I'll Find You
2 The cat scratching me
"Jura que vai deitar isso fora?" — August perguntava, enquanto andava lado a lado de Emma, pelo grande corredor da base. A loira andava por lá com uma garrafa de vinho na mão, procurando uma lata de lixo, enquanto todos os outros militares olhavam com inveja. "Ouve, se você não quer, me dá!" — O homem tentou pegar na garrafa, que Emma logo desviou dele.
"Você não sabe se está envenenada!" — Ela falava, com toda a certeza do mundo.
"E você não sabe que quem t'a deu foi ela."
"Não interessa. Você sabe que é proibido beber bebidas alcoólicas aqui, né?"
"Sim, mas..." — A loira interrompeu o discurso do melhor amigo.
"Mas nada." — Emma lentamente colocou a garrafa no fundo da lata, para evitar parti-la. "Pronto. Assunto arrumado." — Virou costas e continuou a caminhar pela base junto a August.
De longe, Regina observava tudo. Com uma cara triste, por Emma não ter aceitado e por ter achado que esta tinha envenenado a bebida, mas também orgulhosa por dentro, pois Emma não cedeu e não quebrou qualquer regra. A morena aproximou-se da lata. Esperou que todos saíssem do corredor, e tirou-a de lá. Dirigiu-se ao parque, onde geralmente todos os militares se encontravam para uma pequena pausa. Se refugiou num lugar não muito visível, e sentou-se no chão. Colocou a garrafa ao seu lado, e tirou um cigarro do seu bolso.
Acendeu-o, e antes de o colocar na boca, uma voz por de trás da mesma exclamou — "Fumar mata, sabia?" . Era Emma. A loira estava com uma mão num dos bolsos da sua farda, e a outra segurava uma pequena caixa de madeira. — "Mas não era você que queria que eu morresse?" — Regina ficou encarando a loira, até que a mesma se aproximou, tirou o cigarro da mão da morena e o apagou na caixa. "Eu vi você ali..."
"Com..." — A loira não permitiu que Regina acabasse sua pergunta.
"Não importa. Me desculpa aquilo ainda à pouco..."
"O que você fez, Emma, não te perdão. E não me refiro ao vinho..."
"Eu sei..." — Emma olhou para o chão ao entender que aquilo era uma advertência ao que esta havia feito no escritório da general.
A loira sentou-se do lado de Regina. "Me dê os cigarros."
"Você não pode fumar, Swan!"
"Eu sei, eu nem fumo. Só queria deitar eles fora..."
"Eu gastei dinheiro comprando isso, sabe disso, não é?"
"Sei sim. E sua mãe sofreu te parindo para que você vivesse até ser uma velinha, sabe disse, não é?" — A loira sorriu de lado para a morena, que retribuiu o meio sorriso. Emma se curvou um pouco e passou as mãos pela farda da general, que ficou sem reação. Ao encontrar o seu bolso, Emma retirou a caixa de cigarros, e rapidamente se levantou, atirando-a para o lado de fora da cerca da base. "Depois eu te pago!"
Regina sorriu de lado novamente, e observou a loira sair do local.
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"Não sei o que deu em Regina... ela estava diferente. Talvez eu realmente tenha sido dura demais com ela quando disse que se ela morresse, ninguém sentiria a sua falta... Me sinto péssima. A verdade, é que quase todo mundo sentiria a falta dela aqui... Ela é ótima para todos... Mas eu, como é óbvio, a maior parte das vezes sou excepção. Ela me dá patadas e depois tenta amenizar os cortes. Ela é como um gato que vive me arranhando. Eu não entendo aquela mulher. Mas enfim. Faltam alguns dias para a missão começar, e acho que vou ter que começar a treinar... mesmo contrariada. Pode ser que, depois dessa conversa e do pedido de desculpas, ela pegue leve..."
Emma colocou seu diário perto do abajur, e o apagou. Se enrolou nos lençóis, e rapidamente adormeceu.
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A loira acordou com o barulho estridente do alarme. Não do seu pequeno alarme, mas um alarme geral, que era audível em qualquer parte da base. -"Como assim? Duas horas mais cedo do que é suposto acordar?! São quatro da manhã, pelo amor de Deus...". — Emma se levantou sonolenta e começou vestindo seu uniforme. Ao colocar suas calças, um aviso suou. Era Regina, que falava com uma voz rígida e madura. — "Quem não estiver no campo de treinos em dez minutos, terá uma penalização!"
Emma abriu os olhos fortemente. Vestiu o casaco do uniforme rapidamente, atou o cabelo num coque e calçou suas botas. — "PORRA! Não entra..." — A loira começava a entrar em pânico. Chegava num ponto, em que ela própria já tinha medo de Regina...
A loirinha começou procurando por outro par de botas, e só com dois minutos para chegar no campo , é que a soldada achou as devidas botas e as calçou. Saiu do seu quarto sem o trancar. Correu até o lugar, e ao chegar, sem fôlego, todos olhavam para ela com uma cara de preocupação. August fazia um sinal de 'Está completamente morta.' com a mão, fingindo que cortava seu próprio pescoço.
Regina encarava Emma como se ela fosse o leão e Emma a gazela. — "Dois minutos atrasada, Swan. Avisei que haveriam consequências."
"Mas... foram dois minutos!"
"Não interessa, Swan! Um soldado como você deve saber a importância de estar no lugar certo, à hora certa! Aqui! " — A morena colocou uma Carabina 7,62 MM, tipo sniper, nas mãos de Emma, que ficou de boca aberta. — "Já usou uma dessas?"
"Não..." — A loira tinha dificuldade em pegar na arma, que era extremamente pesada.
"Está vendo aquele homem lá ao fundo?" — Regina apontou para um homem, que se contorcia e estava atado a um poste de pedra. "Atire nele."
"Quê?" — Emma olhou chocada para Regina.
"Ele é um terrorista, Swan! Se coloque em posição e atire!"
"Mas.."
"JÁ SWAN!"
"Como eu faço isso? COMO EU USO? OQUE EU FAÇO?" — A loira estava desesperada.
"Escolha um local estratégico, apenas."
Emma respirou fundo. Colocou a arma em posição e se deitou no chão. O suor escorria por sua cara abaixo, e a mesma respirava profundamente.
"Atire." — Regina mandava. O homem que estava lá no fundo, se contorcia ainda mais. Tentava gritar, mas não podia, pois a sua boca estava tapada por um pano. A loira colocou o dedo no gatilho, e logo parou. Soltou todo o ar que havia acumulado e largou por completo a sniper. -"Eu não vou fazer isso..."
"Você TEM que fazê-lo, Swan! É sua punição!"
"Minha punição por chegar DOIS, Regina, DOIS MINUTOS ATRASADA É MATAR A PORRA DE UMA PESSOA?" — A loira se aproximava da General, e esta se afastava de Emma, que logo agarrou na cintura da morena e sacou uma pistola de seu bolso traseiro. A arma tocava no maxilar de baixo da morena, que parecia calma com toda a situação. " VOCÊ. É. DOENTIA!"
"Na verdade... não sou tanto assim." — A morena colocou a sua mão na de Emma, e fê-la baixar a arma de fogo. Tirou a mão da loira da sua cintura e se aproximou da sniper. Ela se deitou, como Emma havia feito alguns minutos atrás, e atirou. Emma fechou os olhos ao ouvir o barulho do tiro, mas estranhamente, ouviu também o barulho de um vidro grosso sendo quebrado. O homem que estava atado se desatou e tirou o pano da boca. "Tudo bem aí, David?" — Regina gritou. O homem levantou o polegar e sorriu alegremente para a General.
A mesma se levantou e olhou para Emma de lado. — "Não acredito que falhou no primeiro teste!" — A morena continuou seu caminho para fora do campo de treinos, e Emma correu atrás dela, com uma cara vermelha de raiva.
"PORQUE RAIO FEZ ISSO?" — Regina ignorou-a, e apenas continuou andando, como se Emma fosse um fantasma. "RESPONDE!" — A loira agarrou no braço da morena, que ao se defender, atacou fortemente a barriga de Emma, o que a fez cair de dor.
"Porque eu quero ajudar você." — Ela finalmente saiu do local, ouvindo os gemidos de dor da loira. Cada som vindo da boca de Emma, era como um tiro no coração de Regina, que odiava fazer aquilo à loira. Mas ela sabia que aquilo que estava fazendo era certo. A loira não podia se habituar a uma vida fácil sem regras. Ela precisava de disciplina. Ela precisava força para não morrer em vão, e para terminar o seu trabalho, a sua missão.
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