disse que eu desisti de você?
–Oras, se não porque fica me evitando?
Ele me fitou, intrigado.
–Sírius não te entregou meu bilhete na Quinta?
–Não... ele bem veio falar comigo mas... ah... o Severus azarou ele, e ele não terminou. deve ter sido o Confundus...
–Snape! se eu pego o canalha! Mas o que importa, Lílian, é que eu não desisti de você. Eu mandei um bilhete, que obviamente nunca chegou, explicando tudo. Eu não suportava mais seguir você quando estava tão óbvio que você não suportava minha presença, não suportava mais fazer da sua vida um inferno, então resolvi te deixar viver sua vida. Mas eu sempre vou estar aqui te esperando.
–Então você não me odeia? Por ter te tratado como lixo esses anos todo?
–Como é que eu vou te explicar... Eu nunca me ressenti de você. Você não podia se obrigar a gostar de mim, podia? Lily, você poderia me desprezar eternamente, eu não vou desistir de você nunca. Nem que céus e terras queiram nos separar. Eu te esperarei por mil anos, se for preciso. Lírio, eu nunca te deixaria ir embora, tenha certeza. Você é a única a quem eu amei, você é minha ruiva, e toda vez que eu olho nos seus olhos que parecem o oceano, nada me faz sentir melhor que isso. Acha que eu deixaria um sentimento assim acabar? Eu te amarei pra sempre.
–Jay, me perdoa! Me perdoa por ter te tratado mal, pelas palavras desagradáveis que eu te disse, Me perdoe pela minha presunção, por achar que você esperaria feito um bobo. E por não assumir que eu te amo, e sempre te amei, antes, mesmo sem admitir para mim.
–Você por acaso é um anjo, que veio me levar para o paraíso? Mesmo que houvesse algo a perdoar, eu nunca poderia ficar bravo com você. O que importa agora, meu amor, é que ninguém poderá nos separar, nunca. Porque eu nunca vou te deixar ir.
Cuz this life's too long, And this love's too strong, So baby know for sure, That I'll never let you go
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