I'll Never Give Up Of You
7 Cap. 7 – Viagem, Primeiros Socorros, Estúdios M. A. C
Notas iniciais
"Você nunca sabe a força que tem. Até que a sua única alternativa é ser forte"
—Johnny Depp.
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A viagem não foi muito tranquila.
Eu não abri os olhos por nem um segundo. Uma aeromoça me perguntou umas três vezes se eu queria algo. Neguei educadamente, ainda com os olhos fechados, todas as três vezes.
Ok, teve uma vez que eu abri meus olhos, mas me arrependi drasticamente.
– Pelo amor dos deuses, Thalia! Abra os olhos, pelo menos, uma vez! – Jack insistia, e eu, com raiva da insistência dele, o encarei.
Uma ventania tirou a estabilidade perfeita do avião, e eu agarrei os braços da poltrona o mais forte que consegui. Meu coração palpitava em meu peito tão rápido que achei que ele ia sair pela garganta.
– Ah, não, turbulência – Percy murmurava, de olhos fechados – Acalme-se, Thalia, acalme-se.
– Thalia – dessa vez Annabeth falou, tocando minha mão – relaxe. Você está causando uma turbulência.
Respirei fundo umas quatro vezes, até meus batimentos cardíacos voltarem ao normal.
A turbulência, por sua vez, foi parando aos poucos, mas ainda podia ouvir Percy murmurando ao lado de Annabeth. Eu não podia sentir meus dedos das mãos, acho que porque apertava os braços da poltrona muito forte.
Depois de aproximadamente 3 horas de vôo, quatro leves turbulências, uma forte turbulência causada por minha pessoa, cinco aeromoças perguntando se eu gostaria de algo, um copo de suco de maracujá ("Maracujá acalma" dizia Annabeth "E você está muito nervosa") e uma série de pensamentos insanos de como morrer em um avião, aterrissamos em Los Angeles.
– Graças aos deuses – Percy comemorou, saindo do avião o mais rápido que podia, e eu, a tonta, fui atrás dele.
Encontramos mais um monstro no posto de desembarque (Yay! Nossa sorte é incrível). Dessa vez, era um não-muito-pequeno cara com um olho só, bem no meio da testa: um ciclope.
Levantei minha lança, já armada. Deixei o escudo de lado, mas só dessa vez. Queria um pouco de ação, e agora eu teria-o.
– Annabeth, Jack! – Percy gritou, com a espada em punho – Vamos precisar de uma ajudinha aqui!
Meu irmão e a loira vieram correndo, já armados, e completaram um semicírculo ao redor do monstro.
Eu fiquei confusa, porque o monstro saiu correndo. Nós, como bons semideuses que somos, obviamente fomos atrás dele.
O ciclope era rápido. Ele desviava de pessoas, carrinhos de bagagem e pequenos cachorros com mais facilidade que Annabeth, e olha que ela é bem graciosa.
Não tinha reparado antes, mas o monstro tinha duas facas embainhadas dos dois lados da cintura, que ele estava retirando de lá e mirando em um de nós: Jack.
Assim que a faca voou, empurrei-o para o lado, o derrubando, e tentando desviar da faca. Não consegui desviar direito, pois a faca cravou em minha coxa direita.
Como ainda estava correndo, caí rolando pelo chão. Ouvi um grito ao longe. Percy tinha gritado alguma coisa sobre Annabeth estar ferida.
Eu tinha que ajudá-la. Passei uma boa parte da minha vida protegendo-a, e ela não morreria agora. Não nas mãos de um ciclope.
Não conseguia levantar. Tudo estava rodando e piscando, e minhas pernas e braços estavam moles. Não estava sentindo mais minha perna direita. Só sabia que tinha uma faca enterrada nela, e tinha alguma coisa naquela faca que não parecia que meu organismo estava aceitando numa boa. Parecia... veneno.
A última coisa que vi foi a face de desespero de Jack, e tudo ficou escuro.
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Acordei com uma leve dor na perna.
Eu estava deitada em um daqueles bancos de aeroporto, todo branco e frio. A perna direita da minha calça havia sido rasgada, e minha perna estava enfaixada, com uma grande mancha vermelha no lugar onde eu sentia a dor.
Os mortais passavam por nós como se não nos vissem. Quem controlou a Névoa?
Olhei para meu lado e vi Jack ajoelhado ao meu lado, procurando alguma coisa na mochila.
– Cadê a bênção de Tique quando a gente precisa dela? – ele murmurava, tirando pequenos objetos dali e colocando-os ao lado dos joelhos – Ah, finalmente.
Meu irmão tirou um pequeno saco de pano amarrado com um pedaço de barbante. Ele abriu-o e se virou para mim.
– Ah, graças aos deuses, Thalia! Você está bem? – ele perguntou, suspirando e tirando um frasquinho do pequeno saco.
– Pelo menos já sinto minha perna – respondi, colocando a mão sobre o ferimento – O que aconteceu com Annabeth?
Seu rosto adquiriu uma expressão séria, e ele chegou para o lado para que eu pudesse enxergar a garota que estava deitada um pouco afastada: Annabeth tinha um grande ferimento no ombro esquerdo, mas este estava envolto com uma grande bandagem manchada com seu sangue. Ela não parecia sentir nada, já que estava dormindo, mas o sangue já empapava o curativo.
Me sentei, querendo ir até a loira, mas minha perna doeu tanto que precisei de alguns segundos para a tontura passar.
– Aqui, beba isso – ele desarrolhou o frasquinho e me entregou –preciso trocar o curativo de Annabeth.
Jack colocou tudo de volta dentro da mochila, deixando apenas mais um frasquinho, um rolo de bandagens e esparadrapo do lado de fora.
– Ei, Jack – ele olhou para mim, já de pé – o que é isso?
– Néctar concentrado – ele deu um sorrisinho de lado – especial para ferimentos com veneno.
Então eu estava certa. Tinha mesmo veneno naquela faca.
Meu irmão foi até Annabeth e ajoelhou-se ao lado dela e, com todo cuidado, retirou a bandagem suja de sangue.
Ele colocou metade do conteúdo do frasco no ferimento e arrolhou-o novamente, colocando-o de lado.
Jack continuou o procedimento, que eu não consegui olhar mais, pois ele tirou alguma coisa do ombro dela com a adaga da loira (uma coisa muito nojenta, que eu espero que não esteja na minha perna) e colocou em um pote vazio.
Só agora havia percebido: onde está Percy?
Observei o lugar em que estávamos, a praça de alimentação. Não, definitivamente ele não estava por aqui. Não me preocupei, pois ele sabia se virar.
Olhei para o frasco na minha mão: a consistência e a cor do néctar lembrava mel, só que mais brilhante. Tinha um cheiro bom, que não consegui identificar. Bebi tudo em um só gole, e tinha gosto de brownies de nozes recém-saídos do forno.
Quando levantei meu rosto para observar novamente o local, Percy estava ao lado de Jack, falando alguma coisa que não consegui ouvir. O filho de Poseidon estava com a espada em punho, e apontava para a saída do aeroporto com a mão esquerda enquanto narrava.
Com muito esforço, consegui me levantar. O néctar concentrado começara a fazer efeito, então minha perna já não estava mais tão dolorida. Consegui dar mais uns três passos arrastados antes de cair no chão.
– Thalia! – ouvi alguém chamando, e levantei o rosto – O que pensa que está fazendo?
– O néctar ainda não fez efeito – eu disse, enquanto Percy e Jack me ajudavam a levantar e me guiavam para o banco ao lado de Annabeth.
– Ah, jura? – Percy disse, sarcástico.
– Não seja sarcástico comigo, cabeça-de-algas – dei um tapa em seu braço, o que o fez rir.
– Onde aprendeu tudo isso sobre primeiros socorros, Jack? – perguntei, assim que eles me colocaram no banco.
– Fiz um curso de primeiros socorros com os filhos de Apolo durante o ano – ele respondeu, cortando um pedaço de esparadrapo e colando nas bandagens no ombro de Annabeth, para prendê-los juntos – Agora, deixe-me ver sua perna.
– Claro, doutor Templesmith – apoiei-a no banco com um pouco de esforço e ajuda de Percy.
Jack, delicadamente, cortou o esparadrapo que prendia meu curativo e retirou-o.
Senti como se a faca daquele ciclope estivesse novamente se enterrando em minha perna, no mesmo lugar. Olhar para aquela ferida gigantesca (certo, não era gigantesca, só um pouco grande) embrulhou meu estômago, e virei meu rosto enquanto meu irmão limpava o corte.
– Você não se sente mal? Sabe, mexendo com sangue e cortes? – perguntei, ainda olhando para outro lado.
–Eu meio que me acostumei – ele respondeu, dando de ombros – Ajudo os filhos de Apolo na enfermaria do Acampamento.
– Ahnn – Annabeth murmurou, abrindo os olhos – Onde é que... Ai!
– Relaxa, Annie – Percy sentou na ponta do banco, acariciando seus cabelos – Estamos bem.
– E Thalia? – ela perguntou, olhando para os lados e fazendo uma careta de dor.
– Estou aqui, Annie – Jack finalizou meu curativo e eu me arrastei até ela.
– Ah, graças aos deuses, Lia! – ela pegou minha mão – Você está melhor?
– Graças a Jack, você quer dizer – ajeitei seu cabelo com a mão livre – Se não fosse por ele, provavelmente teríamos morrido com o veneno das adagas.
O filho de Zeus veio até nós, com mais um frasco do tal néctar concentrado, e entregou-o à Annabeth, que bebeu-o em um gole.
– Não podemos ficar aqui por muito mais tempo – a loira concluiu, se levantando com ajuda de Percy – devemos continuar viagem. Sua perna está melhor, Thalia?
– Acho que posso andar – dobrei minha perna, devagar. Ainda sentia umas fisgadas de dor, mas poderia ignorá-la por um tempo – E seu ombro?
– Eu não preciso dele, por agora. Sou destra, e o néctar concentrado age duas vezes mais rápido que o néctar normal, sabia? Ficarei bem em algumas horas, assim como você.
– É assim que eu gosto da minha Sabidinha – Percy disse, dando um selinho em Annabeth.
– Ok, chega de melação e vamos logo – eu disse, colocando a mochila nas costas e me levantando.
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Pegamos um ônibus e paramos em frente a uma loja. "Palácio das Camas-d'Água do Crosta", se minha dislexia não estiver me enganando. A fachada loja estava pichada e quebrada em vários pontos, e tinham seis garotos lá dentro, no escuro, mexendo em algo que não consegui ver o que era, mas que me deixou curiosa.
– Vamos – Percy disse, olhando nervosamente para a loja e puxando a mão de Annabeth – estamos a uma quadra da M. A. C.
Jack foi seguindo-os, mas eu avancei até a vitrine quebrada. Um ato estúpido.
Um dos garotos me viu e alertou os outros. Eles se viraram, um a um, na minha direção, e antes que eles dessem um passo, fui andando o mais rápido que conseguia atrás de Percy, Annabeth e Jack.
– Acho melhor andarmos um pouco mais rápido – disse a meus amigos, e eles olharam para trás. Os garotos da loja estavam chegando perto.
Percy me jogou por cima de seus ombros como se eu fosse uma pena, sendo que eu era um pouquinho pesada, e começou a correr, com Annabeth e Jack logo atrás.
– Você é bem mais leve do que parece, Thalia – ele me disse, enquanto corria.
Entramos em uma loja que mais parecia um beco: sua fachada era coberta por mármore negro e letras douradas estavam gravadas acima da porta de vidro, dizendo "ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO M. A. C.".
O saguão de entrada estava cheio de gente, mas duas delas se destacava no geral: Caronte e Nico.
Percy me colocou no chão e nós quatro fomos até o filho de Hades.
– Vocês demoraram – Nico disse, desviando os olhos de algum espírito e olhando para nós. Ele encarou o curativo de Annabeth e o meu – O que aconteceu?
– Longa história – eu disse – Podemos entrar?
– Ora, ora, ora – Caronte disse, olhando para Percy e Annabeth através dos óculos aro-de-tartaruga – Olhe quem tenho o prazer de rever por aqui.
– Olá, senhor Caronte – Percy disse – Sinto muito não ter conseguido seu aumento com Hades. Pode nos levar novamente para o Mundo Inferior?
Ele soltou um pequeno riso, que foi se transformando em uma alta risada aos poucos. Caronte parou de rir bruscamente, o que me assustou:
– Voltem quando estiverem mortos.
– Eu tentei – o filho de Poseidon disse, se afastando um pouco.
Nico veio andando até nós. Ele parou na minha frente e me encarou, olhos negros nos azuis.
– Venham – o filho de Hades disse, andando até a porta do elevador, onde tinha uma grande sombra – É por aqui que eu quase sempre entro. Não é, Caronte?
O homem confirmou com a cabeça, ainda nos observando.
– Dêem as mãos – Nico disse – Isso vai ser desgastante.
Percy deu a mão à Annabeth, que segurou minha mão. Jack pegou minha mão livre e ofereceu-a a Nico. Ele hesitou um pouco, mas acabou pegando-a. Meu irmão segurou meu ombro, e senti um levíssimo choque percorrer a área do meu pescoço.
O "príncipe dos fantasmas" foi andando em direção à sombra, e entrou nela. Por uns segundos, tudo o que eu vi foi escuridão. Apertei a mão de Nico mais forte, e logo consegui ver luz novamente
– Chegamos – disse Nico, com a voz cansada – O Mundo Inferior.
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