— E novamente, o albino levantou a face para fitar o ser a sua frente, seus orbes percorreram toda a extensão do corpo do rapaz, até chegar a face do mesmo, subindo lentamente pelo contorno perfeito, sabendo cada detalhe, até que, seus orbes negros encontravam os orbes azuis dele. O loiro tinha um semblante sério, e fitava o menor, sem dizer uma única palavra. Naquele momento, as palavras ditas apenas desperdiçariam o pouco tempo que lhes restava juntos; Mello e Near se separariam, para resolverem o caso Kira, apesar de que os olhos dos dois, súplicavam por continuarem assim. Era tarde. Aquele fora o último dia, antes de Mello sair do orfanato para viver por conta própria. Mais antes, ele revelou um segredo que ninguém sabia ao albino. Deixando esse segredo revelado em uma carta em cima da cama do abino, e ia embora, sem olhar para trás, apesar da dor... —
— Near, ao retornar ao quarto com seu quebra-cabeças em mãos, já sabia da ida de Mello, e ao adentrar seu pequeno recinto encontrou uma carta branca em cima de sua cama, em meio aos brancos e confortáveis lençóis. Deixou o quebra-cabeças em cima da pequena mesa no canto do quarto, e andou em direção a sua cama, sentando-se sobre ela esticava as alvas mãos em direção a carta, sentindo nos lençóis o perfume do loiro, algo que era quase que um veneno para si. Segurando a carta, a trazia para próximo de seu corpo, apoiando a perna esquerda sobre a cama, enquanto a abria, pegando um pequeno papel, e uma foto do loiro. Lia a carta, na qual, via algo que Mello nunca havia dito, seu nome verdadeiro. O albino sentia um leve aperto na região do peito, no coração, e dava um curto suspiro, ficando inerte, enquanto fitava a carta, na qual, haviam escritas mais coisas, que começou a ler aos poucos, para conseguir controlar as suas emoções. -
"Eu te amo, e nunca vou deixar você. Mesmo que eu morra, e,quando você sentir falta, apenas pense, porque sempre e sempre, eu estarei aqui.Mihael Keehl." "Porque..?" — Ele se perguntou mentalmente, sentindo uma pequena e quente lágrima escorrendo a alva face, e, deixou a mão que segurava a carta descer até encostar-se na cama. O coração dele palpitava, ao mesmo tempo que sentia o aperto passar-lhe pelo peito. Levantou a mão livre, segurando levemente a camisa, pressionando-a entre os longos dedos, tentando em vão manter-se inerte, sentindo agora, o que teria que aturar durante anos, quem sabe até.. a próxima vida.
•
— Andava a passos largos sobre a escura rua, não tinha medo, já estava acustumado a perambular por alí solitário. Mello carregava sua mala, pensando no que faria agora, e principalmente, pensava em como o albino estava após ter revelado seu nome.
Parava súbitamente de andar, sentindo o corpo estremesser levemente, e uma lágrima quente escorrer-lhe a face. —
"Eu choro por..ele?" — Não queria acreditar que chorava por saudades. Não olharia para trás, queria vencer.. —
"É tão importante vencer?" — Mantinha o silêncio, agora fitando o asfalto frio, vendo a própria sombra, não tinha volta, nunca teria. Olhou para frente, e fechou os olhos fortemente, secando aquelas lágrimas que escorrian-lhe a face e correu sem direção. Queria apenas conseguir deixá-lo para trás, mais não conseguia, porque era o que ele menos queria.. -
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor